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Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [30-21]

30. Vince Staples – Blue Suede

Você pode até dizer que “Blue Suede” é apenas mais uma ótima produção, que suas batidas são incríveis e que a música se resume basicamente a isso… Tudo isso, é claro, se as rimas de Vince Staples não forem levadas em consideração. Se a produção é ótima (digna de Madlib), a performance do rapper é ainda melhor. Suas rimas são cruas, e verdadeiras: nelas, Staples trata da mortalidade da forma como ela é, sem grandes firulas. O ser humano é frágil, e nasce para um dia morrer: e, geralmente, nunca da forma desejada. É nada mais do que a realidade… “Jovens sepulturas obtém os buquês”, brada o rapper.

29. Nação Zumbi – Cicatriz

Uma filosofia relativamente barata diz que um grande guerreiro é reconhecido pela quantidade de cicatrizes que tem no corpo… E é exatamente essa mensagem que a Nação Zumbi quer passar em “Cicatriz”, canção que facilmente se insere entre as melhores do experiente grupo. Segundo Du Peixe e sua trupe, as marcas de guerra não precisam ser escondidas, e sim expostas: troféus de batalhas vencidas. A fraqueza humana se transformando em poder.

28. Ty Segall – The Singer

Para Ty Segall, 2014 será sempre considerado o ano de sua evolução definitiva. Íntimo das mais diversas nuances do rock, o músico, em “The Singer”, se vê à vontade para percorrer os dogmas do estilo em vias de reinvenção. Para isso, utiliza o psicodelismo para passear nos anos setenta, jogando um pouco de purpurina na guitarra através de uma breve brincadeira com o glam, e trazendo tudo para os tempos atuais – criando um número que, ao mesmo tempo, é clássico e atual. “The Singer”, assim como o rock clássico, é simples e direta, além de forte e arrebatadora. Uma canção com aquele espírito que muitos desinformados pensam que já morreu.

27. How to Dress Well – Words I Don’t Remember

Através de seu projeto How to Dress Well, Tom Krell reinventa a música pop com uma grande condensação de gêneros e referências. Provas? Apesar do disco “What Is this Heart?” ser imperdível, uma de suas faixas, “Words I Don’t Remember”, já é capaz de oferecer aos ouvintes uma ótima amostra dos poderes do músico. Sensível, atraente e naturalmente progressista, a canção se espalha em pouco mais de seis minutos de puro brilhantismo sonoro e lírico.

26. ruído/mm – Requiem for a Western Manga

A banda curitibana ruído/mm tem o dom de contas histórias mesmo sem utilizar nenhuma palavra… E isso acabou fazendo do fantástico “Rasura” um dos melhores discos de 2014. Terras distantes, heróis destemidos, discos voadores e grandes batalhas se espalham por números instrumentais primorosos, dos quais “Requiem for a Western Manga” é um destaque. Uma verdadeira epopeia, a canção faz com que o ouvinte experimente dez minutos de uma grande aventura, digna de uma superprodução de Hollywood, com Clint Eastwood no elenco e tudo mais.

25. Romulo Fróes e Juçara Marçal – Espera

A poesia de Romulo Fróes é reconhecidamente torta, “difícil” para os ouvidos acostumados com a música que se toca nas rádios… Mas em “Espera”, parceria do músico com Juçara Marçal, Fróes se abre para um novo público. Apesar de liricamente complexa, mantendo os tradicionais flertes do músico com versos curtos e de aparência desconexa, a canção se mostra extremamente fluida, deliciosa e descomplicada – mesmo fazendo parte do pesado “Barulho Feio”, o último e mais profundo lançamento do compositor. Na música, tudo se casa perfeitamente: as vozes de Romulo e Juçara se fundem em total harmonia com o ritmo acústico que, por sua vez, une-se com os ruídos da cidade de São Paulo de forma até mesmo natural. Um grande conjunto de nuances, alocadas em menos de dois minutos de impecável canção.

24. Ghostface Killah & BadBadNotGood ft. Danny Brown – Six Degrees

Além de reunir Ghostface Killah e Danny Brown, dois dos grandes rappers da atualidade, a canção “Six Degrees” traz na produção os canadenses do BadBadNotGood, verdadeiros monstros do hip-hop com suas passagens pelo jazz e pelo fusion. O resultado? Só poderia ser fantástico… Uma das melhores músicas do ano, uma mostra perfeita de que as mais diferentes vertentes nunca haviam se fundido em tamanha proporção quanto no ano que se finda. Ilimitada, cheirando a novidade, “Six Degrees” parece trazer consigo o conceito a ser seguido pelas grandes obras do hip-hop nos próximos anos.

23. Perfume Genius – Fool

Ah, as emoções… Volta e meia elas têm permeado essa lista, nos mostrando que, mesmo no mundo pós-moderno, a música continua a serviço dos mais puros e honestos anseios do ser humano. Em 2014, poucos artistas conseguiram escancarar sentimentos de forma tão certeira quanto Mike Hadreas em seu projeto autoral Perfume Genius. “Fool”, além de nos presentear com um conjunto harmônico complexo, nos surpreendendo com suas variações inesperadas, apresenta uma gigantesca amplitude de emoções, permeados pela performance vocal teatral de Hadreas.

22. Run the Jewels ft. Zack De La Rocha – Close Your Eyes (And Count to Fuck)

O novo dueto entre os rappers El-P e Killer Mike, apresentado no segundo disco do Run the Jewels mostra, nada mais nada menos, do que o colosso do hip-hop em 2014. Resultado obtido através de rimas incendiárias e uma produção arrebatadora, o registro marca uma das melhores colaborações da história do rap, que pode ser resumida através da intensidade de “Close Your Eyes (And Count to Fuck)”.

21. Juçara Marçal – Velho Amarelo

“Velho Amarelo”, a primeira faixa de “Encarnado”, trabalha para alocar Juçara Marçal em um palco do qual o espectador não desviará os olhos. A canção, composta por Rodrigo Campos, se comporta como uma apresentação perfeita do conceito da trabalho, delineando os rumos instrumentais e líricos que o embalarão em sua totalidade… Se é certo que vamos morrer, por que não podemos escolher onde e como?

Clipes & Singles: Semana 44/2014

Clipes & Singles

Drake – How Bout Now

Drake é um daqueles caras que nunca vão ser unanimidade… Após um 2013 glorioso, em que lançou o seu o melhor trabalho (e um dos melhores discos do ano), lá vem 2014 e a infeliz parceria com Nick Minaj na tenebrosa “Anaconda”. Seria o fim de Drake? Minaj teria arquitetado a lápide do famoso rapper canadense? Felizmente, o cara mostra que há vida após “Anaconda”: apenas uma das canções inéditas liberadas para audição pelo artista, “How Bout Now” mostra uma faceta que muitos ouvintes de Drake ainda não conheciam; uma concepção, digamos, mais “experimental”. “How Bout Now” é um número fluido, até certo ponto disforme, alocando o rapper em um cenário bem mais minimalista que o habitual.

Grouper – Made of Air

Esse ano de 2014 tem se destacado por revelar gratas surpresas ao grande público… E uma dessas é Grouper, uma daquelas “bandas de uma pessoa só”, encabeçada pela musicista Liz Harris, que lançou há pouco tempo “Ruins”, considerado por muita gente como um dos melhores discos do ano até aqui. Através da bonita canção “Made of Air”, o diretor Paul Clipson costurou um registro audiovisual muito bonito, capturando e “mixando” imagens de bucólicas paisagens.

Belle and Sebastian – The Party Line

E 2015 já começou! Pelo menos na agenda de lançamentos de discos… A primeira “grande boa nova” do ano que vem tende a ser “Girls in Peacetime Want to Dance”, marcando o retorno ao estúdio da banda Belle and Sebastian. Dançante e leve, o single dá algumas amostras do que podemos esperar deste novo álbum, mantendo baixas as expectativas.

Nação Zumbi – Defeito Perfeito

Vivendo uma nova etapa de sua carreira, a histórica banda Nação Zumbi segue com o processo de divulgação de seu último disco, autointitulado, lançado nesse ano. Para o clipe de “Defeito Perfeito”, o grupo resolveu mostrar imagens de seus sempre excitantes shows.

Sharon Van Etten – Your Love is Killing Me

“We Are There” marca a evolução definitiva de Sharon Van Etten… A belíssima “Your Love is Killing Me”, certamente uma das melhores canções desse ano, é apenas uma das provas do gigante talento da compositora nova-iorquina. Agora, a canção recebe sua versão em vídeo, através da direção de Sean Durkin e atuação de Carla Juri.

Flying Lotus – Ready Err Not

Steven Ellison é um artista genial? Sim. O Flying Lotus é um dos melhores projetos musicais da atualidade? Com certeza. Seu novo disco, “You’re Dead!”, está entre os melhores do ano? Não tenha dúvida disso. E seu clipe para “Ready Err Not” é uma experiência macabra totalmente descartável? Pior que sim. Veja apenas se você tem estômago forte.

Bombay Bicycle Club – Home By Now

De volta à sanidade mental, temos uma bela inspiração para o Bombay Bicycle Club e o vídeo de sua “Home By Now”: nada mais nada menos que Stanley Kubrick e uma de suas clássicas produções, o filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”, desbravador do gênero “ficção-científica”. O resultado ficou bem legal.

FKA Twigs – Video Girl

Como o mundo não é formado apenas por unicórnios fofinhos, voltamos às concepções mais “violentas” de vídeos. Dessa vez é FKA Twigs que nos revela um cenário descolorido e deprimente, em que a cantora interpreta a canção enquanto um presidiário é executado. Mas, diferente do vídeo de Flying Lotus, este apresenta um resultado decente: palmas para a produção de Kahlil Joseph.

Criolo – Convoque seu Buda

Uma das mais importantes vozes do rap nacional, Criolo apresenta seu novo disco, intitulado “Convoque seu Buda”, que tem a incumbência de suceder o já clássico “Nó na Orelha”. Produzido com maestria, e contando com um ótimo time de colaboradores, o disco mostra uma evolução técnica natural na carreira do rapper. A canção que dá nome ao disco é um número tradicional de Criolo, mas apresenta uma característica do rapper que só se acentua no novo disco: as rimas bagunçadas, com versos de difícil ligação.

Foo Fighters – Congregation

Em “Sonic Highways”, um probleminha é marcante: a satisfação da banda com o seu habitual. Pois “Congregation” é uma daquelas canções mais do que óbvias do Foo Fighters, e apesar de ser um single de potencial, mostra que Dave Grohl e seus amigos estão com dificuldades para renovar o som da banda – ou, pior ainda, que não estão trabalhando para isso.

2014: Nação Zumbi – Nação Zumbi

Nação Zumbi

Por: Renan Pereira

Nesse ano de 2014, fazem duas décadas que a banda Nação Zumbi, sob a liderança do visionário Chico Science, estremeceu os alicerces da música brasileira através do clássico álbum “Da Lama ao Caos”. E é bom perceber que, em vinte anos, a banda soube se reinventar e tocar a frente mesmo com a morte de Chico, ocorrida em 1997. Desde o disco “CSNZ”, lançado um ano após o trágico ocorrido, o que mais marcou conceitualmente a banda pernambucana foi a vontade de se superar, de crescer, de aprender através das feridas o que é ser um grupo completo e experiente.

Aos poucos, a lama e os caranguejos foram dando lugar a temas mais complexos, a intensidade dos elementos de percussão foi diminuindo, e a sonoridade envolvente passou a navegar para além dos mangues de Recife. Se “Da Lama ao Caos”, bem como o igualmente clássico “Afrociberdelia”, apontavam para uma direção musical totalmente nova, misturando a música regional de Pernambuco com o funk e diversas vertentes do rock, a Nação Zumbi, em sua nova fase, busca uma maior comunicação com os ouvintes de massa, trabalhando para que nossos ouvidos não sejam pegos com grandes surpresas.

Então aquele teor irrequieto dos primeiros trabalhos não existe mais? É possível dizer que, enquanto o som tornou-se mais polido, as letras conseguiram alcançar novas facetas, distantes da crítica social pregada pela mente insana do antigo líder. O que é totalmente compreensível: se, em seu início, a Nação Zumbi lutava pelo seu lugar ao sol, tentando dar uma nova cara à imutável cena nacional, agora a banda pode se gabar de seu espaço inquestionável. Tudo mudou, e muito… Obviamente, a proposta sonora da banda também deveria se transformar. Se você não quer viver tal mudança, é melhor ir atrás de passagens que te levem de volta para os anos noventa.

É claro que a percussão enlouquecedora faz falta, bem como o olhar crítico de Chico Science. A criatividade que entorna hoje em dia o som do conjunto não é nem sombra daquela de vinte anos atrás, e nas novas canções podem ser encontrados números tranquilos e/ou até mesmo românticos… E qual é o mal disso? Os integrantes do grupo andaram nos últimos tempos envolvidos em outros projetos, coletando novas referências, e o retorno da Nação Zumbi ao estúdio demorou tanto que teve até quem duvidou que ocorreria. Os tempos passam, as opiniões mudam, o passado fica para trás e o que nos resta é seguir em frente. Por mais que as marcas fiquem, o novo deve ser abraçado, como informa metaforicamente a primeira faixa do novo disco, “Cicatriz”.

A guitarra de Lúcio Maia insere a tensão necessária para a temática da segunda faixa, “Bala Perdida”, mas a produção e os versos não ajudam… A percussão pesada não cai bem na lentidão rítmica, e uma nova metaforização acaba soando como uma sobra conceitual d’O Rappa. “O Que Te Faz Rir” é um número curioso, ameno, mas que funciona com primor, ainda que a “testosterona” tradicionalmente imposta pelo vocal de Jorge Du Peixe se faça presente. Em suma, a Nação Zumbi não precisa abandonar sua personalidade para embarcar no trabalho mais sentimental de sua carreira.

A quarta, “Defeito Perfeito”, é uma boa demonstração da excelência da Nação Zumbi em criar seções rítmicas fantásticas, com grooves excitantes: em suma, uma música que agradará os ouvintes mais sedentos por inquietação sonora. Contando com a participação de Marisa Monte nos backing vocals, “A Melhor Hora da Praia” é aquele tipo de canção que, anos atrás, você jamais imaginaria a Nação Zumbi fazendo… Interessante como a evolução sentimental dos versos é capaz de levar a sonoridade a novos cenários, muito mais próximos da MPB do que propriamente ao manguebeat. Sobra até uma leve orquestração na quinta faixa, uma canção que poderia muito bem tocar nas rádios país afora… Assim como a balada “Um Sonho”, que apesar de pouco agregar, mostra uma Nação Zumbi que até então ignorávamos.

A sétima, “Novas Auroras”, parece condensar todo esse sentimento de abertura sonora pregada pelo disco… Afinal, ainda que nos álbuns sem Chico Science (e, principalmente, no clássico “Fome de Tudo”, de 2007), a banda já mostrava a clara intenção de ser um novo grupo, com uma nova toada, nunca esse conceito havia sido tão explorado quanto no presente registro. “Nunca Te Vi” pode ser uma prova de como, cuidadosamente, os marcantes arranjos de percussão da banda podem ser bem alocados dentro dessa sonoridade mais cadenciada e sentimental.

Tudo vai indo relativamente muito bem, mas… É obvio que algo está faltando. Surpreende que, logo em um momento de agitação social inédito para as novas gerações, a Nação Zumbi tenha abandonado o seu lado mais crítico. Não seria esse o momento ideal para o grupo apresentar, mais uma vez, seu olhar ácido sobre os acontecimentos que afligem a população? Talvez Du Peixe e seus companheiros estejam ainda dentro daquela inércia política que abatia o Brasil antes de junho de 2013 – até porque o processo de construção do novo disco havia se iniciado antes dos protestos que se espalharam pelo país. Um erro? Talvez esteja mais para um “menor acerto”.

Para não espantar seus ouvintes das antigas, a última trinca de faixas de “Nação Zumbi”, o disco, massageia os ouvidos daqueles que estavam ansiosos por canções pesadas, tomadas pelas antigas influências do conjunto. Riifs velozes, batidas furiosas e todo aquele sentimento inovador que permeava os primeiros registros do grupo dão o ar da graça em “Foi de Amor”, “Cuidado” e “Pegando Fogo” – mas a lírica, em contrapartida, está totalmente inserida nos conceitos atuais. Em suma, o desfecho do álbum marca o encontro da nova com a antiga Nação Zumbi.

Apesar de se comportar como um ponto de menor destaque dentro da discografia dos pernambucanos, “Nação Zumbi” se comporta como um necessário álbum de aprendizado. A banda não poderia passar toda a sua carreira cantando a lama dos manguezais do Recife, não é verdade? Além de passar por um momento de reflexão sonora, a Nação Zumbi nos convida a pensar sobre a importância das mudanças estéticas para o futuro de uma das mais importantes bandas do país. Assim, mesmo passando longe dos maiores êxitos do manguebeat, o presente registro contém, sem dúvida nenhuma, um válido resultado artístico.

NOTA: 7,0

Clipes & Singles: Semana 18/2014

Michael Jackson ft. Justin Timberlake – Love Never Felt So Good

Michael Jackson morreu já faz tempinho, mas mesmo no além o músico “continua a produzir” bons encontros do pop com suas heranças musicais negras, que datam da longínqua época em que ele fazia parte do coletivo The Jackson 5. Canção que poderia muito bem ter feito parte de algum dos álbuns clássicos do músico, “Love Never Felt So Good” encontra na participação de Justin Timberlake um link com os rumos atuais da música pop, demonstrando a intenção mais do que óbvia da Sony com estes lançamentos póstumos: faturar, através de canções nunca lançadas, alguma grana em cima do nome do falecido rei do pop.

Sharon Van Etten – Every Time the Sun Comes Up

Quem acompanha este blog tem visto que, ultimamente, Sharon Van Etten vem recebendo um bom destaque por aqui. Por quê? Não somente por causa de seu futuro trabalho, o disco “We Are There”, a ser lançado no fim do mês de maio, mas também devido à qualidade indiscutível de suas novas composições. “Every Time the Sun Comes Up” felizmente segue a mesma ideia, deixando o público ainda mais ansioso quanto ao lançamento do novo álbum da musicista.

Coldplay – A Sky Full of Stars

E o Coldplay, hein? Se o título brega de seu novo single já assusta, o que dizer de uma colaboração da banda, que um dia já foi muito respeitada, com o produtor Avicii? “A Sky Full of Stars” é uma música de conceito alegrinho, que será sucesso nas casas de dança mundo afora, fará parte da trilha-sonora de alguma novela da Globo… Mas que faz com que Chris Martin e seus pupilos percam todo o respeito que ainda detinham.

Parquet Courts – Black and White

Quem provavelmente não nos decepcionará é o Parquet Courts, que parece bordar seu próximo disco, “Sunbathing Animals”, com ótimas faixas. Menos energética e insana que a faixa-título do trabalho, mas igualmente assertiva, “Black and White” prova que a banda pode se agarrar a um conceito simples e constante, e mesmo assim soar dinâmica. Afinal, tudo que entorna o grupo do Brooklyn é curto, grosso, um sentimento até mesmo estúpido (no bom sentido), regado ao mais despreocupado clima do “fuck yeah”.

Pharrell Williams – Smile

Na última semana, uma música que acabou ficando de fora do novo disco solo de Pharrell acabou sendo liberada para audição: a positiva “Smile” até tem uma letra bacaninha, mas bastam os (pobres) arranjos eletrônicos virem à tona para o ouvinte perceber porque a canção não fez parte do álbum “G.I.R.L.”.

Röyksopp & Robyn – Do It Again

“Do It Again”, entretanto, é uma canção eletrônica daquelas que te inspiram e te enchem de energia. Um dos resultados da parceria entre o produtor Röyksopp e a cantora Robyn, a canção se desenvolve em uma dinâmica dançante e atraente, e deve fazer parte do trabalho colaborativo dos músicos, um EP de cinco faixas com lançamento marcado para o dia 25 de maio.

The Hold Steady – I Hope This Hole Thing Didn’t Frighten You

Você tem uma banda que costuma mandar muito bem no palco, e te faltam ideias para produzir um novo clipe… O que você faz? A ideia não é nem um pouquinho nova, mas costuma dar certo: faz uma boa filmagem da banda tocando ao-vivo, toma cuidado na escolha das imagens, e pronto: eis, em mãos, um bom registro audiovisual. Pois é isso mesmo o que acontece com o clipe de “I Hope This Hole Thing Didn’t Frighten You”, o novo single do The Hold Steady… E o resultado, no fim das contas, não deixa a desejar.

Nação Zumbi – Cicatriz

Mas quem caprichou pra valer em seu novo clipe foi o pessoal da Nação Zumbi. Dando imagens ao principal single de seu novo trabalho, o disco “Nação Zumbi”, o clipe de “Cicatriz” é marcado pela metáfora, tratando as cicatrizes como a marca da passagem do tempo nos personagens do vídeo. Quando o álbum será lançado? Pois já foi lançado nesse dia 5 de maio, amigo… Ouça lá!

Kasabian – eez-eh

Junho é um mês que promete, pelo menos musicalmente: nele, vários discos aguardados serão lançados. Um desses trabalhos é “48:13”, o novo álbum do Kasabian, cujo primeiro single agora ganha um clipe: se trata de “eez-eh”, uma animada canção, através da qual os integrantes da banda dançam em um cenário preto e branco (e rosa). A maior curiosidade fica para a aparência do vocalista Tom Meighan: vai dizer que ele não tá parecendo o jogador Daniel Alves?

The Black Keys – Fever

Embora ainda nem tenha sido lançado oficialmente, “Turn Blue”, o novo disco do The Black Keys, tem divido opiniões: o que não é nada surpreendente quando um projeto musical muda drasticamente os seus rumos sonoros, não é mesmo? O fato é que o duo decidiu deixar as guitarras descansando um pouco, investindo em um som mais pautado nos sintetizadores… uma velha polêmica que você já deve conhecer. Para encerrar essa edição do Clipes & Singles, fique com o clipe de “Fever”, e tire suas próprias conclusões.

Clipes & Singles: Semana 09/2014

Clipes & Singles

Haim – If I Could Change Your Mind

O poderoso disco “Days Are Gone”, eleito por este blog como um dos melhores do ano passado, acaba de ganhar mais um registro audiovisual. Com uma bonita coreografia é que as garotas do Haim constroem seu mais novo clipe, referente à agradável “If I Could Change Your Mind”.

Silva – É Preciso Dizer

“Vista Pro Mar”, o novo álbum de Silva, tende a ser um proveitoso passeio por referências oitentistas. Se “Janeiro” já havia nos levado a pensar dessa forma, agora “É Preciso Dizer” reforça ainda mais a ideia. Próxima do synthpop melódico realizado pelas bandas europeias (principalmente inglesas) daquela década, a canção se comporta como uma sutil e hipnótica viagem por sentimentos tranquilos, evidenciados pela atmosfera tropical.

Tulipa Ruiz – Megalomania

Dançante, “Megalomania”, a nova música de Tulipa Ruiz, até parece ser a regravação de um antigo sucesso do movimento tropicalista, encontrando nos traços regionais, no forte ritmo e nos riffs psicodélicos de guitarra a sua identidade. Exótica, a canção demonstra o amadurecimento artístico da cantora, que mais uma vez parece disposta a fazer algo diferente do que estava acostumada.

Boogarins – Erre

Prestes a realizar seus primeiros shows internacionais, os goianos do Boogarins continuam com a promoção do disco “As Plantas que Curam” através do clipe de “Erre”, que mistura cenas de animação com imagens do primeiro show da banda em São Paulo, realizado no último mês de outubro.

Coldplay – Midnight

A nova música do Coldplay é relaxante, reconforta através de sua construção melódica minimalista, mas peca quanto à falta de originalidade. Mostrando mais uma vez que Chris Martin e seus companheiros não estão muito à vontade para criar, “Midnight” se parece muito com o que Bon Iver apresentou em seu aclamado disco homônimo de 2011. Enquanto a desconfiança já começa a pairar sobre os rumos sonoros que serão apresentados no próximo disco da banda, imagens psicodélicas constroem o clipe da canção.

Nação Zumbi – Cicatriz

Outra banda que está voltando é a Nação Zumbi. Com guitarras proeminentes e a participação Kassin nos sintetizadores, mas mantendo os tambores como um elemento importante, “Cicatriz” parece delinear o que o próximo disco do grupo, previsto para sair ainda nesse ano, irá nos oferecer: mais um convincente capítulo de reinvenção na discografia do grupo.

Leo Cavalcanti – Leve

Como é a nova música liberada por Leo Cavalcanti que figurará no novo disco do compositor, “Despertador”? Bem, “Leve” é, realmente, leve. Envolta no mesmo pop psicodélico que já havia sido apresentado na faixa-título do novo trabalho, a canção surge em meio a belos arranjos, acertos melódicos e boas sucessões dinâmicas, que atiçam nossos ouvidos para o que está por vir.

Damon Albarn – Lonely, Press Play

O primeiro álbum em carreira solo de Damon Albarn está por vir, e o líder do Blur e criador do Gorillaz continua a promover o futuro trabalho. Agora, com o um novo clipe, o música dá imagens ao single “Lonely, Press Play” através de filmagens realizadas por ele mesmo em países nos quais viajou, como Japão, Coréia do Norte, Islândia e Estados Unidos.

Luziluzia – Cosmic Melodrama

Na mesma semana que disponibilizou para audição seu primeiro disco de longa duração, “Come On Feel the Riverbreeze”, a banda goiana Luziluzia, na qual também integram integrantes do Boogarins, lançou seu primeiro clipe. A canção escolhida para preencher o registro audiovisual foi “Cosmic Melodrama”, e o bom resultado final você vê abaixo.

Beyoncé – Partition

Beyoncé já está acostumada a ter seus clipes entre os mais comentados, mas dessa vez ela parece disposta a arrebatar todos os olhares direcionados à música pop para si. Diva absoluta, a bela seduz os espectadores através de danças provocantes realizadas com pouca roupa… Um vídeo que já é tão marcante quanto àquele de “Single Ladies”.