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Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [40-31]

40. Merchandise – Green Lady

Apesar dos grandes avanços tecnológicos, o toque humano continua a ser imprescindível. A sensibilidade ainda é necessária. Em “Green Lady”, a banda Merchandise mostra que, mesmo brincando com os anos oitenta (em uma estrutura sonora que pode até lembrar alguns trabalhos do Talk Talk), entende os dias atuais como poucas. Tudo na canção é cuidadosamente alocado, criando um conjunto adorável que só existe porque todos os seus elementos estão lá em perfeita harmonia: retire a guitarra ou o vocal da canção, por exemplo, e verá que o que era completo desmoronou. “Green Lady” é o que pode se chamar de música perfeitamente bela.

39. Röyksopp & Robyn – Do It Again

A força do dance-pop europeu – mais precisamente, o nórdico – está longe de desaparecer. E quem está aqui para provar isso é a dupla de produtores Röyksopp e a veterana Robyn, com “Do It Again”, a grande música eletrônica de 2014. Uma canção energética ao extremo, hipnotizadamente dançante, que inspira. Uma pedida perfeita para ouvir logo depois de acordar, começando o dia com tudo.

38. Drake – How Bout Now

Drake é um daqueles caras que nunca vão ser unanimidade… Após um 2013 glorioso, em que lançou o seu o melhor trabalho (e um dos melhores discos do ano), lá vem 2014 e a infeliz parceria com Nick Minaj na tenebrosa “Anaconda”. Seria o fim de Drake? Minaj teria arquitetado a lápide do famoso rapper canadense? Felizmente, o cara mostra que há vida após “Anaconda”: “How Bout Now” mostra uma faceta que muitos ouvintes de Drake ainda não conheciam; uma concepção, digamos, mais “experimental”. “How Bout Now” é um número fluido, até certo ponto disforme, alocando o rapper em um cenário bem mais minimalista que o habitual. Experimental e surpreendente, esse é o Drake que queremos.

37. Azealia Banks – Chasing Time

Toda a genialidade de Azealia Banks como rapper e toda a qualidade da produção que há por trás dela mostram-se em primor em “Chasing Time”, um dos fortes números de “Broke With Expensive Taste” – o disco eternamente adiado que viu finalmente a luz do dia no segundo semestre desse ano. Sempre provocante e irônica, Banks mergulha em uma base sonora riquíssima, sendo impossível sequer apontar todos os gêneros que a canção possui. Além de tudo, temos a oportunidade de descobrir as qualidades de Azealia Banks como… cantora! Sensacional.

36. Hundred Waters – Murmurs

O trabalho da banda Hundred Waters pode ser comparado ao de um artista plástico: bordar cenários (abstratos ou não) para escancarar sentimentos. Daria para dizer, além disso, que o grupo seria um daqueles pintores sensíveis, que empunham o pincel com a maior sutileza do mundo. Afinal, a música da banda é muitas vezes quieta, quase invisível… Portanto, seu trunfo acaba ficando nos detalhes. Com ouvidos atentos, o público pode saborear toda a profunda beleza de “Murmurs”, uma canção que parece resumir toda a dimensão sonora do Hundred Waters em poucos minutos. Uma canção sublime.

35. The War on Drugs – Red Eyes

O teor sentimental de “Lost in Dream”, até agora o grande trunfo da carreira da Adam Granofsky, pegou muita gente de surpresa. Distante do teor psicodélico da música do ex-colega Kurt Vile, o músico acabou criando, mesmo enraizando-se na música folk, um grande disco pop, repleto de verdadeiros hinos emotivos. E o mais brilhante deles certamente é “Red Eyes”, uma canção que sai do sofrimento, do choro, para também mostrar a vitória… Afinal, a vida de ninguém é feita somente de derrotas, certo? Para acompanhar, um instrumental memorável, que nos fará recordar de sua melodia por muito tempo.

34. FKA twigs – Two Weeks

As velhas heranças do R&B são tratadas por FKA twigs com um olhar constantemente voltado para o futuro. Em sua nova faixa, “Two Weeks”, a música negra encontra o future garage, e os vocais cheios de personalidade se derramam em arranjos etéreos… Tudo, no fim, construindo um teor atmosférico: uma impressionante produção. O remodelamento do passado para construir a música dos dias que ainda estão por vir: esse é, no fundo, o ciclo natural da passagem do tempo na arte.

33. Mac DeMarco – Brother

Mac DeMarco é insano, doidão mesmo. Por isso, é impressionante o controle de seus instintos no calmo “Salad Days”, seu último disco – e especialmente em “Brother”, a melhor das faixas. Melancólica, mesmo sem ser triste, a canção se comporta como o magnum opus de DeMarco como compositor, mostrando que há, no fundo, grande sensibilidade por trás de sua loucura.

32. Ariana Grande feat. Iggy Azalea – Problem

Ariana Grande é um daqueles produtos óbvios da música pop dos Estados Unidos: depois de estrelar um seriado teen, parte para um trabalho fonográfico pop e altamente radiofônico, contando com o apoio de uma grande gravadora, com produtores renomados e muito dinheiro a ser investido. Surpreende, porém, que mesmo em meio a tantas obviedades, a jovem consegue ser um ponto fora dessa curva em que estão estacionadas cantoras como Selena Gomez e Miley Cyrus. Ariana faz diferente; sua música é grudenta, tocará muito nas rádios ao redor do mundo, mas não deixa de flertar com elementos ricos… Em “Problem”, canção que conta com a participação da rapper Iggy Azalea, o apelo pop se encontra com um fantástico loop de saxofone, dando um brilho a mais aos vocais plásticos e às excitantes batidas sintéticas. Enfim, um primor em produção.

31. Jack White – Lazaretto

Uma música pode resumir toda a carreira de um músico consagrado? Segundo “Lazaretto”, a canção, sim: afinal, nenhuma canção de Jack White é tão completa quanto esta em questão: há country, blues, rock e indie, além de uma explosão energética, e tudo em número curto e grosso, com menos de quatro minutos de duração. Se “Lazaretto”, o disco, não foi tão bom quanto esperávamos, sua faixa-título não deixa de ser excepcional: uma das melhores músicas de 2014.

Clipes & Singles: Semana 23/2014

Clipes & Singles

Freddie Gibbs & Madlib – Deeper

A união do veterano Freddie Gibbs, um dos ícones do gangsta rap, com Madlib, um dos maiores produtores da história do hip hop, acabou gerando um dos melhores trabalhos do ano, o disco “Piñata”. Uma das boas faixas do álbum, “Deeper” agora ganha um clipe, em que Freddie Gibbs interpreta um personagem que encara a vida depois de sair da prisão.

American Football – Never Meant

Esse vídeo tem tudo para ser o mais curioso da história da seção Clipes & Singles. Isso porque dá imagens a uma canção lançada há 15 anos. Isso mesmo! Se trata da música “Never Meant”, presente no último disco lançado pela banda American Football, lá no longínquo ano de 1999. O vídeo se passa na casa que está presente na capa do álbum, e acompanha as idas e vindas de um jovem casal.

Rodrigo Amarante – Hourglass

Pois é, o tempo passa… Muito mais recente que o último trabalho da American Football, o primeiro disco em carreira solo de Rodrigo Amarante, “Cavalo”, lançado no ano passado, agora tem mais uma de suas faixas transformada em vídeo. Se trata de “Hourglass”, cujo clipe, dirigido pelo próprio Amarante, estaciona nos conceitos de filmagem dos anos 50 para discutir a passagem do tempo. Mais um ótimo trabalho do ex-hermano.

Giorgio Moroder – Giorgio’s Theme

Grande lenda da disco music, o italiano Giorgio Moroder acaba de lançar uma nova canção para uma compilação: se trata da fantástica “Giorgio’s Theme”, que mostra que o veterano, após ser revivido pelo Daft Punk, continua produzindo com igual qualidade, e antenado com as novidades da música eletrônica. Sem dúvida, Moroder é um cara que deve ser reverenciado.

Jack White – Lazaretto

“Lazaretto”, o segundo álbum em carreira solo de Jack White já está dando as caras por aí, e a faixa que dá título ao trabalho ganha um clipe tão explosivo quanto os rumos sonoros da canção. No vídeo, Jack White e sua banda quebram tudo – literalmente.

Samira Winter – Eu e Eu

Um dos novíssimos nomes da música alternativa brasileira, a jovem Samira Winter se agarra com tudo nas letras simples, nas guitarras barulhentas e nas melodias convidativas do Lo-Fi dos anos 90. No clipe da simplória “Eu e Eu”, canção de “Todo Azul”, o primeiro EP da moça, imagens da turnê da banda de Winter são mostradas, representando toda a simplicidade que engloba o início de uma carreira.

How to Dress Well – Face Again

Tom Krell parece estar disposto a fazer de “What Is This Heart?” não apenas o melhor trabalho do projeto How to Dress Well, mas a aproximação definitiva do músico ao público de massa. Como é possível fazer essa afirmação? Acompanhando os singles que rechearão o registro, cujo lançamento está previsto para o dia 23 de junho. “Face Again”, que marca o segundo clipe de uma trilogia centrada no conceito “vida e morte”, representa a partida do ancião que estava doente no primeiro vídeo, o que acaba abalando profundamente o jovem casal.

Ella Eyre – If I Go

Uma das grandes revelações da música mundial quanto à voz, Ella Eyre agora resolveu vencer a gravidade em seu novo clipe, produzido para a canção “If I Go”. Preparando seu primeiro trabalho de longa duração, a jovem anda pelas paredes de um cômodo branco, na companhia de dois dançarinos, enquanto solta seu vozerão.

Washed Out – Weightless

Clipe bonito é com o Washed Out. Dando imagens a mais uma canção de “Paracosm”, último trabalho do projeto, lançado em agosto de 2013, Ernest Greene faz do clipe de “Weightless” um belíssimo tratado sobre a saudade. Sensibilidade é o que não falta à bela sequência de imagens que você pode apreciar logo abaixo no player.

Parquet Courts – Black and White

Energia ilimitada, acordes econômicos e um espírito anárquico… Seria o ano de 1977 e o movimento punk que estremeceu as estruturas da Inglaterra? Na verdade, se trata de mais uma canção de uma das melhores bandas norte-americanas da atualidade, chamada Parquet Courts – um nome já familiar para quem acompanha o blog. Acompanhando o lançamento do ótimo disco “Sunbathing Animal”, foi lançado o clipe de “Black and White”, que traz imagens com tratamento Lo-Fi em… preto e branco, oras!

Clipes & Singles: Semana 20/2014

Clipes & Singles

Ian Ramil – Suvenir

O gaúcho Ian Ramil, autor de um dos melhores discos nacionais de 2014 até agora, decidiu gravar um clipe para uma das faixas de “IAN”. O vídeo que dá iamgens à canção “Suvenir” traz imagens colhidas pelo próprio músico e por Laura Gastaud através de seus celulares entre dezembro de 2013 e março de 2014. Simples, mas bonito.

Damon Albarn – Mr. Tembo

Faixa mais alegrinha do disco “Everyday Robots”, “Mr. Tembo” agora ganha seu registro audiovisual. O clipe acaba mesclando imagens de um elefante órfão, que teria sido fonte de inspiração da composição, e de Damon Albarn executando a canção com sua banda, contando com o acompanhamento de um coral gospel. Esse é mais um vídeo de estrutura simplória, mas que consegue apresentar um assertivo resultado final.

Paul McCartney – Appreciate 

Dizer que Paul McCartney é um gênio é chover no molhado. Mesmo com sete décadas nas costas, o músico continua a levar a seu público uma música que, apesar de comprimir tudo o que ele já fez em sua carreira, consegue apresentar traços de inovação. Provas dessa ideia são apresentadas em “Appreciate”, faixa de seu último disco, “New”, que agora recebe um tratamento em vídeo que faz justiça à sua estrutura moderna. Entre uma sonoridade caótica, batidas sintéticas e um confronto entre o eletrônico e pueril, surge o robô Newman, visitando o que parece ser um “zoológico de humanos”. Nele está McCartney, disposto a ensinar ao androide algumas facetas da humanidade.

Emicida feat. Rael – Levanta e Anda

Emicida é um cara que sabe como vender o seu peixe. Além de ter construído em “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui” um dos melhores álbuns nacionais de 2013, o músico não nega o poder “cinematográfico” de suas canções ao transformá-las em ótimos clipes. Nova canção do músico a receber um belo tratamento em vídeo, “Levanta e Anda” aterrissa, obviamente, na periferia, com seu vídeo centrado nos sonhos e na realidade das crianças da favela.

Sharon Van Etten – Everytime the Sun Comes Up

Sharon Van Etten sempre esbanjou sensibilidade, e em seu novo registro audiovisual, refente à música “Everytime the Sun Comes Up”, não poderia ser diferente. Mostrando o cotidiano ora feliz ora triste de um ator de terror old-school, a cantora mostra ter acertado mais uma vez em suas escolhas, abrindo espaço para a louvação que seu novo disco, “Are We There”, deverá receber.

Arcade Fire – We Exist

Além de manter uma altíssima qualidade em seus lançamentos de estúdio, o Arcade Fire também está se acostumando a lançar ótimos clipes. O novo vídeo dos canadenses, que dá imagens à canção “We Exist”, conta com a participação de Andrew Garfield, protagonista da nova franquia de filmes do Homem-Aranha. Na pele de um travesti, o famoso ator participa de uma briga em um boteco, sofre com as consequências, imagina uma utopia e dá as caras em um dos shows da banda, que está na estrada com uma turnê extremamente bem-sucedida.

Jack White – Just One Drink

Que o lado caipira de Jack White aflorou quando o músico resolveu se embrenhar em carreira solo, todo mundo já sabe. E é sem muitas surpresas, mas trazendo a já esperada qualidade musical, que o artista apresenta mais uma canção que fará parte de seu novo álbum, “Lazaretto”. “Just One Drink” é um número fortemente ligado à música country, e certamente agradará quem já havia curtido o disco “Blanderbuss”.

Le1f – Sup

Le1f é um sujeito diferente. Basta olhar para sua figura e ouvir a sua música para perceber isso, mas a verdade é que essa história vai muito mais além. Confessamente homossexual, o rapper tem sofrido uma enxurrada de críticas dentro de seu gênero, sempre tão machista e ostentador. Em resposta às opiniões preconceituosas, o músico tem apresentado novas facetas de sua criativa base sonora, e se credencia como um dos nomes mais promissores do hip-hop. Sua mais nova produção é o clipe de “Sup”, canção que faz parte de seu último EP, “Hey”.

The Pains of Being Pure At Heart – Until the Sun Explodes

Os desenhos de ação dos anos oitenta formam o norte inspirador do novo clipe da banda The Pains of Being Pure At Heart, produzido para dar imagens à faixa “Until the Sun Explodes”, que integra o novo disco do conjunto, “Days of Abandon”. Levando a banda para além dos limites do nosso planeta, o vídeo apresenta um resultado legal, apesar de se assemelhar muito à proposta do Daft Punk no clipe de “One More Time”.

The Kooks – Around Town

O The Kooks está investindo pesado em seus novos caminhos, que convergirão no novo disco da banda, de lançamento previsto para o dia 1º de setembro. Para dar imagens ao single “Around Town”, os ingleses permearam seu trabalho na produção de um violento curta-metragem sobre em que a vingança é o ponto principal. Além disso, o clipe é confessamente inspirado no trabalho do diretor Quentin Tarantino.

Clipes & Singles: Semana 17/2014

Dum Dum Girls – Rimbaud Eyes

Apesar de submersas nas águas turvas do post-punk, as garotas do Dum Dum Girls fazem de seu novo clipe, relativo à canção “Rimbaud Eyes”, uma grande animação envolvida por cenários cheios de cor. Brincando com paisagens psicodélicas e com o misto do bi com o tridimensional, a banda demonstra grande acerto no vídeo, que se mostra um bom chamativo para o ouvinte experimentar o último trabalho das meninas, o disco “To True”.

Pharrell Williams – Marilyn Monroe

“Marilyn Monroe” é uma das boas faixas de “G.I.R.L.”, o último disco de Pharrell Williams… Mas seu clipe, convenhamos, não é nenhuma grande gravação. Passeando por cenários repletos de mulheres, o músico e seu inseparável (e “discreto”) chapéu tentam alcançar o título do álbum através de uma pobre progressão de imagens, com coreografias de qualidade duvidosa e um resultado final que, no fim, deixa muito a duvidar: principalmente se levarmos em consideração o alto orçamento que o produtor tem em mãos.

Jack White – Lazaretto

O novo álbum de Jack White, a ser lançado em junho, será um grande trabalho… Será que alguém tem argumentos para discordar disso? Depois de apresentar a  incrível “High Ball Stepper” semanas atrás, agora o músico revela a faixa-título de seu novo disco: uma canção que parece resumir, em menos de quatro minutos, quem é Jack White. Uma energia proeminente, uma base rica que mistura indie, blues, rock e country e um grande dinamismo funcionam como um resumo de toda a carreira do artista… E não à toa, formam uma grande canção.

Damon Albarn – Heavy Seas of Love

Com o lançamento de “Everyday Robots”, o britânico Damon Albarn está escrevendo um curioso capítulo de sua carreira. Distante das bases sonoras tanto do Blur quanto do Gorillaz, o músico pretende bordar uma atmosfera unicamente sua. Provas dessa ideia podem ser verificadas no clipe de “Heavy Seas of Love”, que, igualmente ao vídeo anterior, referente à faixa “Lonely Press Play”, foi filmado pelo próprio artista, e incluindo paisagens de lugares por onde o músico passou nos últimos anos.

Lily Allen – Sheezus

A inglesa mais insana da música pop está realmente de volta com tudo. No clipe da faixa-título de seu novo trabalho, “Sheezus”, Allen polemiza ao citar de forma não tão positiva não somente Kanye West, mas outros nomes conhecidos da música pop. A intenção da cantora, segundo seu humor ácido, é se tornar a maior de todas as divas.

Far From Alaska – Politiks

O primeiro disco do Far From Alaska vem aí… E como não encará-lo como um dos lançamentos nacionais mais aguardados de 2014? Com uma sonoridade fortemente pautada nos aspectos mais pesados (e puros) do rock, o grupo potiguar está liberando para audição mais uma faixa do disco “modeHuman”. “Politiks”, uma canção que detém influências que vão do blues ao Daft Punk, parece ser um resultado de toda aquela verve democrática que deu o ar de sua graça nos protestos do ano passado, se comportando como um hino aos rumos errôneos tomados por nossos representantes.

Tune-Yards – Water Fountain

Totalmente insano: assim é o novo clipe de Merrill Garbus com o seu projeto Tune-Yards. Vai dizer que a mulher não é louca, fala sério? Cores, expressões malucas, e o cheiro das mais diversas substâncias permeando o andamento nonsense deixam claro que, embora não consigamos adivinhar o que a moça andou fumando, as drogas tiveram influência mais do que concisa para a construção do vídeo. Mas não deixe que a canção escape entre suas mãos: com um condensado rítmico impecável e um amontoado de referências, “Water Fountain” se comporta como um brilhante aperitivo para o disco “Nikki Nack”.

Gouveia Phill – Serena 

Quer viajar? Então curta o que o Felipe Augusto, do Glue Trip, está preparando para o primeiro EP de seu projeto Gouveia Phill: a faixa “Serena” se desenvolve em um instrumental incrível, que lida com várias texturas e uma grande atmosfera de camadas com admirável competência… A canção pode ser uma surpresa para muitos, mas é algo mais do que esperado para quem conhece a participação do cara no duo mais brilhante da música pop tupiniquim.

Neneh Cherry – Everything

Autora de um dos discos mais brutais dos últimos tempos, o ótimo “Blank Project”, Neneh Cherry faz agora, de seu novo clipe, uma extensão natural para a obra. Com a ajuda do famoso diretor Jean-Baptiste Mondino, a artista constrói um vídeo de conceito simples, mas totalmente assertivo: enquanto Cherry dança e aos poucos se aproxima da câmera, o espectador fica hipnotizado, completamente preso à performance da cantora.

London Grammar – Sights

Os grupo britânico London Grammar, que representa a terra da Rainha Elizabeth na revolução estética que está ocorrendo na música pop, não mede esforços para, através de vídeos, promover seu primeiro disco, “If You Wait”. “Sights”, uma das faixas do álbum, é a nova canção a receber contornos audiovisuais.

Clipes & Singles: Semana 14/2014

Clipes & Singles

Parquet Courts – Sunbathing Animal

O Parquet Courts é uma banda visivelmente emergente, que daqui algum tempo terá tudo para ser um dos novos nomes mais aclamados do cenário alternativo. Autores de “Light Up Gold”, o disco mais insano de 2012, os nova-iorquinos do Brooklin voltam com uma canção ainda mais anárquica: “Sunbathing Animal” é uma demonstração colossal de energia, uma exímia representante das surpresas que o punk rock ainda pode pregar nos ouvintes mais atentos.

Katy B – Still

Da urgência frenética do Parquet Courts para o recolhimento e a amargura de Katy B. Atualmente a artista mais aplaudida do pop eletrônico, a britânica de cabelos ruivos se entregou às suas tristes confissões no seu segundo trabalho, o elogiado “Little Red” – um disco que fez até roqueiros barbudos elogiarem um trabalho confessamente pop, eletrônico e de audição facilitada até mesmo para os seguidores de modismos. No clipe de “Still”, todo o teor intimista de “Little Red” é trazido à tona com assertividade, mostrando que os sentimentos mais íntimos podem, certamente, se agarrar a uma proposta musical mais comercial.

Sharon Van Etten – Taking Chances

Sharon Van Etten é uma artista que deve ser elogiada… Afinal, se a música folk se renovou e voltou a ser relevante, pulsante e nova, é devido a um time de novos artistas do qual a nova-iorquina faz parte. “Taking Chances” é um ótimo aperitivo do novo álbum que está por vir, já foi elogiada até nessa mesma seção do blog, mas por que um clipe tão ruim para uma canção tão certeira? Talvez a maior culpa nem caiba ao diretor do vídeo, Michael Palmieri, mas sim à própria Van Etten, que mesmo tendo dificuldade para atuar, exagera no “carão”.

Karine Carvalho e Bárbara Eugênia – Pessoa Loka

O que vocês andaram fumando, meninas? Algo lícito é que não deve ser, levando em consideração o vídeo lançado para “Pessoa Loka”. Mostrando uma faceta mais pop de Bárbara Eugênia – uma cantora que até agora estava mais ligada ao blasé (com “Journal de Bad”), ao brega (com “É o que Temos”) e ao folk (com o projeto Aurora) – a canção viaja no psicodelismo com um vídeo colorido e pra lá de doidão, do qual ainda participam Xico Sá, Tatá Aeroplano e Tulipa Ruiz. Se você lembrar do pop oitentista de Rita Lee, não estará pensando errado.

Lana Del Rey – Meet Me in the Pale Moonlight

Quando estreou pra valer com o disco “Born to Die”, Lana Del Rey não era nada além de um grande ponto de interrogação: quem ela era, para onde ela iria? Aos poucos, as dúvidas começaram a ser respondidas, e agora, em 2014, a moça prepara o que parece ser seu primeiro grande trabalho: o disco “Ultraviolence”. Produzido por Dan Auerbach, do duo The Black Keys, o registro já vem apresentando bons aperitivos – caso de “Meet Me in the Pale Moonlight” e seu bom passeio pelos anos setenta, que acaba lincando-a ao álbum “Random Access Memories”. Uma canção vintage e atual ao mesmo tempo.

Phillip Long – Tidal Wave

Se nos sete discos que já havia lançado o paulista Phillip Long já conseguia atingir com tudo a nossa alma, imagina agora, quando ele resolveu escrever inspirado pela banda The Smiths, e contando com uma produção mais crua? De fato, o músico parece rumar para seu trabalho mais intenso até aqui. Intitulado “A Blue Waltz”, e com lançamento previsto para o dia 7 de junho, o novo álbum acaba de ganhar mais um belo e convincente aperitivo com a bela canção “Tidal Wave”.

How to Dress Well – Repeat Pleasure

Outro grande trabalho esperado para o mês de junho é o novo álbum de Tom Krell no projeto How to Dress Well. “What Is the Heart?” deve apresentar uma nova faceta da música do produtor, e inseri-lo em uma posição de destaque dentro da cena pop atual. Com uma produção límpida, e uma grande condensação de gêneros e referências, o músico vem apresentando formidáveis facetas de seu novo trabalho… Enfim, é só clicar no play abaixo para perceber porque a crítica tem elogiado tanto os novos rumos artísticos do How to Dress Well.

Cloud Nothings – I’m Not A Part of Me

A música jovial (e noventista) de Dylan Baldi e da sua aclamada banda Cloud Nothings nunca foi tão bem representada: seja com o disco “Here and Nowhere Else” ou com o clipe do poderoso single “I’m Not a Part of Me”, as obsessões do músico encontraram uma morada perfeita, deixando bem claros quais são os conceitos do conjunto. No vídeo abaixo, uma festa íntima de garotas adolescentes acompanha com acerto os rumos energéticos da canção.

Jack White – High Ball Stepper

Quer ouvir guitarras? Mr. Jack White resolve a sua situação com um instrumental excepcional: “High Ball Stepper” é a primeira música a ser revelada do próximo disco do músico, “Lazaretto”, que terá a incumbência de suceder o clássico moderno “Blunderbuss”, de 2012. Pelo jeito, para sorrisos eternos da crítica e do público, esse novo trabalho será igualmente ótimo. Mais um para o mês de junho.

Leo Cavalcanti – Get a Heart

Ao se entregar à música pop, Leo Cavalcanti parece ter encontrado seu caminho, sua identidade sonora. Única faixa em inglês do competente disco “Despertador”, “Get a Heart” acaba de ganhar um icônico registro audiovisual, em que o músico interpreta a canção (da sua própria maneira) pelas paisagens de Berlim.

2012: Blunderbuss – Jack White

Blunderbuss

Por: Renan Pereira

Ao iniciar sua carreira solo, Jack White se credencia a ser um dos principais nomes do cenário musical atual. O músico, que teve seus momentos de maior sucesso ao lado de sua ex-esposa, Meg White, no projeto The White Stripes, e já tocou nas bandas The Raconteurs e The Dead Water, é, sem dúvida, um dos mais talentosos de sua geração. Desde o início do White Stripes, lá nos anos noventa, Jack já mostrava capacidade para grandes criações, trazendo, para um som alternativo, bem garageiro, todas as ideias clássicas do blues.

Co-autor, ou até mesmo autor principal de alguns dos melhores trabalhos dos últimos tempos (o talento de sua ex-esposa sempre foi discutido), Jack é uma daquelas figuras necessárias para o rock atual. O White Stripes foi responsável por influenciar uma nova geração inteira de roqueiros, incluindo bandas e músicos que voltaram a ter a percepção de catar, do passado, os elementos necessários para fazer, com brilhantismo, a música do futuro. Se hoje o rock continua a crescer e se reinventar, um dos grandes culpados é Jack White.

Mas, em seu primeiro álbum solo, o cara tratou de nos surpreender novamente. Não por coisas novas, pois “Blunderbuss” apresenta pouco – ou quase nada – de inovações, e seu som é muito parecido com o que seu criador vem fazendo nos últimos tempos. Mas nem sempre as surpresas vem de inovações… Tanto que Jack mostra estar se embebedando cada vez mais em referências clássicas, sejam elas de trinta ou até mesmo sessenta anos atrás. Revisitando muitos elementos que ajudaram a construir a música norte-americana, em todo o século passado, Jack nos apresentou um trabalho capaz de flertar intensamente com blues e country music, mas tudo dentro dos mesmos espírito e cenário alternativo que ele tem vivido desde o início de sua carreira musical.

O que se esperava de “Blunderbuss” foi cumprido. Foram dois anos de trabalho, e pelo jeito todo o tempo gasto valeu a pena. Alojado em seu estúdio, Jack mostrou ter absorvido tudo o que de melhor fez em sua carreira, e experiente como nunca, nos traz um disco que certamente se destaca como um dos mais competentes que ele já fez. Tudo começa com “Missing Pieces”, que de tecladas minimistas cresce para se tornar um blues-rock fortíssimo; não há muito de guitarra, a canção é desenvolvida bastante em cima de teclados, mas quando o solo aparece, os riffs se mostram impregnantes.

Para os mais saudosistas fãs do White Stripes, “Sixteen Saltines” traz toda a energia existente nos trabalhos da extinta dupla; os riffs são sensacionais, com arranjos pesados que nos trazem de volta toda aquela pegada garageira dos primeiros trabalhos do músico. “Freedom at 21” pode até soar estranha no começo, mas acaba se desenvolvendo como um blues-rock moderno e impecável, com guitarras fortes e de criatividade absurda; os vocais também são interessantíssimos, com o timbre característico de White em uma de suas melhores performances. Se muitos ainda consideravam Jack White um músico superestimado, o próprio trata de espantar qualquer pingo de desconfiança logo no início do álbum, que vai demonstrando ser de alta qualidade.

“Love Interruption” é uma canção de amor, triste como só ela pode ser, com uma letra doída que mostra a enorme evolução que White tem vivido como compositor; de belíssima melodia, a canção se credencia a ser uma das melhores do álbum, contando com instrumento de sopro e com uma mágica segunda voz feminina. Talvez o corvo no ombro e a expressão carrancuda de Jack White na capa do álbum queiram demonstrar um homem triste, ainda machucado pela separação com sua segunda esposa, Karen Elson. Se as letras tristes de “Blunderbuss” se referem mesmo ao recém quebrado relacionamento do músico não sabemos dizer, e realmente, aliás, não nos cabe dizer… mas que White está afiado, ah, isso está! Suas melhores letras sempre foram aquelas que se referiam ao sexo feminino, e parece que, desta vez, esta qualidade só aumentou. Se este olhar de White é triste, pêsames para ele – mas bom para os ouvintes, que ganham um material de apreciável beleza.

A faixa título é a quinta, inspiradíssima em country, e lindamente construída em piano e violão. Piano, aliás, é o que não falta na fantástica “Hypocritical Kiss”, que conta com arranjos maravilhosos, e mostra a aproximação cada vez maior de White ao clássico. Belíssimos arranjos também aparecem na sétima faixa, “Weep Themselves to Sleep”, que contém interações piano/guitarra inspiradíssimas, e que ajudam a perfazer uma das canções mais brilhantes deste álbum. Das seguintes, “I’m Shakin'” e “Trash Tongue Talker”, se ouve mais dois fortíssimos blues-rock, que continuam a mostrar todo o especial talento de Jack White. Com isso, “Blunderbuss” vai se desenvolvendo com uma coesão absurda, onde nenhuma faixa se mostra desconexa ou desencontrada; todas acabam se completando.

“Hip (Eponymous) Poor Boy” é uma daquelas músicas que vinte anos atrás você jamais imaginaria (e daria risada de quem imaginasse) que Jack White faria; de influências absolutamente clássicas, com um espírito folclórico, a canção pode aterrissar no folk-rock dos anos sessenta, ou até mesmo em tempos anteriores – e isto é prova do quão maduro e seguro é o Jack White de hoje, capaz de reviver elementos antigos sem deixar que sua música soe estranha ou desconexa com a realidade atual. Assim também é a igualmente ótima “I Guess I Should Go to Sleep”, que arrasa nos arranjos, com um instrumental impecavelmente perfeito.

“On and On and On” seria um bom título para algumas canções de melodia preguiçosa que tem sido lançadas, mas Jack White o trata bem, deixando-o para uma canção pulsante, de bela melodia, com arranjos que novamente merecem um destaque especial. “Take Me with You When You Go”, assim como a faixa anterior, é melodicamente fortíssima, mas com um diferencial: se aventura um pouco mais; apesar de se inciar simples, aos poucos vai pegando o ouvinte de calças curtas, com riffs audaciosos alocados em um alicerce country-rock. Uma ótima faixa final para “Blunderbuss”, visto que o álbum é, realmente, surpreendente. Não reinventa a roda, mas pode ter certeza que a deixa ainda mais perfeitamente redonda.

E “Blunderbuss” é, deste modo, um trabalho que prova que, para surpreender, não é extremamente necessário se construir coisas absurdamente novas. O álbum tem muito de rock clássico, boas pitadas de The Raconteurs e White Stripes, mas, acima de tudo, mostra um músico que, ainda curtindo o ápice de sua criatividade, se encontra numa fase de total confiança. Mas tudo tem uma lógica, visto que, mesmo ainda sendo considerado “da nova geração”, sua carreira já chega aos vinte anos. E, se for pra continuar assim, surpreendendo a cada trabalho, que venham mais vinte, quarenta, que todo mundo agradecerá.

Com seu talento inconfundível e bem-vindo, Jack White construiu um disco de brilhantismo e coesão, sabendo alocar (e reinventar) elementos do passado para o seu mundo e a realidade de sua música, que apesar de ter chegado ao mainstream, sempre teve uma proeminente veia alternativa. “Blunderbuss” é, com isso, um álbum fenomenal, uma consistente coleção de ótimas canções, mas talvez a principal ideia que se tira, ao ouvi-lo, é a certeza de termos um grande nome para ajudar a moldar e a dar um diferencial para o cenário atual. E esse nome é Jack White.

NOTA: 8,6 

Track List: (todas as faixas compostas por Jack White, exceto a 8)

01. Missing Pieces [03:27]

02. Sixteen Saltines [02:37]

03. Freedom at 21 [02:51]

04. Love Interruption [02:38]

05. Blunderbuss [03:06]

06. Hypocritical Kiss [02:50]

07. Weep Themselves to Sleep [04:19]

08. I’m Shakin’ (Rudy Toombs) [03:00]

09. Trash Tongue Talker [03:20]

10. Hip (Eponymous) Poor Boy [03:03]

11. I Guess I Should Go to Sleep [02:37]

12. On and On and On [03:55]

13. Take Me with You When You Go [04:10]

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