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Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [20-11]

20. Tune-Yards – Water Fountain

O ritmo, as referências e, principalmente, a criatividade de Merrill Garbus se encontram em seu ponto máximo na seminal “Water Fountain”, a amostra perfeita de toda a esquisitice (ou seria genialidade?) que engloba o projeto Tune-Yards… Impossível dizer o que é melhor: a espetacular percussão, as vozes perfeitamente encaixadas, a matadora linha de baixo ou as grandes variações. Tudo, no fim, acaba criando um número especialmente único.

19. Iceage – The Lord’s Favorite

A insanidade por trás da banda Iceage fica clara quando Elias Bender Rønnenfelt configura-se, em “The Lord’s Favorite”, em uma espécie de semi-deus pronto para aproveitar todos os pecados mundanos relativos principalmente à luxúria. Mas é a inteligência da canção que acaba marcando: diferente, até certo ponto desconexa com tudo o que o grupo havia feito até então. “The Lord’s Favorite” joga um inédito e excitante conjunto de referências sonoras ao post-punk, construindo um turbilhão sonoro que, além de impressionar, cheira a todo instante a novidade… Mesmo que se aproveite, no fim das contas, das mais antigas ideias. Uma canção, enfim, memorável.

18. Ex Hex – Don’t Wanna Lose

Reconfigurando um som que é basicamente gêmeo da música pop, as garotas da banda Ex Hex acabaram produzindo, quase sem querer, um dos maiores encontros do ano entre guitarras e melodia. “Don’t Wanna Lose” é uma canção simples, curta e direta, mas crava sua marca significando praticamente a perfeição em uma canção de power-pop: nervosa, dançante, caliente e impregnante.

17. St. Vincent – Digital Witness

Todo o estranho jogo proposto pela música de St. Vincent encontra conforto estético na explosão pop de “Digital Witness”. Bebendo, como sempre, do mais efervescente líquido da vanguarda musical dos anos setenta, fazendo do androgenismo experimentado por grandes nomes do passado, como David Bowie e Talking Heads, o seu grande dogma, Annie Clark acaba criando para si um universo particular, em que tudo acaba girando em torno de sua instigante persona.

16. S. Carey – Crown the Pines

Companheiro de Justin Vernon no projeto Bon Iver, S. Carey faz de sua carreira solo a perfeita extensão do trabalho de seu mais famoso companheiro. Em “Crown the Pines”, a música folk, sempre tão agarrada às raízes, acaba por percorrer novos caminhos em um claro sentido de reinvenção. Na canção, em meio a uma carregada base sentimental, uma explosão harmônica faz com que os Beach Boys encontrem o Coldplay, para depois se fundirem a Bon Iver e tudo se ligar ao Radiohead, criando, no fim, uma mágica canção.

15. Carne Doce – Sertão Urbano

Condomínios que oferecem o prazer maior dentro da cidade, o mato significando o progresso… Para o grupo Carne Doce, a natureza é o ponto de partida para uma canção que poderia até se tornar um hino para os ativistas do Greenpeace, uma grande discussão do boom urbano em detrimento do mato, mas que, na realidade, congrega em apenas uma canção toda a excitante mistura tropical proposta pelo conjunto – uma das grandes revelações de 2014.

14. Beck – Waking Light 

Uma das figuras mais mutáveis (e geniais) da música mundial, o californiano Beck voltou nesse ano com tudo à produção de estúdio. A melhor página desse novo capítulo da carreira do músico está em “Morning Phase”, que acompanha o teor acústico e orquestrado do clássico “Sea Change”, porém  com sentimentos de calmaria e contemplação. Faixa final do disco, “Waking Light” é um tratado melancólico e harmônico, representando a concepção sonora perfeita para o amanhecer.

13. Sharon Van Etten – Your Love Is Killing Me

“We Are There” marca a evolução definitiva de Sharon Van Etten… A belíssima “Your Love is Killing Me”, certamente uma das melhores canções desse ano, é apenas uma das provas do gigante talento da compositora nova-iorquina. Naturalmente sofrida, inserida em uma melodia fantástica e em um melodrama capaz de derrubar o maior dos machões, a canção contém uma das mais impressionantes explosões de sentimentos já ouvidas na música popular. Sem dúvida, um número primoroso.

12. Kendrick Lamar – i

Pra variar, Kendrick Lamar está de parabéns. Apresentando uma canção alegre, suave e positiva, o músico mostra que seu poderio pode ser infinito, até mesmo se colocando distante do teor pesado e político da obra-prima “good kid, m.A.A.d city”. “i” é uma música dançante que trata basicamente sobre paz, escancarando mais uma vez a sinceridade e a humanidade presentes na música de Lamar.

11. Os Irmãos Carrilho – Ela Quer te Ver

Os Irmãos Carrilho, dupla formada pelos curitibanos Alexandre Provensi e Matheus Godoy, se comporta como um dos projetos mais sinceros da atualidade. Afinal, quantos são os jovens brasileiros interessados em reviver de forma sincera a música de raiz? Se inspirando em antiguidades, eles fazem de “Ela Quer te Ver” um dos números mais belos e sensíveis de 2014, com seu romantismo puro e harmônico. Um verdadeiro deleite para os ouvidos.

Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [50-41]

50. Nessas Horas – Transmissor

A visível evolução da banda mineira Transmissor ficou evidente em “De Lá Não Ando Só”, o grande lançamento do pop-rock nacional em 2014. E a sexta faixa do disco, “Nessas Horas”, certamente é a canção que melhor agrega as novas possibilidades sonoras do grupo: mergulhada em uma melodia insuperável, a música se insere de corpo e alma em um terreno melancólico (e extremamente belo), em que a alta qualidade dos versos acaba esbarrando em harmonia com impecáveis arranjos… Lenta, “Nessas Horas” é obscura, lamentosa, além de especialmente combativa, inserindo ruídos de guitarra em uma estrutura confortável.

49. Fruta Elétrica – Carne Doce

Impossível passar imune pelo arrebatador “rock com pequi” do grupo goiano Carne Doce, uma das grandes revelações desse ano. Dentro de psicodélico e extremamente brasileiro debut da banda, “Fruta Elétrica” é aquela explosão de ritmo, uma verdadeira ode à face alegre e dançante da música tupiniquim. Tanto as linhas de baixo e bateria quanto os riffs de guitarra escancaram o lado mais “manguebeat” da banda, com a vocalista Salma Jô cantando sobre uma fruta deliciosa e perigosa, mas que todos acabam ficando com desejo de provar.

48. Tinashe feat. Devonté Hynes – Bet

Se não bastasse FKA Twigs para provar que o R&B está vivendo uma de suas maiores (e melhores) transformações em sua história, Tinashe surge para esquentar ainda mais o clima de “renovação”. Camadas sobre inúmeras camadas, climatizações explodindo em nossos ouvidos e moderníssimos efeitos eletrônicos formam a base de “Bet”, que ainda apresenta formidável melodia, uma performance vocal respeitável e um ótimo solo de guitarra criado por Dev Hynes, músico responsável pelo projeto Blood Orange. Não é à toa que a canção, faixa do disco “Aquarius”, dá as caras nessa lista.

47. David Bowie – ‘Tis a Pity She Was a Whore

“‘Tis a Pity She Was a Whore” é simplesmente a melhor música do Camaleão nos últimos anos. Sim, senhores: por melhor que tenha sido “The Next Day”, nenhuma faixa do aclamado disco chega aos pés desta que é apresentada no player abaixo. Nela, o veterano canta versos tristes no fundo de um sampler caseiro e futurístico, amplificando sua faceta mais experimental. Incrível como Bowie consegue expandir cada vez mais suas possibilidades.

46. White Lung – Drown With the Monster

Intensidade. Essa é a palavra-chave de “Drown With the Monster”. Nessa canção, a banda canadense faz das suas, aumentando tanto volume quanto velocidade ao máximo para plantar um número que, além de instrumentalmente picante, é liricamente crítico. E tudo isso, no fim das contas, sem que saibamos se o que toca é punk, metal ou indie. Na verdade, o chute mais próximo é de que se trata de uma grande mistura desses três rótulos. Um número diferente e impecável, que se reproduz em outras canções no ótimo disco “Deep Fantasy”.

45. Parquet Courts – Sunbathing Animal

“Sunbathing Animal” é nada mais do que uma grande explosão de energia de uma das mais insanas bandas da atualidade. Uma canção de absurda velocidade, em que instrumentos e vocal trabalham para um único fim: a criação de um número curto e grosso, que em seus primeiros segundos já é capaz de passar o recado ao ouvinte: não são necessários muitos acordes para se construir uma verdadeira muralha sonora.

44. Taylor Swift – Out of the Woods

Quando saiu a notícia de que Taylor Swift abraçaria de uma vez por todas a música pop, dando adeus àquela tímida garotinha country, certamente muitos torceram o nariz. Por mais que esse processo tenha se iniciado em 2012, com o lançamento do disco “Red”, foi nesse ano que Swift se tornou, finalmente, a musa pop que vinha ensaiando ser. Pois o resultado surpreendeu: não tanto pelas vendas, pois ninguém esperava que “1989” patinaria nas prateleiras. O que realmente surpreendeu foi a qualidade sonora, claramente acima da média para o pop atual.  E isso “Out of the Woods” mostra muito bem: moderna, incrivelmente bem produzida, a canção traz em uma estonteante linha de bateria a base necessária para Swift mostrar que aquela menininha de outrora hoje é uma artista completa.

43. Sun Kil Moon – Carissa

“Carissa” é a primeira faixa do “disco-livro-filme” chamado “Benji”, a maior obra até hoje de Mark Kozelek como contador de histórias. Mais do que um simples conjunto de faixas, “Benji” faz com que o ouvinte se descole daquela ideia inicial de “ouvir música” para se impregnar nos interessantes, tristes e sensíveis causos do músico. Em “Carissa”, o compositor nos conta sobre uma tragédia que ocorrera na família, trilhando um número incrivelmente humano e sincero sobre chegadas e partidas.

42. St. Vincent – Prince Johnny

Embora Annie Clark seja conhecida pela forma única com que faz sua guitarra produzir sons inimagináveis, em “Prince Johnny”, uma das melhores músicas de sua carreira, o cenário é basicamente atmosférico, sem aquelas tradicionais mudanças bruscas. A base da canção é dura como rocha, mas nada impede que, nela, St. Vincent demonstre toda sua fraqueza como personagem em um grande conflito de sentimentos… Um número direto, sem excentricidades, que acaba escancarando o lado mais humano da musicista.

41. Swans – Oxygen

Arrastada, tortuosa, intrigante, “Oxygen” é o ápice energético de “To Be Kind”, o fantástico disco que o Swans lançou em 2014. Composta por Michael Gira logo após uma grave crise de asma, essa incrível canção “revela” a importância de estar respirando, de poder sentir seu coração batendo… É raro pararmos para pensar na importância disso, mas os gritos do vocalista a clamar por oxigênio fazem com que a gente imagine a angústia de uma pessoa que está com dificuldades de respirar. Mas, no fim, o que acaba marcando não é o conceito angustiante da faixa, mas sim a louca viagem sonora que ela nos oferece.

Clipes & Singles: Semana 41/2014

Clipes & SinglesTy Segall – The Singer

Autor de um dos discos mais interessantes desse ano, Ty Segall surge agora com um registro audiovisual inteiramente imerso nos conceitos psicodélicos de sua música. Dirigido por Matt Yoka, o vídeo de “The Singer” mostra o músico tocando com uma banda de fantasmas em um cômodo bagunçado, inclusive fazendo-o flutuar a partir do solo de guitarra.

Pink Floyd – Louder Than Words

Por mais incrível que possa parecer, um novo disco de inéditas do Pink Floyd está a caminho. Só que, felizmente, não se trata realmente de um “novo trabalho”, já sem o falecido Richard Wright. “The Endless River” é, na verdade, resultado de sobras de estúdio oriundas das mesmas seções que deram origem a “The Division Bell”, registro lançado em 1994. O “novo” disco tende a ser um alento para os mais novos fãs da banda progressiva inglesa, que nunca haviam sentido o gosto de vivenciar um lançamento desse porte. A primeira canção do álbum liberada para audição, “Louder Than Words”, tende a ser conceitualmente seguida pelas demais faixas – ou seja, aquele Pink Floyd que todos já conhecemos, sem novidades, mas sem dúvidas muito bom.

Rubel – Partilhar

O carioca Rubel Brisolla mostrou uma nova canção de seu repertório através do canal da Sofar Sounds. “Partilhar” mostra o compositor um pouco mais distante do clima que havia envolvido seu primeiro álbum, “Pearl”, alocando sua música nos conceitos clássicos da MPB.

BadBadNotGood – Velvet

Com uma mistura pra lá de esperta entre jazz e hip hop, o coletivo canadense BadBadNotGood vem se elegendo como um dos projetos musicais mais progressistas da atualidade. Esbanjando técnica e criatividade, o trio mostra em sua nova faixa, “Velvet”, algo a mais do mesmo conceito inventivo que permeara o último disco do conjunto, lançado nesse ano e candidato a participar das listas de “melhores discos de 2014”.

TV on the Radio – Careful You

Já havia imaginado o TV on the Radio tocando synthpop? Se sua resposta é positiva, admiramos sua criatividade. Mas eis que agora, nas vésperas de lançar o seu novo disco, “Seeds”, o quarteto mostra, através da canção “Careful You”, que nuances mais etéreas e esparsas do rock agora passam a agregar à já rica base sonora do conjunto. E quando sai o novo álbum? No dia 18 de novembro.

Carne Doce – Amigo dos Bichos

A intimidade sempre envolveu com inegável acerto os rumos do coletivo goiano Carne Doce. Logo, por que não fazer do clipe de uma canção de caráter nostálgico uma grande abertura do acervo pessoal dos integrantes? Pois é assim que felizmente se comporta o registro audiovisual de “Amigo dos Bichos”, um vídeo sensível e suave para uma canção que assim também é.

Pharrell Williams feat. Daft Punk – Gust of Wind

Mais uma vez Pharrell parece disposto a investir no público asiático. Agora, em Gust of Wind, canção em que o músico volta a repetir a bem-sucedida parceria com o Daft Punk, traça-se um registro audiovisual através de uma visível inspiração no famoso longa “O Tigre e o Dragão”.

Sun Kill Moon – War on Drugs: Suck My Cock

A polêmica parece não ter fim. Depois de Mark Kozelek ter insultado a banda The War on Drugs durante o Ottawa Folk Festival, após o som dos shows das duas bandas terem cruzado, e de muitas picuinhas entre o mentor do projeto Sun Kill Moon e Adam Granduciel, líder do The War on Drugs, Kozelek decidiu compor, em seu estilo inconfundível, uma canção sobre os incidentes – intitulada carinhosamente de “War on Drugs: Suck My Cock”.

Tune-Yards – Real Thing

Marrill Garbus sempre foi uma pessoa, digamos, bem espontânea. E é discutindo a artificialidade das pessoas que a musicista, líder do projeto Tune-Yards, lança o segundo clipe em referência ao seu último trabalho, o disco “Nikki Nack”. Doidão (como não poderia deixar de ser), o registro audiovisual se comporta como um genuíno representante da videografia do Tune-Yards.

Experimente: O sabor da Carne Doce

Por: Renan Pereira

Goiânia tem nos reservado, nos últimos tempos, gratas surpresas musicais… Não, caro leitor, este blog não se vendeu, pois não estamos falando de música sertaneja. Estamos citando, na verdade, projetos da maior qualidade musical. Afinal, até que enfim, o público começa a olhar para a música feita na capital do estado de Goiás com menos preconceito.

Pois bem, eis que, em um cenário repleto de grupos emergentes como Cambriana, Banda Uó, Boogarins e Black Drawing Chalk, surgem Macloys Aquino e Salma Jô com uma das bandas mais saborosas da atualidade: a Carne Doce. Surgido em 2012, o projeto traz na vida íntima do casal seu grande diferencial, portando-se como uma colaboração musical que vai além do “horário comercial”. Macloys e Salma dormem e acordam juntos, o que acaba tornando a Carne Doce um dos projetos mais sinceros do cenário atual.

Repleta de sonoridades setentistas, a banda lançou o seu primeiro EP, intitulado “Dos Namorados”, em abril de 2013. É tida atualmente, pela mídia especializada, como uma das grandes apostas musicais para esse ano, bem como planeja seu primeiro disco de longa duração, agora com a companhia de João Victor e Ricardo Machado. Enquanto aguardamos o primeiro disco da Carne Doce, conferimos a entrevista que a banda concedeu ao RPblogging. As repostas são da vocalista Salma Jô.

Quando surgiu a ideia de transformar o casal Macloys Aquino e Salma Jô em um projeto musical?

No final de 2012, quando ficamos sem bandas. Já éramos um casal há três anos, o Mac tocava na Mersault e a Máquina de Escrever e eu cantava numa banda setentista, a The Galo Power. A banda dele acabou e eu saí da minha. Não me recordo se quando mostrei a primeira letra já tínhamos em mente publicar esse projeto, mas em poucos meses a gente já tinha as canções do EP e outras.

Por que o nome “Carne Doce”?

Nós pensamos em vários nomes, vários mesmo. Um dia chegamos nessa combinação dessas duas palavras e gostamos demais. Não tem um sentido especial, mas gostamos. O contraste entre carne e doce lembra os contrastes que a gente busca, entre ser atrevido e cúmplice, pesado e suave, entre fazer um som mais pop e ao mesmo tempo estranho. Gostamos também dos sentidos que as pessoas acham pro nome. Já perguntaram se carne doce era carne de mulher, ou de gente, se tinha alguma relação com a nossa alimentação. Intrigar é uma coisa que nos agrada.

No primeiro EP da banda, denominado “Dos Namorados”, observa-se uma constante inspiração no tropicalismo e nas grandes bandas brasileiras dos anos setenta – uma toada que dá novamente as caras na última música lançada por vocês, “Sertão Urbano”. Esse é um ambiente sonoro que permeará o primeiro disco de longa duração da Carne Doce?

Chico, Caetano e Gil são referências mais fortes pra mim que Mutantes, Novos Baianos, Secos e Molhados. Numa entrevista recente, Andre Midani disse sobre como esse coquetel (Chico, Caetano e Gil) é um engodo, “um engodo feliz, mas um engodo”, e eu tenho ciência e estou trabalhando nisso (risos). Já o Mac tem uma pegada rock oitentista. O João Victor e o Ricardo tem referências muito ecléticas, embora pontuais na música brasileira… Mas não temos o tropicalismo como referência, apesar de gostarmos de ritmos brasileiros misturados com rock.

Quais foram os motivos que levaram às recentes entradas de João Victor e Ricardo Machado ao grupo?

Entre as últimas semanas de dezembro e as primeiras de janeiro deste ano, nos aproximamos do Benke e do Raphael, que são guitarrista e baixista da Boogarins e também da Luziluzia, uma das bandas mais interessantes da cidade. João Victor e Ricardo Machado são da Luziluzia e então nos encontramos, nos identificamos como banda e como amigos. Os ensaios fluíram demais, as músicas foram rearranjadas, realçadas, ganharam mais dinâmica, mais ritmo e tudo favoreceu a composição de músicas novas, que estarão em nosso primeiro álbum.

Goiânia tem evoluído musicalmente nos últimos anos – ao ponto da cidade deixar de ser apenas conhecida como um reduto de duplas sertanejas. Os Boogarins já estão fazendo shows lá fora, tiveram seu disco resenhado pela Pitchfork, a Black Drawing Chalks já é uma banda respeitadíssima no cenário musical, a Cambriana é uma das grandes promessas da música alternativa… A que vocês creditam essa crescente altamente positiva?

Tenho receio de dizer que isso é resultado de uma evolução musical e faltar o respeito com o talento das outras gerações e das limitações que enfrentaram.

Boogarins, Black Drawing Chalks, Cambriana, Hellbenders e mesmo Banda Uó, bandas que “estão na mídia” e fazendo sucesso, trabalharam para isso, capricharam nos seus produtos, fizeram bons trabalhos de assessoria e marketing, e tiraram proveito das ferramentas que temos hoje mais à mão, de softwares de gravação às redes sociais. Os Boogarins, por exemplo, já eram grandes quando a imprensa nacional acordou para isso, e eles tem a favor deles o interesse dos estrangeiros na psicodelia e na canção brasileira, mas foi preciso a competência e a ousadia em gravar e distribuir sua música.

Falando em Boogarins, vocês têm feito alguns sons com eles nos últimos meses… Como é trabalhar com esses caras, que cresceram de uma forma tão meteórica, e hoje formam uma das bandas mais hypadas do Brasil?

A gente até gostaria de dizer que fizemos uns sons com o Boogarins, que trabalhamos juntos, mas a verdade é que só colaboramos em “Benzin”, uma canção do Dinho, que eles publicaram recentemente através do “Is Your Clam in a Jam?”.

No final do ano passado e começo deste 2014, ficamos muito próximos do Benke e do Dinho (guitarrista e vocalista do Boogarins). Passamos algumas tardes juntos conversando sobre os nossos planos, improvisando, mostrando o que tanto nós como eles estavam fazendo, experimentando músicas do Carne Doce e essa “Benzin”, aprendendo muito, e de brincadeira, entre laricas e banhos de piscina.

Aí nos aproximamos do Raphael (baixista), e nos apaixonamos por ele também. Benke, Dinho, Raphael e Hans, eles estão hypados, mas são, antes disso, muito tranquilos, humildes, amigos, generosos, divertidos, boa gente mesmo.

Não sei se vamos trabalhar juntos ainda, não sabemos quão grandes serão os Boogarins, se a agenda deles vai deixar, mas adoraríamos. Nossa rápida experiência com eles já nos fez muito bem.

Momento invasão de privacidade: mas afinal, quem manda na banda: o Macloys ou a Salma? E em casa?

A casa se confunde com a banda, porque estamos sempre pensando nas músicas, shows ou produções na hora de comer, de deitar. E também porque ensaiamos em casa, os meninos estão sempre aqui… Mas “mandar” me parece uma palavra injusta, porque a gente decide em conjunto, na banda e em casa.

Há já alguma definição de data de lançamento do primeiro disco do projeto?

Ainda não. Mas vamos começar a gravar em julho.

Como vocês definem o seu som?

Não definimos e já estamos tranquilos com não saber definir, queremos saber é como você define nosso som. Mas, se insistir, a gente pode responder como a Trupe Chá de Boldo: “o som é só uma onda… curta”, hehehe.

Clipes & Singles: Semana 13/2014

Clipes & Singles

Swans – A Little God in My Hands

A banda de estrutura sonora mais poderosa da atualidade está de volta com um novo single, que anuncia um novo álbum de estúdio: “To Be Kind” será lançado no dia 13 de maio, se caracterizando como o décimo-terceiro disco de estúdio dos veteranos do Swans. E o primeiro aperitivo do próximo álbum não poderia ser melhor: “A Little God in My Hands” surpreende quanto a sua estrutura inicial, amarrando-se a um ritmo funk, para depois demonstrar os versos doloridos e a atmosfera barulhenta que sempre envolve de forma assertiva a sonoridade tortuosa do grupo.

Silva – É Preciso Dizer

A parceira entre Silva e o diretor Julio Secchin continua rendendo rendendo bons frutos. Depois do bonito clipe para “Imergir”, faixa do disco “Claridão”, de 2012, agora a dupla apresenta como resultado o registro audiovisual de “É Preciso Dizer”, canção que faz parte do recém-lançado “Vista Pro Mar”. Emprestando alguns dos elementos do vídeo anterior, o novo clipe apresenta objetos flutuantes e um corte rápido de imagens, só que desta vez em um cenário em preto-e-branco. Filmado em Sintra, Portugal, o vídeo passeia entre a contemplação e a introspecção, e conta com a participação da modelo Sofia Leitão.

Fever – The Black Keys

Ao anunciar seu novo álbum de estúdio, “Turn Blue”, o aclamado duo The Black Keys parece deixar claro que o caminho a ser seguido sofrerá alterações. Ainda que apresente algumas características da sonoridade apresentada em “El Camino”, o último álbum da dupla, “Fever”, o mais novo single do projeto encabeçado por Dan Auerbach e Patrick Carney, aponta para novas concepções, muito mais ligadas ao psicodelismo e à música pop – algo como um MGMT com pitadas de blues.

Arthur Beatrice – Late

O cotidiano frenético é, muitas vezes, o principal motivo pelo  qual as pessoas se afastam. “Late”, o novo clipe da banda Arthur Beatrice, parece mostrar isso muito bem, através da contemplação de um dia-a-dia que afasta um jovem casal… O roteiro certeiro para dar imagens a uma canção melancólica.

Bombay Bicycle Club – Feel

Os flertes com a cultura indiana de “So Long, See You Tomorrow”, o último trabalho dos britânicos do Bombay Bicycle Club, não estariam completos sem um vídeo que interligasse a música do disco com os filmes de Bollywood. Canção mais do que certa para esta finalidade, “Feel” brinca intensamente com a cultura da Índia, mostrando uma luxuosa cerimônia de casamento e as tão famosas danças típicas daquele país.

Carne Doce – Sertão Urbano

O que era apenas um projeto do casal Salma Jô e Macloys Aquino está crescendo para algo muito maior: o Carne Doce virou uma banda, com a entrada dos integrantes Raphael Vaz, João Victor e Ricardo Machado. Inserida em acertados arranjos, “Sertão Urbano” brinca com a estética de bandas setentistas para construir um claro cenário de expansão sonora, demonstrando os novos rumos que o projeto deverá percorrer daqui em diante.

The Pains of Being Pure at Heart – Simple and Sure

E quando nossas expressões corporais são tão prontas que chegam a nos ridicularizar? É acima deste conceito que é construído o hilário vídeo de “Simple and Sure”, o novo clipe da banda nova-iorquina The Pains of Being Pure at Heart, que está a caminho de lançar seu terceiro disco, “Days of Abandon”. Assista e “gif yourself”.

Marcelo Perdido – Pendura

Além das músicas que preenchem o seu set list, o primeiro disco de Marcelo Perdido em carreira solo, “Lenhador”, também é responsável pelo lançamento de vídeos curiosamente agarrados a uma estética retrô, com imagens de tratamento antigo, característica das fitas VHS. No novo clipe dessa concepção, uma sequência de imagens que se amarra aos inspirados versos do compositor constroem com competência um registro audiovisual para a canção “Pendura”.

Sam Smith – Stay With Me

Depois de se apresentar ao mundo como a voz do poderoso single “Latch”, do Disclosure, e retificar seu poderio pop com a canção “Money on My Mind”, agora Sam Smith aponta para a introspecção. Melancólica, “Stay With Me” se agarra a elementos do R&B para satisfazer sua base conceitual, contando inclusive com o acompanhamento de coros de vozes característicos da música gospel. O lançamento do primeiro disco do cantor, “In the Lonely Hour”, é aguardado com ansiedade para o dia 26 de maio.

Fernanda Takai e Samuel Rosa – Pra Curar Essa Dor (Heal the Pain)

Das colaborações que envolvem o novo disco de Fernanda Takai, talvez a mais sincera seja a do seu contemporâneo Samuel Rosa. Juntos, eles interpretam, em estúdio, a canção “Pra Curar Essa Dor”, versão em português para o hit “Heal the Pain”, de George Michael.