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Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [20-11]

20. Tune-Yards – Water Fountain

O ritmo, as referências e, principalmente, a criatividade de Merrill Garbus se encontram em seu ponto máximo na seminal “Water Fountain”, a amostra perfeita de toda a esquisitice (ou seria genialidade?) que engloba o projeto Tune-Yards… Impossível dizer o que é melhor: a espetacular percussão, as vozes perfeitamente encaixadas, a matadora linha de baixo ou as grandes variações. Tudo, no fim, acaba criando um número especialmente único.

19. Iceage – The Lord’s Favorite

A insanidade por trás da banda Iceage fica clara quando Elias Bender Rønnenfelt configura-se, em “The Lord’s Favorite”, em uma espécie de semi-deus pronto para aproveitar todos os pecados mundanos relativos principalmente à luxúria. Mas é a inteligência da canção que acaba marcando: diferente, até certo ponto desconexa com tudo o que o grupo havia feito até então. “The Lord’s Favorite” joga um inédito e excitante conjunto de referências sonoras ao post-punk, construindo um turbilhão sonoro que, além de impressionar, cheira a todo instante a novidade… Mesmo que se aproveite, no fim das contas, das mais antigas ideias. Uma canção, enfim, memorável.

18. Ex Hex – Don’t Wanna Lose

Reconfigurando um som que é basicamente gêmeo da música pop, as garotas da banda Ex Hex acabaram produzindo, quase sem querer, um dos maiores encontros do ano entre guitarras e melodia. “Don’t Wanna Lose” é uma canção simples, curta e direta, mas crava sua marca significando praticamente a perfeição em uma canção de power-pop: nervosa, dançante, caliente e impregnante.

17. St. Vincent – Digital Witness

Todo o estranho jogo proposto pela música de St. Vincent encontra conforto estético na explosão pop de “Digital Witness”. Bebendo, como sempre, do mais efervescente líquido da vanguarda musical dos anos setenta, fazendo do androgenismo experimentado por grandes nomes do passado, como David Bowie e Talking Heads, o seu grande dogma, Annie Clark acaba criando para si um universo particular, em que tudo acaba girando em torno de sua instigante persona.

16. S. Carey – Crown the Pines

Companheiro de Justin Vernon no projeto Bon Iver, S. Carey faz de sua carreira solo a perfeita extensão do trabalho de seu mais famoso companheiro. Em “Crown the Pines”, a música folk, sempre tão agarrada às raízes, acaba por percorrer novos caminhos em um claro sentido de reinvenção. Na canção, em meio a uma carregada base sentimental, uma explosão harmônica faz com que os Beach Boys encontrem o Coldplay, para depois se fundirem a Bon Iver e tudo se ligar ao Radiohead, criando, no fim, uma mágica canção.

15. Carne Doce – Sertão Urbano

Condomínios que oferecem o prazer maior dentro da cidade, o mato significando o progresso… Para o grupo Carne Doce, a natureza é o ponto de partida para uma canção que poderia até se tornar um hino para os ativistas do Greenpeace, uma grande discussão do boom urbano em detrimento do mato, mas que, na realidade, congrega em apenas uma canção toda a excitante mistura tropical proposta pelo conjunto – uma das grandes revelações de 2014.

14. Beck – Waking Light 

Uma das figuras mais mutáveis (e geniais) da música mundial, o californiano Beck voltou nesse ano com tudo à produção de estúdio. A melhor página desse novo capítulo da carreira do músico está em “Morning Phase”, que acompanha o teor acústico e orquestrado do clássico “Sea Change”, porém  com sentimentos de calmaria e contemplação. Faixa final do disco, “Waking Light” é um tratado melancólico e harmônico, representando a concepção sonora perfeita para o amanhecer.

13. Sharon Van Etten – Your Love Is Killing Me

“We Are There” marca a evolução definitiva de Sharon Van Etten… A belíssima “Your Love is Killing Me”, certamente uma das melhores canções desse ano, é apenas uma das provas do gigante talento da compositora nova-iorquina. Naturalmente sofrida, inserida em uma melodia fantástica e em um melodrama capaz de derrubar o maior dos machões, a canção contém uma das mais impressionantes explosões de sentimentos já ouvidas na música popular. Sem dúvida, um número primoroso.

12. Kendrick Lamar – i

Pra variar, Kendrick Lamar está de parabéns. Apresentando uma canção alegre, suave e positiva, o músico mostra que seu poderio pode ser infinito, até mesmo se colocando distante do teor pesado e político da obra-prima “good kid, m.A.A.d city”. “i” é uma música dançante que trata basicamente sobre paz, escancarando mais uma vez a sinceridade e a humanidade presentes na música de Lamar.

11. Os Irmãos Carrilho – Ela Quer te Ver

Os Irmãos Carrilho, dupla formada pelos curitibanos Alexandre Provensi e Matheus Godoy, se comporta como um dos projetos mais sinceros da atualidade. Afinal, quantos são os jovens brasileiros interessados em reviver de forma sincera a música de raiz? Se inspirando em antiguidades, eles fazem de “Ela Quer te Ver” um dos números mais belos e sensíveis de 2014, com seu romantismo puro e harmônico. Um verdadeiro deleite para os ouvidos.

Clipes & Singles: Semana 44/2014

Clipes & Singles

Drake – How Bout Now

Drake é um daqueles caras que nunca vão ser unanimidade… Após um 2013 glorioso, em que lançou o seu o melhor trabalho (e um dos melhores discos do ano), lá vem 2014 e a infeliz parceria com Nick Minaj na tenebrosa “Anaconda”. Seria o fim de Drake? Minaj teria arquitetado a lápide do famoso rapper canadense? Felizmente, o cara mostra que há vida após “Anaconda”: apenas uma das canções inéditas liberadas para audição pelo artista, “How Bout Now” mostra uma faceta que muitos ouvintes de Drake ainda não conheciam; uma concepção, digamos, mais “experimental”. “How Bout Now” é um número fluido, até certo ponto disforme, alocando o rapper em um cenário bem mais minimalista que o habitual.

Grouper – Made of Air

Esse ano de 2014 tem se destacado por revelar gratas surpresas ao grande público… E uma dessas é Grouper, uma daquelas “bandas de uma pessoa só”, encabeçada pela musicista Liz Harris, que lançou há pouco tempo “Ruins”, considerado por muita gente como um dos melhores discos do ano até aqui. Através da bonita canção “Made of Air”, o diretor Paul Clipson costurou um registro audiovisual muito bonito, capturando e “mixando” imagens de bucólicas paisagens.

Belle and Sebastian – The Party Line

E 2015 já começou! Pelo menos na agenda de lançamentos de discos… A primeira “grande boa nova” do ano que vem tende a ser “Girls in Peacetime Want to Dance”, marcando o retorno ao estúdio da banda Belle and Sebastian. Dançante e leve, o single dá algumas amostras do que podemos esperar deste novo álbum, mantendo baixas as expectativas.

Nação Zumbi – Defeito Perfeito

Vivendo uma nova etapa de sua carreira, a histórica banda Nação Zumbi segue com o processo de divulgação de seu último disco, autointitulado, lançado nesse ano. Para o clipe de “Defeito Perfeito”, o grupo resolveu mostrar imagens de seus sempre excitantes shows.

Sharon Van Etten – Your Love is Killing Me

“We Are There” marca a evolução definitiva de Sharon Van Etten… A belíssima “Your Love is Killing Me”, certamente uma das melhores canções desse ano, é apenas uma das provas do gigante talento da compositora nova-iorquina. Agora, a canção recebe sua versão em vídeo, através da direção de Sean Durkin e atuação de Carla Juri.

Flying Lotus – Ready Err Not

Steven Ellison é um artista genial? Sim. O Flying Lotus é um dos melhores projetos musicais da atualidade? Com certeza. Seu novo disco, “You’re Dead!”, está entre os melhores do ano? Não tenha dúvida disso. E seu clipe para “Ready Err Not” é uma experiência macabra totalmente descartável? Pior que sim. Veja apenas se você tem estômago forte.

Bombay Bicycle Club – Home By Now

De volta à sanidade mental, temos uma bela inspiração para o Bombay Bicycle Club e o vídeo de sua “Home By Now”: nada mais nada menos que Stanley Kubrick e uma de suas clássicas produções, o filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”, desbravador do gênero “ficção-científica”. O resultado ficou bem legal.

FKA Twigs – Video Girl

Como o mundo não é formado apenas por unicórnios fofinhos, voltamos às concepções mais “violentas” de vídeos. Dessa vez é FKA Twigs que nos revela um cenário descolorido e deprimente, em que a cantora interpreta a canção enquanto um presidiário é executado. Mas, diferente do vídeo de Flying Lotus, este apresenta um resultado decente: palmas para a produção de Kahlil Joseph.

Criolo – Convoque seu Buda

Uma das mais importantes vozes do rap nacional, Criolo apresenta seu novo disco, intitulado “Convoque seu Buda”, que tem a incumbência de suceder o já clássico “Nó na Orelha”. Produzido com maestria, e contando com um ótimo time de colaboradores, o disco mostra uma evolução técnica natural na carreira do rapper. A canção que dá nome ao disco é um número tradicional de Criolo, mas apresenta uma característica do rapper que só se acentua no novo disco: as rimas bagunçadas, com versos de difícil ligação.

Foo Fighters – Congregation

Em “Sonic Highways”, um probleminha é marcante: a satisfação da banda com o seu habitual. Pois “Congregation” é uma daquelas canções mais do que óbvias do Foo Fighters, e apesar de ser um single de potencial, mostra que Dave Grohl e seus amigos estão com dificuldades para renovar o som da banda – ou, pior ainda, que não estão trabalhando para isso.

Clipes & Singles: Semana 20/2014

Clipes & Singles

Ian Ramil – Suvenir

O gaúcho Ian Ramil, autor de um dos melhores discos nacionais de 2014 até agora, decidiu gravar um clipe para uma das faixas de “IAN”. O vídeo que dá iamgens à canção “Suvenir” traz imagens colhidas pelo próprio músico e por Laura Gastaud através de seus celulares entre dezembro de 2013 e março de 2014. Simples, mas bonito.

Damon Albarn – Mr. Tembo

Faixa mais alegrinha do disco “Everyday Robots”, “Mr. Tembo” agora ganha seu registro audiovisual. O clipe acaba mesclando imagens de um elefante órfão, que teria sido fonte de inspiração da composição, e de Damon Albarn executando a canção com sua banda, contando com o acompanhamento de um coral gospel. Esse é mais um vídeo de estrutura simplória, mas que consegue apresentar um assertivo resultado final.

Paul McCartney – Appreciate 

Dizer que Paul McCartney é um gênio é chover no molhado. Mesmo com sete décadas nas costas, o músico continua a levar a seu público uma música que, apesar de comprimir tudo o que ele já fez em sua carreira, consegue apresentar traços de inovação. Provas dessa ideia são apresentadas em “Appreciate”, faixa de seu último disco, “New”, que agora recebe um tratamento em vídeo que faz justiça à sua estrutura moderna. Entre uma sonoridade caótica, batidas sintéticas e um confronto entre o eletrônico e pueril, surge o robô Newman, visitando o que parece ser um “zoológico de humanos”. Nele está McCartney, disposto a ensinar ao androide algumas facetas da humanidade.

Emicida feat. Rael – Levanta e Anda

Emicida é um cara que sabe como vender o seu peixe. Além de ter construído em “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui” um dos melhores álbuns nacionais de 2013, o músico não nega o poder “cinematográfico” de suas canções ao transformá-las em ótimos clipes. Nova canção do músico a receber um belo tratamento em vídeo, “Levanta e Anda” aterrissa, obviamente, na periferia, com seu vídeo centrado nos sonhos e na realidade das crianças da favela.

Sharon Van Etten – Everytime the Sun Comes Up

Sharon Van Etten sempre esbanjou sensibilidade, e em seu novo registro audiovisual, refente à música “Everytime the Sun Comes Up”, não poderia ser diferente. Mostrando o cotidiano ora feliz ora triste de um ator de terror old-school, a cantora mostra ter acertado mais uma vez em suas escolhas, abrindo espaço para a louvação que seu novo disco, “Are We There”, deverá receber.

Arcade Fire – We Exist

Além de manter uma altíssima qualidade em seus lançamentos de estúdio, o Arcade Fire também está se acostumando a lançar ótimos clipes. O novo vídeo dos canadenses, que dá imagens à canção “We Exist”, conta com a participação de Andrew Garfield, protagonista da nova franquia de filmes do Homem-Aranha. Na pele de um travesti, o famoso ator participa de uma briga em um boteco, sofre com as consequências, imagina uma utopia e dá as caras em um dos shows da banda, que está na estrada com uma turnê extremamente bem-sucedida.

Jack White – Just One Drink

Que o lado caipira de Jack White aflorou quando o músico resolveu se embrenhar em carreira solo, todo mundo já sabe. E é sem muitas surpresas, mas trazendo a já esperada qualidade musical, que o artista apresenta mais uma canção que fará parte de seu novo álbum, “Lazaretto”. “Just One Drink” é um número fortemente ligado à música country, e certamente agradará quem já havia curtido o disco “Blanderbuss”.

Le1f – Sup

Le1f é um sujeito diferente. Basta olhar para sua figura e ouvir a sua música para perceber isso, mas a verdade é que essa história vai muito mais além. Confessamente homossexual, o rapper tem sofrido uma enxurrada de críticas dentro de seu gênero, sempre tão machista e ostentador. Em resposta às opiniões preconceituosas, o músico tem apresentado novas facetas de sua criativa base sonora, e se credencia como um dos nomes mais promissores do hip-hop. Sua mais nova produção é o clipe de “Sup”, canção que faz parte de seu último EP, “Hey”.

The Pains of Being Pure At Heart – Until the Sun Explodes

Os desenhos de ação dos anos oitenta formam o norte inspirador do novo clipe da banda The Pains of Being Pure At Heart, produzido para dar imagens à faixa “Until the Sun Explodes”, que integra o novo disco do conjunto, “Days of Abandon”. Levando a banda para além dos limites do nosso planeta, o vídeo apresenta um resultado legal, apesar de se assemelhar muito à proposta do Daft Punk no clipe de “One More Time”.

The Kooks – Around Town

O The Kooks está investindo pesado em seus novos caminhos, que convergirão no novo disco da banda, de lançamento previsto para o dia 1º de setembro. Para dar imagens ao single “Around Town”, os ingleses permearam seu trabalho na produção de um violento curta-metragem sobre em que a vingança é o ponto principal. Além disso, o clipe é confessamente inspirado no trabalho do diretor Quentin Tarantino.

Clipes & Singles: Semana 18/2014

Michael Jackson ft. Justin Timberlake – Love Never Felt So Good

Michael Jackson morreu já faz tempinho, mas mesmo no além o músico “continua a produzir” bons encontros do pop com suas heranças musicais negras, que datam da longínqua época em que ele fazia parte do coletivo The Jackson 5. Canção que poderia muito bem ter feito parte de algum dos álbuns clássicos do músico, “Love Never Felt So Good” encontra na participação de Justin Timberlake um link com os rumos atuais da música pop, demonstrando a intenção mais do que óbvia da Sony com estes lançamentos póstumos: faturar, através de canções nunca lançadas, alguma grana em cima do nome do falecido rei do pop.

Sharon Van Etten – Every Time the Sun Comes Up

Quem acompanha este blog tem visto que, ultimamente, Sharon Van Etten vem recebendo um bom destaque por aqui. Por quê? Não somente por causa de seu futuro trabalho, o disco “We Are There”, a ser lançado no fim do mês de maio, mas também devido à qualidade indiscutível de suas novas composições. “Every Time the Sun Comes Up” felizmente segue a mesma ideia, deixando o público ainda mais ansioso quanto ao lançamento do novo álbum da musicista.

Coldplay – A Sky Full of Stars

E o Coldplay, hein? Se o título brega de seu novo single já assusta, o que dizer de uma colaboração da banda, que um dia já foi muito respeitada, com o produtor Avicii? “A Sky Full of Stars” é uma música de conceito alegrinho, que será sucesso nas casas de dança mundo afora, fará parte da trilha-sonora de alguma novela da Globo… Mas que faz com que Chris Martin e seus pupilos percam todo o respeito que ainda detinham.

Parquet Courts – Black and White

Quem provavelmente não nos decepcionará é o Parquet Courts, que parece bordar seu próximo disco, “Sunbathing Animals”, com ótimas faixas. Menos energética e insana que a faixa-título do trabalho, mas igualmente assertiva, “Black and White” prova que a banda pode se agarrar a um conceito simples e constante, e mesmo assim soar dinâmica. Afinal, tudo que entorna o grupo do Brooklyn é curto, grosso, um sentimento até mesmo estúpido (no bom sentido), regado ao mais despreocupado clima do “fuck yeah”.

Pharrell Williams – Smile

Na última semana, uma música que acabou ficando de fora do novo disco solo de Pharrell acabou sendo liberada para audição: a positiva “Smile” até tem uma letra bacaninha, mas bastam os (pobres) arranjos eletrônicos virem à tona para o ouvinte perceber porque a canção não fez parte do álbum “G.I.R.L.”.

Röyksopp & Robyn – Do It Again

“Do It Again”, entretanto, é uma canção eletrônica daquelas que te inspiram e te enchem de energia. Um dos resultados da parceria entre o produtor Röyksopp e a cantora Robyn, a canção se desenvolve em uma dinâmica dançante e atraente, e deve fazer parte do trabalho colaborativo dos músicos, um EP de cinco faixas com lançamento marcado para o dia 25 de maio.

The Hold Steady – I Hope This Hole Thing Didn’t Frighten You

Você tem uma banda que costuma mandar muito bem no palco, e te faltam ideias para produzir um novo clipe… O que você faz? A ideia não é nem um pouquinho nova, mas costuma dar certo: faz uma boa filmagem da banda tocando ao-vivo, toma cuidado na escolha das imagens, e pronto: eis, em mãos, um bom registro audiovisual. Pois é isso mesmo o que acontece com o clipe de “I Hope This Hole Thing Didn’t Frighten You”, o novo single do The Hold Steady… E o resultado, no fim das contas, não deixa a desejar.

Nação Zumbi – Cicatriz

Mas quem caprichou pra valer em seu novo clipe foi o pessoal da Nação Zumbi. Dando imagens ao principal single de seu novo trabalho, o disco “Nação Zumbi”, o clipe de “Cicatriz” é marcado pela metáfora, tratando as cicatrizes como a marca da passagem do tempo nos personagens do vídeo. Quando o álbum será lançado? Pois já foi lançado nesse dia 5 de maio, amigo… Ouça lá!

Kasabian – eez-eh

Junho é um mês que promete, pelo menos musicalmente: nele, vários discos aguardados serão lançados. Um desses trabalhos é “48:13”, o novo álbum do Kasabian, cujo primeiro single agora ganha um clipe: se trata de “eez-eh”, uma animada canção, através da qual os integrantes da banda dançam em um cenário preto e branco (e rosa). A maior curiosidade fica para a aparência do vocalista Tom Meighan: vai dizer que ele não tá parecendo o jogador Daniel Alves?

The Black Keys – Fever

Embora ainda nem tenha sido lançado oficialmente, “Turn Blue”, o novo disco do The Black Keys, tem divido opiniões: o que não é nada surpreendente quando um projeto musical muda drasticamente os seus rumos sonoros, não é mesmo? O fato é que o duo decidiu deixar as guitarras descansando um pouco, investindo em um som mais pautado nos sintetizadores… uma velha polêmica que você já deve conhecer. Para encerrar essa edição do Clipes & Singles, fique com o clipe de “Fever”, e tire suas próprias conclusões.

Clipes & Singles: Semana 14/2014

Clipes & Singles

Parquet Courts – Sunbathing Animal

O Parquet Courts é uma banda visivelmente emergente, que daqui algum tempo terá tudo para ser um dos novos nomes mais aclamados do cenário alternativo. Autores de “Light Up Gold”, o disco mais insano de 2012, os nova-iorquinos do Brooklin voltam com uma canção ainda mais anárquica: “Sunbathing Animal” é uma demonstração colossal de energia, uma exímia representante das surpresas que o punk rock ainda pode pregar nos ouvintes mais atentos.

Katy B – Still

Da urgência frenética do Parquet Courts para o recolhimento e a amargura de Katy B. Atualmente a artista mais aplaudida do pop eletrônico, a britânica de cabelos ruivos se entregou às suas tristes confissões no seu segundo trabalho, o elogiado “Little Red” – um disco que fez até roqueiros barbudos elogiarem um trabalho confessamente pop, eletrônico e de audição facilitada até mesmo para os seguidores de modismos. No clipe de “Still”, todo o teor intimista de “Little Red” é trazido à tona com assertividade, mostrando que os sentimentos mais íntimos podem, certamente, se agarrar a uma proposta musical mais comercial.

Sharon Van Etten – Taking Chances

Sharon Van Etten é uma artista que deve ser elogiada… Afinal, se a música folk se renovou e voltou a ser relevante, pulsante e nova, é devido a um time de novos artistas do qual a nova-iorquina faz parte. “Taking Chances” é um ótimo aperitivo do novo álbum que está por vir, já foi elogiada até nessa mesma seção do blog, mas por que um clipe tão ruim para uma canção tão certeira? Talvez a maior culpa nem caiba ao diretor do vídeo, Michael Palmieri, mas sim à própria Van Etten, que mesmo tendo dificuldade para atuar, exagera no “carão”.

Karine Carvalho e Bárbara Eugênia – Pessoa Loka

O que vocês andaram fumando, meninas? Algo lícito é que não deve ser, levando em consideração o vídeo lançado para “Pessoa Loka”. Mostrando uma faceta mais pop de Bárbara Eugênia – uma cantora que até agora estava mais ligada ao blasé (com “Journal de Bad”), ao brega (com “É o que Temos”) e ao folk (com o projeto Aurora) – a canção viaja no psicodelismo com um vídeo colorido e pra lá de doidão, do qual ainda participam Xico Sá, Tatá Aeroplano e Tulipa Ruiz. Se você lembrar do pop oitentista de Rita Lee, não estará pensando errado.

Lana Del Rey – Meet Me in the Pale Moonlight

Quando estreou pra valer com o disco “Born to Die”, Lana Del Rey não era nada além de um grande ponto de interrogação: quem ela era, para onde ela iria? Aos poucos, as dúvidas começaram a ser respondidas, e agora, em 2014, a moça prepara o que parece ser seu primeiro grande trabalho: o disco “Ultraviolence”. Produzido por Dan Auerbach, do duo The Black Keys, o registro já vem apresentando bons aperitivos – caso de “Meet Me in the Pale Moonlight” e seu bom passeio pelos anos setenta, que acaba lincando-a ao álbum “Random Access Memories”. Uma canção vintage e atual ao mesmo tempo.

Phillip Long – Tidal Wave

Se nos sete discos que já havia lançado o paulista Phillip Long já conseguia atingir com tudo a nossa alma, imagina agora, quando ele resolveu escrever inspirado pela banda The Smiths, e contando com uma produção mais crua? De fato, o músico parece rumar para seu trabalho mais intenso até aqui. Intitulado “A Blue Waltz”, e com lançamento previsto para o dia 7 de junho, o novo álbum acaba de ganhar mais um belo e convincente aperitivo com a bela canção “Tidal Wave”.

How to Dress Well – Repeat Pleasure

Outro grande trabalho esperado para o mês de junho é o novo álbum de Tom Krell no projeto How to Dress Well. “What Is the Heart?” deve apresentar uma nova faceta da música do produtor, e inseri-lo em uma posição de destaque dentro da cena pop atual. Com uma produção límpida, e uma grande condensação de gêneros e referências, o músico vem apresentando formidáveis facetas de seu novo trabalho… Enfim, é só clicar no play abaixo para perceber porque a crítica tem elogiado tanto os novos rumos artísticos do How to Dress Well.

Cloud Nothings – I’m Not A Part of Me

A música jovial (e noventista) de Dylan Baldi e da sua aclamada banda Cloud Nothings nunca foi tão bem representada: seja com o disco “Here and Nowhere Else” ou com o clipe do poderoso single “I’m Not a Part of Me”, as obsessões do músico encontraram uma morada perfeita, deixando bem claros quais são os conceitos do conjunto. No vídeo abaixo, uma festa íntima de garotas adolescentes acompanha com acerto os rumos energéticos da canção.

Jack White – High Ball Stepper

Quer ouvir guitarras? Mr. Jack White resolve a sua situação com um instrumental excepcional: “High Ball Stepper” é a primeira música a ser revelada do próximo disco do músico, “Lazaretto”, que terá a incumbência de suceder o clássico moderno “Blunderbuss”, de 2012. Pelo jeito, para sorrisos eternos da crítica e do público, esse novo trabalho será igualmente ótimo. Mais um para o mês de junho.

Leo Cavalcanti – Get a Heart

Ao se entregar à música pop, Leo Cavalcanti parece ter encontrado seu caminho, sua identidade sonora. Única faixa em inglês do competente disco “Despertador”, “Get a Heart” acaba de ganhar um icônico registro audiovisual, em que o músico interpreta a canção (da sua própria maneira) pelas paisagens de Berlim.

Clipes & Singles: Semana 10/2014

Clipes & Singles

Coldplay – Magic

Para anunciar a data de lançamento de seu novo álbum, “Ghost Stories”, a banda inglesa Coldplay resolveu liberar mais uma canção inédita de seu catálogo para audição. Se trata de “Magic”, canção que encontra na base eletrônica inserida pelo produtor Paul Epworth um cenário de novidade para os rumos sonoros do grupo. “Ghost Stories” deve sair no dia 19 de maio.

Arctic Monkeys – Arabella

Depois de se tornarem os maiores vencedores da última edição do Brit Awards, os ingleses do Arctic Monkeys resolveram lançar em clipe uma das faixas de maior destaque de seu último disco, “AM”. No vídeo produzido para “Arabella”, ousados cortes de câmeras refletem um clima todo sensual.

Silva – Universo

Se em “Janeiro” e “É Preciso Dizer” o capixaba Silva parece revisitar (da sua própria maneira) melodias cantaroláveis características dos anos oitenta, agora, em “Universo”, uma constante colagem de sons e alocações bem pensadas de loops tornam a terceira canção a ser compartilhada do álbum “Vista Pro Mar” em um número que se agarra mais à sonoridade de “Claridão” – embora com um teor mais voltado à contemplação. Mais uma bela canção para o que promete ser um grande disco.

Sharon Van Etten – Taking Chances

“Are We There”, o novo disco de Sharon van Etten, está para ser lançado no dia 27 de maio. E é apresentando um notável crescimento que a cantora compartilha “Taking Chances”, a primeira canção do novo trabalho a ser revelada. Esbanjando classe, a artista mostra que o novo álbum tem tudo para suceder muito bem o aclamado “Tramp”.

Janelle Monéa – What Is Love

Produzida especialmente para a trilha sonora do filme “Rio 2”, a nova canção de Janelle Monéa, como não poderia deixar de ser, soa como uma verdadeira ode ao clima tropical do Brasil. Misturando aspectos do samba e do axé, a nova canção surge como uma das melhores músicas brasileiras já feitas por artistas gringos nos últimos anos.

Franz Ferdinand – Erdbeer Mund

Para dar imagens ao seu recém-lançado single em alemão, a banda Franz Ferdinand se entregou à zoeira. Em um vídeo pra lá de psicodélico e com aspecto Lo-Fi, o guitarrista Nick McCarthy veste-se com sua irmã e dança com pouca desenvoltura em “Erdbeer Mund”, canção voltada ao público germânico.

Broods – Never Gonna Change

Em um clipe repleto de simbolismos é que o duo Broods dá força a seu single “Never Gonna Change”, faixa presente no EP de estreia do projeto de Georgia e Caleb Nott, lançado no último mês de fevereiro. Unindo um clima de romance com um ambiente úmido, o registro audiovisual é delineado pela imersão.

St. Vincent – Del Rio

Lançada como faixa bônus no Japão e Lado B do single “Digital Witness”, “Del Rio” parece soar como um complemento às complexas estruturas arquitetadas por Annie Clark em seu último trabalho sob a alcunha de St. Vincent. Envolta por uma estrutura de guitarras tortas e desconstrução constante, a artista volta a nos surpreender com sua impecável verve experimental – e, ao mesmo tempo, pop.

Run the Jewels – Run the Jewels

Lançando o registro audiovisual da canção que dá título ao projeto (bem como ao primeiro disco) do projeto encabeçado por EL-P e Killer Mike, os rappers parecem querer dar um ponto final à promoção de seu aclamado, bem como aquecem os motores para o lançamento do segundo disco do Run the Jewels, previsto ainda para 2014.

The Men – Pearly Gates

Apresentando ao seu público o seu mais novo disco, “Tomorrow’s Hits”, a banda The Men revelou o vídeo de “Pearly Gates”, uma das faixas do álbum. Gravado na estrada, e estrelado por malandros e policiais, o clipe consegue, de forma curiosa, alcançar os conceitos anárquicos da canção.

Lista: Os 10 Melhores Álbuns para Pensar na Vida

O Pensador

Aaah, a vida… Não é nada fácil, né amigo? Como diz o dito popular, é como rapadura: doce, porém dura. Por isso, não são poucos os momentos em que nos vemos obrigados a deitar por aí e refletir sobre nossos caminhos. Embora muitas vezes seja um exercício penoso, existem músicas que podem nos ajudar. Por isso, este humilde blog selecionou o que considera os 10 melhores discos para deitar, fechar os olhos e refletir sobre a nossa vida, conferindo canções que nos façam pensar com mais clareza.

Five Leaves Left1969: Five Leaves Left – Nick Drake

Gênero: Folk

Um mestre da melancolia, Nick Drake construiu, ao longo de sua rápida carreira, um dos mais brilhantes catálogos de canções da história da música folk – e em apenas três discos. Pessoa demasiadamente fechada, Drake inflou suas concepções com seus mais íntimos sentimentos, em um sentido de enclausuramento (necessário para as reflexões), mas ao mesmo tempo capaz de se aproximar perfeitamente das emoções do ouvinte.

Seu primeiro álbum, “Five Leaves Left”, é um tratado sobre a alma. Levando uma vida solitária, Drake não economizou nos pensamentos intimistas, refletindo em suas músicas seus mais profundos anseios. Faixas poéticas e de extrema beleza, como “River Man”, “Way to Blue” e “Day Is Done” representam a perfeição reflexiva, escancarando emoções através de acordes ricos e versos de incrível qualidade.

Um álbum feito para ser ouvido, sentido e meditado, “Five Leaves Left” é um trabalho perfeito para colocarmos nossas emoções no mais alto patamar de nossas decisões. Portanto, naqueles momentos reflexivos, esqueça-se do que é racional, exato, e apenas sinta os pensamentos fluírem através das formidáveis canções de Nick Drake. (Leia a resnha do disco)

As Quatro Estações1989: As Quatro Estações – Legião Urbana

Gênero: Rock Alternativo

Se houve um músico brasileiro que conseguiu tocar a alma dos ouvintes com versos de inquestionável inteligência, este foi Renato Russo. À frente do Legião Urbana, uma das mais lendárias bandas de nossa música, o compositor produziu a mais refinada carreira da história do rock nacional. Afinal, através de suas letras profundas, Renato traduziu dores, amores, decepções, indignações e filosofias em uma base musical capaz de atingir a todos, independente de idade, escolaridade, sexualidade e classe social.

Considerado como o disco mais “profético” da banda brasiliense, “As Quatro Estações” foi concebido em um momento de introspecção. Após o trágico show realizado no Estádio Mané Garrincha, em que a confusão generalizada (que acarretou em centenas de pessoas feridas) levou à suspensão não só daquele concerto, mas de toda a turnê, a banda voltou-se apenas para o trabalho em estúdio – e, como resultado, lançaria canções ainda mais pensativas.

Repleto de números que filosofam sobre os rumos do homem e da sociedade, o disco é morada de sucessos como “Pais e Filhos”, “Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto”, “Monte Castelo”, “Maurício” e “Meninos e Meninas”, canções dentre as quais Renato Russo se sentiu à vontade para tratar dos mais variados temas, como as relações familiares, a intolerância, o preconceito e, obviamente, o amor. Porém, independentemente do que lhe faça pensar sobre a vida, saborear os lirismos fantásticos de Renato Russo parece ser a maneira mais adequada para se chegar a uma proveitosa reflexão.

Tramp2012: Tramp – Sharon Van Etten 

Gênero: Folk/Indie

A expressão sisuda de Sharon Van Etten e as cores (ou a falta delas) que estampam o capa de “Tramp” já parecem deixar bem claros os caminhos pelos quais o disco é guiado. Mas é importante dizer que nem só de amarguras o álbum é feito; aqui mora um dos melhores sensos composicionais dos últimos anos.

Inserida nas ideias tradicionais da música folk, mas atenta às atualidades através dos flertes com o indie rock de Beirut, The National e Radiohead, a artista construiu um disco tristonho, mas atraente do início ao fim. É bom o ouvinte deixar de lado a ideia pronta de “tristeza absoluta” e flutuar pelas melodias reconfortantes, que aconchegam nossos ouvidos enquanto Van Etten dispara seus versos capazes de acertar diretamente o alvo de nossas emoções. A compositora fala sobre a sua vida, mas através de tamanha sensibilidade, torna-se impossível não partilhar com ela os nossos próprios sentimentos.

Dinâmico, melancólico e profundamente sentimental, o álbum se mostra como mais uma ferramenta certeira para meditarmos sobre o que a vida tem feito com a gente (ou o que estamos fazendo com ela). Perdeu o emprego, brigou com o namorado, ou teve qualquer outro tipo de decepção? Deixe que Sharon Van Etten, através de “Tramp”, partilhe suas emoções com você. (Leia a resenha do disco)

Wish You Were Here1975: Wish You Were Here – Pink Floyd

Gênero: Rock Progressivo

Centrado nas relações pessoais, o nono álbum de estúdio do Pink Floyd, considerado uma das maiores obras da história da música, foi inspirado no ex-membro da banda Syd Barret. Lamentando a ausência do músico, o álbum filosofa sobre os descaminhos da convivência social do ser humano. Escritas por Roger Waters, as letras do disco deixam claro o sentimento de que a camaradagem desfrutada pela banda anteriormente já não estava mais presente.

Um tratado sobre a mais sincera amizade, bem como sobre os mais falsos sentimentos, “Wish You Were Here” não cansa de criticar a superficialidade em que a maioria das inter-relações se apoiam: “Welcome to the Machine”, por exemplo, procura sintetizar a traição dos nobres sentimentos em função dos interesses em lucro e sucesso. “Shine On You Crazy Diamond” é um claro tributo a Barret, carregado de uma sincera emoção, enquanto “Wish You Were Here”, a canção, é uma das mais perfeitas explanações da saudade.

Além de emocionalmente tocante, não há como deixar passar a incrível maneira do Pink Floyd executar musicalmente suas ideias conceituais. Com melodias soberbas e uma produção atmosférica que nos prende a todo instante, “Wish You Were Here” consegue escancarar constantemente a sua áurea de sabedoria. Se as reflexões devem resultar em decisões inteligentes, este clássico do rock progressivo talvez seja um dos melhores meios para alcançar tal resultado: um álbum perfeito para analisar como você tem tratado as outras pessoas, e vice-versa.

The Dreaming1982: The Dreaming – Kate Bush

Gênero: Art Pop

Enquanto a grande maioria dos álbuns introspectivos se agarram a uma sonoridade serena, esta obra-prima de Kate Bush vaga por uma atmosfera diferente. Denso e intenso, “The Dreaming” se caracteriza por ser uma verdadeira guerra de sentimentos, mesclando referências de forma especialmente combativa, nada tranquila, em que a compositora demonstra sua visão de mundo ao inserir-se na mente de pessoas em estado de tensão. É personificando-se em bandidos, soldados, e até na esposa do famoso ilusionista Houdini, que Bush reflete suas emoções.

Tratando sobre variados temas, como a duvidosa evolução da humanidade, a esquizofrenia que sentimos no mundo atual, as coisas elusivas da vida, os perigos do egocentrismo e as relações controladoras, Kate Bush construiu não apenas um marco em sua discografia, mas um número imperdível. Ao conferir “The Dreaming”, torna-se inevitável viajar pelas propostas da artista, que brinca constantemente com os sentimentos que envolvem a tensão, a rápida tomada de decisões sobre assuntos de grande complexidade.

Nem sempre as reflexões precisam ser tranquilas. Às vezes, só uma batalha com nossas ideias e sentimentos chacoalha a nossa mente para ficarmos aptos a atingir nossos anseios. Para estes momentos, se o que se pede é uma música emotiva, mas de forte personalidade, “The Dreaming” se candidata como uma apropriada audição. (Leia a resenha do disco)

OK Computer1997: OK Computer – Radiohead

Gênero: Rock Alternativo

A abstração proposta pelo Radiohead em “OK Computer” não poderia passar em branco nesta lista. Ao transformar a orientação por guitarras de “The Bends” em contemplação de cenários, Thom Yorke e sua trupe acabaram construindo um dos mais aclamados registros da história da música alternativa. Através de fragmentos do dia-a-dia, o disco se caracterizou como a mais assertiva concepção musical sobre o mundo moderno.

Ao falar sobre tecnologia, transporte, insanidade, morte, globalização e capitalismo, a banda entregou ao público um registro perfeito para meditarmos os rumos desse mundo que nos cerca, e como podemos nos inserir em seus conceitos. Contendo verdadeiros clássicos do rock, como “Paranoid Android”, “Karma Police” e “No Surprises”, “OK Computer” ainda se comporta como um trabalho atual: afinal, infelizmente, os problemas e dilemas do mundo continuam os mesmos.

Reflexivo por si só, o disco nos leva a uma viagem por atmosferas mínimas que acabam explodindo em grandiosidades. Experimental, denso e emotivo, e sendo até hoje considerado como a maior obra já realizada pela banda inglesa, o registro é, ainda, a melhor representação da vida moderna em forma de música. Como é perfeitamente compreensível que o ouvinte flutue pelos cenários e melodias que vão se posicionado perfeitamente ao longo da obra, não há como negá-la como um dos melhores discos para serem ouvidos durante uma reflexão. Afinal, “OK Computer” é praticamente um mantra do rock alternativo.

canções_de_apartamento-cícero2011: Canções de Apartamento – Cícero

Gênero: MPB/Indie

Escancarando influências e sentimentos, o carioca Cícero Lins projetou, em “Canções de Apartamento”, o melhor álbum da música brasileira no ano de 2011. Enclausurando-se em seu apartamento, e de lá observando todas as obsolências dos cenários urbanos, o compositor produziu um impecável conjunto de canções que, apesar de introspectivo, acabou alcançando as paixões do público.

Capaz de surpreender em toda a sua duração, o disco é notável pela sua incrível sensibilidade, transformando um cenário tão cotidiano e artisticamente irrelevante em música sutil e cativante. Apesar de escancarar as emoções íntimas de Cícero, as canções de apartamento não tiveram dificuldade em se conectar aos sentimentos do público: nada egoístas, servem como um prato cheio para nossas próprias reflexões.

Canções como “Tempo de Pipa”, “Ensaio Sobre Ela” e “Pelo Interfone” acabaram se tornando clássicos da nova MPB, mas o álbum, obviamente, é muito mais do que isso: uma ponderação completa da solidão e do bucolismo recorrentes da vida contemporânea, procura contrastes e alegorias, com muita inteligência e sensibilidade, para mostrar os perigos que as artificialidades que dia-a-dia pode nos impor. (Leia a resenha do disco)

In the Aeroplane Over the Sea1998: In the Aeroplane Over the Sea – Neutral Milk Hotel

Gênero: Indie Rock/Lo-Fi

Extremamente rico, seja nas letras, nos instrumentais ou nos sentimentos, o último álbum do Neutral Milk Hotel se comporta como um dos grandes clássicos da música Lo-Fi. Demonstrando o ápice artístico de Jeff Mangum, o disco, segundo muitos, é construído segundo um tema conceitual: a vida e morte de Anne Frank, uma das mais famosas vítimas do holocausto nazista, cujo diário, publicado em 1947, acabou se tornando uma das maiores obras da literatura do século XX.

Profundo e fugindo de qualquer obviedade, “In the Aeroplane Over the Sea” é um álbum naturalmente excitante, que prende através de sua excepcional sonoridade e das temáticas emotivas: se não fosse a alta carga sentimental, talvez o álbum não fosse o clássico que hoje é. E álbuns sentimentais, por consequência, são ótimos para aquele momento em que decidimos parar para pensar: as letras inteligentes, as melodias envolventes e o vocal carregado de emoção de Jeff Mangum proporcionam uma audição marcante para quando estamos deitados, de olhos fechados, apenas pensando na vida.

Wave1967: Wave – Antonio Carlos Jobim

Gênero: Bossa Nova

A bossa nova é, naturalmente, um gênero voltado à introspecção. E quando falamos de um dos maiores maestros da história da nossa música, com um dos melhores álbuns brasileiros dos anos sessenta, o resultado reflexivo não poderia ser melhor. Uma das cabeças mais inteligentes que já apareceram na música tupiniquim, Antonio Carlos Jobim, o Tom, marcou seu nome na história através de sua incrível qualidade composicional.

E em 1967, aproveitando a notoriedade recebida pela bossa nova nas terras do Tio Sam, Tom tratou de lançar um álbum fundamental. Ao contrário dos demais registros desta lista, “Wave” não prende pelas palavras. É um álbum quase inteiramente instrumental, em que podemos perceber, como nunca, a incrível qualidade dos arranjos propostos pelo maestro. A faixa-título, apesar de conter uma das mais belas letras da história da MPB, é um exemplo de que a música de Tom Jobim também é capaz de nos prender apenas pelo seu instrumental.

Tranquilo, inserindo a brisa litorânea do Rio de Janeiro em suas canções, o registro caminha durante suas dez composições em um sentido de oposição à intriga. “Wave” é um álbum perfeito para nos fazer pensar porque o seu conceito melódico nos mostra quão reconfortantes podem ser as forças da natureza. Resumindo, sempre existe beleza além das paredes de seu quarto.

Funeral2004: Funeral – Arcade Fire

Gênero: Indie Rock

O nome já diz tudo: “Funeral” é um álbum que tem como conceito a morte. Um dos mais aclamados discos da década passada, a estreia dos canadenses do Arcade Fire é construído acima de um tema mórbido, mas salientando, constantemente, a existência da esperança. Com suas letras sentimentalmente profundas e seus instrumentais excitantes, o álbum se mostrou capaz de elevar a nome da jovem banda ao supra-sumo da música, transformando os integrantes em verdadeiros queridinhos de uma nova geração de ouvintes.

A incrível sensibilidade utilizada pela banda faz com que exista beleza na partida de um ente querido. Mais do que chorar a saudade, “Funeral” amplifica as boas lembranças, e não à toa pende, em alguns momentos, a uma genuína celebração. A morte, ironicamente, pode servir para celebrar a vida.

E é através desse conceito que o álbum não discute apenas o fim, mas a vida que existe antes dele. Mesmo que as coisas estejam difíceis, que algo tenha lhe decepcionado profundamente, há uma vida inteira ainda pela frente. Como ela é única, procure sempre pensar em como você tem a vivido, a fim de aproveitá-la da melhor maneira possível.

OBS.: Para a construção da lista, foram selecionados álbuns de diferentes gêneros e diferentes épocas. Caso você tenha gostado (ou não), não deixe de comentar.

2012: Tramp – Sharon Van Etten

A certeza de que a magia da música nunca se findará é quando surgem novos nomes que surpreendem. Sharon Van Etten é um destes nomes, uma cantora oriunda de Nova Jersey, moradora da miscelânea que é o bairro do Brooklyn, que faz de sua sonoridade folk a força de seus trabalhos. É ainda melhor quando estes novos nomes fazem diferente, e Van Etten faz; não espere o ouvinte aquele folk-rock tradicional, de Bob Dylan ou Leonard Cohen – ela flerta com rock alternativo, e isso faz com que a sua música tenha uma personalidade única e forte. De sua personalidade, aliás, surge “Tramp”, um álbum introspectivo.

Muitos álbuns introspectivos cometem o erro de mergulhar em poços de água parada e suja, ou seja, no marasmo. Devemos lembrar que tais poços são locais ideais para a procriação dos mosquitos da dengue, e para que nenhum mal aconteça, é necessário que nada esteja tão parado, ou que pelo menos haja uma espécie de veneno. “Tramp” tem algum tipo de veneno, um bom veneno, capaz de eliminar os mosquitos da preguiça e do mais-do-mesmo, tornando o ambiente saudável e livre de contaminações. Nada também está parado; por mais que o disco seja um registro fundamentado em músicas calmas, e até certo ponto com melodias tristonhas, o dinamismo das inteligentes ideias de Sharon Van Etten torna “Tramp” um álbum excitante, onde os tranquilos riffs só são uma base para suas ótimas letras.

A amargura de Van Etten pode ser sentida. “Tramp” é mais um álbum que se apóia em temas como relacionamentos, e com um olhar negativo sobre eles; poderia soar como muitas outras tantas coisas que exploram a mesma visão, mas Van Etten consegue soar original – seu coração em pedaços pode ser compartilhado com o ouvinte, pois é provável que se sinta os sentimentos da cantora em suas músicas (pois até mesmo na capa é possível senti-los). Mas apesar de Van Etten não estar muito feliz ou descontraída, seus sentimentos amargos se mostram um entretenimento interessante, harmonicamente delicados e especialmente intensos.

A primeira faixa, a competente “Warsaw”, é já uma boa mostra do que virá: folk de qualidade, com melodias calmas e elementos indie, com alguma coisa de Beirut ou The National. Com uma primeira faixa convincente, acaba criando-se uma grande expectativa, que é atendida com excelência na próxima, “Give Out”, ainda mais sensível que a primeira, com uma melodia bela, uma letra competente e um vocal que se assemelha a muitos já feitos por Thom Yorke. “Serpents” continua a surpreender, com arranjos instrumentais de alta qualidade, que formam uma boa base para Van Etten demonstrar todos seus sentimentos. Apesar de “Tramp” se mostrar um álbum basicamente sentimental, ele não comete o erro comum de ser exagerado, passando, para a nossa sorte, longe de ares puramente sisudos.

“Kevin’s” é uma belíssima canção, capaz de dar todas as provas necessárias da grande qualidade presente nas músicas de Van Etten. Por mais que se dê muito mais destaque às letras, seu vocal também é elogiável, elegante e sereno, um dos principais pontos desta agradável audição. A mais alternativa, ou seja, a mais indie de todas, pode muito bem ser “Leonard”, mais uma faixa interessante, dinamicamente forte, mas que na primeira audição pode até estranhar. “In Line” é uma das mais tristonhas, melancólicas, mas nem por isso deixa de ser forte, contendo uma letra impecável e se destacando por ser um verdadeiro turbilhão, um furacão de sentimentos.

“Tramp” é um álbum consistente, e apesar de não ser um trabalho que possa ser considerado genial, faz Van Etten atingir um alto patamar, tornando-a um dos nomes mais emergentes do cenário folk-rock mundial. Com as igualmente boas “All I Can”, “We Are Fine” e “Magic Chords”, ela continua a conseguir o feito de demonstrar seus sentimentos francos e tristes, transformando-os em riqueza lírica e confiança (trabalhando tudo com muita sinceridade, com letras penetrantes que demonstram toda a sua personalidade).

Além de tudo, o final do álbum é certeiramente arrebatador; “Ask” se inicia normal, como uma música acústica qualquer, comum, mas vai crescendo absurdamente, apoiada pelos versos penetrantes e pelo vocal perfeitamente concreto de Van Etten. Do violão tranquilo do início da faixa anterior, chega-se à sofrida “I’m Wrong”, em que há um interessante e agradável desespero, consciente e contido. Desculpe o ouvinte se os adjetivos anteriores não são tão corretos para denotar um desespero, mas Van Etten faz com que absurdos se tornem sentimentos normais à percepção do ouvinte – e é esta funcionalidade uma das grandes graças de “Tramp”. Fugir do óbvio é algo sempre louvável.

“Joke or a Lie” é a última, e já mostra uma mulher esgotada e sombria, que quer dar acordes finais ao seu terceiro álbum; isso não é um defeito, pois lembre-se que “Tramp” é um álbum sentimental – na verdade, a atuação de Van Etten é correta em toda a gravação. Há poucos pontos negativos a serem destacados no álbum, mas para as pessoas mais impacientes, um pouco mais de dinamismo instrumental seria bem-vindo. Mas, acima de tudo, “Tramp” é liricamente impecável, certeiro quanto à sua intenção.

Trabalhos novos são sempre bem-vindos, e quando agradam são mais ainda. Quando se trata de um trabalho novo de um novo nome, a alegria dos que gostam de música é evidente, e nos faz crer que o pensamento negativo da expressão “tudo está perdido” não passa de uma bobagem absurda. Sheron Van Etten dá a certeza que novos nomes são sim capazes de construir músicas ricas, sensíveis, fortes e sinceras.

NOTA: 8,1

Track List:

01. Warsaw [02:29]

02. Give Out [04:21]

03. Serpents [03:04]

04. Kevin’s [04:04]

05. Leonard [03:50]

06. In Line [04:46]

07. All I Can [04:56]

08. We Are Fine [03:51]

09. Magic Chords [03:58]

10. Ask [03:24]

11. I’m Wrong [03:57]

12. Joke or a Lie [04:02]

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