Todos os posts de Renan Pereira

Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [20-11]

20. Tune-Yards – Water Fountain

O ritmo, as referências e, principalmente, a criatividade de Merrill Garbus se encontram em seu ponto máximo na seminal “Water Fountain”, a amostra perfeita de toda a esquisitice (ou seria genialidade?) que engloba o projeto Tune-Yards… Impossível dizer o que é melhor: a espetacular percussão, as vozes perfeitamente encaixadas, a matadora linha de baixo ou as grandes variações. Tudo, no fim, acaba criando um número especialmente único.

19. Iceage – The Lord’s Favorite

A insanidade por trás da banda Iceage fica clara quando Elias Bender Rønnenfelt configura-se, em “The Lord’s Favorite”, em uma espécie de semi-deus pronto para aproveitar todos os pecados mundanos relativos principalmente à luxúria. Mas é a inteligência da canção que acaba marcando: diferente, até certo ponto desconexa com tudo o que o grupo havia feito até então. “The Lord’s Favorite” joga um inédito e excitante conjunto de referências sonoras ao post-punk, construindo um turbilhão sonoro que, além de impressionar, cheira a todo instante a novidade… Mesmo que se aproveite, no fim das contas, das mais antigas ideias. Uma canção, enfim, memorável.

18. Ex Hex – Don’t Wanna Lose

Reconfigurando um som que é basicamente gêmeo da música pop, as garotas da banda Ex Hex acabaram produzindo, quase sem querer, um dos maiores encontros do ano entre guitarras e melodia. “Don’t Wanna Lose” é uma canção simples, curta e direta, mas crava sua marca significando praticamente a perfeição em uma canção de power-pop: nervosa, dançante, caliente e impregnante.

17. St. Vincent – Digital Witness

Todo o estranho jogo proposto pela música de St. Vincent encontra conforto estético na explosão pop de “Digital Witness”. Bebendo, como sempre, do mais efervescente líquido da vanguarda musical dos anos setenta, fazendo do androgenismo experimentado por grandes nomes do passado, como David Bowie e Talking Heads, o seu grande dogma, Annie Clark acaba criando para si um universo particular, em que tudo acaba girando em torno de sua instigante persona.

16. S. Carey – Crown the Pines

Companheiro de Justin Vernon no projeto Bon Iver, S. Carey faz de sua carreira solo a perfeita extensão do trabalho de seu mais famoso companheiro. Em “Crown the Pines”, a música folk, sempre tão agarrada às raízes, acaba por percorrer novos caminhos em um claro sentido de reinvenção. Na canção, em meio a uma carregada base sentimental, uma explosão harmônica faz com que os Beach Boys encontrem o Coldplay, para depois se fundirem a Bon Iver e tudo se ligar ao Radiohead, criando, no fim, uma mágica canção.

15. Carne Doce – Sertão Urbano

Condomínios que oferecem o prazer maior dentro da cidade, o mato significando o progresso… Para o grupo Carne Doce, a natureza é o ponto de partida para uma canção que poderia até se tornar um hino para os ativistas do Greenpeace, uma grande discussão do boom urbano em detrimento do mato, mas que, na realidade, congrega em apenas uma canção toda a excitante mistura tropical proposta pelo conjunto – uma das grandes revelações de 2014.

14. Beck – Waking Light 

Uma das figuras mais mutáveis (e geniais) da música mundial, o californiano Beck voltou nesse ano com tudo à produção de estúdio. A melhor página desse novo capítulo da carreira do músico está em “Morning Phase”, que acompanha o teor acústico e orquestrado do clássico “Sea Change”, porém  com sentimentos de calmaria e contemplação. Faixa final do disco, “Waking Light” é um tratado melancólico e harmônico, representando a concepção sonora perfeita para o amanhecer.

13. Sharon Van Etten – Your Love Is Killing Me

“We Are There” marca a evolução definitiva de Sharon Van Etten… A belíssima “Your Love is Killing Me”, certamente uma das melhores canções desse ano, é apenas uma das provas do gigante talento da compositora nova-iorquina. Naturalmente sofrida, inserida em uma melodia fantástica e em um melodrama capaz de derrubar o maior dos machões, a canção contém uma das mais impressionantes explosões de sentimentos já ouvidas na música popular. Sem dúvida, um número primoroso.

12. Kendrick Lamar – i

Pra variar, Kendrick Lamar está de parabéns. Apresentando uma canção alegre, suave e positiva, o músico mostra que seu poderio pode ser infinito, até mesmo se colocando distante do teor pesado e político da obra-prima “good kid, m.A.A.d city”. “i” é uma música dançante que trata basicamente sobre paz, escancarando mais uma vez a sinceridade e a humanidade presentes na música de Lamar.

11. Os Irmãos Carrilho – Ela Quer te Ver

Os Irmãos Carrilho, dupla formada pelos curitibanos Alexandre Provensi e Matheus Godoy, se comporta como um dos projetos mais sinceros da atualidade. Afinal, quantos são os jovens brasileiros interessados em reviver de forma sincera a música de raiz? Se inspirando em antiguidades, eles fazem de “Ela Quer te Ver” um dos números mais belos e sensíveis de 2014, com seu romantismo puro e harmônico. Um verdadeiro deleite para os ouvidos.

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Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [30-21]

30. Vince Staples – Blue Suede

Você pode até dizer que “Blue Suede” é apenas mais uma ótima produção, que suas batidas são incríveis e que a música se resume basicamente a isso… Tudo isso, é claro, se as rimas de Vince Staples não forem levadas em consideração. Se a produção é ótima (digna de Madlib), a performance do rapper é ainda melhor. Suas rimas são cruas, e verdadeiras: nelas, Staples trata da mortalidade da forma como ela é, sem grandes firulas. O ser humano é frágil, e nasce para um dia morrer: e, geralmente, nunca da forma desejada. É nada mais do que a realidade… “Jovens sepulturas obtém os buquês”, brada o rapper.

29. Nação Zumbi – Cicatriz

Uma filosofia relativamente barata diz que um grande guerreiro é reconhecido pela quantidade de cicatrizes que tem no corpo… E é exatamente essa mensagem que a Nação Zumbi quer passar em “Cicatriz”, canção que facilmente se insere entre as melhores do experiente grupo. Segundo Du Peixe e sua trupe, as marcas de guerra não precisam ser escondidas, e sim expostas: troféus de batalhas vencidas. A fraqueza humana se transformando em poder.

28. Ty Segall – The Singer

Para Ty Segall, 2014 será sempre considerado o ano de sua evolução definitiva. Íntimo das mais diversas nuances do rock, o músico, em “The Singer”, se vê à vontade para percorrer os dogmas do estilo em vias de reinvenção. Para isso, utiliza o psicodelismo para passear nos anos setenta, jogando um pouco de purpurina na guitarra através de uma breve brincadeira com o glam, e trazendo tudo para os tempos atuais – criando um número que, ao mesmo tempo, é clássico e atual. “The Singer”, assim como o rock clássico, é simples e direta, além de forte e arrebatadora. Uma canção com aquele espírito que muitos desinformados pensam que já morreu.

27. How to Dress Well – Words I Don’t Remember

Através de seu projeto How to Dress Well, Tom Krell reinventa a música pop com uma grande condensação de gêneros e referências. Provas? Apesar do disco “What Is this Heart?” ser imperdível, uma de suas faixas, “Words I Don’t Remember”, já é capaz de oferecer aos ouvintes uma ótima amostra dos poderes do músico. Sensível, atraente e naturalmente progressista, a canção se espalha em pouco mais de seis minutos de puro brilhantismo sonoro e lírico.

26. ruído/mm – Requiem for a Western Manga

A banda curitibana ruído/mm tem o dom de contas histórias mesmo sem utilizar nenhuma palavra… E isso acabou fazendo do fantástico “Rasura” um dos melhores discos de 2014. Terras distantes, heróis destemidos, discos voadores e grandes batalhas se espalham por números instrumentais primorosos, dos quais “Requiem for a Western Manga” é um destaque. Uma verdadeira epopeia, a canção faz com que o ouvinte experimente dez minutos de uma grande aventura, digna de uma superprodução de Hollywood, com Clint Eastwood no elenco e tudo mais.

25. Romulo Fróes e Juçara Marçal – Espera

A poesia de Romulo Fróes é reconhecidamente torta, “difícil” para os ouvidos acostumados com a música que se toca nas rádios… Mas em “Espera”, parceria do músico com Juçara Marçal, Fróes se abre para um novo público. Apesar de liricamente complexa, mantendo os tradicionais flertes do músico com versos curtos e de aparência desconexa, a canção se mostra extremamente fluida, deliciosa e descomplicada – mesmo fazendo parte do pesado “Barulho Feio”, o último e mais profundo lançamento do compositor. Na música, tudo se casa perfeitamente: as vozes de Romulo e Juçara se fundem em total harmonia com o ritmo acústico que, por sua vez, une-se com os ruídos da cidade de São Paulo de forma até mesmo natural. Um grande conjunto de nuances, alocadas em menos de dois minutos de impecável canção.

24. Ghostface Killah & BadBadNotGood ft. Danny Brown – Six Degrees

Além de reunir Ghostface Killah e Danny Brown, dois dos grandes rappers da atualidade, a canção “Six Degrees” traz na produção os canadenses do BadBadNotGood, verdadeiros monstros do hip-hop com suas passagens pelo jazz e pelo fusion. O resultado? Só poderia ser fantástico… Uma das melhores músicas do ano, uma mostra perfeita de que as mais diferentes vertentes nunca haviam se fundido em tamanha proporção quanto no ano que se finda. Ilimitada, cheirando a novidade, “Six Degrees” parece trazer consigo o conceito a ser seguido pelas grandes obras do hip-hop nos próximos anos.

23. Perfume Genius – Fool

Ah, as emoções… Volta e meia elas têm permeado essa lista, nos mostrando que, mesmo no mundo pós-moderno, a música continua a serviço dos mais puros e honestos anseios do ser humano. Em 2014, poucos artistas conseguiram escancarar sentimentos de forma tão certeira quanto Mike Hadreas em seu projeto autoral Perfume Genius. “Fool”, além de nos presentear com um conjunto harmônico complexo, nos surpreendendo com suas variações inesperadas, apresenta uma gigantesca amplitude de emoções, permeados pela performance vocal teatral de Hadreas.

22. Run the Jewels ft. Zack De La Rocha – Close Your Eyes (And Count to Fuck)

O novo dueto entre os rappers El-P e Killer Mike, apresentado no segundo disco do Run the Jewels mostra, nada mais nada menos, do que o colosso do hip-hop em 2014. Resultado obtido através de rimas incendiárias e uma produção arrebatadora, o registro marca uma das melhores colaborações da história do rap, que pode ser resumida através da intensidade de “Close Your Eyes (And Count to Fuck)”.

21. Juçara Marçal – Velho Amarelo

“Velho Amarelo”, a primeira faixa de “Encarnado”, trabalha para alocar Juçara Marçal em um palco do qual o espectador não desviará os olhos. A canção, composta por Rodrigo Campos, se comporta como uma apresentação perfeita do conceito da trabalho, delineando os rumos instrumentais e líricos que o embalarão em sua totalidade… Se é certo que vamos morrer, por que não podemos escolher onde e como?

Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [40-31]

40. Merchandise – Green Lady

Apesar dos grandes avanços tecnológicos, o toque humano continua a ser imprescindível. A sensibilidade ainda é necessária. Em “Green Lady”, a banda Merchandise mostra que, mesmo brincando com os anos oitenta (em uma estrutura sonora que pode até lembrar alguns trabalhos do Talk Talk), entende os dias atuais como poucas. Tudo na canção é cuidadosamente alocado, criando um conjunto adorável que só existe porque todos os seus elementos estão lá em perfeita harmonia: retire a guitarra ou o vocal da canção, por exemplo, e verá que o que era completo desmoronou. “Green Lady” é o que pode se chamar de música perfeitamente bela.

39. Röyksopp & Robyn – Do It Again

A força do dance-pop europeu – mais precisamente, o nórdico – está longe de desaparecer. E quem está aqui para provar isso é a dupla de produtores Röyksopp e a veterana Robyn, com “Do It Again”, a grande música eletrônica de 2014. Uma canção energética ao extremo, hipnotizadamente dançante, que inspira. Uma pedida perfeita para ouvir logo depois de acordar, começando o dia com tudo.

38. Drake – How Bout Now

Drake é um daqueles caras que nunca vão ser unanimidade… Após um 2013 glorioso, em que lançou o seu o melhor trabalho (e um dos melhores discos do ano), lá vem 2014 e a infeliz parceria com Nick Minaj na tenebrosa “Anaconda”. Seria o fim de Drake? Minaj teria arquitetado a lápide do famoso rapper canadense? Felizmente, o cara mostra que há vida após “Anaconda”: “How Bout Now” mostra uma faceta que muitos ouvintes de Drake ainda não conheciam; uma concepção, digamos, mais “experimental”. “How Bout Now” é um número fluido, até certo ponto disforme, alocando o rapper em um cenário bem mais minimalista que o habitual. Experimental e surpreendente, esse é o Drake que queremos.

37. Azealia Banks – Chasing Time

Toda a genialidade de Azealia Banks como rapper e toda a qualidade da produção que há por trás dela mostram-se em primor em “Chasing Time”, um dos fortes números de “Broke With Expensive Taste” – o disco eternamente adiado que viu finalmente a luz do dia no segundo semestre desse ano. Sempre provocante e irônica, Banks mergulha em uma base sonora riquíssima, sendo impossível sequer apontar todos os gêneros que a canção possui. Além de tudo, temos a oportunidade de descobrir as qualidades de Azealia Banks como… cantora! Sensacional.

36. Hundred Waters – Murmurs

O trabalho da banda Hundred Waters pode ser comparado ao de um artista plástico: bordar cenários (abstratos ou não) para escancarar sentimentos. Daria para dizer, além disso, que o grupo seria um daqueles pintores sensíveis, que empunham o pincel com a maior sutileza do mundo. Afinal, a música da banda é muitas vezes quieta, quase invisível… Portanto, seu trunfo acaba ficando nos detalhes. Com ouvidos atentos, o público pode saborear toda a profunda beleza de “Murmurs”, uma canção que parece resumir toda a dimensão sonora do Hundred Waters em poucos minutos. Uma canção sublime.

35. The War on Drugs – Red Eyes

O teor sentimental de “Lost in Dream”, até agora o grande trunfo da carreira da Adam Granofsky, pegou muita gente de surpresa. Distante do teor psicodélico da música do ex-colega Kurt Vile, o músico acabou criando, mesmo enraizando-se na música folk, um grande disco pop, repleto de verdadeiros hinos emotivos. E o mais brilhante deles certamente é “Red Eyes”, uma canção que sai do sofrimento, do choro, para também mostrar a vitória… Afinal, a vida de ninguém é feita somente de derrotas, certo? Para acompanhar, um instrumental memorável, que nos fará recordar de sua melodia por muito tempo.

34. FKA twigs – Two Weeks

As velhas heranças do R&B são tratadas por FKA twigs com um olhar constantemente voltado para o futuro. Em sua nova faixa, “Two Weeks”, a música negra encontra o future garage, e os vocais cheios de personalidade se derramam em arranjos etéreos… Tudo, no fim, construindo um teor atmosférico: uma impressionante produção. O remodelamento do passado para construir a música dos dias que ainda estão por vir: esse é, no fundo, o ciclo natural da passagem do tempo na arte.

33. Mac DeMarco – Brother

Mac DeMarco é insano, doidão mesmo. Por isso, é impressionante o controle de seus instintos no calmo “Salad Days”, seu último disco – e especialmente em “Brother”, a melhor das faixas. Melancólica, mesmo sem ser triste, a canção se comporta como o magnum opus de DeMarco como compositor, mostrando que há, no fundo, grande sensibilidade por trás de sua loucura.

32. Ariana Grande feat. Iggy Azalea – Problem

Ariana Grande é um daqueles produtos óbvios da música pop dos Estados Unidos: depois de estrelar um seriado teen, parte para um trabalho fonográfico pop e altamente radiofônico, contando com o apoio de uma grande gravadora, com produtores renomados e muito dinheiro a ser investido. Surpreende, porém, que mesmo em meio a tantas obviedades, a jovem consegue ser um ponto fora dessa curva em que estão estacionadas cantoras como Selena Gomez e Miley Cyrus. Ariana faz diferente; sua música é grudenta, tocará muito nas rádios ao redor do mundo, mas não deixa de flertar com elementos ricos… Em “Problem”, canção que conta com a participação da rapper Iggy Azalea, o apelo pop se encontra com um fantástico loop de saxofone, dando um brilho a mais aos vocais plásticos e às excitantes batidas sintéticas. Enfim, um primor em produção.

31. Jack White – Lazaretto

Uma música pode resumir toda a carreira de um músico consagrado? Segundo “Lazaretto”, a canção, sim: afinal, nenhuma canção de Jack White é tão completa quanto esta em questão: há country, blues, rock e indie, além de uma explosão energética, e tudo em número curto e grosso, com menos de quatro minutos de duração. Se “Lazaretto”, o disco, não foi tão bom quanto esperávamos, sua faixa-título não deixa de ser excepcional: uma das melhores músicas de 2014.

Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [50-41]

50. Nessas Horas – Transmissor

A visível evolução da banda mineira Transmissor ficou evidente em “De Lá Não Ando Só”, o grande lançamento do pop-rock nacional em 2014. E a sexta faixa do disco, “Nessas Horas”, certamente é a canção que melhor agrega as novas possibilidades sonoras do grupo: mergulhada em uma melodia insuperável, a música se insere de corpo e alma em um terreno melancólico (e extremamente belo), em que a alta qualidade dos versos acaba esbarrando em harmonia com impecáveis arranjos… Lenta, “Nessas Horas” é obscura, lamentosa, além de especialmente combativa, inserindo ruídos de guitarra em uma estrutura confortável.

49. Fruta Elétrica – Carne Doce

Impossível passar imune pelo arrebatador “rock com pequi” do grupo goiano Carne Doce, uma das grandes revelações desse ano. Dentro de psicodélico e extremamente brasileiro debut da banda, “Fruta Elétrica” é aquela explosão de ritmo, uma verdadeira ode à face alegre e dançante da música tupiniquim. Tanto as linhas de baixo e bateria quanto os riffs de guitarra escancaram o lado mais “manguebeat” da banda, com a vocalista Salma Jô cantando sobre uma fruta deliciosa e perigosa, mas que todos acabam ficando com desejo de provar.

48. Tinashe feat. Devonté Hynes – Bet

Se não bastasse FKA Twigs para provar que o R&B está vivendo uma de suas maiores (e melhores) transformações em sua história, Tinashe surge para esquentar ainda mais o clima de “renovação”. Camadas sobre inúmeras camadas, climatizações explodindo em nossos ouvidos e moderníssimos efeitos eletrônicos formam a base de “Bet”, que ainda apresenta formidável melodia, uma performance vocal respeitável e um ótimo solo de guitarra criado por Dev Hynes, músico responsável pelo projeto Blood Orange. Não é à toa que a canção, faixa do disco “Aquarius”, dá as caras nessa lista.

47. David Bowie – ‘Tis a Pity She Was a Whore

“‘Tis a Pity She Was a Whore” é simplesmente a melhor música do Camaleão nos últimos anos. Sim, senhores: por melhor que tenha sido “The Next Day”, nenhuma faixa do aclamado disco chega aos pés desta que é apresentada no player abaixo. Nela, o veterano canta versos tristes no fundo de um sampler caseiro e futurístico, amplificando sua faceta mais experimental. Incrível como Bowie consegue expandir cada vez mais suas possibilidades.

46. White Lung – Drown With the Monster

Intensidade. Essa é a palavra-chave de “Drown With the Monster”. Nessa canção, a banda canadense faz das suas, aumentando tanto volume quanto velocidade ao máximo para plantar um número que, além de instrumentalmente picante, é liricamente crítico. E tudo isso, no fim das contas, sem que saibamos se o que toca é punk, metal ou indie. Na verdade, o chute mais próximo é de que se trata de uma grande mistura desses três rótulos. Um número diferente e impecável, que se reproduz em outras canções no ótimo disco “Deep Fantasy”.

45. Parquet Courts – Sunbathing Animal

“Sunbathing Animal” é nada mais do que uma grande explosão de energia de uma das mais insanas bandas da atualidade. Uma canção de absurda velocidade, em que instrumentos e vocal trabalham para um único fim: a criação de um número curto e grosso, que em seus primeiros segundos já é capaz de passar o recado ao ouvinte: não são necessários muitos acordes para se construir uma verdadeira muralha sonora.

44. Taylor Swift – Out of the Woods

Quando saiu a notícia de que Taylor Swift abraçaria de uma vez por todas a música pop, dando adeus àquela tímida garotinha country, certamente muitos torceram o nariz. Por mais que esse processo tenha se iniciado em 2012, com o lançamento do disco “Red”, foi nesse ano que Swift se tornou, finalmente, a musa pop que vinha ensaiando ser. Pois o resultado surpreendeu: não tanto pelas vendas, pois ninguém esperava que “1989” patinaria nas prateleiras. O que realmente surpreendeu foi a qualidade sonora, claramente acima da média para o pop atual.  E isso “Out of the Woods” mostra muito bem: moderna, incrivelmente bem produzida, a canção traz em uma estonteante linha de bateria a base necessária para Swift mostrar que aquela menininha de outrora hoje é uma artista completa.

43. Sun Kil Moon – Carissa

“Carissa” é a primeira faixa do “disco-livro-filme” chamado “Benji”, a maior obra até hoje de Mark Kozelek como contador de histórias. Mais do que um simples conjunto de faixas, “Benji” faz com que o ouvinte se descole daquela ideia inicial de “ouvir música” para se impregnar nos interessantes, tristes e sensíveis causos do músico. Em “Carissa”, o compositor nos conta sobre uma tragédia que ocorrera na família, trilhando um número incrivelmente humano e sincero sobre chegadas e partidas.

42. St. Vincent – Prince Johnny

Embora Annie Clark seja conhecida pela forma única com que faz sua guitarra produzir sons inimagináveis, em “Prince Johnny”, uma das melhores músicas de sua carreira, o cenário é basicamente atmosférico, sem aquelas tradicionais mudanças bruscas. A base da canção é dura como rocha, mas nada impede que, nela, St. Vincent demonstre toda sua fraqueza como personagem em um grande conflito de sentimentos… Um número direto, sem excentricidades, que acaba escancarando o lado mais humano da musicista.

41. Swans – Oxygen

Arrastada, tortuosa, intrigante, “Oxygen” é o ápice energético de “To Be Kind”, o fantástico disco que o Swans lançou em 2014. Composta por Michael Gira logo após uma grave crise de asma, essa incrível canção “revela” a importância de estar respirando, de poder sentir seu coração batendo… É raro pararmos para pensar na importância disso, mas os gritos do vocalista a clamar por oxigênio fazem com que a gente imagine a angústia de uma pessoa que está com dificuldades de respirar. Mas, no fim, o que acaba marcando não é o conceito angustiante da faixa, mas sim a louca viagem sonora que ela nos oferece.

2014: Barulho Feio – Romulo Fróes

Barulho Feio

Por: Renan Pereira

Romulo Fróes não é músico, e quem diz isso é ele mesmo. Prefere ser chamado de “compositor”, devido ao seu grande apego à canção. Não conhece as notas que toca no violão, mas é requisitado por onze entre dez bons nomes da “nova” geração que precisam de um conselho sonoro ou estilístico. Um novo… Nelson Motta? Não, ele mesmo ri da comparação. Fróes é um cara simples, que gosta de ficar com seus amigos, de ajudar e de ser ajudado. A cara da “nova cena paulistana”, que de nova realmente já tem muito pouco, e que não pode mais ser restringida apenas à capital paulista.

Tudo começou na virada do século, com as novas possibilidades que foram apresentadas através dos novos conceitos da música dita independente – que atualmente forma, no fim das contas, a única vertente “a ser lavada à sério” no nosso país. Os novos artistas passaram a lançar seus discos com suas próprias forças, sem o auxílio – e as regras – das gravadoras, em um movimento que, com a popularização da internet, apenas acelerou… e que é, hoje em dia, impossível de ser parado. E, em certa fatia, graças a Fróes e seus companheiros de “vanguarda paulistana”.

Amigos que, no quinto disco solo do compositor, voltam a se fazer presentes. Na sonoridade ruidosa de “Barulho Feio”, Thiago França parece soprar de forma aleatória, e a guitarra de Guilherme Held grita em agonia enquanto Marcelo Cabral faz de seu baixo o construtor de um muro sonoro alto e impiedoso. Em meio a esse cenário caótico, porém quase silencioso, surge Romulo Fróes a percorrer, em voz e violão, os sons da maior metrópole da América Latina. “Não Há, Mas Derruba”, a primeira faixa, é o início de uma jornada que já vai deixando claro o conceito do disco: lento, triste e difícil, o mais complexo capítulo da discografia de Fróes.

É curioso perceber que a complexidade alcançada por Fróes é produto do que há de mais simples e tradicional na MPB: o minimalismo quase silencioso do conceito “voz e violão”. Eis aí uma representação clara da paixão do compositor pela canção em seu estado mais puro, demonstrada na exploração intensa das heranças da bossa-nova e dos sambistas “tristes”, como Paulinho da Viola e Nelson Cavaquinho. Então estamos de frente a uma música que, no fundo, é um “grande mais do mesmo”? Muito pelo contrário: a fim de construir um resultado “novo”, Fróes pauta sua carreira na evolução, ou melhor, na desconstrução: a forma esbarrando no disforme, seguindo-se o padrão de não se ter um padrão. No fim das contas, tanto a voz quanto os acordes acústicos se perdem em meio ao “caos controlado” que se instala no disco.

A ambientação que torna “Barulho Feio”, até certo ponto, de difícil degustação ao ouvinte, parte do cenário desconstruído – tanto pelos instrumentos quanto pelos sons de fundo, gravados por Fróes em uma caminhada da Praça da República até a Catedral da Sé: buzinas de carros, gritos, pastores enlouquecidos… Os “barulhos feios” que procuram “encontrar a beleza onde não há”. E isso é de fácil percepção? Não, de jeito nenhum. “Barulho Feio” é um desafio ao modo imediatista e disperso com que a música é tratada nos dias de hoje, revelando a sua beleza apenas à medida em que as audições se sucedem. Não serão poucos os que o interromperão no meio em busca de algo mais pop, ou até que chegarão ao fim sentindo um grande vazio, o considerando “insípido, inodoro e incolor”. Pois Fróes nos obriga a ruminar o disco para que sintamos seu gosto, sua cor e seu cheiro.

Uma tarefa recompensadora. Pois além do cenário desafiador, o álbum nos oferece belas canções. Letras formidáveis, bonitas parcerias com Clima, Nuno Ramos e Alice Coutinho, poemas que são sussurrados por Fróes em grave e bom som… As faixas, na primeira audição, soam dispersas, quase inaudíveis, mas aos poucos vão ganhando uma força que surpreende. É um petardo depois de outro, mantendo o conceito central e ao mesmo tempo se montando como um passeio por várias texturas, demonstrando a habilidade de Fróes como compositor. Quando a dobradinha com Juçara Marçal surge em “Espera”, podemos até jurar que o disco, a partir dali, vai seguir um ritmo mais leve… até surgir a pesadíssima “Ó” para nos encher novamente de incertezas. De passo a passo, de esquina a esquina, de canção a canção, a intenção de Fróes é pegar o ouvinte de calças curtas.

“Barulho Feio” é ótimo. E é chato. No fim, a nossa receptividade à obra acaba sendo igualmente proporcional à paciência com que a tratamos. Talvez por exigir do público uma tarefa cada vez mais árdua em um mundo que clama por imediatismo, o disco será ignorado até por pessoas que veem com bons olhos a carreira de Fróes – tanto em trabalhos solo ou unido a Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral na banda Passo Torto. Logo, não é um trabalho que abre portas, que possa ser oferecido a quem quer ser apresentado à tão falada “nova vanguarda paulistana”. É um álbum muito particular de um artista provocante, que gosta do “difícil” não para ostentar o selo de “underground”, mas por ser sincero ao seu fardo de fazer algo novo desconstruindo o que já existe há tanto tempo.

Quem topa a tarefa, chegando ao interior da Catedral da Sé nos instantes finais de “A Luz Dói” com os ouvidos tão atentos quanto no início da jornada, verá que o tempo gasto pede ainda mais tempo, e que uma grande obra pede passagem para se apresentar. Por isso, pode ser dito que “Barulho Feio” é um disco que cresce continuamente, mas somente a quem lhe dá a oportunidade de crescer.

NOTA: 8,5

Clipes & Singles: Semana 47/2014

Clipes & Singles

The Kooks – See Me Now

Depois de lançar, nesse ano, clipes com roteiros elaborados tendo como fundo sonoro verdadeiras explosões pop, dessa vez a banda The Kooks resolveu investir na simplicidade: para dar imagens à tristonha balada “See Me Now”, um passeio do vocalista Luke Pritchard pelas ruas de Tóquio é apresentado. A banda estará presente na edição 2015 do festival Lollapalooza Brasil.

Skrillex – Fuck That

Outro nome confirmado do Lollapalooza Brasil 2015 é o do famoso produtor Skrillex, que lançou, nos últimos dias, seu clipe para “Fuck That”, faixa do criticado disco “Recess”. O vídeo, porém, mostra um bom resultado, trazendo ao público os descaminhos de um lutador. A ótima produção do vídeo fica por conta de Nabil Elderkin.

Belle and Sabastian – The Party Line

Absolutamente pop, o novo single da banda Belle and Sebastian, “The Party Line”, ganhou contornos perfeitos ao investir em um clipe dançante, a partir de um conceito inusitado: o mesmo roteiro é rodado duas vezes, sendo na primeira parte em preto-e-branco para, depois, ganhar muitas cores. “Girls in Peacetime Want to Dance” tende a ser o primeiro lançamento importante do próximo ano.

Wu-Tang Clan – Necklace

Você é um daqueles que cobram do Wu-Tang Clan um novo disco a altura de “Enter Wu-Tang (36 Chambers)”, a grande estreia do grupo, de 1993, e considerado como um dos mais importantes registros da história do rap? Olha, acho que é hora de rever suas expectativas, afinal, a história não é feita apenas de fatos marcantes. Em seu novo disco, “A Better Tomorrow”, o coletivo busca continuar uma carreira respeitada através de novos conceitos, que dão lugar, porém, a um número clássico do grupo em “Necklace”.

The Smashing Pumpkins – Drum + Fire

É árdua a tarefa de Billy Corgan de tentar manter o nome de sua banda em relevância após tantos anos de mediocridade. É claro que ninguém espera nenhum novo lançamento a altura dos clássicos álbuns do Smashing Pumpkins, mas um disco mais respeitável não seria de nada ruim, não é verdade? Pois bem… É o que o careca mais famoso do rock alternativo tentará fazer em “Monuments to an Elegy”, álbum que será lançado nos próximos dias. “Drum + Fire” é mais uma amostra do que encontraremos no disco.

Angel Olsen – Windows

“Burn Your Fire for No Witness”, um dos melhores discos de 2014, acaba de ter mais uma de suas faixas transformadas em clipe. Trata-se da bela e triste “Windows”, em que Angel Olsen solta sua voz angelical em um vídeo repleto de significados ocultos. A lista dos melhores álbuns do ano sai daqui alguns dias aqui no RPblogging, e Olsen certamente estará presente.

She & Him – Stay Awhile

Discos de covers geralmente são chatos, em nada acrescentando à carreira de quem o produz. Mas quando as canções são rearranjadas ao invés de simplesmente copiadas, a mediocridade tende a ser pelo menos mascarada. É o que acontecerá, ao que tudo indica, em “Classics”, disco em que Zoey Deschanel e M. Ward farão versões para velhas canções. “Stay Awhile”, faixa que agora ganha um clipe dançante e teatral (ao melhor estilo “Chandelier”), é um som de autoria de Dusty Springfield.

Beyoncé – 7/11

E não que até a Beyoncé decidiu entrar na onda dos clipes caseiros? Aproveitando o vazamento das faixas extras que estarão na versão estendida de seu último álbum, a cantora resolveu lançar um clipe para “7/11”, em que ela, junto com outras dançarinas, faz a festa em sua casa… Mas que mansão bagunçada, não?

Faith No More – Motherfucker

 Deixando o mais surpreendente pro final, temos sim, senhoras e senhores, uma nova canção do… Faith No More! E não, não estamos de volta aos anos noventa. Um novo álbum da banda será lançado em 2015, e, há poucos dias, o grupo de Mike Patton lançou sua primeira música em 17 anos, intitulada “Motherfucker”, e que você confere no player abaixo.

Clipes & Singles: Semana 46/2014

Clipes & Singles

Mark Ronson – Uptown Funk

Mark Ronson, um dos produtores mais renomados da atualidade, está prestes a lançar seu quarto disco, intitulado “Uptown Special”. Na primeira faixa revelada do registro, o músico recebe o também renomado Bruno Mars para uma divertida viagem ao som do ritmo quente do funk norte-americano, um dos terrenos preferidos do cantor havaiano.

Stromae – Meltdown

Outro produtor “da moda”, Stromae, lançou uma nova canção de sua autoria… E para uma trilha-sonora “da moda”, no caso, referente ao novo filme da franquia “Jogos Vorazes”, que levará às telas a primeira parte do livro “A Esperança”. Na faixa, há ainda a participação de outros nomes de peso, como Haim, Pusha T, Q-Tip e a própria curadora da trilha-sonora, Lorde.

Charli XCX – Kingdom

Outra faixa de “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte I” é “Kingdom”, de Charli XCX. Sem sair do clima acinzentado proposto pela película – a mais melancólica da franquia até agora – a jovem cantora solta a voz em uma faixa em que ainda aparecem Simon Le Bon (Duran Duran) e Rostam Batmanglij (Vampire Weekend).

Tereza – Calçada da Batalha

A banda Tereza lançou seu último disco em 2012, mas se o verão está chegando, é hora de voltar com um novo clipe. Afinal, a música da banda é feita para as férias no litoral brasileiro. No vídeo para “Calçada da Batalha”, os membros da banda, no futuro, vão em busca de garotas usando um artifício chamado de “galada glass”. Bizarro? Sem dúvida. Assim é a banda Tereza, afinal: garantia de diversão.

Kindness – Who Do You Love

O produtor Kindness, que está com um novo álbum, intitulado “Otherness”, convidou a sueca Robyn para soltar a voz em uma de suas novas canções. No vídeo de “Who Do You Love”, construído a partir de fotografias em preto-e-branco de familiares e amigos do músico, o conceito da faixa, segundo o próprio Adam Bainbridge, é seguido a risca: uma reflexão sobre como você se identifica através daqueles que você ama.

David Bowie – ‘Tis a Pity She Was a Whore

“‘Tis a Pity She Was a Whore” é simplesmente a melhor música do Camaleão nos últimos anos. Sim, senhores: por melhor que tenha sido “The Next Day”, nenhuma faixa do aclamado disco chega aos pés desta que é apresentada no player abaixo. Nela, o veterano canta versos tristes no fundo de um sampler caseiro e futurístico, amplificando sua faceta mais experimental.

Deerhoof – Exit Only

O autor Michael Shannon duplicado, e reagindo, cada um de maneira diferente, à canção que toca? Foi essa a ideia maluca da banda Deerhoof para seu novo clipe, relativo à canção “Exit Only”. O resultado você vê no vídeo abaixo, ao som da explosão punk característica da banda.

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Do the Damage

“Do the Damage” não estará no disco “Chasing Yesterday”, sendo apenas o lado B do single “In the Heart of the Moment”. Mas não é que o lado B é melhor que o lado A? Bem, agora é esperar o que vem por aí no novo álbum do segundo irmão preferido de Liam Gallagher, a ser lançado no segundo de dia do próximo mês de março.

Big Noble – Peg

Daniel Kessler, guitarrista da banda Interpol, decidiu se impregnar em um projeto paralelo, ao lado do produtor Joseph Fraioli, intitulado Big Noble. A ser lançado em 3 de fevereiro, o álbum “First Light” tende a apresentar uma nova faceta do músico, visto o conceito contemplativo da faixa “Peg”, a primeira do disco a ser revelada.

Azealia Banks – Chasing Time

Demorou, mas “Broke with Expensive Taste”, o primeiro álbum “de verdade” de Azealia Banks, finalmente foi lançado. Para comemorar o feito, a musicista lançou o clipe de “Chasing Time”, uma das faixas do disco, em que podemos conferir apenas um dos conceitos sonoros propagados pela habilidosa artista.

 

Clipes & Singles: Semana 45/2014

Clipes & Singles

Ariel Pink – Picture Me Gone

Ariel Pink pode até ser uma daquelas mentes insanas da música, mas negar que o cara sabe criar melodias como poucos seria totalmente insensível. Pois “Picture Me Gone” é a prova do poder de compositor de Ariel, bem como seu vídeo é mais uma constatação de toda a “estranheza” que ronda o artista.

Hundred Waters – Out Alee

A banda Hundred Waters costuma caprichar em tudo o que faz, logo, com o clipe oficial de “Out Alee”, não seria diferente. Tão hipnótico quanto a canção, o vídeo passa seus mais de quatro minutos e meio chamando brincando com a atenção do ouvinte, em um exercício ainda amplificado pelo poder encantador dos rumos sonoros. São imagens bucólicas, normais, mas que, muito bem trabalhadas, conseguem nos encantar.

Major Lazer – Vegan Vampire

Alcançando um hype até mesmo inesperado, o Major Lazer ganhará sua própria animação na TV. Um dos personagens do desenho, o vampiro vegetariano Rayland, recebe sua trilha-sonora através da participação vocal de Ezra Koenig, líder de outro grupo de vampiros – no caso, a banda Vampire Weekend.

Metronomy – Upsetter

Um vídeo estranho para uma canção estranha: assim é o clipe de “The Upsetter”, faixa integrante do mediano disco “Love Letters”, lançado nesse ano. No vídeo, um sujeito barbudo socializa com um ente formado de fungos e folhas secas, no meio de uma floresta. Alguém andou fumando gatinhos, não concorda?

Lorde – Yellow Flicker Beat

Lorde andou fazendo seus dezoito aninhos… O que ela fez? Foi correndo para a auto-escola a fim de tirar sua licença para dirigir? Que nada: ostentando seu poder, a jovem deu para si mesma de aniversário o registro audiovisual de “Yellow Flicker Beat”, canção que faz parte da nova película da franquia “Jogos Vorazes” – cuja trilha-sonora, aliás, teve a curadoria da própria neozelandesa.

Wild Beasts – Palace

A banda Wild Beasts, que teve o seu último disco, “Present Tense”, sendo bem recebido pela crítica, acaba de lançar um novo clipe: trata-se de “Palace”, no qual a banda, contanto com “participações” inusitadas, performa a canção em um fundo colorido que imita a arte de seu último disco.

The Smashing Pumpkins – One and All

Quem está produzindo o Smashing Pumpkins? Nem sei, mas gente competente não é. “One and All” nem é uma música tão ruim assim – algo raro para a banda nos últimos tempos – mas sua péssima produção trata de estragar tudo. Por isso, se você está precisando de um emprego, ligue para o Billy Corgan… Nem é necessário ter experiência para realizar um trabalho muito melhor do que ouvimos no player abaixo.

Cymbals Eat Guitars – Warning

Não, os adolescentes tocando no vídeo abaixo não são da banda Cymbals Eat Guitars; na verdade, são os integrantes da banda britânica Crosshair se passando pelo quarteto em questão, um conceito inusitado para o clipe da boa “Warning”.

Wu-Tang Clan – Ruckus in B Minor

“A Better Tomorrow”, o sexto disco do Wu-Tang Clan, mostra o renomado grupo de rap menos inspirado que outrora – porém, dizer que não há qualidade seria uma grande insanidade. Afinal, o que não é genial ainda pode ser bom, não é verdade? É isso que mostra “Ruckus in B Minor”, uma espécie de single do disco.

CHVRCHES – Dead Air

A franquia “Jogos Vorazes” sempre apresentou ótimas trilhas-sonoras, e não seria diferente no novo filme da série. Pois o hypado grupo CHVRCHES se uniu a Lorde e companhia para manter a boa qualidade que já havia apresentada nas películas anteriores: apesar de conter um clima mais obscuro, “Dead Air” contém todos os elementos que encantaram o público no disco “The Bones of What You Believe”, considerado um dos melhores do ano passado.

Clipes & Singles: Semana 44/2014

Clipes & Singles

Drake – How Bout Now

Drake é um daqueles caras que nunca vão ser unanimidade… Após um 2013 glorioso, em que lançou o seu o melhor trabalho (e um dos melhores discos do ano), lá vem 2014 e a infeliz parceria com Nick Minaj na tenebrosa “Anaconda”. Seria o fim de Drake? Minaj teria arquitetado a lápide do famoso rapper canadense? Felizmente, o cara mostra que há vida após “Anaconda”: apenas uma das canções inéditas liberadas para audição pelo artista, “How Bout Now” mostra uma faceta que muitos ouvintes de Drake ainda não conheciam; uma concepção, digamos, mais “experimental”. “How Bout Now” é um número fluido, até certo ponto disforme, alocando o rapper em um cenário bem mais minimalista que o habitual.

Grouper – Made of Air

Esse ano de 2014 tem se destacado por revelar gratas surpresas ao grande público… E uma dessas é Grouper, uma daquelas “bandas de uma pessoa só”, encabeçada pela musicista Liz Harris, que lançou há pouco tempo “Ruins”, considerado por muita gente como um dos melhores discos do ano até aqui. Através da bonita canção “Made of Air”, o diretor Paul Clipson costurou um registro audiovisual muito bonito, capturando e “mixando” imagens de bucólicas paisagens.

Belle and Sebastian – The Party Line

E 2015 já começou! Pelo menos na agenda de lançamentos de discos… A primeira “grande boa nova” do ano que vem tende a ser “Girls in Peacetime Want to Dance”, marcando o retorno ao estúdio da banda Belle and Sebastian. Dançante e leve, o single dá algumas amostras do que podemos esperar deste novo álbum, mantendo baixas as expectativas.

Nação Zumbi – Defeito Perfeito

Vivendo uma nova etapa de sua carreira, a histórica banda Nação Zumbi segue com o processo de divulgação de seu último disco, autointitulado, lançado nesse ano. Para o clipe de “Defeito Perfeito”, o grupo resolveu mostrar imagens de seus sempre excitantes shows.

Sharon Van Etten – Your Love is Killing Me

“We Are There” marca a evolução definitiva de Sharon Van Etten… A belíssima “Your Love is Killing Me”, certamente uma das melhores canções desse ano, é apenas uma das provas do gigante talento da compositora nova-iorquina. Agora, a canção recebe sua versão em vídeo, através da direção de Sean Durkin e atuação de Carla Juri.

Flying Lotus – Ready Err Not

Steven Ellison é um artista genial? Sim. O Flying Lotus é um dos melhores projetos musicais da atualidade? Com certeza. Seu novo disco, “You’re Dead!”, está entre os melhores do ano? Não tenha dúvida disso. E seu clipe para “Ready Err Not” é uma experiência macabra totalmente descartável? Pior que sim. Veja apenas se você tem estômago forte.

Bombay Bicycle Club – Home By Now

De volta à sanidade mental, temos uma bela inspiração para o Bombay Bicycle Club e o vídeo de sua “Home By Now”: nada mais nada menos que Stanley Kubrick e uma de suas clássicas produções, o filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”, desbravador do gênero “ficção-científica”. O resultado ficou bem legal.

FKA Twigs – Video Girl

Como o mundo não é formado apenas por unicórnios fofinhos, voltamos às concepções mais “violentas” de vídeos. Dessa vez é FKA Twigs que nos revela um cenário descolorido e deprimente, em que a cantora interpreta a canção enquanto um presidiário é executado. Mas, diferente do vídeo de Flying Lotus, este apresenta um resultado decente: palmas para a produção de Kahlil Joseph.

Criolo – Convoque seu Buda

Uma das mais importantes vozes do rap nacional, Criolo apresenta seu novo disco, intitulado “Convoque seu Buda”, que tem a incumbência de suceder o já clássico “Nó na Orelha”. Produzido com maestria, e contando com um ótimo time de colaboradores, o disco mostra uma evolução técnica natural na carreira do rapper. A canção que dá nome ao disco é um número tradicional de Criolo, mas apresenta uma característica do rapper que só se acentua no novo disco: as rimas bagunçadas, com versos de difícil ligação.

Foo Fighters – Congregation

Em “Sonic Highways”, um probleminha é marcante: a satisfação da banda com o seu habitual. Pois “Congregation” é uma daquelas canções mais do que óbvias do Foo Fighters, e apesar de ser um single de potencial, mostra que Dave Grohl e seus amigos estão com dificuldades para renovar o som da banda – ou, pior ainda, que não estão trabalhando para isso.

Clipes & Singles: Semana 43/2014

Clipes & Singles

Ariel Pink – Black Ballerina

Ariel Pink, uma das figuras mais imprevisíveis da música atual, está prestes a lançar seu novo álbum, intitulado “pom pom”. Se você ainda não conhece do que o cara é capaz, ouça sua nova canção, “Black Ballerina”, e perceba como ele consegue manipular diversas heranças da música pop a fim de obter um resultado inédito – e insano.

Interpol – My Desire

“El Pintor”, disco lançado esse ano pelo Interpol, dividiu opiniões: houve quem aprovou a retomada da velha base sonora da banda (que, na realidade, nunca havia sido abandonada completamente), assim como teve quem criticou a incapacidade do grupo em renovar o seu som. O fato é que o disco está aí, e o Interpol segue em sua promoção: “My Desire”, faixa presente no último álbum, recebeu um clipe sugestivo, sombrio, em que a banda performa a canção em um daqueles típicos bares norte-americanos.

The Smashing Pumpkins – Being Beige

Outra banda que vem recebendo muitas críticas nos últimos tempos é o The Smashing Pumpkins, do careca Billy Corgan. Talvez até mesmo para comprovar o fundo do poço em que o grupo se encontra na atualidade, liberou-se para audição o single “Being Beige”, que deverá estar presente em “Monuments to an Elegy”, o próximo e temido lançamento da banda. Banal, a canção poderia ter feito parte do catálogo de qualquer uma daquelas medíocres bandas de pop-rock dos anos noventa.

E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante – Luz Acesa

Uma das grandes novas bandas do cenário nacional, a EATNMPTD lançará, muito brevemente, o seu segundo EP, intitulado “Vazio”. Uma das canções desse novo repertório, “Luz Acesa” acerta em cheio ao amplificar o conceito sonoro que havia sido apresentado no primeiro EP do conjunto – uma ótima mistura de emo e post-rock.

CHVRCHES – Under the Tide

O hypado trio escocês de música eletrônica CHVRCHES continua a colher os louros da sua ótima estreia, o disco “The Bones of What You Believe”, considerado por este blog (bem como por inúmeros setores da crítica) como um dos melhores do ano passado. Provas de que as pretensões comerciais do disco continuam em alta podem ser encontradas no recém lançado clipe de “Under the Tide”, canção em que Lauren Mayberry descansa a sua sensível voz em favor da performance vocal (não muito inspirada, é verdade) de Martin Doherty. Porém, o clipe, bem como a canção, representa um formidável resultado final.

Lupe de Lupe – Fogo Fátuo

O quarteto mineiro Lupe de Lupe resolveu trabalhar em diversas texturas para construir seu mais novo disco, “Quarup”. Às vezes totalmente entregue ao ruído, agora o grupo apresenta um lado mais sensível de seu catálogo de canções através de “Fogo Fátuo”, um número repleto de melodia, contendo um doce instrumental que inegavelmente se destaca – um pouco devido ao vocal deficiente, é verdade.

Foo Fighters – The Fast and the Famine

A tarefa de Dave Grohl não é fácil: fazer de “Sonic Highways” um sucessor a altura de “Wasting Light”, o melhor disco já lançado pelo Foo Fighters. Ao analisar “The Fast and the Famine”, percebemos que, embora o conceito energético esteja intocado, a inspiração parece não ter atingido novamente o grupo norte-americano. Com um instrumental econômico e uma letra pouco convincente, a canção se destaca apenas por se assemelhar aos números mais banais que o Foo Fighters já apresentou ao longo de sua carreira.

Thiago Pethit – Quero Ser Seu Cão

Os rumos da carreira de Thiago Pethit são estranhos… Ele iniciou com “Berlim, Texas”, um disco cuja personalidade conseguia até encobrir a falta de conhecimento técnico do artista. Já, em “Estrela Decadente”, a “personalidade nova” da música brasileira acabou sendo enterrada por um conceito estranho, artificialmente ligado à música glam. Mas é agora, com “Rock n’ Roll Sugar Darling”, que o músico abandona qualquer momento de genuinidade para embarcar em vias copiosas, que chegam, como em “Quero Ser Seu Cão”, a aterrissar no punk setentista de Iggy Pop e sua banda The Stooges. Em suma, Pethit nasceu Pethit, tentou se tornar David Bowie e agora quer ser um atemporal Iggy Pop tupiniquim.

The Pains of Being Pure at Heart – Kelly

Mais uma faixa do bom disco “Days of Abandon” acaba de ganhar um registro em vídeo: trata-se de “Kelly”, canção entoada pela voz de Jen Goma (A Sunny Day in Glasgow). No clipe, temos aquela concepção econômica, mas aceitável: a banda tocando a canção em um lugar qualquer.

Mary J. Blige – Right Now

Depois do U2, agora é a vez do Disclosure tentar ressuscitar Mary J. Blige, uma das grandes vozes da música nos anos noventa. Em “Right Now”, faixa produzida pelo hypado duo inglês, a cantora, ao mesmo tempo em que pisa em um terreno conhecido, sem se distanciar de seu R&B de sempre, encara novos elementos, característicos da indieletrônica atual. O novo disco da artista, “The London Sessions”, deve ser lançado no início de dezembro.