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Clipes & Singles: Semana 48/2013

Clipes & SinglesE aqui estamos novamente. Como novembro já chegou ao fim, nada melhor do que resumirmos o que a mundo da música nos apresentou durante a última semana do penúltimo mês do ano em relação a singles… Para isso, obviamente, serve a seção Clipes & Singles, nos deixando sempre por dentro do que está acontecendo. Sim, amigo, esta seção do blog também é informativa.

Sky Ferreira – Night Time, My Time

Com seu disco de estreia, “Night Time, My Time”, a talentosa Sky Ferreira tirou a pulga de trás da orelha de muitos que não viam a possibilidade da cantora, perdida em tantas atitudes temperamentais, lançar um álbum consistente. No fim das contas, o debut não apenas se caracterizou como um dos melhores registros de música pop do ano, mas como um trabalho extremamente confessional, transformando a persona conturbada da artista em canções fortes, sentimentais, e mesmo assim voltadas ao grande público. Agora, no clipe da faixa single, Ferreira visita sua personalidade instável de forma impecável, transformando-se em pessoas diferentes enquanto interpreta a canção mais sombria do disco.

The Killers – Just Another Girl

Dianna Agron, atriz do seriado “Glee”, é a nova vocalista do The Killers. O quê? Mas como assim? Calma, calma… Na verdade, a presença da artista dublando “Just Another Girl”, música inédita que estará presente na coletânea “Direct Hits”, é nada mais do que uma brincadeira da banda com o seu próprio passado. Imitando o vocalista Brandon Flowers, a atriz visita o que seriam os bastidores de famosos vídeos do grupo. Uma aposta mais do que assertiva para celebrar uma carreira de dez anos e inúmeros hits.

Criolo – Doum

Curta, impregnante, forte, genial… Assim é “Doum”, a nova canção do inquieto Criolo, que constrói a trilha sonora do documentário “Cidade Cinza”. Tratando da censura existente contra os grafiteiros na cidade de São Paulo, o rapper vai, novamente, muito além do rap: a música nordestina, fortemente influenciada por nomes como Luiz Gonzaga e Dominguinhos, torna-se morada para os versos impecáveis do artista, capazes de musicar com louvor as imagens da película.

Superchunk – Void

Com o recente “I Hate Music”, os ares dos anos noventa voltaram a pairar sobre o indie rock. Os “culpados”? Os veteranos do Superchunk, que continuam a levar a diante uma das mais bem sucedidas carreiras do gênero. Abraçando o bom humor característico do grupo, o vídeo do novo single da banda, “Void”, é um registro estupendo para se deliciar com versos fáceis e guitarras distorcidas, elementos que construíram com acerto o décimo álbum do conjunto.

Lulina – Bom Bom

A pernambucana Lulina é uma artista peculiar, uma cantora compromissada com a fuga do óbvio em meio à chata mesmice que muitas vezes envolve a música brasileira. Bem humorado, colorido e propositalmente infantil, o clipe de “Bom Bom”, canção que faz parte de “Pantim”, o último registro da cantora, parece se distanciar da proposta dolorida do disco. Abraçando, de certa forma, o que ela apresentara no álbum “Cristalina”, de 2009, a musicista brinca com o seu passado pueril, encontrando de forma muito tímida as bases que costuram sua música atual.

Icona Pop – Just Another Night

Nova sensação do sempre interessante pop sueco, a dupla Icona Pop tem alcançado um público cada vez maior com suas canções certeiras, capazes de atingir o público massivo sem nenhuma dificuldade. Agora, com o clipe de “Just Another Night”, Caroline Hjelt e Aino Jawo se transportam para Paris para dar imagens a uma das canções mais pomposas do disco, que se distancia do cenário festivo tradicional da dupla para encontrar nas imagens em preto e branco um ponto de ruptura em relação aos singles anteriores.

Ana Larousse – Vai, Menina

Há sempre uma grande responsabilidade quando se constrói o registro audiovisual de uma grande canção. Extremamente sensível, “Vai, Menina”, canção de abertura do bonito “Tudo Começou Aqui”, disco de estreia da curitibana Ana Larousse, se mostrava um desses casos… Como atingir, visualmente, a proposta artística impecável alcançada pela sonoridade da canção? Com um complemento do cenário introspectivo mostrado pela capa do disco, o diretor Bernardo Rocha conseguiu captar, com maestria, toda a emoção presente nos versos da faixa através de uma concepção extremamente poética de um ambiente de cores, sombras e folhas secas, explorando sem moderação a intimidade da cantora.

Bruce Springsteen – High Hopes

Bruce Springsteen pode até não ser mais nenhum mocinho, mas o cara não pára. Depois de brilhar no Rock in Rio, fazendo o melhor show do festival, sua energia parece continuar intacta: “High Hopes”, a primeira canção do novo álbum do músico a ser liberada, mostra que Springsteen está tão irrequieto como nunca. Repleta de riffs ruidosos e com um andamento que se afasta de qualquer aposta que poderia ser rotulada como comercial, a nova faixa não deixa de experimentar novos ares, mostrando que o músico continua a ser uma das mentes mais privilegiadas do rock.

Eminem – Rap God

É claro que Eminem já viveu fases melhores, e que seu “The Marshall Mathers LP 2″ não conseguiu ser aquilo que se planejava… Mas o rapper continua criando polêmica. Com um ego maior que o mundo, e novamente sendo acusado de homofobia, ele lança o clipe de “Rap God”, se auto proclamando uma espécie de divindade. Nessa “batalha dos deuses”, porém, ele atualmente perde feio para Kanye West, que parece ter roubado o trono que, um dia, já pertenceu a Eminem.

The Velvet Underground – I’m Not a Young Man Anymore

Talvez, nesse momento, o blog não precise mais falar muito do Velvet Underground. Afinal, a banda fundada por Lou Reed e John Cale acabou de inaugurar a nossa seção Discografando, onde demos uma breve repassada em sua carreira. O fato é que, mesmo em 2013, a banda continua a ser um assunto interessante… Com a morte de Reed o mundo voltou a olhar com carinho para o Velvet Underground, e agora, aproveitando os 45 anos de “White Light/White Heat”, a Universal decidiu lançar uma edição especial do disco. Contida nesse trabalho está a inédita “I’m Not a Young Man Anymore”, um gracejo para quem ainda está se sentindo órfão depois do falecimento de Reed.

Discografando: The Velvet Underground

Discografando

Eis a primeira postagem da mais nova seção do blog, a qual decidimos chamar de Discografando. Sobre o que ela se trata? Basicamente, fazer uma breve análise da discografia completa de uma banda ou artista, sem necessariamente apontar qual álbum é o pior ou o melhor. A intenção dessa seção, portanto, não é ranquear os exemplares de uma discografia, mas dar uma passada pela carreira de um nome importante da música, contando a sua história através de seus lançamentos de estúdio.

E nada melhor do que começar esta nova seção com uma das bandas mais influentes de todos os tempos, não? No caso, escolhemos o The Velvet Underground, banda norte-americana forma em 1964, na cidade de Nova York, por Lou Reed e John Cale.

The Velvet Underground & Nico1967: The Velvet Underground & Nico

Classificação: 5 estrelas

Frequentemente apontado como um dos mais importantes álbuns da história da música, “The Velvet Underground & Nico” iniciou a discografia da banda da melhor forma possível. Até aquele ano de 1967, quando as cores do movimento psicodélico e o movimento hippie tomava conta da cultura jovem de vários países do mundo, nada havia soado como o Velvet Underground. Nada. Em um tempo em que o tratamento suave das melodias dava as ordens na música popular, e o sentimento de “paz e amor” era geral, a banda nova-iorquina chegou para estremecer as bases do que era culturalmente aceitável.

Com “The Velvet Underground & Nico” e sua emblemática “capa da banana”, a estética do rock foi modificada para sempre. As melodias cuidadosas deram lugar a ruídos, sujeira e agressividade. A maconha e o LSD foram substituídos pela heroína, e o submundo foi abraçado: com letras que tratavam de sexo, prostituição, homossexualidade, caos e drogas, o Velvet Underground, de uma hora pra outra, inverteu os valores do rock… O que era anteriormente considerado de mal gosto se tornou poesia, e as pessoas começaram a olhar com mais carinho para os cenários menos coloridos da música. As sombras começaram a ter o seu valor.

Somando a um conceito lírico totalmente inédito, a presença da húngara Nico, com seu sotaque europeu, elevou o disco a uma áurea ainda mais andrógena. Os instrumentais elaborados por John Cale, acompanhando as guitarras sujas e raivosas de Reed, mostraram novas possibilidades para o uso dos instrumentos, criando novos conceitos de arranjos e gerando o embrião do que se tornaria, anos depois, o movimento punk. Em suma, “The Velvet Underground & Nico” não é só um dos melhores álbuns de todos os tempos; é o nascimento do rock alternativo.

White Light - White Heat

1968: White Light/White Heat

Classificação: 5 estrelas

As vendas de “The Velvet Underground & Nico” haviam sido um fracasso, e o produtor da banda, Andy Warhol, totalmente decepcionado, decidiu abandonar o grupo. O mundo só queria saber de “Sgt. Peppers’s Lonely Hearts Club Band”, e nem a aclamação recebida pela crítica conseguiu transformar o Velvet Underground em um sucesso.

Depois de quase se tornar a nova sensação do rock, a banda se viu de novo na estaca zero. Poucos conheciam e poucos estavam dispostos a ouvir o Velvet Underground; o psicodelismo estava em seu auge, dando pouco espaço para diferentes abordagens do rock. De certa forma indignada com o que estava acontecendo, o grupo nova-iorquino resolveu gravar um disco ainda mais experimental e barulhento.

Só que, para isso, a banda também não contaria com Nico, que estava vislumbrando uma carreira solo. Mesmo rachado, o grupo continuou com a intenção de gravar um novo álbum, que veio à tona em 1968, intitulado “White Light/White Heat”. Ainda mais desafiador que o álbum anterior, o disco foi marcado pela fantástica união da poesia andrógena de Reed com os instrumentais tortuosos de Cale, em um exercício insano de experimentação. No fim das contas, “White Light/White Heat” é um álbum que mesmo hoje, quase cinquenta anos depois de seu lançamento, mostra-se capaz de chocar o ouvinte.

The Velvet Underground1969: The Velvet Underground

Classificação: 5 estrelas

O clima dentro do Velvet Underground não estava dos melhores. Diferenças ideológicas e batalhas de egos permeavam o convívio dos dois fundadores da banda. No fim das contas, John Cale acabou sendo demitido, entrando para o seu lugar o também multi-instrumentista Doug Yule.

Sem a presença de Cale, a liderança se concentrou nas mãos de Lou Reed. Não por acaso, o terceiro álbum do Velvet Underground, auto-intitulado, é mais centrado nas letras do “poeta do underground”. São parcos os momentos de uma verdadeira experimentação, fazendo com que o disco, instrumentalmente, desse mais valor às melodias. “The Velvet Underground” é, portanto, o primeiro álbum tranquilo da banda.

Cada vez mais tomado pelas influências lisérgicas, Reed fez do disco um registro intimista, conceitualmente confessional, como bem representa a faixa “Pale Blue Eyes”, uma das mais conhecidas composições do músico. Liricamente impecável, o trabalho encontra na sensibilidade melódica uma completa oposição a tudo o que o grupo já havia feito, representando, com isso, o início de uma nova fase da carreira de Lou Reed. De acabamento sombrio, o registro encontra nas palavras e nos arranjos um produto extremamente relacionado ao íntimo de Reed, mas mesmo assim capaz de alcançar os sentimentos do público.

Loaded1970: Loaded

Classificação: 4,5 estrelas

Ainda mais distante dos ruídos experimentados em “White Light/White Heat”, “Loaded” parte do mesmo princípio sonoro de seu álbum antecessor para aconchegar os lirismos de Lou Reed em um ambiente tranquilo, permeado por abordagens serenas. As concepções sonoras mais silenciosas fazem a base, porém, para uma grande inquietação lírica: já abraçando elementos que seriam mais abordados em sua futura carreira solo, Lou Reed tratou de impressionar mais uma vez com um impecável conjunto de versos.

O compositor se viu a vontade para explorar Nova York de uma forma peculiar. Seja com o manuseio de personagens, como em “Lonesome Cowboy Bill” e “Sweet Jane”, ou em fantásticas incorporações intimistas, Reed arquitetou um disco que, como seu anterior, encontra nas palavras sua grande riqueza. São versos que se amarram, se completam, e mesmo assim surpreendem a todo instante. Eis aqui, indubitavelmente, a consolidação do “poeta do underground”.

A grande novidade de “Loaded” está, no fim das contas, no pensamento comercial que construiu o seu conceito. Sem barulhos, experimentos e canções longas, o disco foi planejado para alcançar as mãos do público, que sempre haviam se mostrado pouco generosas com a banda. Se isso foi um erro? É claro que não… Sem “Loaded”, a redescoberta da banda, que aconteceria anos mais tarde, com a explosão do punk, talvez não aconteceria. O álbum é um bom aquecimento para os momentos mais experimentais do grupo, embora esteja cronologicamente à frente.

Squeeze1973: Squeeze  

Classificação: 2 estrelas

Velvet Underground sem John Cale e Lou Reed? Sim, isso existiu, pelo menos oficialmente. “Squeeze”, último disco atribuído à banda é, na verdade, um projeto solo de Doug Yule sob o nome do antigo grupo: uma clara estratégia da gravadora para faturar algum dinheiro. Como resultado, um dos álbuns mais decepcionantes da história.

Pouca coisa de “Squeeze” remete à grandiosidade atingida pelo Velvet Underfround nos trabalhos anteriores. Sem Lou Reed as letras ficaram vazias, gritantemente medíocres… Se ainda houvesse John Cale para reger os instrumentais teríamos um produto interessante, mas, sem seus dois membros fundadores, o que era o Velvet Underground além de uma caricatura do passado? Tanto “Berlin”, de Reed, quanto “Paris 1919”, de Cale, lançados naquele mesmo ano, conseguiram mostrar mais do Velvet Underground do que o disco que carregou o nome do grupo.

Mas a estratégia da gravadora, no fim das contas, se mostrou totalmente equivocada: além de recolher inúmeras críticas da imprensa especializada, o disco não conseguiu vender bem. Infelizmente, um término decepcionante e melancólico para uma das mais brilhantes discografias da história da música.