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Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [40-31]

40. Merchandise – Green Lady

Apesar dos grandes avanços tecnológicos, o toque humano continua a ser imprescindível. A sensibilidade ainda é necessária. Em “Green Lady”, a banda Merchandise mostra que, mesmo brincando com os anos oitenta (em uma estrutura sonora que pode até lembrar alguns trabalhos do Talk Talk), entende os dias atuais como poucas. Tudo na canção é cuidadosamente alocado, criando um conjunto adorável que só existe porque todos os seus elementos estão lá em perfeita harmonia: retire a guitarra ou o vocal da canção, por exemplo, e verá que o que era completo desmoronou. “Green Lady” é o que pode se chamar de música perfeitamente bela.

39. Röyksopp & Robyn – Do It Again

A força do dance-pop europeu – mais precisamente, o nórdico – está longe de desaparecer. E quem está aqui para provar isso é a dupla de produtores Röyksopp e a veterana Robyn, com “Do It Again”, a grande música eletrônica de 2014. Uma canção energética ao extremo, hipnotizadamente dançante, que inspira. Uma pedida perfeita para ouvir logo depois de acordar, começando o dia com tudo.

38. Drake – How Bout Now

Drake é um daqueles caras que nunca vão ser unanimidade… Após um 2013 glorioso, em que lançou o seu o melhor trabalho (e um dos melhores discos do ano), lá vem 2014 e a infeliz parceria com Nick Minaj na tenebrosa “Anaconda”. Seria o fim de Drake? Minaj teria arquitetado a lápide do famoso rapper canadense? Felizmente, o cara mostra que há vida após “Anaconda”: “How Bout Now” mostra uma faceta que muitos ouvintes de Drake ainda não conheciam; uma concepção, digamos, mais “experimental”. “How Bout Now” é um número fluido, até certo ponto disforme, alocando o rapper em um cenário bem mais minimalista que o habitual. Experimental e surpreendente, esse é o Drake que queremos.

37. Azealia Banks – Chasing Time

Toda a genialidade de Azealia Banks como rapper e toda a qualidade da produção que há por trás dela mostram-se em primor em “Chasing Time”, um dos fortes números de “Broke With Expensive Taste” – o disco eternamente adiado que viu finalmente a luz do dia no segundo semestre desse ano. Sempre provocante e irônica, Banks mergulha em uma base sonora riquíssima, sendo impossível sequer apontar todos os gêneros que a canção possui. Além de tudo, temos a oportunidade de descobrir as qualidades de Azealia Banks como… cantora! Sensacional.

36. Hundred Waters – Murmurs

O trabalho da banda Hundred Waters pode ser comparado ao de um artista plástico: bordar cenários (abstratos ou não) para escancarar sentimentos. Daria para dizer, além disso, que o grupo seria um daqueles pintores sensíveis, que empunham o pincel com a maior sutileza do mundo. Afinal, a música da banda é muitas vezes quieta, quase invisível… Portanto, seu trunfo acaba ficando nos detalhes. Com ouvidos atentos, o público pode saborear toda a profunda beleza de “Murmurs”, uma canção que parece resumir toda a dimensão sonora do Hundred Waters em poucos minutos. Uma canção sublime.

35. The War on Drugs – Red Eyes

O teor sentimental de “Lost in Dream”, até agora o grande trunfo da carreira da Adam Granofsky, pegou muita gente de surpresa. Distante do teor psicodélico da música do ex-colega Kurt Vile, o músico acabou criando, mesmo enraizando-se na música folk, um grande disco pop, repleto de verdadeiros hinos emotivos. E o mais brilhante deles certamente é “Red Eyes”, uma canção que sai do sofrimento, do choro, para também mostrar a vitória… Afinal, a vida de ninguém é feita somente de derrotas, certo? Para acompanhar, um instrumental memorável, que nos fará recordar de sua melodia por muito tempo.

34. FKA twigs – Two Weeks

As velhas heranças do R&B são tratadas por FKA twigs com um olhar constantemente voltado para o futuro. Em sua nova faixa, “Two Weeks”, a música negra encontra o future garage, e os vocais cheios de personalidade se derramam em arranjos etéreos… Tudo, no fim, construindo um teor atmosférico: uma impressionante produção. O remodelamento do passado para construir a música dos dias que ainda estão por vir: esse é, no fundo, o ciclo natural da passagem do tempo na arte.

33. Mac DeMarco – Brother

Mac DeMarco é insano, doidão mesmo. Por isso, é impressionante o controle de seus instintos no calmo “Salad Days”, seu último disco – e especialmente em “Brother”, a melhor das faixas. Melancólica, mesmo sem ser triste, a canção se comporta como o magnum opus de DeMarco como compositor, mostrando que há, no fundo, grande sensibilidade por trás de sua loucura.

32. Ariana Grande feat. Iggy Azalea – Problem

Ariana Grande é um daqueles produtos óbvios da música pop dos Estados Unidos: depois de estrelar um seriado teen, parte para um trabalho fonográfico pop e altamente radiofônico, contando com o apoio de uma grande gravadora, com produtores renomados e muito dinheiro a ser investido. Surpreende, porém, que mesmo em meio a tantas obviedades, a jovem consegue ser um ponto fora dessa curva em que estão estacionadas cantoras como Selena Gomez e Miley Cyrus. Ariana faz diferente; sua música é grudenta, tocará muito nas rádios ao redor do mundo, mas não deixa de flertar com elementos ricos… Em “Problem”, canção que conta com a participação da rapper Iggy Azalea, o apelo pop se encontra com um fantástico loop de saxofone, dando um brilho a mais aos vocais plásticos e às excitantes batidas sintéticas. Enfim, um primor em produção.

31. Jack White – Lazaretto

Uma música pode resumir toda a carreira de um músico consagrado? Segundo “Lazaretto”, a canção, sim: afinal, nenhuma canção de Jack White é tão completa quanto esta em questão: há country, blues, rock e indie, além de uma explosão energética, e tudo em número curto e grosso, com menos de quatro minutos de duração. Se “Lazaretto”, o disco, não foi tão bom quanto esperávamos, sua faixa-título não deixa de ser excepcional: uma das melhores músicas de 2014.

Clipes & Singles: Semana 46/2014

Clipes & Singles

Mark Ronson – Uptown Funk

Mark Ronson, um dos produtores mais renomados da atualidade, está prestes a lançar seu quarto disco, intitulado “Uptown Special”. Na primeira faixa revelada do registro, o músico recebe o também renomado Bruno Mars para uma divertida viagem ao som do ritmo quente do funk norte-americano, um dos terrenos preferidos do cantor havaiano.

Stromae – Meltdown

Outro produtor “da moda”, Stromae, lançou uma nova canção de sua autoria… E para uma trilha-sonora “da moda”, no caso, referente ao novo filme da franquia “Jogos Vorazes”, que levará às telas a primeira parte do livro “A Esperança”. Na faixa, há ainda a participação de outros nomes de peso, como Haim, Pusha T, Q-Tip e a própria curadora da trilha-sonora, Lorde.

Charli XCX – Kingdom

Outra faixa de “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte I” é “Kingdom”, de Charli XCX. Sem sair do clima acinzentado proposto pela película – a mais melancólica da franquia até agora – a jovem cantora solta a voz em uma faixa em que ainda aparecem Simon Le Bon (Duran Duran) e Rostam Batmanglij (Vampire Weekend).

Tereza – Calçada da Batalha

A banda Tereza lançou seu último disco em 2012, mas se o verão está chegando, é hora de voltar com um novo clipe. Afinal, a música da banda é feita para as férias no litoral brasileiro. No vídeo para “Calçada da Batalha”, os membros da banda, no futuro, vão em busca de garotas usando um artifício chamado de “galada glass”. Bizarro? Sem dúvida. Assim é a banda Tereza, afinal: garantia de diversão.

Kindness – Who Do You Love

O produtor Kindness, que está com um novo álbum, intitulado “Otherness”, convidou a sueca Robyn para soltar a voz em uma de suas novas canções. No vídeo de “Who Do You Love”, construído a partir de fotografias em preto-e-branco de familiares e amigos do músico, o conceito da faixa, segundo o próprio Adam Bainbridge, é seguido a risca: uma reflexão sobre como você se identifica através daqueles que você ama.

David Bowie – ‘Tis a Pity She Was a Whore

“‘Tis a Pity She Was a Whore” é simplesmente a melhor música do Camaleão nos últimos anos. Sim, senhores: por melhor que tenha sido “The Next Day”, nenhuma faixa do aclamado disco chega aos pés desta que é apresentada no player abaixo. Nela, o veterano canta versos tristes no fundo de um sampler caseiro e futurístico, amplificando sua faceta mais experimental.

Deerhoof – Exit Only

O autor Michael Shannon duplicado, e reagindo, cada um de maneira diferente, à canção que toca? Foi essa a ideia maluca da banda Deerhoof para seu novo clipe, relativo à canção “Exit Only”. O resultado você vê no vídeo abaixo, ao som da explosão punk característica da banda.

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Do the Damage

“Do the Damage” não estará no disco “Chasing Yesterday”, sendo apenas o lado B do single “In the Heart of the Moment”. Mas não é que o lado B é melhor que o lado A? Bem, agora é esperar o que vem por aí no novo álbum do segundo irmão preferido de Liam Gallagher, a ser lançado no segundo de dia do próximo mês de março.

Big Noble – Peg

Daniel Kessler, guitarrista da banda Interpol, decidiu se impregnar em um projeto paralelo, ao lado do produtor Joseph Fraioli, intitulado Big Noble. A ser lançado em 3 de fevereiro, o álbum “First Light” tende a apresentar uma nova faceta do músico, visto o conceito contemplativo da faixa “Peg”, a primeira do disco a ser revelada.

Azealia Banks – Chasing Time

Demorou, mas “Broke with Expensive Taste”, o primeiro álbum “de verdade” de Azealia Banks, finalmente foi lançado. Para comemorar o feito, a musicista lançou o clipe de “Chasing Time”, uma das faixas do disco, em que podemos conferir apenas um dos conceitos sonoros propagados pela habilidosa artista.

 

Clipes & Singles: Semana 21/2014

Clipes & Singles

O Terno – Tic Tac

A banda O Terno, uma das revelações do rock nacional, faz um som que passa longe do convencional… E se o assunto é clipe, as imagens devem acompanhar os conceitos musicais, não é verdade? Pois é bem isso que o grupo faz em seu novo registro audiovisual, referente à “Tic Tac”, canção que faz parte de um compacto recentemente lançado. Contando com a participação do músico (e ator) Paulo Miklos, o clipe mostra os integrantes da banda disputando uma corrida que de normal não tem nada – é claro.

Sam Smith – Leave Your Lover

Se tratando de voz, Sam Smith é uma das maiores revelações do pop atual. O britânico, revelado mundialmente no ano passado pelos compatriotas do Disclosure, está prestes a lançar o seu primeiro disco de estúdio, e para não perder o ritmo, lança mais uma de suas belas (e melancólicas) canções. Acompanhada por vídeo, “Leave Your Lover” é um número naturalmente melódico e triste, com uma estrutura simples, de piano e voz, e por isso vem rendendo comparações (bem preguiçosas) a Adele. No clipe, Smith é parte de um alegre triângulo amoroso, cujo desfecho mostra-se totalmente inesperado.

Céu – Baile de Ilusão

A cantora Céu andou dizendo que seu novo clipe segue “à risca (literalmente) o que canto em ‘Baile de Ilusão'”. Precisa dizer mais alguma coisa? É só clicar no play abaixo e curtir mais um ótimo registro audiovisual de uma canção do último clipe da musicista, “Caravana Sereia Bloom”.

Mac DeMarco – Passing Out Pieces

Que Mac DeMarco é um sujeito insano, todos que acompanham a carreira do cantor já sabem… Talvez até para amplificar esse conceito, o músico faz de seu novo clipe, referente à “Passing Out Pieces”, faixa do disco “Salad Days”, uma grande ode ao nonsense. Com muito sangue falso, um baixíssimo orçamento e uma aura totalmente trash, DeMarco assassina várias pessoas no clipe mais bizarro (até agora) de 2014.

Bianca – Speak Not

Bianca é um daqueles casos meteóricos do mundo da música: bastou iniciar sua carreira para se tornar um sucesso. Detentora da baladona “Chained”, que já vem inclusive embalando as imagens da Rede Globo na novelinha “Malhação”, a jovem já é uma “velha” conhecida deste blog, visto que ainda em fevereiro, antes de explodir nacionalmente, a musicista participou da nossa tradicional entrevista mensal. Agora liberando mais uma canção da série “Live Sessions”, Bianca apresenta ao público mais uma faceta sensível de sua musicalidade através de “Speak Not”.

Séculos Apaixonados – Um Totem do Amor Impossível

Após de surpreendentemente dar por encerradas as atividades do ótimo projeto musical Dorgas, Gabriel Guerra surge em uma nova empreitada: tendo como companhia Lucas Paiva, Felipe Vellozo, João Pessanha e Arthur Braganti, é fundado o (quase super) grupo Séculos Apaixonados. Agrupando alguns dos melhores nomes do novo cenário musical alternativo (e efervescente) do Rio de Janeiro, a banda já escancara sua proposta através de duas canções: “Um Totem do Amor  Impossível” e “Só no Masoquismo”.

Robyn & Röyksopp – Sayit

A ótima parceria entre Robyn e o duo Röyksopp não é somente responsável por resgatar a veterana estrela do pop escandinavo para as atualidades da música, como mostra ser um dos projetos mais assertivos da música eletrônica nesse ano de 2014. Mais um capítulo desse ótimo encontro pode ser conferido no clipe produzido para a canção “Sayit”, em que as imagens acompanham todas os elementos da sonoridade futurística dos produtores.

André Prando – Alto Lá

Agora saímos do tecnológico para aterrissar em um conceito pueril, orgânico… Se trata do clipe de “Alto Lá”, de André Prando, uma das grandes apostas musicais do RPblogging para esse ano de 2014. O músico, que já passou por aqui na seção Experimente, abandona um pouco seu lado “roqueiro” para se embebedar na música folk em sua nova canção, cujo vídeo traz o músico, de pés descalços e ostentando sua longa barba, a interpretando somente com voz e violão.

Ludov – Cidade Natal

Abandonando o clima de tensão que havia construído o clipe de “Copo de Mar”, os paulistanos da Ludov fazem do vídeo de “Cidade Natal” um encontro com a simplicidade. Adornada por arranjos semi-acústicos, a canção deixa a vocalista Vanessa Krongol brilhar e se destacar de forma absolutamente natural… Acompanhando o conceito orgânico da faixa, o clipe mostra imagens da banda em uma bela paisagem da cidade de Atibaia.

Tatá Aeroplano – Par de Tapas que Doeu em Mim

Uma das mentes menos óbvias do cenário alternativo tupiniquim, Tatá Aeroplano apresenta mais um registro audiovisual de sua rica carreira através do clipe referente à música “Par de Tapas que Doeu em Mim”. Contanto com a participação da requisitada Tulipa Ruiz, o vídeo, que traz mais de dez minutos de duração, transfere um violento fim de relação para o universo particular do músico – incluindo um desfecho (obviamente) inesperado.

Clipes & Singles: Semana 18/2014

Michael Jackson ft. Justin Timberlake – Love Never Felt So Good

Michael Jackson morreu já faz tempinho, mas mesmo no além o músico “continua a produzir” bons encontros do pop com suas heranças musicais negras, que datam da longínqua época em que ele fazia parte do coletivo The Jackson 5. Canção que poderia muito bem ter feito parte de algum dos álbuns clássicos do músico, “Love Never Felt So Good” encontra na participação de Justin Timberlake um link com os rumos atuais da música pop, demonstrando a intenção mais do que óbvia da Sony com estes lançamentos póstumos: faturar, através de canções nunca lançadas, alguma grana em cima do nome do falecido rei do pop.

Sharon Van Etten – Every Time the Sun Comes Up

Quem acompanha este blog tem visto que, ultimamente, Sharon Van Etten vem recebendo um bom destaque por aqui. Por quê? Não somente por causa de seu futuro trabalho, o disco “We Are There”, a ser lançado no fim do mês de maio, mas também devido à qualidade indiscutível de suas novas composições. “Every Time the Sun Comes Up” felizmente segue a mesma ideia, deixando o público ainda mais ansioso quanto ao lançamento do novo álbum da musicista.

Coldplay – A Sky Full of Stars

E o Coldplay, hein? Se o título brega de seu novo single já assusta, o que dizer de uma colaboração da banda, que um dia já foi muito respeitada, com o produtor Avicii? “A Sky Full of Stars” é uma música de conceito alegrinho, que será sucesso nas casas de dança mundo afora, fará parte da trilha-sonora de alguma novela da Globo… Mas que faz com que Chris Martin e seus pupilos percam todo o respeito que ainda detinham.

Parquet Courts – Black and White

Quem provavelmente não nos decepcionará é o Parquet Courts, que parece bordar seu próximo disco, “Sunbathing Animals”, com ótimas faixas. Menos energética e insana que a faixa-título do trabalho, mas igualmente assertiva, “Black and White” prova que a banda pode se agarrar a um conceito simples e constante, e mesmo assim soar dinâmica. Afinal, tudo que entorna o grupo do Brooklyn é curto, grosso, um sentimento até mesmo estúpido (no bom sentido), regado ao mais despreocupado clima do “fuck yeah”.

Pharrell Williams – Smile

Na última semana, uma música que acabou ficando de fora do novo disco solo de Pharrell acabou sendo liberada para audição: a positiva “Smile” até tem uma letra bacaninha, mas bastam os (pobres) arranjos eletrônicos virem à tona para o ouvinte perceber porque a canção não fez parte do álbum “G.I.R.L.”.

Röyksopp & Robyn – Do It Again

“Do It Again”, entretanto, é uma canção eletrônica daquelas que te inspiram e te enchem de energia. Um dos resultados da parceria entre o produtor Röyksopp e a cantora Robyn, a canção se desenvolve em uma dinâmica dançante e atraente, e deve fazer parte do trabalho colaborativo dos músicos, um EP de cinco faixas com lançamento marcado para o dia 25 de maio.

The Hold Steady – I Hope This Hole Thing Didn’t Frighten You

Você tem uma banda que costuma mandar muito bem no palco, e te faltam ideias para produzir um novo clipe… O que você faz? A ideia não é nem um pouquinho nova, mas costuma dar certo: faz uma boa filmagem da banda tocando ao-vivo, toma cuidado na escolha das imagens, e pronto: eis, em mãos, um bom registro audiovisual. Pois é isso mesmo o que acontece com o clipe de “I Hope This Hole Thing Didn’t Frighten You”, o novo single do The Hold Steady… E o resultado, no fim das contas, não deixa a desejar.

Nação Zumbi – Cicatriz

Mas quem caprichou pra valer em seu novo clipe foi o pessoal da Nação Zumbi. Dando imagens ao principal single de seu novo trabalho, o disco “Nação Zumbi”, o clipe de “Cicatriz” é marcado pela metáfora, tratando as cicatrizes como a marca da passagem do tempo nos personagens do vídeo. Quando o álbum será lançado? Pois já foi lançado nesse dia 5 de maio, amigo… Ouça lá!

Kasabian – eez-eh

Junho é um mês que promete, pelo menos musicalmente: nele, vários discos aguardados serão lançados. Um desses trabalhos é “48:13”, o novo álbum do Kasabian, cujo primeiro single agora ganha um clipe: se trata de “eez-eh”, uma animada canção, através da qual os integrantes da banda dançam em um cenário preto e branco (e rosa). A maior curiosidade fica para a aparência do vocalista Tom Meighan: vai dizer que ele não tá parecendo o jogador Daniel Alves?

The Black Keys – Fever

Embora ainda nem tenha sido lançado oficialmente, “Turn Blue”, o novo disco do The Black Keys, tem divido opiniões: o que não é nada surpreendente quando um projeto musical muda drasticamente os seus rumos sonoros, não é mesmo? O fato é que o duo decidiu deixar as guitarras descansando um pouco, investindo em um som mais pautado nos sintetizadores… uma velha polêmica que você já deve conhecer. Para encerrar essa edição do Clipes & Singles, fique com o clipe de “Fever”, e tire suas próprias conclusões.

2014: Blank Project – Neneh Cherry

Blank Project

Por: Renan Pereira

A sueca Neneh Cherry andava esquecida. Afinal, sem lançar um disco há 17 anos, a cantora parecia fadada a continuar presa eternamente aos anos noventa. Pouco conhecida pela geração atual, Cherry marcou aquela década ao se apresentar como um dos pilares europeus da renovação do R&B que então ocorria. Para se ter uma ideia, a cantora foi uma das primeiras artistas a investir, com vigor, na mistura da música pop com o hip-hop que imergia com força no cenário mundial: seu primeiro disco, lançado ainda em 1989, já trazia como colaborador o produtor britânico Robert Del Naja (o 3D do Massive Attack), que apenas alguns anos depois seria reconhecido mundialmente como um dos cardeais do trip hop. Sim, senhoras e senhores, Neneh Cherry foi, desde o início de sua carreira, uma figura importantíssima. Em seus discos seguintes, “Homebrew”, de 1992, e “Man”, de 1996, a musicista tratou de incorporar ainda com maior intensidade um conjunto de elementos modernos da música pop, fazendo de sua carreira uma genuína representante das grandes mudanças ocorridas no modo de se produzir música naqueles tempos.

Se Cherry foi inovadora lá nos já longínquos anos noventa, o que então poderíamos esperar dela em seu tardio retorno? Estaria a cantora voltando à ativa apenas para relembrar suas glórias do passado? Para nossa sorte, os 50 anos de Cherry não significam nenhum sinal de preguiça. Surpreendendo a todos, a sueca está não apenas de volta, mas se mostra disposta a inovar mais uma vez. Contando com a produção do renomado Four Tet, “Blank Project” se caracteriza como um registro inegavelmente atual de uma veterana que utiliza toda a sua experiência para, mais uma vez, brincar com as nuances mais modernas da música.

A faixa inaugural, “Across the Water”, já escancara o conceito pelo qual o disco é guiado: minimalista e refinada ao mesmo tempo, a canção exala fortes sentimentos do início ao fim, enquanto batidas cruas deixam a cantora brilhar livremente. Talvez o maior acerto de Four Tet esteja, justamente, na ideia de fazer de “Blank Project” um registro que destaque, a todo instante, o poder performático de Cherry. Portanto, assim também não poderia deixar de ser a faixa-título: o produtor marca sua presença com um trabalho pra lá de caprichado no tratamento dos rumos sonoros, mas é Cherry que brilha em meio a uma estrutura eletrônica extremamente moderna. A seguinte, “Naked”, mantém o conceito: batidas fortes e penetrantes, e arranjos crus praticamente ausentes de maiores detalhes, fazem com que a emoção emanada pelo vocal da cantora se torne novamente o ponto central da audição.

A linha é mantida em todo o registro, mas se engana quem pensa que, devido a isso, o poder de surpreender constantemente se distancia de seu andamento: mesmo em uma sucessão de faixas muito parecidas, idênticas em conceito, Neneh Cherry trata de abrir nossas bocas ao apresentar sempre um “algo a mais”. Na seminal “Spit Three Times”, por exemplo, a cantora se derrama em confissões, admitindo suas próprias fraquezas em uma faixa poderosa, um hit em potencial que contém um belo acerto melódico, apesar de se caracterizar como a inesperada união do eletrônico com o gótico. A quinta, “Weightless”, é, apesar desse título, uma das canções mais pesadas do disco: contando com uma estrutura ruidosa, a faixa derrama novas facetas do introspectivo de Cherry enquanto revela ao ouvinte os primeiros dos poucos instantes “pista de dança” do registro.

“Cynical” é uma daquelas canções que arranham nossas percepções, fazendo com que o ouvinte viaje sem moderação na atmosfera instável proposta por Cherry e seu produtor: novamente, uma rede incerta de batidas e pequenos efeitos é costurada com total e absoluta combatividade, fazendo com que as emoções até mesmo briguem entre si. Já “422” é uma canção diferente, que se preocupa mais em construir uma ambientação para o íntimo sombrio de Cherry do que em fazer com que ele exploda em uma espiral: uma calmaria que funciona como um respiro em meio a uma sucessão de faixas tão agressivas.

Se dançar é o que você quer, nada melhor que o poderoso single “Out of the Black”, em que Cherry brinca com as nuances do pop eletrônico na companhia de uma das maiores representantes do gênero: sua compatriota Robyn. Continuando no mesmo clima, a seguinte, “Dossier”, até ensaia um cenário mais leve, mas somente para nos enganar: apesar de dançante, a canção se comporta como um número hipnótico, em que o vocal da musicista dança em meio a batidas enlouquecedoras, inserindo-se em um ambiente regado a muitas drogas sintéticas.

A décima e derradeira canção é “Everything”, condensando toda a forte temática emotiva do álbum em mais uma estrutura convidativa à dança, mostrando, de certa forma, o viés ascendente que envolve o conceito do álbum… Enquanto, no início, Cherry se utiliza de uma atmosfera dolorida para confessar ao público seus segredos, no fim ela apenas quer dançar; uma prova de que, mesmo em meio a tanta dor, o preceito que rege a mente da cantora é a ideia da superação. Nada mais plausível, afinal, a própria Neneh Cherry revelou o fato que motivou suas novas canções: ela as compôs, na companhia do seu marido, Cameron McVey, impulsionada pela perda de sua mãe (a artista plástica Monica Karlssom), ocorrida em 2009. Surpreso? Como, enfim, a cantora pode utilizar desse triste acontecido para, na parte final do disco, cair na dança?

Tudo é complexo e muito instável, e mesmo que seja muito difícil descrever as intenções de Cherry, há um ponto que é indiscutível: ela está mais do que certa. Ao voltar depois de tanto tempo, ela nos ajuda a perceber que nunca devemos duvidar dos velhos nomes, por mais esquecidos que eles estejam… Eles geralmente não perdem a capacidade, e grande seres que são, são capazes de se adaptar sem maiores problemas aos dias atuais. Afinal, Neneh Cherry mostra que é possível ser uma musicista com cinquenta anos de vivência e ter o mesmo pique de uma garota de vinte anos: apesar de ser veterana, sua obra continua carregada de frescor.

NOTA: 8,5

Track List:

01. Acroos the Water [03:28]

02. Blank Project [04:05]

03. Naked [03:57]

04. Spit Three Times [04:18]

05. Weightless [05:46]

06. Cynical [04:10]

07. 422 [05:21]

08. Out of the Black [05:15]

09. Dossier [05:12]

10. Everything [07:20]

Clipes & Singles: Semana 12/2014

Clipes & SinglesPhillip Long – Don’t Forget the Chorus

Não chega a ser uma novidade, mas mesmo assim surpreende: o incansável Phillip Long já está trabalhando em seu oitavo disco. Sempre disposto a apresentar novas facetas de seu íntimo, o músico agora embarca em um conceito de produção mais cru, sem contar com a corriqueira colaboração de Eduardo Kusdra. “Don’t Forget the Chorus”, a mais nova canção a ser apresentada, exala sentimentos através de seus rumos melancólicos, alocando o compositor em uma atmosfera que ele conhece muito bem.

Kim Deal – The Root

A saída de Kim Deal da banda Pixies não chegou a ser uma grande surpresa para quem acompanha o grupo, visto que a musicista está há algum tempo com vontade de investir em outros projetos. Ao liberar “The Root”, com direito a um clipe pra lá de Lo-Fi, Deal mostra que não se desgarrou completamente da sonoridade que sempre envolveu a sua antiga banda, construindo, porém, um número muito pequeno e invariável.

Justin Timberlake – Not a Bad Thing

Um vídeo documentado, que mostra a busca por um rapaz que pediu a mão de sua namorada em casamento ao som de Justin Timberlake: nada melhor para acompanhar a trilha extremamente romântica da canção “Not a Bad Thing”, presente na segunda parte da última experiência do astro pop. Enquanto a “investigação” ocorre, casais são convidados a depor sobre o amor e o casamento. Meninas, se derretam. Rapazes, já vão se preparando.

S. Carey – Crown the Pines

“Renge of Light”, o segundo disco de S. Carey, está se tornando o lançamento mais aguardado de 2014. Por quê? Dê o play no vídeo abaixo e veja. Em meio a uma carregada base sentimental, uma explosão sonora faz com que os Beach Boys encontrem o Coldplay, para depois se fundirem a Bon Iver e tudo se ligar ao Radiohead. Se não bastasse, uma incrível concepção de efeitos luminosos cria o cenário perfeito para a complexa base sonora. Que clipe, meus amigos!

Móveis Coloniais de Acaju – De Lá Até Aqui

Retirado do primeiro filme da Móveis Coloniais de Acaju, o clipe da faixa-título do último disco da banda mostra o conjunto se apresentando em uma pista de skate. “Mobília em Casa” será lançado em abril, e mostrará o grupo em vários pontos de sua terra natal, o Distrito Federal.

Neneh Cherry feat. Robyn – Out of the Black

Número que reúne Neneh Cherry e Robyn, a canção “Out of Black” agora ganha o seu vídeo clipe. Faixa do último disco de Cherry, o surpreendentemente “Blank Project”, a canção parece ser uma ode ao pop escandinavo, encontrando em uma concepção colorida a morada de sua estrutura visual.

A Banda Mais Bonita da Cidade – Um Cão Sem Asas

Depois do conceito “fofo” do clipe de “Potinhos”, agora chegou a vez da Banda Mais Bonita da Cidade investir em uma produção audiovisual referente ao “Lado B” de seu último disco, “O Mais Feliz da Vida”. Como cenário para o vídeo de “Um Cão Sem Asas”, o setor militar urbano de Brasília foi escolhido, dando ainda mais significado à canção e transfigurando-a em um “hino de guerra”.

Black Lips – Justice After All

Seja no palco ou em uma rua vazia, o pessoal do Black Lips interpreta “Justice After All” com uma energia invejável. O clipe dá imagens a mais uma faixa do disco “Underneath the Rainbow”, lançado recentemente.

Céu – Amor de Antigos

O vídeo produzido pelo coletivo Enoá para a canção “Amor de Antigos”, faixa do disco “Caravana Sereia Bloom”, acaba de ser oficializado por Céu como clipe. Uma escolha certeira, visto à grande qualidade da produção.

Criolo – Duas de Cinco/Cóccix-ência

O clipe do último single de Criolo, que contém as canções “Duas de Cinco” e “Cóccix-ência”, é uma verdadeira superprodução. Mostrando o que seria a realidade de uma favela no ano de 2044, o vídeo retrata os avanços tecnológicos, mas a inércia da sociedade, que não consegue tirar dos subúrbios o seu errôneo cotidiano. Segundo o rapper, “a desgraça consegue ser mais rápida que a tecnologia. Agora cada bairro tem a própria Cracolândia em sua porta. Pensamos em 2044, mas isso chegou em três meses”.