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Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [40-31]

40. Merchandise – Green Lady

Apesar dos grandes avanços tecnológicos, o toque humano continua a ser imprescindível. A sensibilidade ainda é necessária. Em “Green Lady”, a banda Merchandise mostra que, mesmo brincando com os anos oitenta (em uma estrutura sonora que pode até lembrar alguns trabalhos do Talk Talk), entende os dias atuais como poucas. Tudo na canção é cuidadosamente alocado, criando um conjunto adorável que só existe porque todos os seus elementos estão lá em perfeita harmonia: retire a guitarra ou o vocal da canção, por exemplo, e verá que o que era completo desmoronou. “Green Lady” é o que pode se chamar de música perfeitamente bela.

39. Röyksopp & Robyn – Do It Again

A força do dance-pop europeu – mais precisamente, o nórdico – está longe de desaparecer. E quem está aqui para provar isso é a dupla de produtores Röyksopp e a veterana Robyn, com “Do It Again”, a grande música eletrônica de 2014. Uma canção energética ao extremo, hipnotizadamente dançante, que inspira. Uma pedida perfeita para ouvir logo depois de acordar, começando o dia com tudo.

38. Drake – How Bout Now

Drake é um daqueles caras que nunca vão ser unanimidade… Após um 2013 glorioso, em que lançou o seu o melhor trabalho (e um dos melhores discos do ano), lá vem 2014 e a infeliz parceria com Nick Minaj na tenebrosa “Anaconda”. Seria o fim de Drake? Minaj teria arquitetado a lápide do famoso rapper canadense? Felizmente, o cara mostra que há vida após “Anaconda”: “How Bout Now” mostra uma faceta que muitos ouvintes de Drake ainda não conheciam; uma concepção, digamos, mais “experimental”. “How Bout Now” é um número fluido, até certo ponto disforme, alocando o rapper em um cenário bem mais minimalista que o habitual. Experimental e surpreendente, esse é o Drake que queremos.

37. Azealia Banks – Chasing Time

Toda a genialidade de Azealia Banks como rapper e toda a qualidade da produção que há por trás dela mostram-se em primor em “Chasing Time”, um dos fortes números de “Broke With Expensive Taste” – o disco eternamente adiado que viu finalmente a luz do dia no segundo semestre desse ano. Sempre provocante e irônica, Banks mergulha em uma base sonora riquíssima, sendo impossível sequer apontar todos os gêneros que a canção possui. Além de tudo, temos a oportunidade de descobrir as qualidades de Azealia Banks como… cantora! Sensacional.

36. Hundred Waters – Murmurs

O trabalho da banda Hundred Waters pode ser comparado ao de um artista plástico: bordar cenários (abstratos ou não) para escancarar sentimentos. Daria para dizer, além disso, que o grupo seria um daqueles pintores sensíveis, que empunham o pincel com a maior sutileza do mundo. Afinal, a música da banda é muitas vezes quieta, quase invisível… Portanto, seu trunfo acaba ficando nos detalhes. Com ouvidos atentos, o público pode saborear toda a profunda beleza de “Murmurs”, uma canção que parece resumir toda a dimensão sonora do Hundred Waters em poucos minutos. Uma canção sublime.

35. The War on Drugs – Red Eyes

O teor sentimental de “Lost in Dream”, até agora o grande trunfo da carreira da Adam Granofsky, pegou muita gente de surpresa. Distante do teor psicodélico da música do ex-colega Kurt Vile, o músico acabou criando, mesmo enraizando-se na música folk, um grande disco pop, repleto de verdadeiros hinos emotivos. E o mais brilhante deles certamente é “Red Eyes”, uma canção que sai do sofrimento, do choro, para também mostrar a vitória… Afinal, a vida de ninguém é feita somente de derrotas, certo? Para acompanhar, um instrumental memorável, que nos fará recordar de sua melodia por muito tempo.

34. FKA twigs – Two Weeks

As velhas heranças do R&B são tratadas por FKA twigs com um olhar constantemente voltado para o futuro. Em sua nova faixa, “Two Weeks”, a música negra encontra o future garage, e os vocais cheios de personalidade se derramam em arranjos etéreos… Tudo, no fim, construindo um teor atmosférico: uma impressionante produção. O remodelamento do passado para construir a música dos dias que ainda estão por vir: esse é, no fundo, o ciclo natural da passagem do tempo na arte.

33. Mac DeMarco – Brother

Mac DeMarco é insano, doidão mesmo. Por isso, é impressionante o controle de seus instintos no calmo “Salad Days”, seu último disco – e especialmente em “Brother”, a melhor das faixas. Melancólica, mesmo sem ser triste, a canção se comporta como o magnum opus de DeMarco como compositor, mostrando que há, no fundo, grande sensibilidade por trás de sua loucura.

32. Ariana Grande feat. Iggy Azalea – Problem

Ariana Grande é um daqueles produtos óbvios da música pop dos Estados Unidos: depois de estrelar um seriado teen, parte para um trabalho fonográfico pop e altamente radiofônico, contando com o apoio de uma grande gravadora, com produtores renomados e muito dinheiro a ser investido. Surpreende, porém, que mesmo em meio a tantas obviedades, a jovem consegue ser um ponto fora dessa curva em que estão estacionadas cantoras como Selena Gomez e Miley Cyrus. Ariana faz diferente; sua música é grudenta, tocará muito nas rádios ao redor do mundo, mas não deixa de flertar com elementos ricos… Em “Problem”, canção que conta com a participação da rapper Iggy Azalea, o apelo pop se encontra com um fantástico loop de saxofone, dando um brilho a mais aos vocais plásticos e às excitantes batidas sintéticas. Enfim, um primor em produção.

31. Jack White – Lazaretto

Uma música pode resumir toda a carreira de um músico consagrado? Segundo “Lazaretto”, a canção, sim: afinal, nenhuma canção de Jack White é tão completa quanto esta em questão: há country, blues, rock e indie, além de uma explosão energética, e tudo em número curto e grosso, com menos de quatro minutos de duração. Se “Lazaretto”, o disco, não foi tão bom quanto esperávamos, sua faixa-título não deixa de ser excepcional: uma das melhores músicas de 2014.

Clipes & Singles: Semana 44/2014

Clipes & Singles

Drake – How Bout Now

Drake é um daqueles caras que nunca vão ser unanimidade… Após um 2013 glorioso, em que lançou o seu o melhor trabalho (e um dos melhores discos do ano), lá vem 2014 e a infeliz parceria com Nick Minaj na tenebrosa “Anaconda”. Seria o fim de Drake? Minaj teria arquitetado a lápide do famoso rapper canadense? Felizmente, o cara mostra que há vida após “Anaconda”: apenas uma das canções inéditas liberadas para audição pelo artista, “How Bout Now” mostra uma faceta que muitos ouvintes de Drake ainda não conheciam; uma concepção, digamos, mais “experimental”. “How Bout Now” é um número fluido, até certo ponto disforme, alocando o rapper em um cenário bem mais minimalista que o habitual.

Grouper – Made of Air

Esse ano de 2014 tem se destacado por revelar gratas surpresas ao grande público… E uma dessas é Grouper, uma daquelas “bandas de uma pessoa só”, encabeçada pela musicista Liz Harris, que lançou há pouco tempo “Ruins”, considerado por muita gente como um dos melhores discos do ano até aqui. Através da bonita canção “Made of Air”, o diretor Paul Clipson costurou um registro audiovisual muito bonito, capturando e “mixando” imagens de bucólicas paisagens.

Belle and Sebastian – The Party Line

E 2015 já começou! Pelo menos na agenda de lançamentos de discos… A primeira “grande boa nova” do ano que vem tende a ser “Girls in Peacetime Want to Dance”, marcando o retorno ao estúdio da banda Belle and Sebastian. Dançante e leve, o single dá algumas amostras do que podemos esperar deste novo álbum, mantendo baixas as expectativas.

Nação Zumbi – Defeito Perfeito

Vivendo uma nova etapa de sua carreira, a histórica banda Nação Zumbi segue com o processo de divulgação de seu último disco, autointitulado, lançado nesse ano. Para o clipe de “Defeito Perfeito”, o grupo resolveu mostrar imagens de seus sempre excitantes shows.

Sharon Van Etten – Your Love is Killing Me

“We Are There” marca a evolução definitiva de Sharon Van Etten… A belíssima “Your Love is Killing Me”, certamente uma das melhores canções desse ano, é apenas uma das provas do gigante talento da compositora nova-iorquina. Agora, a canção recebe sua versão em vídeo, através da direção de Sean Durkin e atuação de Carla Juri.

Flying Lotus – Ready Err Not

Steven Ellison é um artista genial? Sim. O Flying Lotus é um dos melhores projetos musicais da atualidade? Com certeza. Seu novo disco, “You’re Dead!”, está entre os melhores do ano? Não tenha dúvida disso. E seu clipe para “Ready Err Not” é uma experiência macabra totalmente descartável? Pior que sim. Veja apenas se você tem estômago forte.

Bombay Bicycle Club – Home By Now

De volta à sanidade mental, temos uma bela inspiração para o Bombay Bicycle Club e o vídeo de sua “Home By Now”: nada mais nada menos que Stanley Kubrick e uma de suas clássicas produções, o filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”, desbravador do gênero “ficção-científica”. O resultado ficou bem legal.

FKA Twigs – Video Girl

Como o mundo não é formado apenas por unicórnios fofinhos, voltamos às concepções mais “violentas” de vídeos. Dessa vez é FKA Twigs que nos revela um cenário descolorido e deprimente, em que a cantora interpreta a canção enquanto um presidiário é executado. Mas, diferente do vídeo de Flying Lotus, este apresenta um resultado decente: palmas para a produção de Kahlil Joseph.

Criolo – Convoque seu Buda

Uma das mais importantes vozes do rap nacional, Criolo apresenta seu novo disco, intitulado “Convoque seu Buda”, que tem a incumbência de suceder o já clássico “Nó na Orelha”. Produzido com maestria, e contando com um ótimo time de colaboradores, o disco mostra uma evolução técnica natural na carreira do rapper. A canção que dá nome ao disco é um número tradicional de Criolo, mas apresenta uma característica do rapper que só se acentua no novo disco: as rimas bagunçadas, com versos de difícil ligação.

Foo Fighters – Congregation

Em “Sonic Highways”, um probleminha é marcante: a satisfação da banda com o seu habitual. Pois “Congregation” é uma daquelas canções mais do que óbvias do Foo Fighters, e apesar de ser um single de potencial, mostra que Dave Grohl e seus amigos estão com dificuldades para renovar o som da banda – ou, pior ainda, que não estão trabalhando para isso.

2013: Beyoncé – Beyoncé

Beyoncé

Por: Renan Pereira

Era inevitável que, após lançar de surpresa o seu tão aguardado quinto álbum, e bem no apagar das luzes de 2013, Beyoncé se tornaria a cantora mais falada desse início de 2014. Aproveitando o seu ápice artístico e toda a fama que acumulou nesses últimos anos, a artista resolveu investir de forma incisiva no que é, provavelmente, o grande pilar da música pop: a imagem. Considerado pela própria cantora como um “álbum visual”, seu novo disco, auto-intitulado, procura condensar uma carreira inteira de referências musicais em prol de uma união completa entre sons e imagens.

Batidas, melodias e harmonias são muito mais do que “sons”. A música sempre foi responsável por inserir em seus ouvintes as mais diferentes percepções, em um exercício muito mais sinestésico do que simplesmente auditivo. E dentro dessas percepções está incluída, obviamente, a visual. É claro que sempre vai haver gente chata dizendo que a imagem não é algo com que o artista deva se preocupar. Lamento informar, mas quem pensa dessa forma não entende nada de música ou não consegue se conformar com a passagem dos anos.

A música, e principalmente a dita “pop”, sempre foi visual. Pensemos rapidamente naquele disco considerado o melhor de todos os tempos do gênero, e já lembraremos de Michael Jackson dançando com zumbis no vídeo de “Thriller”. Se pensarmos em uma mulher importante para a música pop, pensaremos em Madonna, e se falarmos de seu auge artístico lembraremos de “Like a Prayer” e todo aquele conjunto de imagens que chocou a igreja católica. Não adianta: quem se embrenha na música popular terá que lidar, inconscientemente, com questões que vão muito além do som.

Sendo um dos nomes mais importantes da música atual, Beyoncé percebeu que esse mundo em que as mídias estão cada vez mais interativas seria um prato cheio para o lançamento de um disco que une sensações sonoras e visuais. Cada música tem o seu vídeo, e para que o disco seja entendido em sua plenitude não bata ouvi-lo… é necessário vê-lo.

Um conceito que acabou exigindo uma produção caprichadíssima. Para que as imagens pudessem se interagir perfeitamente com as músicas, um teor mais atmosférico foi exigido. Para tanto, Beyoncé caprichou ao recrutar um fantástico time de produtores, que contém inclusive outros nomes famosos da música pop, como Timbaland, Pharrell Williams e Justin Timberlake.

E o disco visual se inicia posicionando-se quanto à ditadura da beleza; segundo a própria Beyoncé, “Pretty Hurts” é uma advertência sobre os perigos da desenfreada busca pelo corpo perfeito. Eis aí um ponto de destaque do disco, que soa praticamente inédito dentro da discografia da artista… Experiente, Beyoncé vê a oportunidade de investir também em temas polêmicos. Algo que é explorado com veemência lá pelo final do disco, quando a fenomenal “Flawless” discute os direitos das mulheres, contando até com um discurso da escritora e ativista nigeriana Chimamanda Ngozi Adiche.

Mas o álbum, apesar de conter conceitos que inserem novos aspectos à carreira de Beyoncé, também trata de acrescentar à sua estrutura atmosférica revisitações aos discos anteriores da cantora. A poderosa “Drunk in Love” não somente revive a parceria de sucesso com o maridão Jay-Z de “Crazy in Love”, como surge se caracterizando como uma “versão amadurecida” do primeiro hit de Beyoncé em carreira solo. “Blow” se agarra nas referências oitentistas que já haviam ocupado o álbum “4”, enquanto a sétima faixa, “Jealous”, parece reviver o R&B altamente comercial que ocupou o terceiro e premiado disco da artista, “I Am… Sasha Fierce”. Tudo, porém, flui naturalmente, sem que as revitalizações sonoras soem aproveitadoras. Afinal, isso também faz parte do show, pois em seu novo disco, Beyoncé é, mais do que nunca… ela mesma.

Mas o que fala mais alto nesse disco são os sentimentos, afinal, nunca a cantora havia os explorado com tamanha maestria. Seja na estrutura dinâmica e futurista de “Haunted” ou em vias mais tradicionais, como as de “Rocket”, Beyoncé não nega a seus ouvintes o compartilhamento de suas mais íntimas emoções. Até quando ela se propõe a seduzir, como na extremamente sensual “Partition”, as coisas soam sinceras, e não uma simples apelação. É a parte visual da música falando alto.

Mas há de se dizer que o disco não é apenas Beyoncé, passando, na verdade, muito longe disso. Por trás das acertadas ideias da artista há um batalhão de colaboradores que fazem com que elas aconteçam da melhor forma. Em “Mine”, o rapper canadense Drake acaba ajudando (e muito) ao fazer da faixa uma das melhores colaborações dos últimos tempos, enquanto Frank Ocean implementa muitos dos conceitos de “Channel Orange” na subsequente, “Superpower”. Da mesma forma, o produtor Boots torna “No Angel”, a quinta faixa, em algo muito além do R&B comum com que ela poderia se caracterizar. Isso diminui os méritos de Beyoncé? Não, muito pelo contrário… Saber com quem andar é sempre um ponto positivo a ser considerado.

Sabendo onde pisar, Beyoncé abandona as inseguranças de outrora e exala confiança, a ponto de produzir algumas de suas melhores (quiçá as melhores) canções até o presente momento. E isso acontece quando os sentimentos de uma mãe de família são colocados acima de tudo. Fazendo da recente maternidade um tema relevante, ela brinca com a “participação especial” de sua filhinha na faixa final, “Blue”, e canta o amor de forma suave, como em “Heaven”, ou escancarando todo o poder que detém em suas mãos – caso de “XO”, a melhor canção do disco.

Por ser um disco que revela percepções muito íntimas de Beyoncé, o presente registro é um trabalho dedicado à família. Ao perceber que o bem-sucedido matrimônio e o nascimento de Blue Ivy fizeram a cantora evoluir não só como pessoa, mas também como artista, fica claro, mais uma vez, que a família é a base de todas as conquistas pessoais. Mesmo quem deseja fazer um grande disco de música pop precisa contar com o carinho e o apoio das pessoas a quem ama… E encontrando uma base sólida, tendo todas as condições de fazer o melhor trabalho possível, Beyoncé fez de seu último disco não “apenas” um ótimo registro audiovisual, mas o melhor álbum de sua carreira.

NOTA: 8,8

Track List:

01. Pretty Hurts [04:17]

02. Haunted [06:09]

03. Drunk in Love [05:23]

04. Blow [05:09]

05. No Angel [03:48]

06. Partition [05:19]

07. Jealous [03:04]

08. Rocket [06:31]

09. Mine [06:18]

10. XO [03:35]

11. Flawless [04:10]

12. Superpower [04:36]

13. Heaven [03:50]

14. Blue [04:26]

Clipes & Singles: Semana 01/2014

Clipes & Singles

Depois de um 2013 agitado, o novo ano já começa com tudo. Novas canções explodem pelo mundo da música, seja para mostrar um novo aspecto do que já conhecemos ou para apresentar a sonoridade de futuros álbuns. Sim, amigos, agora 2014 começou pra valer, e o nosso modesto blog abre o ano com o já tradicional resumo de singles da semana. Dessa vez, misturamos as principais músicas promocionais lançadas nos últimos suspiros de 2013 com as apresentadas nos primeiros instantes de 2014… Talvez um anúncio de que, nesse ano, ouviremos muita música boa.

Emicida – Papel, Caneta e Coração

O ano de 2013 apresentou-se como um divisor de águas para Emicida. Ao lançar o clássico imediato “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”, o rapper se tornou um dos músicos mais aclamados do Brasil, indo além dos limites naturais do hip hop nacional. Ao lançar uma nova cação, “Papel, Caneta e Coração”, o artista parece querer homenagear o público que tanto tem o louvado, e ao mesmo tempo, com um novo clipe, fazer uma espécie de retrospectiva, unindo imagens dos bastidores de seu trabalho em 2013.

Ariel Pink & Sky Ferreira – My Molly

Grant Singer resolveu unir Ariel Pink e Sky Ferreira em uma canção rápida, em um pequenos show em um cômodo totalmente branco. Envolvidos pela performance, atuando livremente, os músicos acabaram dando imagens envolventes à energética canção, que acomoda a guitarra suja e o aspecto caseiro da música de Ariel Pink no pop alternativo envolvido por vozes plásticas de Sky Ferreira. Bem que os dois poderiam colaborar em outras oportunidades, não?

Pixies – Blue-Eyed Hexe

Os rumos atuais da banda Pixies são difíceis de entender. Há muito tempo sem lançar nada, a banda apresentara, em setembro 2013, um novo trabalho, porém pequeno, intitulado “EP1”. Agora, com nova baixista e tudo (Paz Lenchantin herdou o posto deixado por Kim Shattuck), o grupo decidiu lançar mais um novo EP. Não seria melhor lançar um álbum “de verdade” de uma vez, Black Francis? Talvez para suprir a grande inatividade, algo maior ainda esteja a caminho… Enquanto isso, sem deixar a desconfiança de lado, acompanhemos o novo single da banda, “Blue-Eyed Hexe”, que mais parece uma colaboração com os australianos do AC/DC.

Katy B – Crying for No Reason

Com “Little Red”, Katy B parece inclinada a dar um novo rumo à carreira. Indo em uma direção contrária ao primeiro disco da britânica, “On a Mission”, de 2011, o novo álbum, cujo lançamento está previsto para o dia 3 de fevereiro, parece transformar aquele pop descompromissado de outrora em um exercício pleno de evolução, encontrado na sobriedade adquirida pela cantora um destacável ponto de maturidade. “Crying for No Reason”, uma das faixas do futuro registro, agora ganha um clipe em que a pouca luminosidade procura representar a nova sonoridade da artista.

Silversun Pickups – Cannibal

Três discos de estúdio já servem para a construção de uma compilação? Para o Silversun Pickups, a resposta é sim. Enquanto a boa banda agrupa suas melhores faixas em “The Singles Collection”, uma faixa inédita que fará parte do registro é apresentada aos ouvintes. Reunindo parte da tradicional sonoridade do grupo, mas ao mesmo tempo apresentando sinais de inovação, “Cannibal” afunda-se em um instrumental torto, permeado por riffs sujos, vocais etéreos e uma constante interação do indie rock com a música eletrônica. Uma canção excitante, mas que estará em um disco desnecessário. Se compilações poucas vezes são bem-vindas, uma que reúne canções de apenas três álbuns é menos ainda.

Run the Jewels – Pew Pew Pew

EL-P e Killer Mike planejam, para o dia 13 de janeiro, o lançamento da versão deluxe do primeiro disco do duo – aclamado trabalho que também figurou na nossa lista dos 30 melhores álbuns internacionais de 2013. Com seu hip hop cru, rotulado como “hardcore”, a dupla de rappers implementa a extensão de seu disco com uma canção que acompanha todos os êxitos das faixas já conhecidas, trazendo em um turbilhão de batidas e rimas uma base pra lá de bem resolvida.

Band of Skulls – Be Mine

As bandas que planejam lançar novos discos nesse ano de 2014 não perdem tempo para atiçar seus ouvintes. Um desses casos ocorre com o trio “Band of Skulls”, que para promover seu próximo trabalho, o álbum “Himalayan”, revelou a faixa “Be Mine” e, de quebra, o seu clipe. A música, que inicia-se tranquila, melódica, dando amplo destaque para as harmonias, acaba encarando uma explosão barulhenta em seu desfecho. Um aperitivo delicioso, e a promessa de um bom disco.

Elliphant – Where Is My Mama At

Em um clipe que parece representar a sua infância, a rapper sueca Elliphant atira um bocado de rimas para o ouvinte em meio a uma produção assertiva de batidas e efeitos sonoros. Nada de brincadeiras tradicionais de criança, porém, fazem parte do cotidiano das garotas do vídeo: andar dentro de um carrinho de supermercado, passear sobre trilhos de trem e pichar estão entre as atividades desenvolvidas pelas meninas, enquanto dançam uma coreografia ao som da canção.

Yuck – Somewhere

Em um clima melancólico, com muita melodia, se apresenta a canção “Somewhere”, faixa de “Glow & Behold”, segundo álbum dos ingleses do Yuck. Acompanhando a movimentação de um aeroporto, o quarteto consegue produzir, com a direção de Jacob Perlmutter, a perfeita representação em imagens para os rumos melódicos. Certo ar de saudade e uma tristeza discreta permeiam a canção (e o vídeo) em sua totalidade, perfazendo um número especial para recolhimento. Não à toa, é uma ótima pedida para antes de dormir.

Drake – Trophies

Outro cara que não pode reclamar nada de 2013 é Drake. O canadense, que encontrou em “Never Was the Same” o auge de sua carreira (o disco inclusive fez parte da lista dos melhores discos do ano deste blog), nos últimos dias foi até elogiado por Lorde – que, tempos atrás, havia criticado a sua música, chamando-a de superficial. Somado a isso, uma participação pra lá de assertiva no último disco de Beyoncé, e a certeza de ser um dos músicos mais requisitados da atualidade. Para brindar um ano tão bom, e ao mesmo tempo dar a largada para seus projetos em 2014, o músico liberou uma nova faixa, “Trophies”, que acompanha todo o bom resultado alcançado pelo último disco.

Lista: Os 30 Melhores Álbuns Internacionais de 2013 [30-21]

Os 30 Melhores Álbuns Internacionais de 2013

[30-21] [20-11] [10-01]


New
30. New – Paul McCartney

Gênero: Pop Rock

É muito bom ver que o nosso velho Paul McCartney continua a produzir, tanto ao-vivo quanto em estúdio, em um ritmo invejável. Realizando turnês constantes e seu segundo álbum em dois anos, o compositor inglês parece querer ficar distante de qualquer acusação de preguiça, mostrando que, apesar de ser um músico consagrado há mais de quarenta anos, nunca lhe faltou a vontade de construir novos trabalhos. McCartney sabe a extrema importância da música que desenvolvera nos últimos cinquenta anos, e por isso, mesmo já alcançando a sua sétima década de vida, se esforça para continuar produzindo algo que não deixa dúvidas quanto à relevância. E o melhor de tudo é ver que, além da quantidade, o atual trabalho do ex-beatle não se distancia da qualidade que se espera de um dos maiores gênios da história da música.

E em seu novo álbum de estúdio, “New”, McCartney trilha um caminho esperado, mas que nem por isso deixa de se mostrar altamente recompensador. Em suma, o músico continua sendo quem ele sempre foi, um mestre dos rumos melódicos e das harmonias vocais, puxando de seu trabalho realizado nos Beatles e na banda Wings os principais elementos delineadores de sua música… Mas o título do álbum, que inspira novidade de forma proposital, já deixa claro que, mesmo valorizando os aspectos mais tradicionais de sua carreira, McCartney está atento ao cenário atual. Ao recrutar um quarteto de produtores respeitados pelo que têm feito nos últimos anos, ele propõe-se a construir um álbum de essência jovial, apto a conquistar não apenas seu velho público, mas também uma nova legião de ouvintes.

Podemos dizer que “New” é o lado oposto do empoeirado “Kisses on the Bottom”, bem como um “Memory Almost Full” às avessas. Se em seus últimos trabalhos McCartney tinha como intenção a prestação de homenagem a aspectos históricos da música (seja o jazz norte-americano ou a sua própria carreira), agora ele volta-se novamente ao mundo atual para mostrar que a acessibilidade de sua música continua intocada. Passam anos e décadas, e Paul McCartney não deixa de cativar o público com conceitos simples, mas extremamente assertivos. Pois “New” é um daqueles tradicionais trabalhos do músico, repleto de músicas agradáveis, melodias atraentes e harmonias impecáveis, sem envergonhar-se de soar pop. Há novos aspectos, é claro, mas felizmente incapazes de fazer com que o compositor se afaste de seu habitat natural. (Leia a resenha completa do disco)

Acid Rap29. Acid Rap – Chance The Rapper

Gênero: Hip Hop

Chance The Rapper, alcunha de Chancelor Bennett, é um artista que gosta de brincar com os nossos ouvidos. Afinal, mesmo repleto de influências, o rapper criou, em “Acid Rap”, o disco de hip hop menos óbvio dos últimos tempos. Em suma, o cara abraçou as cores que há tempos haviam sendo esquecidas pelo gênero para construir um álbum excitante, que não cansa de nos pregar surpresas enquanto dispara coloridas bolhinhas de sabão em nossa mente.

Da introdução ao desfecho, nada parece se relacionar a ideias prontas. Embora reviva as propostas bem humoradas plantadas pelo OutKast na virada do século, e se relacione, de alguma forma, ao trabalho de Danny Brown, Chance The Rapper faz de seu disco uma obra que não se desgruda de uma completa e deliciosa novidade. Mostrando que não existem barreiras para o hip hop, o músico flerta intensamente com a música pop enquanto passeia por inúmeros aspectos sonoros. As certeiras colagens de sons, que podem até remeter aos Beastie Boys, fazem com que Bennett trilhe um caminho sem fronteiras, divertindo-se em meio a referências da música comercial, da vanguarda ou até mesmo do minimalismo – sem deixar pra trás, porém, boas doses de insanidade. A capa do álbum, aliás, já parece deixar nas entrelinhas o aspecto lisérgico do registro. É tratando as drogas como uma ponte rumo ao desconhecido que Chance pinta todas as cores presentes no disco.

Talvez o maior dos méritos do rapper, porém, tenha sido a saudável brincadeira com a música pop que ele propôs. Inserindo-se no mundo que viu em “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” um registro tão comercial quanto qualquer álbum da Britney Spears, Chancelor Bennett soube, como poucos músicos de seu gênero, tornar a sua música acessível a todos os públicos. De aparência despreocupada, mas altamente consciente, “Acid Rap” almeja excitar até mesmo aquela pessoa mais preconceituosa, que vê no hip hop em nicho musical de gosto duvidoso. Se você pensa dessa forma, esmurre as ideias prontas e garanta um ingresso para a colorida viagem sonora proposta por Chancelor Bennett.

Slow Summits28. Slow Summits – The Pastels

Gênero: Pop Rock

Embora esquecido por grande parte da crítica, “Slow Summits” é um dos discos mais sensíveis do ano. Talvez, se tratando de melodia, nenhum outro álbum lançado em 2013 o supere. Suave, relaxante, hipnotizante e melancólico, o álbum encontra em um cenário aconchegante o tratamento perfeito para uma base sonora antiga, mas que ganha um novo fôlego nas mãos dos escoceses do The Pastels. Como se quisesse, de alguma forma, musicar o outono do hemisfério norte, a banda criou, em seu sexto disco (e o primeiro em quinze anos) uma contemplação natural de temáticas sensíveis, próximas das nossas mais serenas emoções.

Fazendo com que folhas caídas voem ao sabor do vento em uma climatização alaranjada, o disco vai construindo, através de seu impecável aspecto melódico, um conjunto delicioso de canções serenas e atraentes. São números incapazes de nos envolver devido a modernos rumos sonoros, mas que nos prendem através de suas texturas acolhedoras, como se fossem pintadas a tinta pastel. Instrumentações consistentes flutuam pelo registro, amparando vocais doces e hipnóticos, e levando o ouvinte a sonhar com o bucolismo da zona rural britânica… Praticamente um sopro gélido no verões demasiadamente quentes.

Ignorando certas modernidades, “Slow Summits” brinca com velharias, passando pelo soft rock setentista do Fleatwood Mac para chegar na primeira fase dos Beatles. Afinal, como um verdadeiro tratado melódico, o disco não deixa de recriar paisagens visitadas por grande nomes da música… Mas não cometa a besteria de tratar o registro como um álbum datado ou retrógrado. Assim como o Fleet Foxes fez nos últimos anos, o The Pastels utiliza os elementos antigos não como uma “desculpa pela falta de criatividade”, mas como um apoio para almejar o futuro. Já experiente, o grupo não deixou de experimentar em um conjunto consistente de arranjos, ambientando nas atmosferas mais apropriadas um dos discos mais singelos dos últimos tempos.

Nothing Was the Same27. Nothing Was the Same – Drake

Gênero: Hip Hop

O outrora exagerado Drake encontrou nas emanações amenas e extremamente pessoais de “Nothing Was the Same” o ápice de sua carreira. Se antes o rapper canadense encontrava-se preso a aspectos luxuosos que, de forma proposital, partiam em um busca do épico, agora sua música encontra-se muito mais condensada em uma áurea íntima, deliciosamente confessional. De fato, quem antes rotulava o trabalho do artista de “comercial” agora deve se deliciar com um Drake sensível e discreto, trabalhando de forma a controlar suas ideias megalomaníacas.

“Nothing Was the Same” é um disco sincero. Viajando no passado de Drake, o álbum surge como uma obra que procura transformar em música a vida do artista. Retratando seu passado pobre, e fazendo disso o alicerce para seu sucesso atual, o rapper dispara durante o registro um conjunto fantástico de rimas orgânicas, altamente unidas, capazes de construir de forma assertiva um conceito. Pautado na unidade, o álbum condensa sons e versos em um ambiente cuidadoso, tratando cuidadosamente a sua base para que o rapper consiga rimar com louvou seus sentimentos e pensamentos. Por isso, a intensidade dos elementos de R&B foi diminuída, bem como a quantidade de samples e o time de produtores… Se a proposta era fazer com que Drake construísse um trabalho inteiramente seu, “Never Was the Same” se consolida como um nítido acerto.

Em um ano marcado pelo crescimento da “música de ostentação”, tanto no Brasil quanto no restante do planeta, nada melhor do que ver Drake, um dos cardeais do hip hop atual, trilhando um caminho completamente oposto. Afinal, “Never Was the Same” é um álbum de emoções, profundamente inspirado pelo íntimo do rapper, encontrando nas rimas e nos ritmos não apenas um cenário plausível para uma boa audição, mas uma atmosfera perfeita para que uma ótima história seja contada. Finalmente, Drake fez de seus versos o seu ponto forte, ao transformar em bem público os seus mais íntimos e sinceros pensamentos.

The Bones of What You Believe26. The Bones of What You Believe – CHVRCHES

Gênero: Synthpop

O ano de 2013 foi especial para a música pop. Finalmente, aquelas propostas toscas e exageradas que tomaram contas das rádios nos últimos anos parecem dar espaço a texturas mais maduras. Seja com as sombras de Lorde, a humanização do Daft Punk ou as concepções orgânicas de Justin Timberlake, a música comercial (pelo menos internacionalmente) retomou seus olhares a temáticas mais complexas, sérias e capazes de perdurarem por mais do que algumas semanas. Se nomes como Rihanna, Miley Cyrus, Katy Perry e Justin Bieber afundam cada vez mais suas carreiras ao pautá-las em um conceito basicamente caricato, outros artistas começam a ganhar destaque. As coroas estão sendo transferidas para novos nomes, e apenas quem estacionou em 2011 pode negar esse fato.

“The Bones of What You Believe”, disco de estreia do trio CHVRCHES, surge como um grande símbolo desse processo evolutivo. Mesmo jovial, dançante e entregue às massas, o disco não deixa de discutir temas sérios e humanos, passando a anos luz do descarte. Entre sintetizadores hipnotizantes, ritmos energéticos e melodias acessíveis, surge a vocalista Lauren Mayberry cantando dramas, tristezas e solidões. De fato, o disco se constrói a partir de sentimentos, transformando os seminais arranjos eletrônicos criados por Iain Cook e Martin Doherty em um acompanhamento efervescente para um verdadeiro tratado sobre a alma.

Ainda que não desvie o seu olhar das pistas de dança, “The Bones of What You Believe” é, no fundo, uma ode aos arranjos. Longe de cair no marasmo que muitas vezes envolve as já desgastadas bases do synthpop, o CHVRCHES faz das belas melodias o delineador de um intenso e cuidadoso trabalho harmônico. Unindo os vocais aos sintetizadores, Mayberry, Cook e Doherty transformam uma sonoridade acessível, confessamente pop, em uma mágica viagem pelos mais complexos sentimentos. Um disco comercial, sem dúvida, mas porque consegue alcançar, de forma certeira, os mais obscuros anseios do grande público.

Random Access Memories25. Random Access Memories – Daft Punk

Gênero: Nu-Disco

Os robôs mais famosos da música mundial voltaram, mas mais humanos do que nunca. Se o último álbum de estúdio deles, “Human After All”, de 2005, discutia o processo de humanização das máquinas, relembrando as ideias de inteligência artificial plantadas por Isaac Asimov, parece que agora, oito anos depois, este processo acabou atingindo, enfim, Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo.

“Random Access Memories”, com isso, acaba sendo um álbum surpreendente. Não por reinventar a roda, ou por ser superior a tudo o que o duo francês já realizou… Na verdade, nem um, nem o outro. Apesar das vozes robóticas continuarem, aqui ou acolá, permeando a música do Daft Punk, para que o ouvinte entenda o disco, é necessário, primeiramente, desprender-se do som que havia construído até agora a carreira dos caras. Não que a música eletrônica tenha sido abandonada, ou que o Daft Punk tenha se vendido ou se alterado de forma irresponsável – nunca espere isso de Bangalter e Homem-Christo, músicos extremamente profissionais e que aceitam viver o papel de cardeais da música eletrônica atual. O Daft Punk continua a ser o Daft Punk, só que agora mais sutil e intimista.

Os fãs que queriam um novo “Discovery” têm olhado torto para o novo álbum, o que é, na verdade, mais do que normal: afinal, “Random Access Memories” não é nada do que eles esperavam. De forma surpreendente, Bangalter e Homem-Christo voltaram seus olhares metálicos para o passado, encontrando na música de trinta, quarenta anos atrás, o cenário perfeito para a humanização do projeto. Isso, em um primeiro momento, com a mais errônea das visões, pode até soar copioso e aproveitador, até porque eles sempre foram responsáveis pela evolução da música eletrônica, e não pela volta ao passado…

Mas quem disse que visitar ideias passadas significa, necessariamente, ser retrógrado? De jeito nenhum! Embora alguns projetos – mais recentemente o The Strokes – tenham alocado seus trabalhos em ideias antigas e finjam fazer parte daquela época (criando registros datados que pouco combinam com os dias de hoje), a utilização das ideias passadas, quando bem pensadas, acabam se mostrando altamente satisfatórias; e assim é, felizmente, com “Random Access Memories”. Apesar de estarem recordando as antigas glórias da dance music, Bangalter e Homem-Christo utilizam essa base empoeirada para trazer um toque mais sensível à música eletrônica atual. (Leia a resenha completa do disco)

Is Survived By24. Is Survived By – Touché Amoré

Gênero: Post-Hardcore

A banda norte-americana Touché Amoré parece ter encontrado o casamento perfeito entre os gritos e as melodias. Detentor de uma carreira constante, o grupo chega ao seu terceiro álbum de estúdio com uma contemplação ainda mais assertiva de todos os elementos que envolvem a sua musicalidade. Permeada sempre pelo vocal estridente do vocalista Jeremy Bolm, a base musical do grupo se agarra às texturas tradicionais do post-hardcore, mas sempre indo em busca de algo além. “Is Survived By” é, enfim, a constatação dessa ânsia por crescimento, elevando a sonoridade do grupo a níveis épicos ao tratar, com extremo cuidado, os rumos melódicos.

Não há como não se sentir excitado pela trinca formada pelas duas guitarras (aos poderes de Clayton Stevens e Nick Steinhardt) e o vocal bem característico… É uma dualidade de sentimentos, uma guerra entre percepções que arrasta o ouvinte com atenção pela totalidade do registro. Ora sujo, ora harmônico, o disco é uma união consistente de doze canções que se amarram em um único conceito: a batalha emocional. O desespero, amplificado pelo vocal de Bolm, toma conta dos rumos do disco mostrando todas as suas facetas; afinal, há momentos para gritar de raiva e outros para gritar de dor.

De natureza naturalmente sombria, o disco abre pequenos espaços para “baladas” melancólicas, mas não se fecha, em nenhum instante, ao peso dos instrumentos, unidos por interações nervosas capazes de ligar a sonoridade do grupo ao sentimentos anárquicos do punk. Energético, o álbum vai pingando gotas de raiva, tristeza, sofrimento e introspecção enquanto caminha pelos seus rumos tortuosos… “Is Survived By” é, enfim, um registro que deve ser ouvido e sentido: um mergulho nas mais sofríveis facetas do interior do ser humano.

Days Are Gone23. Days Are Gone – Haim

Gênero: Indie Pop

Um trio de jovens irmãs fez um dos melhores discos de música pop dos últimos anos. Por quê? Talvez a explicação não seja tão simples, e o melhor mesmo seja dar o play e sentir quão bom é “Days Are Gone”, o disco de estreia das garotas. Trazendo na produção o ótimo Ariel Rechtshaid, responsável também pelos últimos lançamentos de Sky Ferreira e Vampire Weekend, o disco parece ser uma especie de “modelo” a ser seguido por quem deseja alcançar a aclamação da crítica e do público nos próximos anos.

A música alternativa encontra-se no topo, e nada mais correto do que emprestar vários elementos do indie atual para fabricar um álbum de sucesso, certo? E se a música de trinta anos atrás fosse, de certa forma, revivida, trazendo de grande nomes como Michael Jackson e Fleatwood Mac aquele feeling que todo mundo gosta? Espertas, as meninas pautaram seu trabalho em ambas as direções, fazendo de “Days Are Gone” o feliz encontro entre a música desta década com os melhores momentos da música pop do século passado. Abrangente, o álbum passeia pelos anos noventa, oitenta e setenta – sem se esquecer, porém, de soar atual a todo instante.

Como um bom exemplar da música pop, “Days Are Gone” é tomado por hits de potencial, entregando ao público, faixa a faixa, um registro de agradabilidade fácil e rápida. Seja pela base sonora atraente, pela forma competente com que os vocais trabalham para criar belas harmonias ou pela exploração de temas que atingem os jovens adultos, o disco parece estar ciente, desde o começo, do poder que detém: “Days Are Gone” foi projetado para agradar a gregos e troianos, mas com uma acessibilidade construída de forma natural. Um álbum moldado para o público massivo, é verdade, mas, acima de tudo, deliciosamente sincero.

Field of Reeeds22. Field of Reeds – These New Puritans

Gênero: Art Rock

Com uma ligação crescente com a complexidade, os ingleses do The New Puritans não negaram a seu último disco, “Field of Reeds”, a alcunha experimental que vem embalando o pensamento do grupo nos últimos tempos. Totalmente distante do que havia sido apresentado tanto na estreia da banda em 2008, quanto pelo lançamento anterior, de 2010, o presente registro faz com que Jack Barnett, George Barnett e Thomas Hein passeiem por um turbilhão sonoro instável, atmosférico e repleto de novidade.

Com canções de ambientação obscura, o disco brinca com diversas vertentes da música de vanguarda, indo do jazz experimental ao neo-classical em poucos segundos. Não é difícil para que o ouvinte, após se acostumar com a sonoridade do registro, se sinta rodeado por lâminas geladas, indo mais para dentro de um labirinto tenebroso (e sem saída) à medida em que as faixas se sucedem. Um misto de medo e beleza que dá ao disco um aspecto fantástico, fazendo com que criemos em nossa mente os mais improváveis cenários para ambientar a base musical.

Meticulosamente construído através de acordes de piano, vozes desencontradas e belos arranjos de cordas, “Field of Reeds” demonstra uma riqueza musical incrível, extremamente presa ao detalhes. Porém, em um primeiro momento, é normal que o ouvinte se sinta “perdido” em meio às propostas de difícil acesso. Portanto, o que se pede, nesse caso, é uma audição repetitiva, em um exercício quase bovino de ruminação; só dessa forma toda a atmosfera de “Field of Reeds” poderá ser contemplada. Um exercício que não parece fácil em um primeiro momento, mas que com certeza se mostrará, em um futuro próximo, altamente recompensador.

Virgins21. Virgins – Tim Hecker

Gênero: Ambient

Um dos álbuns mais intrigantes deste ano, “Virgins” é uma exploração quase silenciosa de um castelo abandonado, encontrando em grandes salas vazias e móveis cobertos por lençóis os detalhes de um cenário voltado ao horror. Caótico, porém controlado, o registro é mais uma clara demonstração do poder que Tim Hecker atualmente detém nos sintetizadores… É possível não alocá-lo entre os principais produtores da época presente? É provável que não.

Guiando-se pelos detalhes, “Virgins” é rumado pela ideia de habitar o desconhecido, trombando com criaturas macabras em lugares ofensivos, e trazendo em uma atmosfera assustadora o local ideal para explanar suas ideias. Ao contrário da maioria dos músicos que flertam com conceitos assombrosos, Hecker não deseja simplesmente amedrontar seus ouvintes; no fundo, o que ele quer é transferir o público para dentro do cenário por ele proposto, construindo uma relação em que qualquer pessoa possa se sentir parte integrante do registro. É como se os filmes de terror passassem a ser interativos.

Com “Virgins”, Tim Hecker não está apenas construindo mais um bom disco para trilhar os sons de um Halloween… Um aventureiro nato, o produtor conquista mais um resultado assertivo de sua carreira através de um excitante jogo de texturas, capazes de condensar as mais interessantes atmosferas.

2013: The 20/20 Experience 2 of 2 – Justin Timberlake

The 20-20 Experience 2 of 2

Por: Renan Pereira

As vendas podem explicar o lançamento de “The 20/20 Experience 2 of 2”. Só na primeira semana, o disco vendeu 350 mil cópias, um resultado que, apesar de inferior ao alcançado pela primeira parte do trabalho, já se mostra altamente rentável. Justin Timberlake já era muito rico, ficou mais um pouquinho e agora deve faturar mais uma bela grana com seu novo álbum e a turnê que inclusive já passou pelo Brasil. Ele está errado? É claro que não, afinal, poucas coisas são tão satisfatórias quanto ter um trabalho reconhecido. Mas, quando se trata de música, vender bem nem sempre é sinônimo de qualidade… Se o primeiro álbum lançado neste ano demonstrava a fácil acessibilidade em união com a evolução musical, o segundo comporta-se como um mero lançamento caça-níquel, aproveitando sobras de estúdio (algumas antigas, inclusive) para estrelar o topo das paradas musicais.

Pouca coisa na segunda parte de “The 20/20 Experience” parece-se com a primeira. Enquanto o primeiro disco rumava por uma concepção orgânica, aproveitando-se de uma grande viagem pela história do R&B para construir a evolução definitiva de Timberlake como músico, o segundo simplesmente revive ideias sintéticas que já haviam sido apresentadas em trabalhos anteriores do artista. Em “The 20/20 Experience 2 of 2” há o Timberlake atual, é verdade, mas também as versões antigas do músico: o hip hop sintético de “FutureSex/LoveSounds”, o pop melódico de “Justfield” e até os romantismos adolescentes do ‘N Sync. Em um trabalho muito fácil, uma simples repetição, Timberlake não consegue alcançar os mesmos resultados convincentes da primeira parte de sua experiência. É como se, na ânsia de vender, ele simplesmente reunisse canções não-lançadas em seus álbuns anteriores e as entregasse aos seus produtores para serem maquiadas.

Porém, não podemos ignorar os bons momentos existentes no disco. A primeira faixa é, por exemplo, um proveitoso exercício dançante: “Gimme What I Don’t Know (I Want)” é capaz de mostrar todo o talento natural de Timberlake como um show-man, bem como a competência de Timbaland como produtor. O que atrapalha o andamento de algumas canções é a a longa duração de caráter forçado, caso da segunda faixa, “True Blood”. Na necessidade de conectar o presente registro com o anterior, Timberlake e seus produtores alongam as faixas com cansativas seções de batidas, como se fosse necessário encher linguiça para conceber um álbum de longa duração. “Cabaret” nem é tão longa, mas mesmo assim parece arrastada: soando como alguma sobra de “FutureSex/LoveSounds”, a canção não consegue engrenar nem com a participação do rapper canadense Drake.

As duas melhores faixas do disco são consecutivas: “TKO” é uma concepção excitante, totalmente assertiva, encontrando-se em um cenário alocado entre “FutureSex/LoveSounds” e “The 20/20 Experience”, enquanto a formidável “Take Back the Night” parece reviver os melhores momentos de Michael Jackson. “Murder”, porém, é um verdadeiro assassinato ao bom gosto; construída sobre uma base tortuosa, capaz de irritar os ouvidos, a música pode até ser alocada entre as piores já gravadas por Timberlake… E o que dizer da participação de Jay-Z? O Mr. Beyoncé está, definitivamente, no momento menos inspirado de sua carreira.

Algumas canções do disco, claramente, poderiam soar melhores se tivessem sido melhor trabalhadas; esse é um dos perigos que se corre quando um trabalho é lançado às pressas, com pouco (ou talvez nenhum) planejamento. É provável que Timberlake, ao perceber a grande aprovação recebida por “The 20/20 Experience”, tenha decidido lançar todas aquelas gravações anteriormente rejeitadas, guardadas na gaveta, entregando-as ao público como uma falsa continuação de seu trabalho anterior. A sétima faixa, “Drink You Way”, é um claro número em que houve um atropelamento das ideias, que não tiveram tempo para amadurecer. Já, em “You Got It On”, os rumos sonoros estão tão amadurecidos que soam até envelhecidos; como poderia ser diferente, ao emprestar na cara dura as bases de “Justfield” e do próprio pop duvidoso do ‘N Sync?

“Amnesia” é uma canção que tende ao épico, em que tudo parece funcionar bem: a introdução magnífica, repleta de luxo, bem como a continuação misteriosa, que apresenta Timberlake em uma inédita concepção obscura, conseguem mostrar uma pontinha de evolução em “The 20/20 Experience 2 of 2”. Apenas o vocal estridente chama a atenção de forma positiva em “Only When I Walk”, uma canção banal, escancarando até mesmo uma produção pouco assertiva – algo raro nos trabalhos de Timberlake. “Not a Bad Thing” empresta as guitarras arpejantes do R.E.M. (ou dos Engenheiros do Hawaii) para encobrir um terreno pobre, repleto de ideias óbvias da música pop, onde o astro parece querer reviver, mais uma vez, seus “êxitos” como integrante de uma boy band. Há ainda, para encerrar o disco, a acústica “Pair of Wings”, única música do disco composta e produzida somente por Timberlake… Desnecessária, a faixa escondida só mostra que, além de interpretar suas versões antigas, o cantor sentiu-se à vontade para tentar se tornar uma versão estadunidense do Michael Bublé.

Excluindo os resultados das paradas musicais, “The 20/20 Experience 2 of 2” é uma obra totalmente irrelevante; ao contrário da primeira parte do projeto, que procurava demonstrar o crescimento de Timberlake como artista, o segundo simplesmente estaciona nas ideias prontas, revisitando o passado vivido pelo cantor. Esperamos que esta “segunda parte da experiência” se caracterize como um trabalho perdido na discografia do astro, e que, em seu próximo lançamento (que poderá demorar bastante), Timberlake reencontre o bom caminho da constante evolução.

NOTA: 5,0

Track List:

01. Gimme What I Don’t Know (I Want) (Timberlake/Mosley/Harmon/Fauntleroy) [05:15]

02. True Blood (Timberlake/Mosley/Harmon) [09:31]

03. Cabaret (Timberlake/Mosley/Graham/Harmon/Fauntleroy/Jones) [04:32]

04. TKO (Timberlake/Harmon/Fauntleroy/White) [07:04]

05. Take Back the Night (Timberlake/Mosley/Harmon/Fauntleroy) [05:53]

06. Murder (Timberlake/Mosley/Carter/Harmon/Fauntleroy) [05:07]

07. Drink You Away (Timberlake/Mosley/Harmon/Fauntleroy) [05:31]

08. You Got It On (Timberlake/Mosley/Harmon/Fauntleroy) [05:55]

09. Amnesia (Timberlake/Mosley/Harmon/Fauntleroy/Jones) [07:04]

10. Only When I Walk Away (Timberlake/Mosley/Harmon/Fauntleroy/Minghi) [07:05]

11. Not a Bad Thing (Timberlake/Mosley/Harmon/Fauntleroy) | Pair of Wings (Timberlake) [11:28]