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Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [30-21]

30. Vince Staples – Blue Suede

Você pode até dizer que “Blue Suede” é apenas mais uma ótima produção, que suas batidas são incríveis e que a música se resume basicamente a isso… Tudo isso, é claro, se as rimas de Vince Staples não forem levadas em consideração. Se a produção é ótima (digna de Madlib), a performance do rapper é ainda melhor. Suas rimas são cruas, e verdadeiras: nelas, Staples trata da mortalidade da forma como ela é, sem grandes firulas. O ser humano é frágil, e nasce para um dia morrer: e, geralmente, nunca da forma desejada. É nada mais do que a realidade… “Jovens sepulturas obtém os buquês”, brada o rapper.

29. Nação Zumbi – Cicatriz

Uma filosofia relativamente barata diz que um grande guerreiro é reconhecido pela quantidade de cicatrizes que tem no corpo… E é exatamente essa mensagem que a Nação Zumbi quer passar em “Cicatriz”, canção que facilmente se insere entre as melhores do experiente grupo. Segundo Du Peixe e sua trupe, as marcas de guerra não precisam ser escondidas, e sim expostas: troféus de batalhas vencidas. A fraqueza humana se transformando em poder.

28. Ty Segall – The Singer

Para Ty Segall, 2014 será sempre considerado o ano de sua evolução definitiva. Íntimo das mais diversas nuances do rock, o músico, em “The Singer”, se vê à vontade para percorrer os dogmas do estilo em vias de reinvenção. Para isso, utiliza o psicodelismo para passear nos anos setenta, jogando um pouco de purpurina na guitarra através de uma breve brincadeira com o glam, e trazendo tudo para os tempos atuais – criando um número que, ao mesmo tempo, é clássico e atual. “The Singer”, assim como o rock clássico, é simples e direta, além de forte e arrebatadora. Uma canção com aquele espírito que muitos desinformados pensam que já morreu.

27. How to Dress Well – Words I Don’t Remember

Através de seu projeto How to Dress Well, Tom Krell reinventa a música pop com uma grande condensação de gêneros e referências. Provas? Apesar do disco “What Is this Heart?” ser imperdível, uma de suas faixas, “Words I Don’t Remember”, já é capaz de oferecer aos ouvintes uma ótima amostra dos poderes do músico. Sensível, atraente e naturalmente progressista, a canção se espalha em pouco mais de seis minutos de puro brilhantismo sonoro e lírico.

26. ruído/mm – Requiem for a Western Manga

A banda curitibana ruído/mm tem o dom de contas histórias mesmo sem utilizar nenhuma palavra… E isso acabou fazendo do fantástico “Rasura” um dos melhores discos de 2014. Terras distantes, heróis destemidos, discos voadores e grandes batalhas se espalham por números instrumentais primorosos, dos quais “Requiem for a Western Manga” é um destaque. Uma verdadeira epopeia, a canção faz com que o ouvinte experimente dez minutos de uma grande aventura, digna de uma superprodução de Hollywood, com Clint Eastwood no elenco e tudo mais.

25. Romulo Fróes e Juçara Marçal – Espera

A poesia de Romulo Fróes é reconhecidamente torta, “difícil” para os ouvidos acostumados com a música que se toca nas rádios… Mas em “Espera”, parceria do músico com Juçara Marçal, Fróes se abre para um novo público. Apesar de liricamente complexa, mantendo os tradicionais flertes do músico com versos curtos e de aparência desconexa, a canção se mostra extremamente fluida, deliciosa e descomplicada – mesmo fazendo parte do pesado “Barulho Feio”, o último e mais profundo lançamento do compositor. Na música, tudo se casa perfeitamente: as vozes de Romulo e Juçara se fundem em total harmonia com o ritmo acústico que, por sua vez, une-se com os ruídos da cidade de São Paulo de forma até mesmo natural. Um grande conjunto de nuances, alocadas em menos de dois minutos de impecável canção.

24. Ghostface Killah & BadBadNotGood ft. Danny Brown – Six Degrees

Além de reunir Ghostface Killah e Danny Brown, dois dos grandes rappers da atualidade, a canção “Six Degrees” traz na produção os canadenses do BadBadNotGood, verdadeiros monstros do hip-hop com suas passagens pelo jazz e pelo fusion. O resultado? Só poderia ser fantástico… Uma das melhores músicas do ano, uma mostra perfeita de que as mais diferentes vertentes nunca haviam se fundido em tamanha proporção quanto no ano que se finda. Ilimitada, cheirando a novidade, “Six Degrees” parece trazer consigo o conceito a ser seguido pelas grandes obras do hip-hop nos próximos anos.

23. Perfume Genius – Fool

Ah, as emoções… Volta e meia elas têm permeado essa lista, nos mostrando que, mesmo no mundo pós-moderno, a música continua a serviço dos mais puros e honestos anseios do ser humano. Em 2014, poucos artistas conseguiram escancarar sentimentos de forma tão certeira quanto Mike Hadreas em seu projeto autoral Perfume Genius. “Fool”, além de nos presentear com um conjunto harmônico complexo, nos surpreendendo com suas variações inesperadas, apresenta uma gigantesca amplitude de emoções, permeados pela performance vocal teatral de Hadreas.

22. Run the Jewels ft. Zack De La Rocha – Close Your Eyes (And Count to Fuck)

O novo dueto entre os rappers El-P e Killer Mike, apresentado no segundo disco do Run the Jewels mostra, nada mais nada menos, do que o colosso do hip-hop em 2014. Resultado obtido através de rimas incendiárias e uma produção arrebatadora, o registro marca uma das melhores colaborações da história do rap, que pode ser resumida através da intensidade de “Close Your Eyes (And Count to Fuck)”.

21. Juçara Marçal – Velho Amarelo

“Velho Amarelo”, a primeira faixa de “Encarnado”, trabalha para alocar Juçara Marçal em um palco do qual o espectador não desviará os olhos. A canção, composta por Rodrigo Campos, se comporta como uma apresentação perfeita do conceito da trabalho, delineando os rumos instrumentais e líricos que o embalarão em sua totalidade… Se é certo que vamos morrer, por que não podemos escolher onde e como?

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Clipes & Singles: Semana 42/2014

Clipes & Singles

Foo Fighters – Something From Nothing

“Sonic Highways”, o aguardado sucesso de “Wasting Light”, abre-alas: “Something From Nothing” é a primeira faixa do novo disco de Dave Grohl e sua trupe. Planejado para ser uma viagem sonora pelas terras do Tio Sam, o disco foi gravado em diversas estúdios, procurando captar a cena musical de cada cidade em cada faixa. No caso, “Something From Nothing” foi gravada em Chicago, e traz como participação especial o guitarrista Rick Nielsen, da banda Cheap Trick.

Noel Gallagher’s High Flying Birds – In the Heart of the Moment

Outro nome famoso do rock mundial que está de trabalho novo é o ex-Oasis Noel Gallagher. Depois de vencer a batalha com seu irmão e desafeto Liam (visto o fim das atividades do Beady Eye), o cara está para emplacar seu segundo disco com sua nova banda, intitulada High Flying Birds. “Chasing Yesterday” deve sair em breve, trazendo como principal single a música do vídeo a seguir, “In the Heart of the Moment”.

Damien Rice – I Don’t Want to Change You

Depois de um período de oito anos de hiato, quem está de volta à ativa é o renomado compositor irlandês Damien Rice. Felizmente não abandonando suas raízes folk e, pra melhorar, mostrando um inegável crescimento como músico, Rice lança a bela “I Don’t Want to Change You” como principal single do disco “My Favourite Faded Fantasy”.

Foxygen – Coulda Been My Love

Sempre apostando alto em seu rock psicodélico, os californianos do Foxygen abraçam seu novo projeto, o álbum “…And Star Power”, lançado na primeira quinzena do último mês de outubro. “Coulda Been My Love”, a terceira faixa do disco, registra bem a base musical do lançamento, mesclando rumos lisérgicos com um folk classudo.

Foster the People – Are You What You Want to Be?

Continuando com a promoção de seu disco “Supermodel”, a banda Foster the People revelou o clipe da canção “Are You What You Want to Be?”, contendo imagens da banda em turnê. Um conceito simples, mas que com uma boa direção consegue alcançar um bom resultado.

Chance The Rapper – No Better Blues

Chance The Rapper, autor de um dos melhores discos de 2013, é indubitavelmente um dos grandes novos nomes do hip hop mundial. Para provar essa ideia, o cara aparece com uma nova (e excelente) canção: unido ao coletivo The Social Experiment, Chance lança a ótima “No Better Blues”, sem os toques lisérgicos de outrora, apenas investindo em fundo tranquilo, permeado por batidas e versos.

The Kooks – Bad Habit

Sensualidade é o nome da palavra-chave do novo clipe da banda The Kooks, gravado para a canção “Bad Habit”. A música, faixa do disco “Listen”, o último lançamento do conjunto, ganha imagens através da vida cibernética de uma garota que não vê limites para a sedução nos chats da grande rede.

Run the Jewels – Close Your Eyes (And Count to Fuck)

O que falar do novo disco do Run the Jewels? Ele é simplesmente sensacional, afinal, está conseguindo o que muita gente duvidava: superar o primeiro lançamento do duo. Até porque, nada parece frear a veia musical irriquieta de Killer Mike e El-P, dois dos melhores rappers da atualidade. “Close Your Eyes (And Count to Fuck)” é apenas uma pequena amostra do colosso de “RTJ2”.

These New Puritans – Spitting Stars

Do hip hop brutal do Run the Jewels para a classe do These New Puritans: “Spitting Stars” faz parte do disco “Expanded”, que registra apresentações ao-vivo do grupo em companhia a uma orquestra de 35 músicos, com o intuito de entregar ao público uma magnífica revisitação da carreira do jovem coletivo inglês.

Kendrick Lamar – I

Para encerrar, nada melhor do que contar com um lançamento de um dos mais aclamados artistas da atualidade. Prestes a lançar um novo álbum (que tende a ser um novo clássico da música negra norte-americana), Kendrick Lamar embebeda-se na raiz do soul em “I”, apenas um capítulo do que tende a ser sua nova obra-prima.

Clipes & Singles: Semana 10/2014

Clipes & Singles

Coldplay – Magic

Para anunciar a data de lançamento de seu novo álbum, “Ghost Stories”, a banda inglesa Coldplay resolveu liberar mais uma canção inédita de seu catálogo para audição. Se trata de “Magic”, canção que encontra na base eletrônica inserida pelo produtor Paul Epworth um cenário de novidade para os rumos sonoros do grupo. “Ghost Stories” deve sair no dia 19 de maio.

Arctic Monkeys – Arabella

Depois de se tornarem os maiores vencedores da última edição do Brit Awards, os ingleses do Arctic Monkeys resolveram lançar em clipe uma das faixas de maior destaque de seu último disco, “AM”. No vídeo produzido para “Arabella”, ousados cortes de câmeras refletem um clima todo sensual.

Silva – Universo

Se em “Janeiro” e “É Preciso Dizer” o capixaba Silva parece revisitar (da sua própria maneira) melodias cantaroláveis características dos anos oitenta, agora, em “Universo”, uma constante colagem de sons e alocações bem pensadas de loops tornam a terceira canção a ser compartilhada do álbum “Vista Pro Mar” em um número que se agarra mais à sonoridade de “Claridão” – embora com um teor mais voltado à contemplação. Mais uma bela canção para o que promete ser um grande disco.

Sharon Van Etten – Taking Chances

“Are We There”, o novo disco de Sharon van Etten, está para ser lançado no dia 27 de maio. E é apresentando um notável crescimento que a cantora compartilha “Taking Chances”, a primeira canção do novo trabalho a ser revelada. Esbanjando classe, a artista mostra que o novo álbum tem tudo para suceder muito bem o aclamado “Tramp”.

Janelle Monéa – What Is Love

Produzida especialmente para a trilha sonora do filme “Rio 2”, a nova canção de Janelle Monéa, como não poderia deixar de ser, soa como uma verdadeira ode ao clima tropical do Brasil. Misturando aspectos do samba e do axé, a nova canção surge como uma das melhores músicas brasileiras já feitas por artistas gringos nos últimos anos.

Franz Ferdinand – Erdbeer Mund

Para dar imagens ao seu recém-lançado single em alemão, a banda Franz Ferdinand se entregou à zoeira. Em um vídeo pra lá de psicodélico e com aspecto Lo-Fi, o guitarrista Nick McCarthy veste-se com sua irmã e dança com pouca desenvoltura em “Erdbeer Mund”, canção voltada ao público germânico.

Broods – Never Gonna Change

Em um clipe repleto de simbolismos é que o duo Broods dá força a seu single “Never Gonna Change”, faixa presente no EP de estreia do projeto de Georgia e Caleb Nott, lançado no último mês de fevereiro. Unindo um clima de romance com um ambiente úmido, o registro audiovisual é delineado pela imersão.

St. Vincent – Del Rio

Lançada como faixa bônus no Japão e Lado B do single “Digital Witness”, “Del Rio” parece soar como um complemento às complexas estruturas arquitetadas por Annie Clark em seu último trabalho sob a alcunha de St. Vincent. Envolta por uma estrutura de guitarras tortas e desconstrução constante, a artista volta a nos surpreender com sua impecável verve experimental – e, ao mesmo tempo, pop.

Run the Jewels – Run the Jewels

Lançando o registro audiovisual da canção que dá título ao projeto (bem como ao primeiro disco) do projeto encabeçado por EL-P e Killer Mike, os rappers parecem querer dar um ponto final à promoção de seu aclamado, bem como aquecem os motores para o lançamento do segundo disco do Run the Jewels, previsto ainda para 2014.

The Men – Pearly Gates

Apresentando ao seu público o seu mais novo disco, “Tomorrow’s Hits”, a banda The Men revelou o vídeo de “Pearly Gates”, uma das faixas do álbum. Gravado na estrada, e estrelado por malandros e policiais, o clipe consegue, de forma curiosa, alcançar os conceitos anárquicos da canção.

Clipes & Singles: Semana 01/2014

Clipes & Singles

Depois de um 2013 agitado, o novo ano já começa com tudo. Novas canções explodem pelo mundo da música, seja para mostrar um novo aspecto do que já conhecemos ou para apresentar a sonoridade de futuros álbuns. Sim, amigos, agora 2014 começou pra valer, e o nosso modesto blog abre o ano com o já tradicional resumo de singles da semana. Dessa vez, misturamos as principais músicas promocionais lançadas nos últimos suspiros de 2013 com as apresentadas nos primeiros instantes de 2014… Talvez um anúncio de que, nesse ano, ouviremos muita música boa.

Emicida – Papel, Caneta e Coração

O ano de 2013 apresentou-se como um divisor de águas para Emicida. Ao lançar o clássico imediato “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”, o rapper se tornou um dos músicos mais aclamados do Brasil, indo além dos limites naturais do hip hop nacional. Ao lançar uma nova cação, “Papel, Caneta e Coração”, o artista parece querer homenagear o público que tanto tem o louvado, e ao mesmo tempo, com um novo clipe, fazer uma espécie de retrospectiva, unindo imagens dos bastidores de seu trabalho em 2013.

Ariel Pink & Sky Ferreira – My Molly

Grant Singer resolveu unir Ariel Pink e Sky Ferreira em uma canção rápida, em um pequenos show em um cômodo totalmente branco. Envolvidos pela performance, atuando livremente, os músicos acabaram dando imagens envolventes à energética canção, que acomoda a guitarra suja e o aspecto caseiro da música de Ariel Pink no pop alternativo envolvido por vozes plásticas de Sky Ferreira. Bem que os dois poderiam colaborar em outras oportunidades, não?

Pixies – Blue-Eyed Hexe

Os rumos atuais da banda Pixies são difíceis de entender. Há muito tempo sem lançar nada, a banda apresentara, em setembro 2013, um novo trabalho, porém pequeno, intitulado “EP1”. Agora, com nova baixista e tudo (Paz Lenchantin herdou o posto deixado por Kim Shattuck), o grupo decidiu lançar mais um novo EP. Não seria melhor lançar um álbum “de verdade” de uma vez, Black Francis? Talvez para suprir a grande inatividade, algo maior ainda esteja a caminho… Enquanto isso, sem deixar a desconfiança de lado, acompanhemos o novo single da banda, “Blue-Eyed Hexe”, que mais parece uma colaboração com os australianos do AC/DC.

Katy B – Crying for No Reason

Com “Little Red”, Katy B parece inclinada a dar um novo rumo à carreira. Indo em uma direção contrária ao primeiro disco da britânica, “On a Mission”, de 2011, o novo álbum, cujo lançamento está previsto para o dia 3 de fevereiro, parece transformar aquele pop descompromissado de outrora em um exercício pleno de evolução, encontrado na sobriedade adquirida pela cantora um destacável ponto de maturidade. “Crying for No Reason”, uma das faixas do futuro registro, agora ganha um clipe em que a pouca luminosidade procura representar a nova sonoridade da artista.

Silversun Pickups – Cannibal

Três discos de estúdio já servem para a construção de uma compilação? Para o Silversun Pickups, a resposta é sim. Enquanto a boa banda agrupa suas melhores faixas em “The Singles Collection”, uma faixa inédita que fará parte do registro é apresentada aos ouvintes. Reunindo parte da tradicional sonoridade do grupo, mas ao mesmo tempo apresentando sinais de inovação, “Cannibal” afunda-se em um instrumental torto, permeado por riffs sujos, vocais etéreos e uma constante interação do indie rock com a música eletrônica. Uma canção excitante, mas que estará em um disco desnecessário. Se compilações poucas vezes são bem-vindas, uma que reúne canções de apenas três álbuns é menos ainda.

Run the Jewels – Pew Pew Pew

EL-P e Killer Mike planejam, para o dia 13 de janeiro, o lançamento da versão deluxe do primeiro disco do duo – aclamado trabalho que também figurou na nossa lista dos 30 melhores álbuns internacionais de 2013. Com seu hip hop cru, rotulado como “hardcore”, a dupla de rappers implementa a extensão de seu disco com uma canção que acompanha todos os êxitos das faixas já conhecidas, trazendo em um turbilhão de batidas e rimas uma base pra lá de bem resolvida.

Band of Skulls – Be Mine

As bandas que planejam lançar novos discos nesse ano de 2014 não perdem tempo para atiçar seus ouvintes. Um desses casos ocorre com o trio “Band of Skulls”, que para promover seu próximo trabalho, o álbum “Himalayan”, revelou a faixa “Be Mine” e, de quebra, o seu clipe. A música, que inicia-se tranquila, melódica, dando amplo destaque para as harmonias, acaba encarando uma explosão barulhenta em seu desfecho. Um aperitivo delicioso, e a promessa de um bom disco.

Elliphant – Where Is My Mama At

Em um clipe que parece representar a sua infância, a rapper sueca Elliphant atira um bocado de rimas para o ouvinte em meio a uma produção assertiva de batidas e efeitos sonoros. Nada de brincadeiras tradicionais de criança, porém, fazem parte do cotidiano das garotas do vídeo: andar dentro de um carrinho de supermercado, passear sobre trilhos de trem e pichar estão entre as atividades desenvolvidas pelas meninas, enquanto dançam uma coreografia ao som da canção.

Yuck – Somewhere

Em um clima melancólico, com muita melodia, se apresenta a canção “Somewhere”, faixa de “Glow & Behold”, segundo álbum dos ingleses do Yuck. Acompanhando a movimentação de um aeroporto, o quarteto consegue produzir, com a direção de Jacob Perlmutter, a perfeita representação em imagens para os rumos melódicos. Certo ar de saudade e uma tristeza discreta permeiam a canção (e o vídeo) em sua totalidade, perfazendo um número especial para recolhimento. Não à toa, é uma ótima pedida para antes de dormir.

Drake – Trophies

Outro cara que não pode reclamar nada de 2013 é Drake. O canadense, que encontrou em “Never Was the Same” o auge de sua carreira (o disco inclusive fez parte da lista dos melhores discos do ano deste blog), nos últimos dias foi até elogiado por Lorde – que, tempos atrás, havia criticado a sua música, chamando-a de superficial. Somado a isso, uma participação pra lá de assertiva no último disco de Beyoncé, e a certeza de ser um dos músicos mais requisitados da atualidade. Para brindar um ano tão bom, e ao mesmo tempo dar a largada para seus projetos em 2014, o músico liberou uma nova faixa, “Trophies”, que acompanha todo o bom resultado alcançado pelo último disco.

Lista: As 10 Melhores Colaborações Musicais de 2013

ajuda

Dizem que, sem nenhuma ajudinha, as coisas ficam quase impossíveis. É por isso que as pessoas que trabalham com música, não raramente, se unem para construir seus respectivos trabalhos. Eis aqui uma lista que não poderia faltar, visto as grandes colaborações que ajudaram a construir, musicalmente, o ano de 2013. Seja com um dueto entre cantores, com interações entre banda produtor ou até mesmo com uma pequena ajuda de um amigo, os últimos meses foram repletos destas cooperações. Segue, então, a nossa lista das “10 melhores colaborações musicais de 2013”.

10. Emicida + Pitty

Emicida construiu, com “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”, um divisor de águas em sua carreira. Ao fabricar uma verdadeira superprodução, o artista conseguiu alcançar o grande público (até o menos receptivo ao hip hop) sem grandes dificuldades, mesmo sem abandonar as suas raízes. O ponto mais proeminente de aproximação do músico com a música pop mora na assertiva parceria com a baiana Pitty, que gerou a ótima “Hoje Cedo”. Uma semi-balada tristonha, a canção insere o rapper em um cenário roqueiro, em que a audição facilitada e, por consequência, a grande possibilidade de atingir o público, são mostradas em altíssimo nível.

09. Alex Turner + Josh Homme

Várias colaborações no mundo musical são uma via de mão dupla. Um exemplo claro disso está na parceria entre Alex Turner (líder do Arctic Monkeys) com Josh Homme (líder do Queens of the Stone Age). Se Tuner já havia participado de “…Like Clockwork”, último álbum do Queens of the Stone Age, Homme foi ainda mais incisivo na produção de “AM”, quinto álbum da banda indie inglesa. Emprestando muitas das características de sua música, que fizeram o Arctic Monkeys se aproximar a passos largos do stoner rock e, consequentemente, do público norte-americano, Josh Homme ajudou os ingleses a construir mais um aspecto sólido da tão comentada “evolução sonora” da banda.

08. Wado + Marcelo Camelo

Contando com a produção de Marcelo Camelo, Wado bordou em “Vazio Tropical”, seu sétimo disco, mais um capítulo de desgarramento do passado. Deixando os rumos coloridos de seu som para uma outra oportunidade, e até fugindo do teor experimental que vinha construindo a sua obra, o compositor encarou instrumentações mais tranquilas, quase silenciosas, mas que abriram espaço para uma inquietante evolução lírica. De certa forma, ao contar com os toques de Camelo, Wado acabou construindo uma extensão do trabalho de seu produtor, atentando-se mais ao rumos líricos ao abrir um maior espaço para seções instrumentais tradicionais, trazidas do passado da MPB. “Vazio Tropical” pode até não ser o melhor trabalho de Wado, mas se caracteriza com um respiro necessário e assertivo que só a colaboração de Marcelo Camelo poderia proporcionar.

07. Black Sabbath + Rick Rubin

Em junho, quando a resenha do tão aguardado “13”, álbum de retorno do Black Sabbath, foi publicada aqui no blog, dizíamos que a produção de Rick Rubin foi fundamental para a sequência de acertos do disco: “Em suma, o cara (Rubin) fez milagre. Não é segredo para ninguém que Iommi, Osbourne e Butler estão velhos e com suas capacidades diminuídas. Tony inclusive trata de um linfoma, e Ozzy, bem… todo mundo sabe como a saúde do Madman acabou sendo prejudicada pelo uso massivo de ácidos de todas as espécies. Mas, felizmente, Rubin soube muito bem como tirar suco de laranjas velhas, fazendo com que os problemas dos integrantes passem despercebidos no disco. É claro que a energia não é mais a mesma, mas o resultado alcançado pela banda sem dúvida surpreende; no fundo, poucos esperavam por algo tão bom”.

06. Ana Larousse + Leo Fressato

E quando a colaboração ultrapassa as barreiras da música para se tornar uma grande amizade? Podemos dizer que não há nada mais genuíno que uma parceria entre verdadeiros amigos, não é mesmo? Por isso a colaboração mútua entre os curitibanos Ana Larousse e Leo Fressato torna-se tão especial: eles se conheceram há dez anos, quando cursavam juntos a faculdade de artes cênicas. Como bons parceiros inseparáveis, eles não deixariam de colaborar um com o outro logo no ano em que lançam seus discos de estreia. No fim, o que nos foi apresentado foi um resultado pra lá de sensível: tanto a colaboração de Fressato no primeiro álbum de Larousse, quanto vice-versa, se mostraram pra lá de sensíveis, trazendo consigo os mais sinceros sentimentos de amizade.

05. Haim + Ariel Rechtshaid

As garotas do Haim acabaram fazendo de seu primeiro disco, “Days Are Gone”, uma das melhores estreias do ano. Mas muito se deve ao produtor do disco, Ariel Rechtshaid, que conseguiu fazer com que as jovens irmãs mesclassem, com louvor, a música pop do passado e do presente. Encontrando um teor de sinceridade ao alocar tantas referências musicais na personalidade própria do grupo, Rechtshaid conseguiu moldar um disco deliciosamente agradável, acessível e sincero, que parece se caracterizas como uma especie de “modelo” a ser seguido por quem deseja alcançar a aclamação da crítica e do público nos próximos anos.

04. Guy Lawrence + Howard Lawrence

É possível dizer que, ao lançar o disco “Settle”, os irmãos Guy e Howard Lawrence fizeram história. Isso porque, além de muito jovens, eles conseguiram elevar a música eletrônica inglesa ao topo de uma forma como há muito tempo não se via. Próximos da música pop, e arquitetando um catálogo de canções repletos de hits, os irmãos Lawrence conseguiram unir a evolução do tato dos sintetizadores, em uma constante dualidade do velho (noventista) com o novo (atual), com a possibilidade de alcançar o grande público. Há um grande hype sobre os dois, há até mesmo quem diga que eles são os melhores produtores da atualidade, mas todo esse sucesso é facilmente explicado com o grande disco que eles lançaram. Sem dúvida, o Disclosure é uma das parcerias mais frutíferas do ano – e olha que ela está apenas começando a produzir os seus frutos.

03. EL-P + Killer Mike

Quando alocamos o disco “Run the Jewels” na 13ª colocação na nossa lista dos “30 melhores álbuns de 2013”, dissemos: “O que acontece quando dois dos melhores rappers da atualidade se unem, sem maiores pretensões comerciais, para a construção de um projeto voltado ao hip hop mais puro, totalmente distante dos modismos? Sem dúvida, o resultado é excepcional, não? Pois é isso mesmo o que ocorre em “Run the Jewels”, disco de estreia do duo homônimo integrado por EL-P e Killer Mike. Disponibilizado gratuitamente para download, o registro soa como uma despreocupada parceria entre os rappers, que se sentem à vontade para rimar sobre o mundo das drogas e a vida na noite… Mas não se engane: por trás de tanto desprendimento, há um dos álbuns mais certeiros dentro do gênero nos últimos tempos. Por quê? Sua produção é impecável, fazendo com que o objetivo seja atendido, com louvor, em apenas 33 minutos”. Portanto, não há dúvidas de que a fenomenal parceria entre EL-P e Killer Mike está entre as melhores desse ano.

02. Arcade Fire + James Murphy

Se a carreira do Arcade Fire sempre se caracterizou pelo desgarramento das ideias prontas, percorrendo novos caminhos a cada disco lançado, em “Reflektor”, o quarto álbum dos canadenses, não seria diferente. Para tanto, Win Butler e companhia recrutaram o produtor James Murphy, do LCD Soundsystem, para dar rumo às novas possibilidades sonoras da banda. Encarando o rock experimental da virada das décadas de setenta e oitenta, a música dançante e um conceito tropical, retirado das raízes caribenhas, o Arcade Fire arquitetou mais um capítulo brilhante de sua ainda curta, mas absurdamente consistente discografia… E, certamente, James Murphy foi um dos grandes responsáveis por isso ter acontecido.

01. Vampire Weekend + Ariel Rechtshaid

Quando o Vampire Weekend se viu em totais condições de esculpir o grande trabalho de sua carreira, decidiu abandonar as raízes africanas que permeavam os rumos sonoros do grupo ao convocar, pela primeira vez, um produtor de fora da banda para produzir o seu mais novo disco. Felizmente, eles escolheram a pessoa certa: Ariel Rechtshaid. No fim das contas, o agora renomado produtor, que também alcançou louvação em seus trabalhos com as garotas do Haim e com a queridinha do público Sky Ferreira, cumpriu com louvor de alocar a sonoridade do Vampire Weekend em um novo cenário. Em um misto de brilhos e sombras, melancolia e beleza, a obra-prima “Modern Vampires of the City” foi fabricada, se tornando um dos mais brilhantes discos dos últimos anos. Se é possível apontar a banda que mais evoluiu no ano, essa é o Vampire Weekend, e se considerarmos Rechtshaid como o melhor produtor de 2013, é óbvio que aqui temos, enfim, a melhor colaboração musical do ano.

Lista: Os 30 Melhores Álbuns Internacionais de 2013 [20-11]

Os 30 Melhores Álbuns Internacionais de 2013

[30-21] [20-11] [10-01]


Kveikur20. Kveikur – Sigur Rós

Gênero: Post-Rock

“Kveikur” pode até não estar entre os três melhores álbuns do Sigur Rós, mas convenhamos que isso nem é necessário para que o registro se encontre entre os melhores discos de 2013. Encontrando uma contemplação mais objetiva dos elementos que permeavam seus discos anteriores, a banda finlandesa construiu um novo capítulo de sua carreira ao dar visível destaque ao tratamento das atmosferas. Sem medo de abraçar melodias cativantes, porém mantendo o teor místico que vem envolvendo toda sua discografia, o grupo firma um novo passo, alcançando as texturas que mantém a personalidade própria da banda ao mesmo tempo em que partem em busca de novas possibilidades.

Ainda que se amarre em certos conceitos sombrios, “Kveikur” é formado por canções de estrutura pop. Se no passado o Sigur Rós enfrentava a dificuldade de acessar o público massivo devido à complexidade de seu som, hoje eles sabem como soar acessíveis mesmo sem abandonar as aventuras sonoras. Alguém até pode clamar que as letras em finlandês podem ser um problema, mas medir o alcance de uma música pelo seu idioma seria de uma injustiça alarmante. O tradutor do Google está aí, acessível a todos, e, no fim das contas, os lirismos nunca formaram o ponto forte do Sigur Rós: a proposta do grupo sempre foi, claramente, fabricar estruturas sonoras que beiram ao épico.

E, com sua proposta acessível, “Kveikur” cumpre o seu papel. Todos os tradicionais elementos da banda se fazem presentes: Jónsi e seu vocal etéreo (se comportando como um complemento dos instrumentais), riffs fantasmagóricos, batidas fortes e um tradicional universo ruidoso. A diferença, contudo, está na forte aproximação com o dream pop; apesar da obscuridade da capa alcançar os primeiros instantes do disco, aos poucos as cores vão substituindo as sombras de forma natural, mas obviamente combativa… O caos sempre esteve unido às propostas do Sigur Rós, e “Kveikur” não se distancia dessa ideia.

Muchacho19. Muchacho – Phosphorescent

Gênero: Indie Folk

A música folk está renovada. Partindo da transformação do velho cancioneiro ocorrida nos anos noventa, quando o country alternativo começou a dar as suas caras, inúmeros novos compositores começaram a se aventurar em uma nova abordagem da música de raiz. E um dos mais destacáveis músicos dessa nova geração é, sem dúvida, Matthew Houck. À frente do projeto Phosphorescent, o músico natural de Atlanta, hoje residente em Nova York, constrói uma das carreiras mais evolutivas dentro do atual cenário folk mundial. Desde 2001, o que se vê é um crescimento constante, que agora parece ter chegado ao seu ápice com o mais novo disco do cantor, “Muchacho”.

Embebido por uma instrumentação sólida, o álbum passeia por uma dezena de canções em um sentido de enclausuramento, com Matthew Houck transformando-se em matéria-prima de seus lirismos. Não faltam ao disco referências à saudade, à tristeza, que se casam perfeitamente com os rumos melódicos propostos pelo folk moderno do compositor… Mas, no fim, o que se busca é uma libertação do passado, um motivo para erguer a cabeça e seguir em frente. Agarrado sempre ao mesmo conceito, “Muchacho” é construído para que seu criador (e por consequência, o ouvinte) supere os aspectos melancólicos que adornaram o seu passado. Para tanto, embarca-se em uma sonoridade serena, que abraça símbolos da natureza e certas tradições da música norte-americana, mas sem deixar de apresentar uma constante novidade. Seja com flertes com o indie rock ou com a utilização de sintetizadores, Houck e seus engenheiros de som não perdem a oportunidade de se inserir no mesmo universo proposto em 2011 pelo segundo álbum do Bon Iver.

E é essa união das tradições com o novo, amparada pelas inteligentes e sentimentais letras de Houck, que cativam o ouvinte desde a primeira audição. Talvez por saber dosar na medida certa os experimentos, “Muchacho” soe de fácil acesso a qualquer público, se comportando como um daqueles discos impossíveis de não gostar.

Tomorrow's Harvest18. Tomorrow’s Harvest – Boards of Canada

Gênero: Ambient

Depois de praticamente doutrinar os rumos da música ambient nas duas últimas décadas, a carreira de Mike Sandison e Marcus Eoin foi tomada pelo silêncio. Não em referência ao pequeno hiato do Boards of Canada, mas falando realmente da música da dupla de produtores. Não há um afastamento tão grande, afinal, quanto “Tomorrow’s Harvest”. Se comportando como um marco de renovação, o disco utiliza a paisagem de sua capa como combustível para recriar paisagens serenas, tomadas pelo fim da tarde e o pôr do sol.

“Tomorrow’s Harvest” é uma unidade. Um condensado de sons reconfortantes, em que ao mesmo tempo que passeia por referências noventistas e atuais, cria uma dualidade entre as seções grandiosas e outras de um quase completo silêncio. Um ponto de respiro em meio à discografia intensa do dueto, e um olhar natural para o futuro: é como se, com o fim da tarde, Sandison e Eoin já pensassem nos temas do dia seguinte. É claro que o Boards of Canada já se mostrou mais inventivo, mais experimental, mas para o presente momento é este episódio quase silencioso que mostra a verdadeira inquietude do projeto… No fundo, eles querem mudar, continuar colaborando com a evolução da música eletrônica enquanto faz de cada álbum seu um capítulo único, pronto para ser degustado pelos mais diferentes ouvintes, nos mais distantes lugares e nas mais distintas épocas. Afinal, independente de quem, quando e onde, sempre haverá uma tarde chegando ao seu final.

The Raven That Refused to Sing17. The Raven That Refused to Sing (And Other Stories) – Steven Wilson

Gênero: Rock Progressivo

Há quem considera o rock progressivo um gênero morto. Afinal, como inovar em um gênero cujas bases foram firmadas há quatro décadas? Como conseguir fazer algo de aspecto grandioso sem soar repetitivo, rebocando os paredões sonoros construídos por bandas como Pink Floyd, Genesis, King Crimson e Emerson, Lake & Palmer? Uma tarefa realmente árdua, nada simples, mas que Steven Wilson topa e faz. Mesmo incorporando todo o passado, seu mais novo disco, “The Raven That Refused to Sing (And Other Stories)”, é um tratado do progressivo moderno.

Todo grande álbum de prog rock que se preze necessita de ótimas letras, certo? Pois Wilson se mostra um exímio letrista, explorando em seus versos a vida e pequenas crônicas de vários personagens que, de certa forma, servem para relacionar o disco ao próprio interior de seu criador… Se um bom disco progressivo necessita de sentimentos, pois aqui eles estão. Instrumentações refinadas, arranjos magníficos? Wilson também sabe como fazer; apoiar-se em instrumentistas experientes e de talento inegável é uma medida um tanto quanto assertiva.

Mas espera aí, cadê a tal da inovação? Onde estão os novos elementos, que se mostram capazes de pintar com cores vívidas o rock progressivo de Steven Wilson? Eles são apresentados aos poucos, e provém do passado experimentalista do compositor. Brincando com a música eletrônica e até com o shoegaze é que o artista construiu o seu primeiro álbum em carreira solo, em 2008. Em “The Raven That Refused to Sing”, ambientações e pequenos ruídos são pincelados durante a obra, dando a ela um sentido de novidade.

Settle16. Settle – Disclosure

Gênero: House/Future Garage

Pegue todas as referências possíveis da música pop, do R&B ao eletrônico, e ofereça para dois jovens produtores ingleses as melhores novas vozes da terra da rainha… O resultado disso tudo? “Settle”, o disco de estreia do Disclosure, projeto dos irmãos Guy e Howard Lawrence.

Excitante do início ao fim, o disco se comporta como o mais completo registro do que há de mais atual na cena eletrônica. Temperado por diversas vertentes de diversas épocas, passeia por um catálogo inegavelmente pop de canções, não encontrando limites em vertentes. “Settle” é um daqueles casos em que a barreira que muitas vezes existe entre os gêneros é esmurrada, deliciosamente derrubada, não se envergonhando de se pender ao pop alternativo amplificado pelas presenças especiais de Jessie Ware, Eliza Doolittle e Aluna Francis. Tudo o que os irmãos Lawrence querem fazer é botar você pra dançar, fazendo o que for possível para que esse objetivo seja alcançado.

Energético, impregnante e impecavelmente produzido, “Settle” faz o mundo dar boas-vindas à mais nova dupla de grandes produtores. Sim, grandes… Guy tem 22 anos, e Howard apenas 19, mas a falta de idade da dupla é totalmente revertida pela sua extrema sensibilidade: em meio a tantos equipamentos, com tantas possibilidades de arranjos, eles conseguiram encontrar o cenário perfeito para alocar as suais ideias.

Silence Yourself15. Silence Yourself – Savages

Gênero: Post-Punk

Selvagens: não apenas a tradução literal do nome da banda, mas do que, de fato, ela é a formada. A primeira impressão, porém, é que o ouvinte acabará embarcando em mais um disco simplesmente melancólico, refletindo as dores e os descaminhos amarosos de jovens garotas. Mas, para início de conversa, o público que não se deixe enganar: as expressões sisudas e de quase contemplação das integrantes da banda na capa do disco não são nada mais que o ponto de partida para um registro raivoso e barulhento, apesar do título do álbum anunciar um suposto “silenciamento”.

Mas algumas coisas realmente são o que parecem. Veja as cores da capa do álbum (ou a falta delas) e já se tornará claro em que tipo de ambiente a sonoridade do registro se aloca. Pois bem, “Silence Yourself” parece realmente ter saído das mais profundas sombras de um cenário enevoado, em que as mágoas femininas se transformam em versos ásperos, vocais estridentes e ruídos agressivos. Portanto, esqueça-se do tal “sexo frágil”, e acompanhe o quanto as mulheres podem ser fortes e combativas – ou até mesmo selvagens.

O que Jehnny Beth e suas companheiras querem passar é, enfim, aquela ideia do “cansei de ser boazinha”. Relacionamentos vêm e vão, o tempo passa e as mágoas só se acumulam, e a decepção com o sexo masculino acaba chegando em um ponto em que a tolerância se desfaz, abrindo espaço para uma tristeza ríspida e o total desapego de qualquer docilidade. É como se as garotas quisessem se libertar, afirmar sua coragem e mostrar quão hostil o universo pode ser, em uma atitude que se desprende da vaidade e parte para o ataque, perfazendo um conjunto de faixas que parecem submeter o machismo a verdadeiros chutes nas partes baixas. (Leia a resenha completa do disco)

Sunbather14. Sunbather – Deafheaven

Gênero: Post-Metal

Com “Sunbather”, o Deafheaven deu um novo significado à palavra “colossal”. O metal, gênero que sempre se dispôs a criar as mais poderosas instrumentações a partir de bandas gigantescas, com inúmeros integrantes, vê agora o mais brilhante álbum do gênero em 2013 ser fabricado por apenas dois músicos: George Clarke e Kerry McCoy. Mas como assim, só dois? Como que, no final das contas, eles conseguem? Mas calma, porque isso nem é o fato mais surpreendente. O que realmente espanta está presente nos sessenta minutos que englobam a duração de “Sunbather”… Ou seja, a própria música.

Pesado, melódico e ritmicamente impecável, o disco parece ser o casamento definitivo dos tradicionais elementos do metal com certos preceitos da música alternativa. Brincando com o post-rock do Sigur Rós, o shoegaze do My Bloody Valentine, o screamo e, é claro, com a herança dos grandes grupos do metal, o Deafheaven criou um disco absolutamente pautado na inovação. Sabendo cativar tanto cabeludos quanto nerds de óculos, George Clarke e Kerry McCoy deram luz a uma concepção ruidosa, que ora se mostra raivosa, ora se acomoda – alcançando, porém, sempre dimensões épicas. Afinal, seja com melodias, riffs barulhentos, andamentos velozes ou com uma explosão surreal de emoções, “Sunbather” é uma ode ao que há de mais grandioso dentro da música mundial.

Run the Jewells13. Run the Jewels – Run the Jewels

Gênero: Hip Hop

O que acontece quando dois dos melhores rappers da atualidade se unem, sem maiores pretensões comerciais, para a construção de um projeto voltado ao hip hop mais puro, totalmente distante dos modismos? Sem dúvida, o resultado é excepcional, não? Pois é isso mesmo o que ocorre em “Run the Jewels”, disco de estreia do duo homônimo integrado por EL-P e Killer Mike. Disponibilizado gratuitamente para download, o registro soa como uma despreocupada parceria entre os rappers, que se sentem à vontade para rimar sobre o mundo das drogas e a vida na noite… Mas não se engane: por trás de tanto desprendimento, há um dos álbuns mais certeiros dentro do gênero nos últimos tempos. Por quê? Sua produção é impecável, fazendo com que o objetivo seja atendido, com louvor, em apenas 33 minutos.

“Run the Jewels” pode até não ser muito duradouro, mas é de uma intensidade absurda. Através de um conceito em que a crueza é privilegiada, versos bem-humorados vem e vão, pregando peças no ouvinte enquanto uma produção sombria, assertivamente obscura, envolve todo o andamento do disco. Deliciosamente atmosférico, “Run the Jewels” nos transfere para os conceitos propostos por EL-P e Killer Mike sem nenhuma dificuldade, fazendo com que experimentamos uma abordagem clássica do hip hop, sem cuidados interessantes e pensamentos comerciais, pautado nas rimas e na intensidade feroz das batidas.

Wakin on a Pretty Daze12. Wakin on a Pretty Daze – Kurt Vile

Gênero: Folk Rock

Inspirar-se não deve ser sinônimo de copiar, e Kurt Vile demonstra saber muito bem disso. Embora revisitando concepções gloriosas que construíram boa parte do rock setentista, o músico da Filadélfia constrói, em “Wakin on a Pretty Daze”, seu quinto álbum em carreira-solo, um resultado que não foge do atual. Embalado por canções confortantes, verdadeiras poesias musicadas, o artista nos entrega um dos mais bonitos álbuns da atualidade, fazendo sua carreira crescer ao deixar sua música fluir janela a fora, abandonando o cenário caseiro que se estabelecera em seus lançamentos anteriores para alcançar as paisagens urbanas de sua cidade natal.

A intenção de Vile de fazer a sua música alcançar maiores dimensões é altamente perceptível, seja pela grande duração de algumas faixas ou pelos arranjos caprichados que as constroem, lidando constantemente com o psicodelismo. Porém, mesmo soando maior, a música de Vile não abandona a sutileza e a simplicidade que têm sido as tônicas de sua carreira, seja em seus trabalhos-solo ou em suas colaborações com a banda The War on Drugs; em suma, as concepções megalomaníacas passam longe de sua mente, e o que ele parece anunciar, ao abandonar o conforto íntimo de seu quarto, é a chegada da primavera e os sentimentos de revitalização que ela carrega consigo. (Leia a resenha completa do disco)

The 20/20 Experience11. The 20/20 Experience – Justin Timberlake

Gênero: Pop/R&B

Sete anos após o lançamento do aclamado “FutureSex/LoveSounds”, Justin Timberlake está, finalmente, de volta à música. É normal que em sete anos muita coisa mude, e com os rumos da música pop e a própria vida particular de Timberlake não seria diferente. Hoje, a música norte-americana respira com prazer os ares do novo R&B, muito devido à popularização do gênero realizada pelo próprio Timberlake e seu eterno produtor, Timbaland, durante os idos de 2006. Mas, se naquela época, Timberlake estava preocupado em seduzir suas ouvintes, em canções seminais de forte apelo sexual, hoje o cara parece estar muito mais comportado… Afinal, acabara de casar-se com a atriz Jessica Biel.

Além disso, os arranjos muitas vezes minimalistas de canções como “Sexyback” e “My Love” parecem ter abandonado as cabeças de Timberlake e Timbaland. “The 20/20 Experience” é um disco diferente, rodeado por arranjos ricos e luxuosos, além de, liricamente, apresentar os anseios de um Justin Timberlake casado e experiente.

Mas isso não significa, de jeito nenhum, que Timberlake deixou de exalar sensualidade em sua canções. Ao dar o play, e sentir “The 20/20 Experience” inciar sua saga, percebemos que, ao investir em tradicionalismos do R&B, o músico consegue soar romântico como nunca. (Leia a resenha completa do disco)