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Lista: As 50 Melhores Músicas de 2014 [50-41]

50. Nessas Horas – Transmissor

A visível evolução da banda mineira Transmissor ficou evidente em “De Lá Não Ando Só”, o grande lançamento do pop-rock nacional em 2014. E a sexta faixa do disco, “Nessas Horas”, certamente é a canção que melhor agrega as novas possibilidades sonoras do grupo: mergulhada em uma melodia insuperável, a música se insere de corpo e alma em um terreno melancólico (e extremamente belo), em que a alta qualidade dos versos acaba esbarrando em harmonia com impecáveis arranjos… Lenta, “Nessas Horas” é obscura, lamentosa, além de especialmente combativa, inserindo ruídos de guitarra em uma estrutura confortável.

49. Fruta Elétrica – Carne Doce

Impossível passar imune pelo arrebatador “rock com pequi” do grupo goiano Carne Doce, uma das grandes revelações desse ano. Dentro de psicodélico e extremamente brasileiro debut da banda, “Fruta Elétrica” é aquela explosão de ritmo, uma verdadeira ode à face alegre e dançante da música tupiniquim. Tanto as linhas de baixo e bateria quanto os riffs de guitarra escancaram o lado mais “manguebeat” da banda, com a vocalista Salma Jô cantando sobre uma fruta deliciosa e perigosa, mas que todos acabam ficando com desejo de provar.

48. Tinashe feat. Devonté Hynes – Bet

Se não bastasse FKA Twigs para provar que o R&B está vivendo uma de suas maiores (e melhores) transformações em sua história, Tinashe surge para esquentar ainda mais o clima de “renovação”. Camadas sobre inúmeras camadas, climatizações explodindo em nossos ouvidos e moderníssimos efeitos eletrônicos formam a base de “Bet”, que ainda apresenta formidável melodia, uma performance vocal respeitável e um ótimo solo de guitarra criado por Dev Hynes, músico responsável pelo projeto Blood Orange. Não é à toa que a canção, faixa do disco “Aquarius”, dá as caras nessa lista.

47. David Bowie – ‘Tis a Pity She Was a Whore

“‘Tis a Pity She Was a Whore” é simplesmente a melhor música do Camaleão nos últimos anos. Sim, senhores: por melhor que tenha sido “The Next Day”, nenhuma faixa do aclamado disco chega aos pés desta que é apresentada no player abaixo. Nela, o veterano canta versos tristes no fundo de um sampler caseiro e futurístico, amplificando sua faceta mais experimental. Incrível como Bowie consegue expandir cada vez mais suas possibilidades.

46. White Lung – Drown With the Monster

Intensidade. Essa é a palavra-chave de “Drown With the Monster”. Nessa canção, a banda canadense faz das suas, aumentando tanto volume quanto velocidade ao máximo para plantar um número que, além de instrumentalmente picante, é liricamente crítico. E tudo isso, no fim das contas, sem que saibamos se o que toca é punk, metal ou indie. Na verdade, o chute mais próximo é de que se trata de uma grande mistura desses três rótulos. Um número diferente e impecável, que se reproduz em outras canções no ótimo disco “Deep Fantasy”.

45. Parquet Courts – Sunbathing Animal

“Sunbathing Animal” é nada mais do que uma grande explosão de energia de uma das mais insanas bandas da atualidade. Uma canção de absurda velocidade, em que instrumentos e vocal trabalham para um único fim: a criação de um número curto e grosso, que em seus primeiros segundos já é capaz de passar o recado ao ouvinte: não são necessários muitos acordes para se construir uma verdadeira muralha sonora.

44. Taylor Swift – Out of the Woods

Quando saiu a notícia de que Taylor Swift abraçaria de uma vez por todas a música pop, dando adeus àquela tímida garotinha country, certamente muitos torceram o nariz. Por mais que esse processo tenha se iniciado em 2012, com o lançamento do disco “Red”, foi nesse ano que Swift se tornou, finalmente, a musa pop que vinha ensaiando ser. Pois o resultado surpreendeu: não tanto pelas vendas, pois ninguém esperava que “1989” patinaria nas prateleiras. O que realmente surpreendeu foi a qualidade sonora, claramente acima da média para o pop atual.  E isso “Out of the Woods” mostra muito bem: moderna, incrivelmente bem produzida, a canção traz em uma estonteante linha de bateria a base necessária para Swift mostrar que aquela menininha de outrora hoje é uma artista completa.

43. Sun Kil Moon – Carissa

“Carissa” é a primeira faixa do “disco-livro-filme” chamado “Benji”, a maior obra até hoje de Mark Kozelek como contador de histórias. Mais do que um simples conjunto de faixas, “Benji” faz com que o ouvinte se descole daquela ideia inicial de “ouvir música” para se impregnar nos interessantes, tristes e sensíveis causos do músico. Em “Carissa”, o compositor nos conta sobre uma tragédia que ocorrera na família, trilhando um número incrivelmente humano e sincero sobre chegadas e partidas.

42. St. Vincent – Prince Johnny

Embora Annie Clark seja conhecida pela forma única com que faz sua guitarra produzir sons inimagináveis, em “Prince Johnny”, uma das melhores músicas de sua carreira, o cenário é basicamente atmosférico, sem aquelas tradicionais mudanças bruscas. A base da canção é dura como rocha, mas nada impede que, nela, St. Vincent demonstre toda sua fraqueza como personagem em um grande conflito de sentimentos… Um número direto, sem excentricidades, que acaba escancarando o lado mais humano da musicista.

41. Swans – Oxygen

Arrastada, tortuosa, intrigante, “Oxygen” é o ápice energético de “To Be Kind”, o fantástico disco que o Swans lançou em 2014. Composta por Michael Gira logo após uma grave crise de asma, essa incrível canção “revela” a importância de estar respirando, de poder sentir seu coração batendo… É raro pararmos para pensar na importância disso, mas os gritos do vocalista a clamar por oxigênio fazem com que a gente imagine a angústia de uma pessoa que está com dificuldades de respirar. Mas, no fim, o que acaba marcando não é o conceito angustiante da faixa, mas sim a louca viagem sonora que ela nos oferece.

Clipes & Singles: Semana 40/2014

Clipes & Singles

The New Pornographers – Dancehall Domine

Divertido, colorido, estético e “estranho”. Todos esses adjetivos englobam o clipe de “Dancehall Domine”, mais novo single retirado do disco “Brill Bruisers”, lançado no último mês de agosto. A banda, experiente e ciente de suas maiores qualidades, trata de não deixar seus seguidores em vão, transformando toda a assertividade de seu último álbum em um envolvente registro audiovisual.

Cloud Nothings – Now Hear In

Não basta ter uma sonoridade fortemente ligada aos anos oitenta: a imagem também tem que estar alinhada aos conceitos do rock alternativo daquela década. É isso o que pensa Dylan Baldi, líder da banda Cloud Nothings, que vem causando barulho com sua base sonora extremamente influenciada pelos ensinamentos de Kurt Cobain. No vídeo de “Now Hear In”, o mais novo relativo ao disco “Now And Nowhere Else”, imagens Lo-Fi, que parecem retiradas de uma velha filmagem caseira em VHS, mostram um curioso personagem, vestido de forma social e com um saco na cabeça, a percorrer paisagens da Califórnia. Falando as coisas não fazem muito sentido, mas em união com a base ruidosa da canção, tudo combina muito bem.

Pharrell Williams – It Girl

Já que andou conquistando a América e a Europa, Pharrell Williams agora lança seus olhares pretensiosos para a Ásia. Com um R&B bem conservador como fundo musical, o vídeo de “It Girl” se desenvolve como uma clássica animação nipônica para um jogo de algum antigo console de video-game. Mas é marqueteiro esse Pharrell, hein? Bem… Bom pra ele.

Gram – Sem Saída

Gram, uma das bandas mais cultuadas do cenário alternativo do Brasil na década passada, finalmente está de volta às atividades. Com uma nova formação, que conta com uma nova voz, sob responsabilidade do músico Ferraz. No primeiro clipe referente a “Outro Seu”, o novo álbum do grupo, o novo vocalista é destacado, em uma tentativa (tola) de transformá-lo em um “galã alternativo”, ao melhor estilo Chay Suede. Contudo, a música até que é bacana, e o disco ensaia boa visibilidade.

Sam Smith – Restart

Parecia que Sam Smith seria em 2014 o que Lorde foi no ano passado… Rá, pegadinha do Mallandro! O primeiro álbum do jovem, “In the Lonely Hour”, acabou falhando feio – tanto que ele já trabalha em um novo disco de estúdio. Para dar um ponto final na divulgação do fraco trabalho, é lançado agora o clipe da canção “Restart”, mostrando bastidores da turnê do cantor com sua banda.

Lorde – Yellow Flicker Beat

Falando em Lorde, tem música nova da mocinha na área: se trata de “Yellow Flicker Beat”, canção que fará parte da trilha-sonora do filme “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1”. E não é que Lorde continua surpreendendo? Quem achou que a jovem continuaria agarrada aos elementos que fizeram ela alcançar aclamação absoluta em seu disco de estreia, “Pure Heroin”, acabou dando com os burros n’água. Ainda mais sombria, a cantora neozelandesa ataca com uma base sonora mais ligada à ambientação, andando mais um pouquinho para longe do “mais do mesmo” da música pop.

Tinashe feat. Blood Orange – Bet

Se não bastasse FKA Twigs para provar que o R&B está vivendo uma de suas maiores (e melhores) transformações em sua história, Tinashe surge para esquentar ainda mais o clima de “renovação”. Camadas sobre inúmeras camadas, climatizações explodindo em nossos ouvidos e moderníssimos efeitos eletrônicos formam a base de “Bet”, que ainda apresenta formidável melodia, uma performance vocal respeitável e um ótimo solo de guitarra criado por Dev Hynes, músico responsável pelo projeto Blood Orange. O álbum “Aquarius” promete.

Weezer – Back to the Shack

O Weezer está de álbum novo… O mais divertido da banda em muito tempo. O registro, intitulado “Everything Will Be Right in the End”, surge como um “renascer das cinzas”, uma retomada de um ritmo que nunca deveria ter sido abandonado. Pois, mesmo experiente, a banda soa jovem como há muito tempo não aparentava, brincando com seus próprios elementos sonoros ao não economizar no volume das guitarras. Pois “Back to the Shack” tem uma introdução tão matadora que parece vir da melhor época de Eddie Van Halen… A continuação da canção não deixa a desejar, apresentando força e qualidade melódica inegáveis.

Flying Lotus feat. Kendrick Lamar – Never Catch Me

“You’re Dead”, novo registro do Flying Lotus, desponta como um dos melhores discos do ano. Longe de soar melancólico ao abordar temas mórbidos, o álbum desperta variantes importantes sobre os sentimentos que envolvem a morte. Em um dos mais espetaculares clipes do ano (e olha que nesse quesito 2014 está ótimo), duas crianças “acordam” de seu próprio velório para dançar, libertando-se… Ritmo e rimas velozes enchem o cenário de significado, dando ainda mais poder à faixa.

Bass Drum of Death – Left for Dead

Morte de novo? Poxa, o dia de finados é só no mês que vem… Calma, agora as complexidades dos sentimentos mórbidos passam longe. No novo single do Bass Drum of Death, guitarras explodem em prol da diversão, da despreocupação. Nada de novo, mas uma energia impecável, que acaba causando uma boa impressão quanto aos rumos que o disco “Rip This” apresentará.