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Clipes & Singles: Semana 46/2014

Clipes & Singles

Mark Ronson – Uptown Funk

Mark Ronson, um dos produtores mais renomados da atualidade, está prestes a lançar seu quarto disco, intitulado “Uptown Special”. Na primeira faixa revelada do registro, o músico recebe o também renomado Bruno Mars para uma divertida viagem ao som do ritmo quente do funk norte-americano, um dos terrenos preferidos do cantor havaiano.

Stromae – Meltdown

Outro produtor “da moda”, Stromae, lançou uma nova canção de sua autoria… E para uma trilha-sonora “da moda”, no caso, referente ao novo filme da franquia “Jogos Vorazes”, que levará às telas a primeira parte do livro “A Esperança”. Na faixa, há ainda a participação de outros nomes de peso, como Haim, Pusha T, Q-Tip e a própria curadora da trilha-sonora, Lorde.

Charli XCX – Kingdom

Outra faixa de “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte I” é “Kingdom”, de Charli XCX. Sem sair do clima acinzentado proposto pela película – a mais melancólica da franquia até agora – a jovem cantora solta a voz em uma faixa em que ainda aparecem Simon Le Bon (Duran Duran) e Rostam Batmanglij (Vampire Weekend).

Tereza – Calçada da Batalha

A banda Tereza lançou seu último disco em 2012, mas se o verão está chegando, é hora de voltar com um novo clipe. Afinal, a música da banda é feita para as férias no litoral brasileiro. No vídeo para “Calçada da Batalha”, os membros da banda, no futuro, vão em busca de garotas usando um artifício chamado de “galada glass”. Bizarro? Sem dúvida. Assim é a banda Tereza, afinal: garantia de diversão.

Kindness – Who Do You Love

O produtor Kindness, que está com um novo álbum, intitulado “Otherness”, convidou a sueca Robyn para soltar a voz em uma de suas novas canções. No vídeo de “Who Do You Love”, construído a partir de fotografias em preto-e-branco de familiares e amigos do músico, o conceito da faixa, segundo o próprio Adam Bainbridge, é seguido a risca: uma reflexão sobre como você se identifica através daqueles que você ama.

David Bowie – ‘Tis a Pity She Was a Whore

“‘Tis a Pity She Was a Whore” é simplesmente a melhor música do Camaleão nos últimos anos. Sim, senhores: por melhor que tenha sido “The Next Day”, nenhuma faixa do aclamado disco chega aos pés desta que é apresentada no player abaixo. Nela, o veterano canta versos tristes no fundo de um sampler caseiro e futurístico, amplificando sua faceta mais experimental.

Deerhoof – Exit Only

O autor Michael Shannon duplicado, e reagindo, cada um de maneira diferente, à canção que toca? Foi essa a ideia maluca da banda Deerhoof para seu novo clipe, relativo à canção “Exit Only”. O resultado você vê no vídeo abaixo, ao som da explosão punk característica da banda.

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Do the Damage

“Do the Damage” não estará no disco “Chasing Yesterday”, sendo apenas o lado B do single “In the Heart of the Moment”. Mas não é que o lado B é melhor que o lado A? Bem, agora é esperar o que vem por aí no novo álbum do segundo irmão preferido de Liam Gallagher, a ser lançado no segundo de dia do próximo mês de março.

Big Noble – Peg

Daniel Kessler, guitarrista da banda Interpol, decidiu se impregnar em um projeto paralelo, ao lado do produtor Joseph Fraioli, intitulado Big Noble. A ser lançado em 3 de fevereiro, o álbum “First Light” tende a apresentar uma nova faceta do músico, visto o conceito contemplativo da faixa “Peg”, a primeira do disco a ser revelada.

Azealia Banks – Chasing Time

Demorou, mas “Broke with Expensive Taste”, o primeiro álbum “de verdade” de Azealia Banks, finalmente foi lançado. Para comemorar o feito, a musicista lançou o clipe de “Chasing Time”, uma das faixas do disco, em que podemos conferir apenas um dos conceitos sonoros propagados pela habilidosa artista.

 

Clipes & Singles: Semana 09/2014

Clipes & Singles

Haim – If I Could Change Your Mind

O poderoso disco “Days Are Gone”, eleito por este blog como um dos melhores do ano passado, acaba de ganhar mais um registro audiovisual. Com uma bonita coreografia é que as garotas do Haim constroem seu mais novo clipe, referente à agradável “If I Could Change Your Mind”.

Silva – É Preciso Dizer

“Vista Pro Mar”, o novo álbum de Silva, tende a ser um proveitoso passeio por referências oitentistas. Se “Janeiro” já havia nos levado a pensar dessa forma, agora “É Preciso Dizer” reforça ainda mais a ideia. Próxima do synthpop melódico realizado pelas bandas europeias (principalmente inglesas) daquela década, a canção se comporta como uma sutil e hipnótica viagem por sentimentos tranquilos, evidenciados pela atmosfera tropical.

Tulipa Ruiz – Megalomania

Dançante, “Megalomania”, a nova música de Tulipa Ruiz, até parece ser a regravação de um antigo sucesso do movimento tropicalista, encontrando nos traços regionais, no forte ritmo e nos riffs psicodélicos de guitarra a sua identidade. Exótica, a canção demonstra o amadurecimento artístico da cantora, que mais uma vez parece disposta a fazer algo diferente do que estava acostumada.

Boogarins – Erre

Prestes a realizar seus primeiros shows internacionais, os goianos do Boogarins continuam com a promoção do disco “As Plantas que Curam” através do clipe de “Erre”, que mistura cenas de animação com imagens do primeiro show da banda em São Paulo, realizado no último mês de outubro.

Coldplay – Midnight

A nova música do Coldplay é relaxante, reconforta através de sua construção melódica minimalista, mas peca quanto à falta de originalidade. Mostrando mais uma vez que Chris Martin e seus companheiros não estão muito à vontade para criar, “Midnight” se parece muito com o que Bon Iver apresentou em seu aclamado disco homônimo de 2011. Enquanto a desconfiança já começa a pairar sobre os rumos sonoros que serão apresentados no próximo disco da banda, imagens psicodélicas constroem o clipe da canção.

Nação Zumbi – Cicatriz

Outra banda que está voltando é a Nação Zumbi. Com guitarras proeminentes e a participação Kassin nos sintetizadores, mas mantendo os tambores como um elemento importante, “Cicatriz” parece delinear o que o próximo disco do grupo, previsto para sair ainda nesse ano, irá nos oferecer: mais um convincente capítulo de reinvenção na discografia do grupo.

Leo Cavalcanti – Leve

Como é a nova música liberada por Leo Cavalcanti que figurará no novo disco do compositor, “Despertador”? Bem, “Leve” é, realmente, leve. Envolta no mesmo pop psicodélico que já havia sido apresentado na faixa-título do novo trabalho, a canção surge em meio a belos arranjos, acertos melódicos e boas sucessões dinâmicas, que atiçam nossos ouvidos para o que está por vir.

Damon Albarn – Lonely, Press Play

O primeiro álbum em carreira solo de Damon Albarn está por vir, e o líder do Blur e criador do Gorillaz continua a promover o futuro trabalho. Agora, com o um novo clipe, o música dá imagens ao single “Lonely, Press Play” através de filmagens realizadas por ele mesmo em países nos quais viajou, como Japão, Coréia do Norte, Islândia e Estados Unidos.

Luziluzia – Cosmic Melodrama

Na mesma semana que disponibilizou para audição seu primeiro disco de longa duração, “Come On Feel the Riverbreeze”, a banda goiana Luziluzia, na qual também integram integrantes do Boogarins, lançou seu primeiro clipe. A canção escolhida para preencher o registro audiovisual foi “Cosmic Melodrama”, e o bom resultado final você vê abaixo.

Beyoncé – Partition

Beyoncé já está acostumada a ter seus clipes entre os mais comentados, mas dessa vez ela parece disposta a arrebatar todos os olhares direcionados à música pop para si. Diva absoluta, a bela seduz os espectadores através de danças provocantes realizadas com pouca roupa… Um vídeo que já é tão marcante quanto àquele de “Single Ladies”.

Lista: As 10 Melhores Colaborações Musicais de 2013

ajuda

Dizem que, sem nenhuma ajudinha, as coisas ficam quase impossíveis. É por isso que as pessoas que trabalham com música, não raramente, se unem para construir seus respectivos trabalhos. Eis aqui uma lista que não poderia faltar, visto as grandes colaborações que ajudaram a construir, musicalmente, o ano de 2013. Seja com um dueto entre cantores, com interações entre banda produtor ou até mesmo com uma pequena ajuda de um amigo, os últimos meses foram repletos destas cooperações. Segue, então, a nossa lista das “10 melhores colaborações musicais de 2013”.

10. Emicida + Pitty

Emicida construiu, com “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”, um divisor de águas em sua carreira. Ao fabricar uma verdadeira superprodução, o artista conseguiu alcançar o grande público (até o menos receptivo ao hip hop) sem grandes dificuldades, mesmo sem abandonar as suas raízes. O ponto mais proeminente de aproximação do músico com a música pop mora na assertiva parceria com a baiana Pitty, que gerou a ótima “Hoje Cedo”. Uma semi-balada tristonha, a canção insere o rapper em um cenário roqueiro, em que a audição facilitada e, por consequência, a grande possibilidade de atingir o público, são mostradas em altíssimo nível.

09. Alex Turner + Josh Homme

Várias colaborações no mundo musical são uma via de mão dupla. Um exemplo claro disso está na parceria entre Alex Turner (líder do Arctic Monkeys) com Josh Homme (líder do Queens of the Stone Age). Se Tuner já havia participado de “…Like Clockwork”, último álbum do Queens of the Stone Age, Homme foi ainda mais incisivo na produção de “AM”, quinto álbum da banda indie inglesa. Emprestando muitas das características de sua música, que fizeram o Arctic Monkeys se aproximar a passos largos do stoner rock e, consequentemente, do público norte-americano, Josh Homme ajudou os ingleses a construir mais um aspecto sólido da tão comentada “evolução sonora” da banda.

08. Wado + Marcelo Camelo

Contando com a produção de Marcelo Camelo, Wado bordou em “Vazio Tropical”, seu sétimo disco, mais um capítulo de desgarramento do passado. Deixando os rumos coloridos de seu som para uma outra oportunidade, e até fugindo do teor experimental que vinha construindo a sua obra, o compositor encarou instrumentações mais tranquilas, quase silenciosas, mas que abriram espaço para uma inquietante evolução lírica. De certa forma, ao contar com os toques de Camelo, Wado acabou construindo uma extensão do trabalho de seu produtor, atentando-se mais ao rumos líricos ao abrir um maior espaço para seções instrumentais tradicionais, trazidas do passado da MPB. “Vazio Tropical” pode até não ser o melhor trabalho de Wado, mas se caracteriza com um respiro necessário e assertivo que só a colaboração de Marcelo Camelo poderia proporcionar.

07. Black Sabbath + Rick Rubin

Em junho, quando a resenha do tão aguardado “13”, álbum de retorno do Black Sabbath, foi publicada aqui no blog, dizíamos que a produção de Rick Rubin foi fundamental para a sequência de acertos do disco: “Em suma, o cara (Rubin) fez milagre. Não é segredo para ninguém que Iommi, Osbourne e Butler estão velhos e com suas capacidades diminuídas. Tony inclusive trata de um linfoma, e Ozzy, bem… todo mundo sabe como a saúde do Madman acabou sendo prejudicada pelo uso massivo de ácidos de todas as espécies. Mas, felizmente, Rubin soube muito bem como tirar suco de laranjas velhas, fazendo com que os problemas dos integrantes passem despercebidos no disco. É claro que a energia não é mais a mesma, mas o resultado alcançado pela banda sem dúvida surpreende; no fundo, poucos esperavam por algo tão bom”.

06. Ana Larousse + Leo Fressato

E quando a colaboração ultrapassa as barreiras da música para se tornar uma grande amizade? Podemos dizer que não há nada mais genuíno que uma parceria entre verdadeiros amigos, não é mesmo? Por isso a colaboração mútua entre os curitibanos Ana Larousse e Leo Fressato torna-se tão especial: eles se conheceram há dez anos, quando cursavam juntos a faculdade de artes cênicas. Como bons parceiros inseparáveis, eles não deixariam de colaborar um com o outro logo no ano em que lançam seus discos de estreia. No fim, o que nos foi apresentado foi um resultado pra lá de sensível: tanto a colaboração de Fressato no primeiro álbum de Larousse, quanto vice-versa, se mostraram pra lá de sensíveis, trazendo consigo os mais sinceros sentimentos de amizade.

05. Haim + Ariel Rechtshaid

As garotas do Haim acabaram fazendo de seu primeiro disco, “Days Are Gone”, uma das melhores estreias do ano. Mas muito se deve ao produtor do disco, Ariel Rechtshaid, que conseguiu fazer com que as jovens irmãs mesclassem, com louvor, a música pop do passado e do presente. Encontrando um teor de sinceridade ao alocar tantas referências musicais na personalidade própria do grupo, Rechtshaid conseguiu moldar um disco deliciosamente agradável, acessível e sincero, que parece se caracterizas como uma especie de “modelo” a ser seguido por quem deseja alcançar a aclamação da crítica e do público nos próximos anos.

04. Guy Lawrence + Howard Lawrence

É possível dizer que, ao lançar o disco “Settle”, os irmãos Guy e Howard Lawrence fizeram história. Isso porque, além de muito jovens, eles conseguiram elevar a música eletrônica inglesa ao topo de uma forma como há muito tempo não se via. Próximos da música pop, e arquitetando um catálogo de canções repletos de hits, os irmãos Lawrence conseguiram unir a evolução do tato dos sintetizadores, em uma constante dualidade do velho (noventista) com o novo (atual), com a possibilidade de alcançar o grande público. Há um grande hype sobre os dois, há até mesmo quem diga que eles são os melhores produtores da atualidade, mas todo esse sucesso é facilmente explicado com o grande disco que eles lançaram. Sem dúvida, o Disclosure é uma das parcerias mais frutíferas do ano – e olha que ela está apenas começando a produzir os seus frutos.

03. EL-P + Killer Mike

Quando alocamos o disco “Run the Jewels” na 13ª colocação na nossa lista dos “30 melhores álbuns de 2013”, dissemos: “O que acontece quando dois dos melhores rappers da atualidade se unem, sem maiores pretensões comerciais, para a construção de um projeto voltado ao hip hop mais puro, totalmente distante dos modismos? Sem dúvida, o resultado é excepcional, não? Pois é isso mesmo o que ocorre em “Run the Jewels”, disco de estreia do duo homônimo integrado por EL-P e Killer Mike. Disponibilizado gratuitamente para download, o registro soa como uma despreocupada parceria entre os rappers, que se sentem à vontade para rimar sobre o mundo das drogas e a vida na noite… Mas não se engane: por trás de tanto desprendimento, há um dos álbuns mais certeiros dentro do gênero nos últimos tempos. Por quê? Sua produção é impecável, fazendo com que o objetivo seja atendido, com louvor, em apenas 33 minutos”. Portanto, não há dúvidas de que a fenomenal parceria entre EL-P e Killer Mike está entre as melhores desse ano.

02. Arcade Fire + James Murphy

Se a carreira do Arcade Fire sempre se caracterizou pelo desgarramento das ideias prontas, percorrendo novos caminhos a cada disco lançado, em “Reflektor”, o quarto álbum dos canadenses, não seria diferente. Para tanto, Win Butler e companhia recrutaram o produtor James Murphy, do LCD Soundsystem, para dar rumo às novas possibilidades sonoras da banda. Encarando o rock experimental da virada das décadas de setenta e oitenta, a música dançante e um conceito tropical, retirado das raízes caribenhas, o Arcade Fire arquitetou mais um capítulo brilhante de sua ainda curta, mas absurdamente consistente discografia… E, certamente, James Murphy foi um dos grandes responsáveis por isso ter acontecido.

01. Vampire Weekend + Ariel Rechtshaid

Quando o Vampire Weekend se viu em totais condições de esculpir o grande trabalho de sua carreira, decidiu abandonar as raízes africanas que permeavam os rumos sonoros do grupo ao convocar, pela primeira vez, um produtor de fora da banda para produzir o seu mais novo disco. Felizmente, eles escolheram a pessoa certa: Ariel Rechtshaid. No fim das contas, o agora renomado produtor, que também alcançou louvação em seus trabalhos com as garotas do Haim e com a queridinha do público Sky Ferreira, cumpriu com louvor de alocar a sonoridade do Vampire Weekend em um novo cenário. Em um misto de brilhos e sombras, melancolia e beleza, a obra-prima “Modern Vampires of the City” foi fabricada, se tornando um dos mais brilhantes discos dos últimos anos. Se é possível apontar a banda que mais evoluiu no ano, essa é o Vampire Weekend, e se considerarmos Rechtshaid como o melhor produtor de 2013, é óbvio que aqui temos, enfim, a melhor colaboração musical do ano.

Lista: Os 30 Melhores Álbuns Internacionais de 2013 [30-21]

Os 30 Melhores Álbuns Internacionais de 2013

[30-21] [20-11] [10-01]


New
30. New – Paul McCartney

Gênero: Pop Rock

É muito bom ver que o nosso velho Paul McCartney continua a produzir, tanto ao-vivo quanto em estúdio, em um ritmo invejável. Realizando turnês constantes e seu segundo álbum em dois anos, o compositor inglês parece querer ficar distante de qualquer acusação de preguiça, mostrando que, apesar de ser um músico consagrado há mais de quarenta anos, nunca lhe faltou a vontade de construir novos trabalhos. McCartney sabe a extrema importância da música que desenvolvera nos últimos cinquenta anos, e por isso, mesmo já alcançando a sua sétima década de vida, se esforça para continuar produzindo algo que não deixa dúvidas quanto à relevância. E o melhor de tudo é ver que, além da quantidade, o atual trabalho do ex-beatle não se distancia da qualidade que se espera de um dos maiores gênios da história da música.

E em seu novo álbum de estúdio, “New”, McCartney trilha um caminho esperado, mas que nem por isso deixa de se mostrar altamente recompensador. Em suma, o músico continua sendo quem ele sempre foi, um mestre dos rumos melódicos e das harmonias vocais, puxando de seu trabalho realizado nos Beatles e na banda Wings os principais elementos delineadores de sua música… Mas o título do álbum, que inspira novidade de forma proposital, já deixa claro que, mesmo valorizando os aspectos mais tradicionais de sua carreira, McCartney está atento ao cenário atual. Ao recrutar um quarteto de produtores respeitados pelo que têm feito nos últimos anos, ele propõe-se a construir um álbum de essência jovial, apto a conquistar não apenas seu velho público, mas também uma nova legião de ouvintes.

Podemos dizer que “New” é o lado oposto do empoeirado “Kisses on the Bottom”, bem como um “Memory Almost Full” às avessas. Se em seus últimos trabalhos McCartney tinha como intenção a prestação de homenagem a aspectos históricos da música (seja o jazz norte-americano ou a sua própria carreira), agora ele volta-se novamente ao mundo atual para mostrar que a acessibilidade de sua música continua intocada. Passam anos e décadas, e Paul McCartney não deixa de cativar o público com conceitos simples, mas extremamente assertivos. Pois “New” é um daqueles tradicionais trabalhos do músico, repleto de músicas agradáveis, melodias atraentes e harmonias impecáveis, sem envergonhar-se de soar pop. Há novos aspectos, é claro, mas felizmente incapazes de fazer com que o compositor se afaste de seu habitat natural. (Leia a resenha completa do disco)

Acid Rap29. Acid Rap – Chance The Rapper

Gênero: Hip Hop

Chance The Rapper, alcunha de Chancelor Bennett, é um artista que gosta de brincar com os nossos ouvidos. Afinal, mesmo repleto de influências, o rapper criou, em “Acid Rap”, o disco de hip hop menos óbvio dos últimos tempos. Em suma, o cara abraçou as cores que há tempos haviam sendo esquecidas pelo gênero para construir um álbum excitante, que não cansa de nos pregar surpresas enquanto dispara coloridas bolhinhas de sabão em nossa mente.

Da introdução ao desfecho, nada parece se relacionar a ideias prontas. Embora reviva as propostas bem humoradas plantadas pelo OutKast na virada do século, e se relacione, de alguma forma, ao trabalho de Danny Brown, Chance The Rapper faz de seu disco uma obra que não se desgruda de uma completa e deliciosa novidade. Mostrando que não existem barreiras para o hip hop, o músico flerta intensamente com a música pop enquanto passeia por inúmeros aspectos sonoros. As certeiras colagens de sons, que podem até remeter aos Beastie Boys, fazem com que Bennett trilhe um caminho sem fronteiras, divertindo-se em meio a referências da música comercial, da vanguarda ou até mesmo do minimalismo – sem deixar pra trás, porém, boas doses de insanidade. A capa do álbum, aliás, já parece deixar nas entrelinhas o aspecto lisérgico do registro. É tratando as drogas como uma ponte rumo ao desconhecido que Chance pinta todas as cores presentes no disco.

Talvez o maior dos méritos do rapper, porém, tenha sido a saudável brincadeira com a música pop que ele propôs. Inserindo-se no mundo que viu em “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” um registro tão comercial quanto qualquer álbum da Britney Spears, Chancelor Bennett soube, como poucos músicos de seu gênero, tornar a sua música acessível a todos os públicos. De aparência despreocupada, mas altamente consciente, “Acid Rap” almeja excitar até mesmo aquela pessoa mais preconceituosa, que vê no hip hop em nicho musical de gosto duvidoso. Se você pensa dessa forma, esmurre as ideias prontas e garanta um ingresso para a colorida viagem sonora proposta por Chancelor Bennett.

Slow Summits28. Slow Summits – The Pastels

Gênero: Pop Rock

Embora esquecido por grande parte da crítica, “Slow Summits” é um dos discos mais sensíveis do ano. Talvez, se tratando de melodia, nenhum outro álbum lançado em 2013 o supere. Suave, relaxante, hipnotizante e melancólico, o álbum encontra em um cenário aconchegante o tratamento perfeito para uma base sonora antiga, mas que ganha um novo fôlego nas mãos dos escoceses do The Pastels. Como se quisesse, de alguma forma, musicar o outono do hemisfério norte, a banda criou, em seu sexto disco (e o primeiro em quinze anos) uma contemplação natural de temáticas sensíveis, próximas das nossas mais serenas emoções.

Fazendo com que folhas caídas voem ao sabor do vento em uma climatização alaranjada, o disco vai construindo, através de seu impecável aspecto melódico, um conjunto delicioso de canções serenas e atraentes. São números incapazes de nos envolver devido a modernos rumos sonoros, mas que nos prendem através de suas texturas acolhedoras, como se fossem pintadas a tinta pastel. Instrumentações consistentes flutuam pelo registro, amparando vocais doces e hipnóticos, e levando o ouvinte a sonhar com o bucolismo da zona rural britânica… Praticamente um sopro gélido no verões demasiadamente quentes.

Ignorando certas modernidades, “Slow Summits” brinca com velharias, passando pelo soft rock setentista do Fleatwood Mac para chegar na primeira fase dos Beatles. Afinal, como um verdadeiro tratado melódico, o disco não deixa de recriar paisagens visitadas por grande nomes da música… Mas não cometa a besteria de tratar o registro como um álbum datado ou retrógrado. Assim como o Fleet Foxes fez nos últimos anos, o The Pastels utiliza os elementos antigos não como uma “desculpa pela falta de criatividade”, mas como um apoio para almejar o futuro. Já experiente, o grupo não deixou de experimentar em um conjunto consistente de arranjos, ambientando nas atmosferas mais apropriadas um dos discos mais singelos dos últimos tempos.

Nothing Was the Same27. Nothing Was the Same – Drake

Gênero: Hip Hop

O outrora exagerado Drake encontrou nas emanações amenas e extremamente pessoais de “Nothing Was the Same” o ápice de sua carreira. Se antes o rapper canadense encontrava-se preso a aspectos luxuosos que, de forma proposital, partiam em um busca do épico, agora sua música encontra-se muito mais condensada em uma áurea íntima, deliciosamente confessional. De fato, quem antes rotulava o trabalho do artista de “comercial” agora deve se deliciar com um Drake sensível e discreto, trabalhando de forma a controlar suas ideias megalomaníacas.

“Nothing Was the Same” é um disco sincero. Viajando no passado de Drake, o álbum surge como uma obra que procura transformar em música a vida do artista. Retratando seu passado pobre, e fazendo disso o alicerce para seu sucesso atual, o rapper dispara durante o registro um conjunto fantástico de rimas orgânicas, altamente unidas, capazes de construir de forma assertiva um conceito. Pautado na unidade, o álbum condensa sons e versos em um ambiente cuidadoso, tratando cuidadosamente a sua base para que o rapper consiga rimar com louvou seus sentimentos e pensamentos. Por isso, a intensidade dos elementos de R&B foi diminuída, bem como a quantidade de samples e o time de produtores… Se a proposta era fazer com que Drake construísse um trabalho inteiramente seu, “Never Was the Same” se consolida como um nítido acerto.

Em um ano marcado pelo crescimento da “música de ostentação”, tanto no Brasil quanto no restante do planeta, nada melhor do que ver Drake, um dos cardeais do hip hop atual, trilhando um caminho completamente oposto. Afinal, “Never Was the Same” é um álbum de emoções, profundamente inspirado pelo íntimo do rapper, encontrando nas rimas e nos ritmos não apenas um cenário plausível para uma boa audição, mas uma atmosfera perfeita para que uma ótima história seja contada. Finalmente, Drake fez de seus versos o seu ponto forte, ao transformar em bem público os seus mais íntimos e sinceros pensamentos.

The Bones of What You Believe26. The Bones of What You Believe – CHVRCHES

Gênero: Synthpop

O ano de 2013 foi especial para a música pop. Finalmente, aquelas propostas toscas e exageradas que tomaram contas das rádios nos últimos anos parecem dar espaço a texturas mais maduras. Seja com as sombras de Lorde, a humanização do Daft Punk ou as concepções orgânicas de Justin Timberlake, a música comercial (pelo menos internacionalmente) retomou seus olhares a temáticas mais complexas, sérias e capazes de perdurarem por mais do que algumas semanas. Se nomes como Rihanna, Miley Cyrus, Katy Perry e Justin Bieber afundam cada vez mais suas carreiras ao pautá-las em um conceito basicamente caricato, outros artistas começam a ganhar destaque. As coroas estão sendo transferidas para novos nomes, e apenas quem estacionou em 2011 pode negar esse fato.

“The Bones of What You Believe”, disco de estreia do trio CHVRCHES, surge como um grande símbolo desse processo evolutivo. Mesmo jovial, dançante e entregue às massas, o disco não deixa de discutir temas sérios e humanos, passando a anos luz do descarte. Entre sintetizadores hipnotizantes, ritmos energéticos e melodias acessíveis, surge a vocalista Lauren Mayberry cantando dramas, tristezas e solidões. De fato, o disco se constrói a partir de sentimentos, transformando os seminais arranjos eletrônicos criados por Iain Cook e Martin Doherty em um acompanhamento efervescente para um verdadeiro tratado sobre a alma.

Ainda que não desvie o seu olhar das pistas de dança, “The Bones of What You Believe” é, no fundo, uma ode aos arranjos. Longe de cair no marasmo que muitas vezes envolve as já desgastadas bases do synthpop, o CHVRCHES faz das belas melodias o delineador de um intenso e cuidadoso trabalho harmônico. Unindo os vocais aos sintetizadores, Mayberry, Cook e Doherty transformam uma sonoridade acessível, confessamente pop, em uma mágica viagem pelos mais complexos sentimentos. Um disco comercial, sem dúvida, mas porque consegue alcançar, de forma certeira, os mais obscuros anseios do grande público.

Random Access Memories25. Random Access Memories – Daft Punk

Gênero: Nu-Disco

Os robôs mais famosos da música mundial voltaram, mas mais humanos do que nunca. Se o último álbum de estúdio deles, “Human After All”, de 2005, discutia o processo de humanização das máquinas, relembrando as ideias de inteligência artificial plantadas por Isaac Asimov, parece que agora, oito anos depois, este processo acabou atingindo, enfim, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo.

“Random Access Memories”, com isso, acaba sendo um álbum surpreendente. Não por reinventar a roda, ou por ser superior a tudo o que o duo francês já realizou… Na verdade, nem um, nem o outro. Apesar das vozes robóticas continuarem, aqui ou acolá, permeando a música do Daft Punk, para que o ouvinte entenda o disco, é necessário, primeiramente, desprender-se do som que havia construído até agora a carreira dos caras. Não que a música eletrônica tenha sido abandonada, ou que o Daft Punk tenha se vendido ou se alterado de forma irresponsável – nunca espere isso de Bangalter e Homem-Christo, músicos extremamente profissionais e que aceitam viver o papel de cardeais da música eletrônica atual. O Daft Punk continua a ser o Daft Punk, só que agora mais sutil e intimista.

Os fãs que queriam um novo “Discovery” têm olhado torto para o novo álbum, o que é, na verdade, mais do que normal: afinal, “Random Access Memories” não é nada do que eles esperavam. De forma surpreendente, Bangalter e Homem-Christo voltaram seus olhares metálicos para o passado, encontrando na música de trinta, quarenta anos atrás, o cenário perfeito para a humanização do projeto. Isso, em um primeiro momento, com a mais errônea das visões, pode até soar copioso e aproveitador, até porque eles sempre foram responsáveis pela evolução da música eletrônica, e não pela volta ao passado…

Mas quem disse que visitar ideias passadas significa, necessariamente, ser retrógrado? De jeito nenhum! Embora alguns projetos – mais recentemente o The Strokes – tenham alocado seus trabalhos em ideias antigas e finjam fazer parte daquela época (criando registros datados que pouco combinam com os dias de hoje), a utilização das ideias passadas, quando bem pensadas, acabam se mostrando altamente satisfatórias; e assim é, felizmente, com “Random Access Memories”. Apesar de estarem recordando as antigas glórias da dance music, Bangalter e Homem-Christo utilizam essa base empoeirada para trazer um toque mais sensível à música eletrônica atual. (Leia a resenha completa do disco)

Is Survived By24. Is Survived By – Touché Amoré

Gênero: Post-Hardcore

A banda norte-americana Touché Amoré parece ter encontrado o casamento perfeito entre os gritos e as melodias. Detentor de uma carreira constante, o grupo chega ao seu terceiro álbum de estúdio com uma contemplação ainda mais assertiva de todos os elementos que envolvem a sua musicalidade. Permeada sempre pelo vocal estridente do vocalista Jeremy Bolm, a base musical do grupo se agarra às texturas tradicionais do post-hardcore, mas sempre indo em busca de algo além. “Is Survived By” é, enfim, a constatação dessa ânsia por crescimento, elevando a sonoridade do grupo a níveis épicos ao tratar, com extremo cuidado, os rumos melódicos.

Não há como não se sentir excitado pela trinca formada pelas duas guitarras (aos poderes de Clayton Stevens e Nick Steinhardt) e o vocal bem característico… É uma dualidade de sentimentos, uma guerra entre percepções que arrasta o ouvinte com atenção pela totalidade do registro. Ora sujo, ora harmônico, o disco é uma união consistente de doze canções que se amarram em um único conceito: a batalha emocional. O desespero, amplificado pelo vocal de Bolm, toma conta dos rumos do disco mostrando todas as suas facetas; afinal, há momentos para gritar de raiva e outros para gritar de dor.

De natureza naturalmente sombria, o disco abre pequenos espaços para “baladas” melancólicas, mas não se fecha, em nenhum instante, ao peso dos instrumentos, unidos por interações nervosas capazes de ligar a sonoridade do grupo ao sentimentos anárquicos do punk. Energético, o álbum vai pingando gotas de raiva, tristeza, sofrimento e introspecção enquanto caminha pelos seus rumos tortuosos… “Is Survived By” é, enfim, um registro que deve ser ouvido e sentido: um mergulho nas mais sofríveis facetas do interior do ser humano.

Days Are Gone23. Days Are Gone – Haim

Gênero: Indie Pop

Um trio de jovens irmãs fez um dos melhores discos de música pop dos últimos anos. Por quê? Talvez a explicação não seja tão simples, e o melhor mesmo seja dar o play e sentir quão bom é “Days Are Gone”, o disco de estreia das garotas. Trazendo na produção o ótimo Ariel Rechtshaid, responsável também pelos últimos lançamentos de Sky Ferreira e Vampire Weekend, o disco parece ser uma especie de “modelo” a ser seguido por quem deseja alcançar a aclamação da crítica e do público nos próximos anos.

A música alternativa encontra-se no topo, e nada mais correto do que emprestar vários elementos do indie atual para fabricar um álbum de sucesso, certo? E se a música de trinta anos atrás fosse, de certa forma, revivida, trazendo de grande nomes como Michael Jackson e Fleatwood Mac aquele feeling que todo mundo gosta? Espertas, as meninas pautaram seu trabalho em ambas as direções, fazendo de “Days Are Gone” o feliz encontro entre a música desta década com os melhores momentos da música pop do século passado. Abrangente, o álbum passeia pelos anos noventa, oitenta e setenta – sem se esquecer, porém, de soar atual a todo instante.

Como um bom exemplar da música pop, “Days Are Gone” é tomado por hits de potencial, entregando ao público, faixa a faixa, um registro de agradabilidade fácil e rápida. Seja pela base sonora atraente, pela forma competente com que os vocais trabalham para criar belas harmonias ou pela exploração de temas que atingem os jovens adultos, o disco parece estar ciente, desde o começo, do poder que detém: “Days Are Gone” foi projetado para agradar a gregos e troianos, mas com uma acessibilidade construída de forma natural. Um álbum moldado para o público massivo, é verdade, mas, acima de tudo, deliciosamente sincero.

Field of Reeeds22. Field of Reeds – These New Puritans

Gênero: Art Rock

Com uma ligação crescente com a complexidade, os ingleses do The New Puritans não negaram a seu último disco, “Field of Reeds”, a alcunha experimental que vem embalando o pensamento do grupo nos últimos tempos. Totalmente distante do que havia sido apresentado tanto na estreia da banda em 2008, quanto pelo lançamento anterior, de 2010, o presente registro faz com que Jack Barnett, George Barnett e Thomas Hein passeiem por um turbilhão sonoro instável, atmosférico e repleto de novidade.

Com canções de ambientação obscura, o disco brinca com diversas vertentes da música de vanguarda, indo do jazz experimental ao neo-classical em poucos segundos. Não é difícil para que o ouvinte, após se acostumar com a sonoridade do registro, se sinta rodeado por lâminas geladas, indo mais para dentro de um labirinto tenebroso (e sem saída) à medida em que as faixas se sucedem. Um misto de medo e beleza que dá ao disco um aspecto fantástico, fazendo com que criemos em nossa mente os mais improváveis cenários para ambientar a base musical.

Meticulosamente construído através de acordes de piano, vozes desencontradas e belos arranjos de cordas, “Field of Reeds” demonstra uma riqueza musical incrível, extremamente presa ao detalhes. Porém, em um primeiro momento, é normal que o ouvinte se sinta “perdido” em meio às propostas de difícil acesso. Portanto, o que se pede, nesse caso, é uma audição repetitiva, em um exercício quase bovino de ruminação; só dessa forma toda a atmosfera de “Field of Reeds” poderá ser contemplada. Um exercício que não parece fácil em um primeiro momento, mas que com certeza se mostrará, em um futuro próximo, altamente recompensador.

Virgins21. Virgins – Tim Hecker

Gênero: Ambient

Um dos álbuns mais intrigantes deste ano, “Virgins” é uma exploração quase silenciosa de um castelo abandonado, encontrando em grandes salas vazias e móveis cobertos por lençóis os detalhes de um cenário voltado ao horror. Caótico, porém controlado, o registro é mais uma clara demonstração do poder que Tim Hecker atualmente detém nos sintetizadores… É possível não alocá-lo entre os principais produtores da época presente? É provável que não.

Guiando-se pelos detalhes, “Virgins” é rumado pela ideia de habitar o desconhecido, trombando com criaturas macabras em lugares ofensivos, e trazendo em uma atmosfera assustadora o local ideal para explanar suas ideias. Ao contrário da maioria dos músicos que flertam com conceitos assombrosos, Hecker não deseja simplesmente amedrontar seus ouvintes; no fundo, o que ele quer é transferir o público para dentro do cenário por ele proposto, construindo uma relação em que qualquer pessoa possa se sentir parte integrante do registro. É como se os filmes de terror passassem a ser interativos.

Com “Virgins”, Tim Hecker não está apenas construindo mais um bom disco para trilhar os sons de um Halloween… Um aventureiro nato, o produtor conquista mais um resultado assertivo de sua carreira através de um excitante jogo de texturas, capazes de condensar as mais interessantes atmosferas.