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Clipes & Singles: Semana 22/2014

Clipes & Singles

Pixies – Silver Snail

Recheado de vídeos, o novo disco da banda Pixies, “Indie Cindy”, está se tornando o trabalho mais promovido que o grupo já fez… O que é compreensível visto a baixa qualidade do registro em relação aos antigos clássicos da banda. No clipe gravado para “Silver Snail”, a esquisitice dos vídeos recentes do grupo surge novamente, demonstrando um conceito totalmente abstrato. Seria o vídeo para pensar ou não ele significaria, na realidade, absolutamente nada?

Foster the People – Best Friend

O último disco do Foster the People pode ter falhado, mas nada que não possa ser “consertado” com alguns vídeos interessantes. Esse é o caso do clipe de “Best Friend”, em que a banda sugue o cotidiano insano de uma supermodel, amarrando-se ao título do álbum e criticando de forma criativa os padrões pré-fabricados de beleza e sucesso.

Fernando Temporão – De Dentro da Gaveta da Alma da Gente

Autor de um dos melhores discos brasileiros do ano passado, o músico Fernando Temporão agora surge com o clipe da faixa-título do trabalho que o apresentou para todo o país. Nas imagens do vídeo de “De Dentro da Gaveta da Alma da Gente”, um teor retrógrado é explicado para dar ainda mais ênfase às memórias do compositor, que são retratadas na bela e orquestrada canção.

Disclosure ft. Fiend Within – The Mechanism

A ótima “The Mechanism”, faixa que reúne o Disclosure e o Friend Within, acaba de ganhar um clipe animado, que se comporta como uma continuação da proposta apresentada no capa do single. Os ingleses continuam mostrando que, depois de lançar um dos melhores álbuns do ano passado, sua ânsia em surpreender os ouvintes parece ter aumentado ainda mais.

The Baggios – Sem Condições

Com seu tradicional turbilhão de guitarras, o duo nordestino The Baggios, que lançou um dos melhores álbuns nacionais de 2013, surge agora em um clipe minimalista dirigido por Derick Borba. Considerado por muitos como uma espécie de “Black Keys brasileiro”, o duo continua mostrando, com grande competência, porque é considerado, pela crítica especializada, como um dos grandes projetos musicais da atualidade.

Lana Del Rey – Shades of Cool

“Ultraviolence” está chegando para dar ainda mais ênfase ao universo blasé da estrela Lana Del Rey. “Shades of Cool”, uma das faixas do disco, amplifica os vocais charmosos da cantora através de belos arranjos, que, apesar de simples, conseguem construir com primor um teor atmosférico.

Miguel – Simplethings

Se “Simplethings” já era uma ótima canção, agora, ao receber uma produção audiovisual, seu conceito torna-se ainda mais claro: uma ode às coisas simples (e realmente importantes) da vida. Contando com a participação da modelo Gigi Hadid e de Vento Cinzento, lobo de Robb Stark no seriado Game of Thrones, o vídeo se mostra como uma assertiva promoção para o single, que deverá fazer parte do terceiro álbum do californiano Miguel.

Ariana Grande ft. Iggy Azalea – Problem

Ariana Grande é um daqueles produtos óbvios da música pop dos Estados Unidos: depois de estrelar um seriado teen, parte para um trabalho fonográfico pop e altamente radiofônico, contando com o apoio de uma grande gravadora, com produtores renomados e muito dinheiro a ser investido. Surpreende, porém, que mesmo em meio a tantas obviedades, a jovem consegue ser um ponto fora dessa curva em que estão estacionadas cantoras como Selena Gomez e Miley Cyrus. Ariana faz diferente; sua música é grudenta, tocará muito nas rádios ao redor do mundo, mas não deixa de flertar com elementos ricos… Em “Problem”, canção que conta com a participação da rapper Iggy Azalea, o apelo pop se encontra com um fantástico loop de saxofone, dando um brilho a mais aos vocais plásticos e às excitantes batidas sintéticas. Enfim, um primor em produção.

Audac – Espirit

Falando em produções caprichadas, os paranaenses da Audac, que foram apadrinhados por Gordon Raphael em seu primeiro disco, estão agora lançando uma produção audiovisual de uma de suas canções. Com ótimas sequências e sobreposições de imagens, o clipe de “Espirit” consegue representar muito bem as várias camadas sonoras sobre as quais os arranjos são pautados, bem como o conceito etéreo da canção.

Ghostface Killah & BadBadNotGood ft. Danny Brown – Six Degrees

Além de reunir Ghostface Killah e Danny Brown, dois dos grandes rappers da atualidade, a canção “Six Degrees” traz na produção os canadenses do BadBadNotGood, verdadeiros monstros do hip-hop com suas passagens pelo jazz e pelo fusion. O resultado? Só poderia ser fantástico… Uma das melhores músicas do ano.

2014: Indie Cindy – Pixies

Indie Cindy

Por: Renan Pereira

O quinto disco dos Pixies: um lançamento que, anos atrás, parecia tão improvável quanto um novo álbum do Johnny Cash. Mas o mundo da música, felizmente, costuma pregar surpresas naqueles ouvintes que insistem em sepultar artistas que envelheceram… David Bowie sendo aclamado por um novo trabalho? Leonard Cohen produzindo um dos discos mais coesos de sua carreira? Michael Gira alcançando seu ápice artístico aos sessenta anos? Se tudo isso vem acontecendo, o ouvinte esperto jamais duvidará das capacidades de um veterano.

E quando as inúmeras décadas vividas englobam Black Francis, David Lovering e Joey Santiago? O resultado tende a ser, no mínimo, bem curioso. É estranho acompanhar os Pixies dando à luz a seu quinto trabalho vinte e três anos depois de seu antecessor, o disco “Trompe le Monde”, ainda mais sem a marcante presença de Kim Deal, que abandonou a banda para investir em sua carreira solo. Mais estranho ainda é perceber que, “Indie Cindy”, tido como um disco novo, é, na verdade, nada mais do que a compilação dos três últimos EP’s do grupo, lançados ao longo dos últimos nove meses… É como se o novo trabalho necessitasse de um tempo de gestação para nascer com forças suficientes para sobreviver. Pois, no fim das contas, “Indie Cindy” tem a capacidade de viver, mesmo que seja na incubadora, com o auxílio de aparelhos…

Podemos dizer que esses “aparelhos” tem como fonte de energia o passado glorioso que os Pixies carregam. Autores de uma das mais influentes discografias da história da música, o quarteto de Boston se elevou à glória não apenas pela altíssima qualidade de suas canções, mas devido à sua intensa e recorrente preocupação em inovar. Lá em 1987, Kim Deal experimentava seu vocal em diversos cômodos do estúdio (procurando alcançar o perfeito eco natural), enquanto Black Francis investia em todos os tipos possíveis de distorção, e Joey Santiago disparava sujeira para todos os lados… Bastam poucos fatos para que não seja nada difícil perceber porque os Pixies foram rotulados de “salvadores do rock”, em uma época em que os excessos do hard rock e do new wave ditavam os rumos da música comercial.

Já hoje, em 2014, mesmo com o seu prestígio inalterado, o grupo não consegue trazer a um novo público a mesma aura atraente de vinte e tantos anos atrás. Isso é compreensível? É claro, pois o tempo é um adversário que, no fim das contas, ninguém consegue derrotar. Eles envelheceram, estão agora em uma época totalmente diferente, e os desejos do público não são mais os mesmos. Obviamente, ninguém espera ver dinossauros do rock reinventando a roda mais de duas décadas depois de viver o seu ápice artístico, ainda mais se lavarmos em consideração um conjunto que ficou tanto tempo sem trabalhar em estúdio… Mas músicas de alta qualidade é um desejo geral que nunca deixaremos de ter – e, para nossa infelicidade, é aí que “Indie Cindy” derrapa.

Entretanto, existem algumas faixas divertidas. Se você der o play na primeira faixa, “What Goes Boom”, se sentirá de volta ao fim dos anos oitenta, com uma canção que poderia muito bem ter feito parte do set list dos velhos discos dos Pixies: um turbilhão de guitarras, uma boa melodia e um teor energético formam uma base que parece acariciar os ouvidos dos fãs das antigas. Pule para a quarta faixa e você poderá matar a saudade de Francis, Lovering e Santiago pautando seus lançamentos na busca de novos elementos, mesmo que isso possa resultar em uma estrutura sonora pra lá de estranha… A sétima, “Blue Eyed Hexe”, não chega a ser um primor, mas consegue provar que esses tiozinhos de 50 anos ainda tem energia pra colocar na fogueira.

Há, além disso, bons momentos de pura nostalgia: “Another Toe in the Ocean” parece ser uma ode ao rock do início dos anos noventa, fazendo com que o ouvinte chegue até mesmo a sentir o cheiro que envolvia aqueles anos; “Jamie Bravo”, a faixa final, tem um riff inicial fantástico, soando clássica, e fazendo-nos recordar dos momentos mais inspirados da banda… Canções que mostram que, mesmo em um mundo tão distante do oitentista, os veteranos Pixies ainda podem ser relevantes.

Então, onde estão as derrapadas? Basicamente, em todas as músicas ainda não citadas. Quando brinca com estruturas semi-acústicas, por exemplo, a banda transparece sinais de cansaço ao errar no que a grande maioria das bandas ditas “alternativas” pautam suas bases sonoras: canções inofensivas, que soam como trilha-sonora para elevadores… Esses são os casos de “Greens and Blues” e “Ring the Bell”, baladas sem-graça que poderiam ter sido compostas por um grupo chato, como o Travis, e não por uma das maiores bandas da história. Há ainda aqueles momentos em que as canções parecem não ter rumo, como é marcante na décima faixa, “Andro Queen”.

“Magdalena 318”, “Silver Snail”, “Snakes” e a faixa-título são canções que não conseguem dizer porque se fazem presentes no registro… Números pouco atraentes, monótonos e óbvios que podem fazer com que a atenção do ouvinte se disperse, e o tão esperado retorno dos Pixies acabe se tornando um fato muito aquém das expectativas.

Sim, “Indie Cindy” não é um grande álbum de retorno. Somando-se os prós e os contras, o que se vê é um trabalho banal, com poucas faixas que lembram a qualidade extrema que os Pixies alcançaram lá na virada das décadas de oitenta e noventa. Visivelmente, o disco acaba soando deslocado, tanto cronologicamente quanto conceitualmente, e deixa dúvidas quanto à qualidade dos futuros trabalhos da banda, se é que eles existirão. Mas há um porém que deve ser destacado: é óbvio que eles não desaprenderam. Muitos agora vão abandonar os Pixies, rotulando-os de artisticamente aposentados, e é aí que a surpresa pode morar: o novo registro da banda pode até ter poucas faixas atraentes, mas nestas o grupo mostra que ainda sabe como compor ótimas canções. Esperemos, portanto, um trabalho à altura dos Pixies nos próximos anos.

NOTA: 5,9

Track List:

01. What Goes Boom [03:32]

02. Greens and Blues [03:46]

03. Indie Cindy [04:41]

04. Bagboy [04:52]

05. Magdalena 318 [03:26]

06. Silver Snail [03:29]

07. Blue Eyed Hexe [03:11]

08. Ring the Bell [03:34]

09. Another Toe in the Ocean [03:46]

10. Andro Queen [03:23]

11. Snakes [03:45]

12. Jaime Bravo [04:24]

Clipes & Singles: Semana 01/2014

Clipes & Singles

Depois de um 2013 agitado, o novo ano já começa com tudo. Novas canções explodem pelo mundo da música, seja para mostrar um novo aspecto do que já conhecemos ou para apresentar a sonoridade de futuros álbuns. Sim, amigos, agora 2014 começou pra valer, e o nosso modesto blog abre o ano com o já tradicional resumo de singles da semana. Dessa vez, misturamos as principais músicas promocionais lançadas nos últimos suspiros de 2013 com as apresentadas nos primeiros instantes de 2014… Talvez um anúncio de que, nesse ano, ouviremos muita música boa.

Emicida – Papel, Caneta e Coração

O ano de 2013 apresentou-se como um divisor de águas para Emicida. Ao lançar o clássico imediato “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”, o rapper se tornou um dos músicos mais aclamados do Brasil, indo além dos limites naturais do hip hop nacional. Ao lançar uma nova cação, “Papel, Caneta e Coração”, o artista parece querer homenagear o público que tanto tem o louvado, e ao mesmo tempo, com um novo clipe, fazer uma espécie de retrospectiva, unindo imagens dos bastidores de seu trabalho em 2013.

Ariel Pink & Sky Ferreira – My Molly

Grant Singer resolveu unir Ariel Pink e Sky Ferreira em uma canção rápida, em um pequenos show em um cômodo totalmente branco. Envolvidos pela performance, atuando livremente, os músicos acabaram dando imagens envolventes à energética canção, que acomoda a guitarra suja e o aspecto caseiro da música de Ariel Pink no pop alternativo envolvido por vozes plásticas de Sky Ferreira. Bem que os dois poderiam colaborar em outras oportunidades, não?

Pixies – Blue-Eyed Hexe

Os rumos atuais da banda Pixies são difíceis de entender. Há muito tempo sem lançar nada, a banda apresentara, em setembro 2013, um novo trabalho, porém pequeno, intitulado “EP1”. Agora, com nova baixista e tudo (Paz Lenchantin herdou o posto deixado por Kim Shattuck), o grupo decidiu lançar mais um novo EP. Não seria melhor lançar um álbum “de verdade” de uma vez, Black Francis? Talvez para suprir a grande inatividade, algo maior ainda esteja a caminho… Enquanto isso, sem deixar a desconfiança de lado, acompanhemos o novo single da banda, “Blue-Eyed Hexe”, que mais parece uma colaboração com os australianos do AC/DC.

Katy B – Crying for No Reason

Com “Little Red”, Katy B parece inclinada a dar um novo rumo à carreira. Indo em uma direção contrária ao primeiro disco da britânica, “On a Mission”, de 2011, o novo álbum, cujo lançamento está previsto para o dia 3 de fevereiro, parece transformar aquele pop descompromissado de outrora em um exercício pleno de evolução, encontrado na sobriedade adquirida pela cantora um destacável ponto de maturidade. “Crying for No Reason”, uma das faixas do futuro registro, agora ganha um clipe em que a pouca luminosidade procura representar a nova sonoridade da artista.

Silversun Pickups – Cannibal

Três discos de estúdio já servem para a construção de uma compilação? Para o Silversun Pickups, a resposta é sim. Enquanto a boa banda agrupa suas melhores faixas em “The Singles Collection”, uma faixa inédita que fará parte do registro é apresentada aos ouvintes. Reunindo parte da tradicional sonoridade do grupo, mas ao mesmo tempo apresentando sinais de inovação, “Cannibal” afunda-se em um instrumental torto, permeado por riffs sujos, vocais etéreos e uma constante interação do indie rock com a música eletrônica. Uma canção excitante, mas que estará em um disco desnecessário. Se compilações poucas vezes são bem-vindas, uma que reúne canções de apenas três álbuns é menos ainda.

Run the Jewels – Pew Pew Pew

EL-P e Killer Mike planejam, para o dia 13 de janeiro, o lançamento da versão deluxe do primeiro disco do duo – aclamado trabalho que também figurou na nossa lista dos 30 melhores álbuns internacionais de 2013. Com seu hip hop cru, rotulado como “hardcore”, a dupla de rappers implementa a extensão de seu disco com uma canção que acompanha todos os êxitos das faixas já conhecidas, trazendo em um turbilhão de batidas e rimas uma base pra lá de bem resolvida.

Band of Skulls – Be Mine

As bandas que planejam lançar novos discos nesse ano de 2014 não perdem tempo para atiçar seus ouvintes. Um desses casos ocorre com o trio “Band of Skulls”, que para promover seu próximo trabalho, o álbum “Himalayan”, revelou a faixa “Be Mine” e, de quebra, o seu clipe. A música, que inicia-se tranquila, melódica, dando amplo destaque para as harmonias, acaba encarando uma explosão barulhenta em seu desfecho. Um aperitivo delicioso, e a promessa de um bom disco.

Elliphant – Where Is My Mama At

Em um clipe que parece representar a sua infância, a rapper sueca Elliphant atira um bocado de rimas para o ouvinte em meio a uma produção assertiva de batidas e efeitos sonoros. Nada de brincadeiras tradicionais de criança, porém, fazem parte do cotidiano das garotas do vídeo: andar dentro de um carrinho de supermercado, passear sobre trilhos de trem e pichar estão entre as atividades desenvolvidas pelas meninas, enquanto dançam uma coreografia ao som da canção.

Yuck – Somewhere

Em um clima melancólico, com muita melodia, se apresenta a canção “Somewhere”, faixa de “Glow & Behold”, segundo álbum dos ingleses do Yuck. Acompanhando a movimentação de um aeroporto, o quarteto consegue produzir, com a direção de Jacob Perlmutter, a perfeita representação em imagens para os rumos melódicos. Certo ar de saudade e uma tristeza discreta permeiam a canção (e o vídeo) em sua totalidade, perfazendo um número especial para recolhimento. Não à toa, é uma ótima pedida para antes de dormir.

Drake – Trophies

Outro cara que não pode reclamar nada de 2013 é Drake. O canadense, que encontrou em “Never Was the Same” o auge de sua carreira (o disco inclusive fez parte da lista dos melhores discos do ano deste blog), nos últimos dias foi até elogiado por Lorde – que, tempos atrás, havia criticado a sua música, chamando-a de superficial. Somado a isso, uma participação pra lá de assertiva no último disco de Beyoncé, e a certeza de ser um dos músicos mais requisitados da atualidade. Para brindar um ano tão bom, e ao mesmo tempo dar a largada para seus projetos em 2014, o músico liberou uma nova faixa, “Trophies”, que acompanha todo o bom resultado alcançado pelo último disco.

Clipes & Singles: Semana 50/2013

Clipes & Singles

Pelo menos musicalmente, 2013 e 2014 se fundem na mais nova edição da nossa seção Clipes & Singles. Na segunda semana de dezembro, canções referentes a trabalhos recentes e futuros se misturam em uma seleção heterogênea, mas fortemente ligada à música alternativa. Quer provas de que o indie está ditando as ordens do mundo musical? Acompanhe os vídeos abaixo e divirta-se em uma viagem por diferentes vertentes da atualidade.

Apanhador Só – Mordido

Antes que você conte outra, devo afirmar que o último disco dos gaúchos da banda Apanhador Só está não apenas entre os melhores do ano, mas entre os maiores clássicos do indie rock brasileiro. Portanto, alguma música do disco merecia um registro audiovisual, não? Comprovando que ao-vivo as coisas ficam ainda mais quentes, o clip de “Mordido”, canção que abre o disco “Antes que Tu Conte Outra”, mostra que mesmo fora do estúdio os caras conseguem captar todos os efeitos que constroem a estrutura torta (e inventiva) de sua base musical.

St. Vincent – Birth in Reverse

O ruído tomou conta da música de St. Vincent. Isso pelo menos é o que mostra “Birth in Reverse”, trazendo um conceito mais próximo do rock do que da música pop. Primeira faixa disponibilizada do futuro álbum de Annie Clark, a ser lançado ainda no primeiro semestre de 2014, a canção faz o ouvinte se deparar com um show de guitarras, amparadas em uma estrutura praticamente matemática.

Zula – Twin Loss

Cenários pouco famosos de Nova York e uma movimentação constante formam o clipe de “Twin Loss”, canção de destaque dos novatos do Zula. Faixa integrante do ótimo álbum “This Hopeful”, lançado em novembro, a canção passeia por elementos psicodélicos enquanto encara uma sonoridade tranquila, pautada no rock alternativo dos anos noventa, mas nem por isso pouco colorida, bordando em imagens um registro propositalmente atmosférico.

Kaiser Chiefs – Misery Company

Parece que o Kaiser Chiefs realmente perdeu o fio da meada. Acompanhando o resultado ruim dos trabalhos mais recentes do grupo, “Misery Company”, primeira faixa liberada do futuro disco “Education, Education, Education & War”, se agarra ao conceito sempre bem-humorado e irônico, tradicional das canções do quinteto, mas se perde em uma sonoridade pobre, em que nem o ritmo consegue soar interessante. Agora é esperar, e torcer para que as demais canções do álbum não sejam tão fracas quanto o primeiro single.

Young Galaxy – Fever

Brincando com o poder da nossa visão, o grupo Young Galaxy constrói, com as bases sonoras de “Fever”, mais um clipe relativo ao disco “Ultramarine”. Refletindo o alcance de nossos olhos, as cores e os cenários que podem (ou não) ser visualizados, o vídeo se agarra aos detalhes para dar imagens certeiras a uma canção naturalmente psicodélica.

Pixies – Another Toe in the Ocean

Embora o rápido “EP1” não tenha sido muito bem recebido pela crítica, a banda Pixies continua se esforçando para a promoção do registro. Nova música do grupo a ganhar imagens, “Another Toe in the Ocean” é retratada em animação, trazendo como protagonista Black Francis, que primeiro participa de uma corrida maluca, depois é envolvido em uma explosão de doces, se mete no meio de uma operação policial para deter um bebê gigante e, no fim, é engolido por uma baleia gigante dentro de um copo de suco. Se a música não nos remete aos gloriosos tempos da banda, o clipe pelo menos é bem divertido.

Lorde – No Better

Lorde não deve abandonar os holofotes muito cedo. Seja com a já clássica “Royals” ou com o belo conjunto de canções do disco “Pure Heroin”, a neozelandesa vem se tornando uma nova estrela da música pop. Embora não esteja presente no bem-sucedido álbum de estreia da artista, “No Better” é uma sequência de toda a atmosfera sonora plantada por Lorde, encontrando nas batidas de hip-hop e em um teor que, apesar de pop, não deixa de experimentar, uma atmosfera totalmente assertiva. Se 2013 foi um grande ano para Lorde, 2014 promete ser igualmente glorioso.

Maximo Park – Leave This Island

Com a soturna “Leave This Island”, o Maximo Park apresenta ao público mais um capítulo de seu futuro disco “Too Much Information”, a ser lançado no início de fevereiro. Mais melódica do que dançante, a música ganha nas imagens repletas de simbolismo, que discutem a velhice e a passagem de tempo, um significado mais do que especial, que alcança sem muita dificuldade o conceito suave proposto pela canção.

Rashid – Bate e Gol

Se em “Confundindo Sábios” Rashid explorou diversas nuances do cotidiano popular, não poderia faltar ao disco alguma música falando sobre futebol, uma das maiores paixões do brasileiro. Embora a canção embarque em metáforas, um jogo de futebol entre duas equipes de rappers foi gravado para a canção “Bate e Gol”. Nomes como Emicida, Rael, Kamau e, é claro, o próprio Rashid, disputam uma pelada entre amigos, em que o juiz é interpretado pelo ator Milhem Cortaz, o policial Fábio Barbosa de “Tropa de Elite”.

Stephen Malkmus & The Jicks – Cinnamon and Lesbians

E se um clipe seguir literalmente a letra de uma canção conceitualmente lisérgica, como “Cinnamon and Lesbians”? O resultado sem dúvida é divertido. Mostrando mais uma prévia de “Wig Out at Jagbags”, álbum de lançamento previsto para o início de janeiro, o veterano Stephen Malkmus e a banda The Jicks dão imagens literais a seu bem-humorado novo single, deixando, mais uma vez, bem clara a proposta noventista que será carregada pelo futuro disco.

Clipes & Singles: Semana 47/2013

Clipes & Singles

Os compromissos do finzinho do ano costumam nos tomar um bom tempo, e no caso deste blog, quem paga o pato? Infelizmente, a seção “Clipes & Singles”, que anda um pouco atrasadinha. Mas, como você sabe, independente do que aconteça, ela sempre acaba aparecendo. Confira, portanto, os melhores vídeos musicais lançados na penúltima semana de novembro de 2013.

Disclosure feat. Sam Smith, Nile Rodgers & Jimmy Napes – Together

O burburinho criado em torno de “Random Access Memories”, o último álbum do Daft Punk, pode até já ter passado, mas ninguém pode negar que o disco continua influenciando o trabalho de vários outros artistas. Nova canção dos britânicos Howard e Guy Lawrence a frente de seu projeto Disclosure (que encontrou louvação nos primeiros meses desse ano com o lançamento do álbum “Settle”), “Together” marca a união dos jovens produtores com Nile Rodgers, um dos dinossauros da música pop. Além de Rodgers, participam da canção Sam Smith e Jimmy Napes, construindo uma ode ao clima tropical da cidade de Miami com uma nostálgica embriaguez setentista.

Arcade Fire – Afterlife

Os canadenses do Arcade Fire e sua “Afterlife”, faixa do aclamado “Reflektor”, voltam a fazer parte dessa seção de blog. É fato que a interação do álbum com as imagens do filme brasileiro “Orfeu Negro” acabou caindo com uma luva, amarrando o conceito do disco de forma perfeita… Mas isso parece não ser tudo para a banda. Segundo registro audiovisual do álbum, o clipe de “Afterlife” parece ser, no fim das contas, mais do que um simples vídeo de música. Assemelhando-se a um verdadeiro curta-metragem, o clipe passeia pela realidade e pelos sonhos de três gerações de homens de uma família de migrantes latinos com uma sensibilidade marcante – concluindo, enfim, aquela ideia de que os olhares da banda estão cada vez mais fixados na parte mais pobre do continente americano.

The Pastels – Kicking Leaves

Poucas bandas, em 2013, conseguiram converter de forma tão assertiva a sensibilidade em música quanto os escoceses do The Pastels. “Slow Summits”, o primeiro álbum do grupo em quinze anos, e um dos melhores discos deste ano, está repleto de canções melodicamente impecáveis, que pregam um deligamento do agitado cotidiano para um momento de contemplação. Para tanto, nada melhor do que utilizar as imagens e os tons do belo outono do hemisfério norte, certo? Pois é sobre tons alaranjados e uma concepção bucólica que o clipe de “Kicking Leaves” é construído, alimentando ainda mais a extrema agradabilidade da canção.

Kanye West – Bound 2

Dá para entender Kanye West? Talvez há quem se arrisque a tal feito, mas que não é nada fácil, ah, isso não é… Quem conferiu “Yeezus”, seu último álbum, pôde conferir um pouco do que se passa dentro da insana mente do rapper. Tudo bem, é nada mais justo que “Bound 2”, uma das melhores canções do disco, ganhe um registro audiovisual e status de single… Mas dessa forma? Sim, West é louco. Passeando de moto enquanto faz amor com sua esposa nua, o cara conseguiu produzir o pior clipe para uma grande canção de 2013.

Queens of the Stone Age – The Vampyre of Time and Memory

“Like… Clockwork”, o último álbum do Queens of the Stone Age, se caracterizou por ser um trabalho exagerado, tornando até certo ponto caricata a sonoridade da banda de Josh Homme. Porém, o disco foi muito bem aceito por grande parte da crítica e do círculo de fãs do grupo… A explicação? Justamente o exagero, condensando o tradicional som da banda em um conceito cada vez mais exuberante e próximo do grande público. Acompanhando os elementos exagerados do disco, o clipe da canção “The Vampyre of Time and Memory” é alocado em cenário animalesco e propositalmente brega. Ainda há uma versão interativa do vídeo, mostrando novamente que Josh Homme e seus pupilos têm como principal êxito o cuidado com seus seguidores.

Maximo Park – Brain Cells

Um misto de energia e mistério envolve a nova música do Maximo Park, “Brain Cells”. Em meio a uma dança esquisita ao melhor estilo Thom Yorke, a banda mostra em seu novo clipe um aperitivo do que está por vir em seu novo álbum, “Too Much Information”, previsto para fevereiro de 2014. Quer ser feliz? Dê play no vídeo abaixo, aumente o volume, dance loucamente e espere ansiosamente pelo disco, que trará na produção o bem cotado Dave Okumu.

Marcelo Perdido – Meu Maravilhoso Amigo Meu

O ano de 2013 ainda nem acabou, e já começamos a ser transferidos, aos poucos, para o mundo musical de 2014. Ex-integrante da banda Hidrocor, Marcelo Perdido nos traz mais uma canção que fará parte de seu primeiro disco em carreira solo, a ser lançado nos próximos meses. Assim como em “Lenhador”, em “Meu Maravilhoso Amigo Meu” o músico esbanja sensibilidade, trazendo nas imagens empoeiradas, que parecem ter sido retiradas de um velho VHS, uma amarração perfeita em sua estética propositalmente Lo-Fi.

Pharrell Williams – Happy

A mensagem que Pharrell Williams passa em seu novo clipe é simples, mas extremamente importante: seja feliz. Não importa onde você está, ou o que você esteja fazendo… Curta a vida, aproveite a natureza, vibre e dance. Aproveitando o conceito, o cantor resolveu lançar o primeiro clipe da história com duração de 24 horas. Isso mesmo: um dia inteiro de música e felicidade. Como companhia, nada melhor que uma música dançante e atraente de uma das melhores vozes da atualidade.

Pixies – What Goes Boom

Quem não gosta de “Star Wars” bom sujeito não é; deve ser ruim da cabeça ou doente do pé. Quando a banda Pixies resolveu homenagear a clássica franquia criada por George Lucas, a ideia, obviamente, mostrava-se maravilhosa. Mas o investimento… “Depois que a ideia se mostrou um tanto cara para produzir, achamos que a melhor próxima ideia no mesmo nível seria explodir nosso guitarrista, Joey Santiago – Esse é o tipo de compromisso que temos com a arte”, pronunciou-se a banda, que continua a promover seu fraquíssimo EP-1.

Franz Ferdinand – Bullet

Para promover os poderosos singles de “Roght Thoughts, Right Words, Right Action” nem é preciso muita coisa. Um clipe bem gravado, com a banda tocando a música, já basta. E é isso o que acontece com o energético clipe de “Bullet”. Uma apresentação da banda em um palco de 360º e alguns poucos efeitos de imagem já conseguem criar um ótimo vídeo para uma ótima canção.