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Clipes & Singles: Semana 42/2014

Clipes & Singles

Foo Fighters – Something From Nothing

“Sonic Highways”, o aguardado sucesso de “Wasting Light”, abre-alas: “Something From Nothing” é a primeira faixa do novo disco de Dave Grohl e sua trupe. Planejado para ser uma viagem sonora pelas terras do Tio Sam, o disco foi gravado em diversas estúdios, procurando captar a cena musical de cada cidade em cada faixa. No caso, “Something From Nothing” foi gravada em Chicago, e traz como participação especial o guitarrista Rick Nielsen, da banda Cheap Trick.

Noel Gallagher’s High Flying Birds – In the Heart of the Moment

Outro nome famoso do rock mundial que está de trabalho novo é o ex-Oasis Noel Gallagher. Depois de vencer a batalha com seu irmão e desafeto Liam (visto o fim das atividades do Beady Eye), o cara está para emplacar seu segundo disco com sua nova banda, intitulada High Flying Birds. “Chasing Yesterday” deve sair em breve, trazendo como principal single a música do vídeo a seguir, “In the Heart of the Moment”.

Damien Rice – I Don’t Want to Change You

Depois de um período de oito anos de hiato, quem está de volta à ativa é o renomado compositor irlandês Damien Rice. Felizmente não abandonando suas raízes folk e, pra melhorar, mostrando um inegável crescimento como músico, Rice lança a bela “I Don’t Want to Change You” como principal single do disco “My Favourite Faded Fantasy”.

Foxygen – Coulda Been My Love

Sempre apostando alto em seu rock psicodélico, os californianos do Foxygen abraçam seu novo projeto, o álbum “…And Star Power”, lançado na primeira quinzena do último mês de outubro. “Coulda Been My Love”, a terceira faixa do disco, registra bem a base musical do lançamento, mesclando rumos lisérgicos com um folk classudo.

Foster the People – Are You What You Want to Be?

Continuando com a promoção de seu disco “Supermodel”, a banda Foster the People revelou o clipe da canção “Are You What You Want to Be?”, contendo imagens da banda em turnê. Um conceito simples, mas que com uma boa direção consegue alcançar um bom resultado.

Chance The Rapper – No Better Blues

Chance The Rapper, autor de um dos melhores discos de 2013, é indubitavelmente um dos grandes novos nomes do hip hop mundial. Para provar essa ideia, o cara aparece com uma nova (e excelente) canção: unido ao coletivo The Social Experiment, Chance lança a ótima “No Better Blues”, sem os toques lisérgicos de outrora, apenas investindo em fundo tranquilo, permeado por batidas e versos.

The Kooks – Bad Habit

Sensualidade é o nome da palavra-chave do novo clipe da banda The Kooks, gravado para a canção “Bad Habit”. A música, faixa do disco “Listen”, o último lançamento do conjunto, ganha imagens através da vida cibernética de uma garota que não vê limites para a sedução nos chats da grande rede.

Run the Jewels – Close Your Eyes (And Count to Fuck)

O que falar do novo disco do Run the Jewels? Ele é simplesmente sensacional, afinal, está conseguindo o que muita gente duvidava: superar o primeiro lançamento do duo. Até porque, nada parece frear a veia musical irriquieta de Killer Mike e El-P, dois dos melhores rappers da atualidade. “Close Your Eyes (And Count to Fuck)” é apenas uma pequena amostra do colosso de “RTJ2”.

These New Puritans – Spitting Stars

Do hip hop brutal do Run the Jewels para a classe do These New Puritans: “Spitting Stars” faz parte do disco “Expanded”, que registra apresentações ao-vivo do grupo em companhia a uma orquestra de 35 músicos, com o intuito de entregar ao público uma magnífica revisitação da carreira do jovem coletivo inglês.

Kendrick Lamar – I

Para encerrar, nada melhor do que contar com um lançamento de um dos mais aclamados artistas da atualidade. Prestes a lançar um novo álbum (que tende a ser um novo clássico da música negra norte-americana), Kendrick Lamar embebeda-se na raiz do soul em “I”, apenas um capítulo do que tende a ser sua nova obra-prima.

Clipes & Singles: Semana 26/2014

Clipes & Singles

Robert Plant – Rainbow

Quem acompanha o trabalho do ex-vocalista do Led Zeppelin nos últimos tempos já sabe que o músico está cada vez mais próximo do universo folk. Pois um novo capítulo dessa nova fase da carreira do consagrado cantor deve ser apresentado em seu próximo álbum, “Iullaby and… The Ceasless Roar”, a ser lançado no dia 9 de setembro. A primeira canção do novo trabalho a ser revelada, “Rainbow”, calma e atmosférica, se agarra em um instrumental bem agradável, porém econômico, procurando destacar, obviamente, a performance vocal de Plant – bem como seu conhecido lado exotérico.

Grimes – Go

O novo single de Grimes, o primeiro depois do álbum “Visions”, foi anteriormente oferecido à cantora Rihanna, que acabou o recusando. Que bom. Longe dos exageros vocais e estéticos da barbadense, “Go” encontra encontra nos confortáveis vocais de Grimes e na caprichada produção de Blood Diamonds a morada perfeita para seus versos bem encaixados. Ainda não há maiores informações sobre o novo disco da cantora, mas quem gosta de música pop caprichada deve ficar atento nos próximos meses.

Jónsi – Where No One Goes

As animações estão com tudo. Não, esse blog não se dedica a filmes, tampouco somos fãs incondicionais de desenhos animados… Mas não dá para negar que, tratando-se de trilha-sonora, as produções animadas estão em ótima fase. “Como Treinar o Seu Dragão 2”, filme que dá sequência a uma bem-humorada franquia centrada na cultura medieval, traz nada mais nada menos que Jónsi, líder do Sigur Rós, como principal nome de sua trilha-sonora. Aqui, o islandês assina a canção “Where No One Goes”, que mesmo passando longe dos grandes êxitos do Sigur Rós, se comporta como uma música marcante – ponto fundamental para trilhas de produções cinematográficas.

FKA Twigs – Two Weeks

As velhas heranças do R&B são tratadas por FKA Twigs com um olhar constantemente voltado para o futuro. Em sua nova faixa, “Two Weeks”, a música negra da América do Norte encontra o future garage, e os vocais cheios de personalidade se derramam em arranjos etéreos… Tudo, no fim, construindo um teor atmosférico: uma impressionante produção. Se isso não bastasse, ainda há uma bela produção audiovisual, tratada pelas mãos de Nabil Elderkin.

Phil Selway – Coming Up For Air

O baterista do Radiohead está para lançar o seu segundo disco em carreira solo, intitulado “Wheatherhouse”. Pela primeira faixa do disco a ser apresentada, o resultado tenderá a ser ótimo: “Coming Up For Air” é uma belíssima canção, repleta de melancolia, e devido a seu aspecto atmosférico pode lembrar os trabalhos de Thom Yorke fora do Radiohead. Ainda que todos os elementos dos arranjos formem um conjunto excepcional, o destaque maior acaba ficando para a bela linha de bateria.

Sia – Big Girls Cry

Mais uma das faixas do álbum “1000 Forms of Fear”, da cantora Sia, acabou sendo revelada – só que dessa vez não-oficialmente. Canção que faz companhia a “Chandelier”, entre outras canções, no set list do disco, “Big Girls Cry” se desenvolve em um andamento bonito, em que as emoções se mostram à flor da pele, alocando com perfeição o vocal poderoso da cantora. “1000 Forms of Fear” tem tudo para ser um dos principais lançamento do ano no que tange à música pop.

Foster the People – Pseudologia Fantastica

“Supermodel”, como um todo, pode até ter falhado, mas nada impede que encontremos no segundo disco do Foster the People alguns números interessantes. Certamente a melhor canção do disco, a colorida “Pseudologia Fantastica” agora recebe um tratamento audiovisual dirigido pelo próprio Mark Foster, se relacionando de forma natural com a psicodelia dos rumos sonoros.

Zola Jesus – Dangerous Days

A norte-americana com descendência russa Nika Danilova mostrou ao público a primeira faixa de seu novo disco, intitulado “Taiga”. Em “Dengerous Days”, a forte voz da cantora casa-se com uma melodia confortante que, ao se unir com um andamento dançante, acaba criando uma bonita atmosfera sonora. O novo trabalho do projeto Zola Jesus deve ser lançado no início de outubro.

Bombay Bicycle Club – Come To

Depois de apostar na riqueza da cultura indiana em seu último clipe, agora o Bombay Bicycle Club deixa de lado os aspectos luxuosos para fazer de sua nova produção audiovisual um clipe simples, mas nem por isso menos assertivo: para dar imagens ao single “Come To”, uma apresentação ao-vivo da banda foi utilizada.

Clipes & Singles: Semana 22/2014

Clipes & Singles

Pixies – Silver Snail

Recheado de vídeos, o novo disco da banda Pixies, “Indie Cindy”, está se tornando o trabalho mais promovido que o grupo já fez… O que é compreensível visto a baixa qualidade do registro em relação aos antigos clássicos da banda. No clipe gravado para “Silver Snail”, a esquisitice dos vídeos recentes do grupo surge novamente, demonstrando um conceito totalmente abstrato. Seria o vídeo para pensar ou não ele significaria, na realidade, absolutamente nada?

Foster the People – Best Friend

O último disco do Foster the People pode ter falhado, mas nada que não possa ser “consertado” com alguns vídeos interessantes. Esse é o caso do clipe de “Best Friend”, em que a banda sugue o cotidiano insano de uma supermodel, amarrando-se ao título do álbum e criticando de forma criativa os padrões pré-fabricados de beleza e sucesso.

Fernando Temporão – De Dentro da Gaveta da Alma da Gente

Autor de um dos melhores discos brasileiros do ano passado, o músico Fernando Temporão agora surge com o clipe da faixa-título do trabalho que o apresentou para todo o país. Nas imagens do vídeo de “De Dentro da Gaveta da Alma da Gente”, um teor retrógrado é explicado para dar ainda mais ênfase às memórias do compositor, que são retratadas na bela e orquestrada canção.

Disclosure ft. Fiend Within – The Mechanism

A ótima “The Mechanism”, faixa que reúne o Disclosure e o Friend Within, acaba de ganhar um clipe animado, que se comporta como uma continuação da proposta apresentada no capa do single. Os ingleses continuam mostrando que, depois de lançar um dos melhores álbuns do ano passado, sua ânsia em surpreender os ouvintes parece ter aumentado ainda mais.

The Baggios – Sem Condições

Com seu tradicional turbilhão de guitarras, o duo nordestino The Baggios, que lançou um dos melhores álbuns nacionais de 2013, surge agora em um clipe minimalista dirigido por Derick Borba. Considerado por muitos como uma espécie de “Black Keys brasileiro”, o duo continua mostrando, com grande competência, porque é considerado, pela crítica especializada, como um dos grandes projetos musicais da atualidade.

Lana Del Rey – Shades of Cool

“Ultraviolence” está chegando para dar ainda mais ênfase ao universo blasé da estrela Lana Del Rey. “Shades of Cool”, uma das faixas do disco, amplifica os vocais charmosos da cantora através de belos arranjos, que, apesar de simples, conseguem construir com primor um teor atmosférico.

Miguel – Simplethings

Se “Simplethings” já era uma ótima canção, agora, ao receber uma produção audiovisual, seu conceito torna-se ainda mais claro: uma ode às coisas simples (e realmente importantes) da vida. Contando com a participação da modelo Gigi Hadid e de Vento Cinzento, lobo de Robb Stark no seriado Game of Thrones, o vídeo se mostra como uma assertiva promoção para o single, que deverá fazer parte do terceiro álbum do californiano Miguel.

Ariana Grande ft. Iggy Azalea – Problem

Ariana Grande é um daqueles produtos óbvios da música pop dos Estados Unidos: depois de estrelar um seriado teen, parte para um trabalho fonográfico pop e altamente radiofônico, contando com o apoio de uma grande gravadora, com produtores renomados e muito dinheiro a ser investido. Surpreende, porém, que mesmo em meio a tantas obviedades, a jovem consegue ser um ponto fora dessa curva em que estão estacionadas cantoras como Selena Gomez e Miley Cyrus. Ariana faz diferente; sua música é grudenta, tocará muito nas rádios ao redor do mundo, mas não deixa de flertar com elementos ricos… Em “Problem”, canção que conta com a participação da rapper Iggy Azalea, o apelo pop se encontra com um fantástico loop de saxofone, dando um brilho a mais aos vocais plásticos e às excitantes batidas sintéticas. Enfim, um primor em produção.

Audac – Espirit

Falando em produções caprichadas, os paranaenses da Audac, que foram apadrinhados por Gordon Raphael em seu primeiro disco, estão agora lançando uma produção audiovisual de uma de suas canções. Com ótimas sequências e sobreposições de imagens, o clipe de “Espirit” consegue representar muito bem as várias camadas sonoras sobre as quais os arranjos são pautados, bem como o conceito etéreo da canção.

Ghostface Killah & BadBadNotGood ft. Danny Brown – Six Degrees

Além de reunir Ghostface Killah e Danny Brown, dois dos grandes rappers da atualidade, a canção “Six Degrees” traz na produção os canadenses do BadBadNotGood, verdadeiros monstros do hip-hop com suas passagens pelo jazz e pelo fusion. O resultado? Só poderia ser fantástico… Uma das melhores músicas do ano.

2014: Supermodel – Foster the People

Supermodel

Por: Renan Pereira

Nunca bastou a nenhum projeto musical um simples conjunto de hits para que se candidatasse a uma quase unanimidade. Até por isso, o Foster the People ainda não obtém, sequer entre o público indie, uma louvação geral: há quem adore, há quem odeie e há quem o considera apenas um projeto legal. Mas afinal de contas, o que é o Foster the People? Um segundo álbum sempre tenta preencher as prováveis lacunas da estreia, e “Supermodel” se apresenta como o meio mais plausível para que certas dúvidas sejam respondidas.

Da força de “Torches”, o primeiro disco do conjunto, ninguém duvida. É provável também que ninguém levante alguma questão sobre a inteligência musical que permeia o cerne do conjunto, visto que seu líder, Mark Foster, não é apenas um músico, mas um sujeito graduado em música. Da mesma forma, ninguém discorda que, desde os primeiros segundos do primeiro disco, já estava clara a grande capacidade da banda em brincar de forma convincente com inúmeras facetas da música pop a fim de criar hits cativantes. O que dizer, afinal, de canções tão pegajosas e empolgantes como “Pumped Up Kids” e “Call It What You Want”? “Torches” convenceu com sua salada musical regada a números grudentos, mas ainda assim não foi capaz de dizer, em plenitude, o que o Foster the People é.

Seria a banda, enfim, uma grande hitmaker? Se o primeiro disco havia flertado com esse rótulo, seu sucessor deveria trazer a concretização de uma ideia sonora. Aguardado com ansiedade, “Supermodel” chega para tentar acrescentar mais alguns êxitos comerciais na sala de troféus do conjunto, enquanto tenta provar, até mesmo com certo ar de urgência, que Mark Foster e seus pupilos continuaram evoluindo nesses três últimos anos.

Assim como havia acontecido no registro anterior, “Supermodel” trata de saciar a sede do público por canções pegajosas logo em seu início. Fazendo seu dever de casa com primor, a primeira faixa, “Are You What You Want to Be?”, se comporta como um grande hino pop, partindo de onde “Torches” havia parado para conquistar o ouvinte sem nenhum dificuldade: uma letra interessante, arranjos certeiros e rumos melódicos pra lá de potentes servem como um perfeito abre-alas para o que promete ser um grande disco. A explosão sonora continua em “Ask Yourself”, que consegue emular um conjunto de clichês da música pop em uma estrutura atraente, satisfazendo os sempre ferrenhos planos comerciais da gravadora ao mesmo tempo em que consegue demonstrar a força artística do grupo.

Mas as estruturas óbvias do pop não conseguem se distanciar do descarte na terceira, “Coming of Age”, que apesar de se comportar como um número agradável para uma audição descompromissada, mais parece um rascunho do conceito “purpurinado” do último (e pior) disco do The Killers, “Battle Born”.  Ainda bem que gratas surpresas começam a surgir em “Nevermind”, uma assertiva canção de viés tropical que, para nosso espanto, bebe na fonte da chamada “nova MPB”, e mostra que, realmente, o Foster the People não deixou de crescer nesses três anos que separam “Torches” deste presente registro.

Toda essa evolução está ainda melhor condensada na dinâmica e moderadamente experimental “Pesudologia Fantastica”, em que a banda mostra pequenas fugas do habitual em uma estrutura rica e colorida, e deixando claro que o Foster the People está, mais do que nunca, disposto a flertar com o psicodelismo. Mais provas? Na curta “The Angelic Welcome of Mr. Jones” a banda incorpora os Beach Boys de “Pet Sounds” e “Smile” para criar uma vinheta de perfeita harmonia, condizendo bem com as pretensões do conjunto de fazer um “álbum perfeito de música pop”. Embora seja guiado por esse teor megalomaníaco, “Supermodel” nunca nega a seus ouvintes melodias de fácil acesso, visto “Best Friend” com suas guitarras rítmicas óbvias, uma pulsante linha de baixo e um clima todo animado. 

Mas a partir da oitava faixa, a banda parece deixar de atender suas próprias ideias a fim de satisfazer o dinheiro gasto com a luxuosa produção do disco, deixando as decisões conceituais e os rumos sonoros nas mãos do requisitado produtor Paul Epworth. Não há como negar a presença incisiva (e até mesmo exagerada) de Epworth na duvidosa “A Beginner’s Guide to Destroying the Moon”, que se enche de ecos de um pouco genuíno rock dos anos noventa para supostamente escancarar uma “evolução”. Porém, Epworth, Mark Foster e todas as pessoas que se envolveram com a produção de “Supermodel” deveriam saber que o Foster the People não alcança seus maiores méritos tentando imitar o Radiohead.

Mais um encontro com sons noventistas marca “Goasts in Tress”, um número pop que, de tão sem-graça e sonolento, poderia muito bem fazer parte de algum álbum do Travis. “The Truth” embarca em uma estrutura eletrônica tortuosa, e apesar de seu bom refrão, não diz nada quanto às qualidades do Foster the People; alguns até dirão que é a prova de que a banda sabe brincar com aspectos modernos da música eletrônica, mas a canção se trata, basicamente, de um ensaio do produtor Paul Epworth em que os integrantes do conjunto não são nada além do que meras marionetes. O fim do disco, realmente, não condiz com seu início arrasador: a faixa derradeira, “Fire Scape”, soa tão imatura que mais parece uma demo… Algo que seria até compreensível se o disco tivesse sido bordado com pressa, mas que não pode ser aceito quando se tem a notícia de que “Supermodel” foi construído ao longo dos três últimos anos.

Mas apesar de pouco assertivas, as últimas faixas não chegam a destruir o registro. Ainda que passe longe da ideia de “um perfeito disco de música pop”, o disco cumpre o seu papel de acrescentar novos hits à carreira da banda. Isso é muito pouco? Sim, se levarmos em consideração que o Foster the People é capaz de êxitos muito maiores… Não, se pensarmos que é essa é a grande intenção de qualquer projeto de música pop. É claro que as pretensões grandiosas não são cumpridas, mas negar ao disco o grande poder de suas primeiras faixas seria como assinar um atestado de surdez.

Se as faixas iniciais são convincentes, e as finais não atraem, não seria mais plausível, portanto, o lançamento de um EP? Talvez, mas é a urgência que claramente move o conjunto. Pressionado pelo público, pela crítica e pela gravadora a acertar em todas suas apostas, o Foster the People mostra, definitivamente, que grupo ele é: um trio ainda incomodado com os holofotes, ainda não completamente amadurecido e que não consegue caminhar por um disco de grande duração sem cometer alguns equívocos. Mas, ao mesmo tempo, é uma banda que merece nossa atenção e nossa torcida, pois se há algo que não lhe falta é capacidade: afinal, acaba ficando claro que, algum dia, eles farão um trabalho de dimensões grandiosas. “Supermodel” passa longe de ser um disco perfeito, mas mas ao comprimirmos apenas seus êxitos, veremos que se trata apenas de um ensaio para algo que ainda está por vir.

NOTA: 6,0

Track List:

01. Are You What You Want to Be? [04:30]

02. Ask Yourself [04:23]

03. Coming of Age [04:40]

04. Nevermind [05:17]

05. Pseudologia Fantastica [05:31]

06. The Angelic Welcome of Mr. Jones [00:33]

07. Best Friend [04:28]

08. A Beginner’s Guide to Destroying the Moon [04:39]

09. Goats in Trees [05:09]

10. The Truth [04:29]

11. Fire Escape [04:22]

Clipes & Singles: Semana 11/2014

Clipes & Singles

Marcelo Perdido – Creme Brulée

Prestes a lançar o seu primeiro disco em carreira solo, o ex-vocalista do Hidrocor, Marcelo Perdido, continua a apresentar ao público faixas que farão parte do álbum “Lenhador”. Em “Creme Brulée”, toda aquele conceito nostálgico das demais músicas que já haviam sido liberadas volta a dar o ar de sua graça, em um número romântico, melódico e que conta com uma criativa letra.

Daft Punk feat. Jay-Z – Computerized

Por incrível que pareça, “Random Access Memories” continua a render bons frutos. O encontro da vez reúne os franceses do Daft Punk com um dos maiores nomes da música norte-americana, Jay-Z. Acredita-se que a música não é mais um single referente ao disco, mas sim apenas uma sobra de estúdio, que (infelizmente) ficou de fora do álbum.

Lestics – Desvario

O sexto álbum de estúdio da banda paulistana Lestics está a caminho, e a julgar pela primeira faixa do novo disco a ser revelada, “Desvario”, um trabalho de grande qualidade será lançado. Embebida em um clima melancólico, e permeada por um belíssimo arranjo de cordas, a canção se comporta como um acompanhamento perfeito para o sempre assertivo teor poético apresentado pelo conjunto.

Franz Ferdinand – Fresh Strawberrys

Quando o clipe de “Erdbeer Mund” (a versão em alemão da canção “Fresh Strawberrys”) foi lançado, o público se perguntou: ué, não teremos um vídeo para a versão original da música? A resposta foi dada pelo Franz Ferdinand com o lançamento do tão aguardado clipe, em que a banda interpreta a canção em meio a um clima existencialista, parecendo se agarrar a todo instante ao inventos prtaticados por David Bowie lá no final dos anos setenta.

Banks – Brain

Se “Brain”, a nova canção da californiana Banks, já havia mostrado a constante evolução que adorna a carreira da cantora, agora, com seu clipe, o single ganha ainda mais significado. Inserida em um cenário misterioso, a artista atua sensualmente através de um progressiva brincadeira com sombras e luzes.

The Kooks – Down

Depois de alguns anos se arrastando em uma carreira pouco destacável, lançando trabalhos pouco criativos e sendo inclusive considerada com uma das piores bandas do indie rock britânico, o pessoal do The Kooks parece ter finalmente aberto os olhos. Por isso, eles investem em uma completa mudança de rumo: distante do indie rock insosso de outrora, a nova aposta da banda se encora em uma concepção moderna e dançante de R&B… Algo que promete bons frutos.

Foster the People – Best Friend

Dentro do conceito dançante do novo disco do Foster the People, “Supermodel”, se encontra a canção “Best Friend”, que ganhou um lyric video que segue a estética da capa do álbum. Embora o novo trabalho tenha decepcionado quem esperava um sucessor à altura de “Torches”, ainda há espaço para singles em potencial.

Transmissor – Fotografia 3×4

“Ainda Somos os Mesmos”, disco-tributo que homenageia um dos maiores clássicos da música brasileira, o álbum “Alucinação”, de 1976, de Belchior, é o projeto que atualmente mais movimenta a música alternativa do nosso país. Dentre os bons nomes que participam do projeto está a banda mineira Transmissor, que recrutada para reviver a canção “Fotografia 3×4” acabou criando uma formidável versão.

Panda Bear – Marijuana Makes My Day

Logo depois de ter anunciado o seu terceiro álbum em carreira solo, Loah Lennox, o Panda Bear do Animal Collective, surge mais psicodélico do que nunca na canção “Marijuana Makes My Day”. Claramente se agarrando em conceitos lisérgicos, a música utiliza das conhecidas referências do músico para criar um número extremamente exotérico, que pode até mesmo ser considerado como a mais fumada composição do artista até aqui.

Caio Prado – Maldade do Meu Bem

Caio Prado, um dos nomes mais promissores da MPB, acaba de lançar o primeiro clipe de sua carreira. Referente à canção “Maldade do Meu Bem”, o clipe se agarra a uma estrutura estética que acompanha, com louvor, as confissões e o recolhimento proposto pelo artista, onde tudo vem acompanhado por monumentais arranjos de cordas.

Clipes & Singles: Semana 06/2014

Clipes & Singles

Angel Olsen – Hi-Five

Dolorido e confessional, o novo trabalho de Angel Olsen trata dos anseios humanos com uma sensibilidade pra lá de tocante. Ponto de destaque dentro do novo disco da cantora, “Burn Your Fire for No Witness”, a terceira faixa, “Hi-Five”, explora com sinceridade o universo íntimo da jovem artista com muita melodia e melancolia. No vídeo referente à canção, imagens tratadas em um universo empoeirado e Lo-Fi, que parece ter saído de alguma produção barata da década de setenta, servem de acompanhamento para os bonitos rumos líricos.

Os Irmãos Carrilho – No Tempo que Passou

Os jovens curitibanos Alexandre Provensi e Matheus Godoy não estão interessados em novidade. O negócio deles é fazer música boa, independente se ela soar datada em um primeiro instante. Mas muito embora os primeiros segundos de “No Tempo que Passou” já possam revelar a estética retrógrada da dupla, o sentimento inédito é gritante: afinal, quantos são os jovens brasileiros interessados em reviver de forma sincera a música de raiz? Inspirados pelo folk norte-americano e pela música caipira tupiniquim, eles estão lançando, enfim, seu primeiro single, que ainda inclui a canção “Vida, Vida, Vida”. Dê o play no vídeo abaixo e sinta a sensibilidade musical pra valer.

Miguel – Simplethings

Depois de fazer sucesso em 2012 com o disco “Kaleidoscope Dream”, um dos melhores daquele ano, Miguel acabou se tornando um artista requisitado. Em mais um trabalho que vem à tona, o californiano colabora com a trilha sonora do seriado “Girls” com uma nova composição, “Simplethings”. Suave e dançante, a canção acompanha o conceito do último álbum do músico sem deixar de apresentar, porém, alguns traços de novidade. Será um aquecimento para um novo disco?

Maglore – Espelho de Banheiro

Dona de um dos trabalhos mais comentados no Brasil no último ano, o álbum “Vamos pra Rua”, a banda Maglore volta a caprichar com o lançamento do clipe de “Espelho de Banheiro”. Bem produzido, o vídeo acompanha em imagens em preto e branco e um certeiro clima de melancolia o cotidiano de uma prostituta.

Beck – Waking Light

Uma das figuras mais mutáveis (e geniais) da música mundial, o californiano Beck está de volta à produção de estúdio com seu décimo segundo álbum de estúdio, “Morning Phase”. Acompanhando o teor acústico e orquestrado do clássico “Sea Change”, porém  com sentimentos de calmaria e contemplação, o novo álbum tende a ser mais um memorável capítulo para a carreira desta figura ímpar da música. Faixa final do disco, “Waking Light” é um tratado melancólico e harmônico, representando a concepção sonora perfeita para o amanhecer.

Lily Allen – Air Baloon

No maior climão selfie, Lily Allen empunha uma câmera e filma a si mesma passeando pela savana africana no clipe de “Air Baloon”, a suave canção repleta de clichês que embala os aperitivos para o próximo disco da inglesa – que poderá se chamar, pasmem, “Sheezus”.

Tokio Police Club – Hot Tonight

Pop e agradável, “Hot Tonight”, o novo single do Tokio Police Club, foi agraciado com um lyric video bastante divertido. Em meio a riffs dançantes, um ritmo envolvente e um grande apelo comercial, os versos jorram das mais inesperadas maneiras, fazendo com que o ouvinte possa entender, pela primeira vez, todas as palavras de uma música da banda.

Eternal Summers – Gouge

O clima etéreo toma totalmente conta do clipe de “Gouge”, canção da dupla Eternal Summers que fará parte do disco “The Drop Beneath”, a ser lançado em 4 de março. Delicadas, as imagens acompanham os músicos enquanto uma instrumentação suave e um singelo vocal inundam nossos ouvidos.

Projota – Mulher

Já faz algum tempo que o rap nacional abraçou a música pop. Entre os nomes que levaram o gênero ao público massivo está o paulistano Projota, que aproveitou sua viagem com a esposa para Londres para gravar o clipe da romântica “Mulher”. Vai dizer que a música não é pop?

Foster The People – Coming of Age

Clichê. Assim podem ser definidos tanto os rumos sonoros quanto o clipe que embalam a faixa “Coming of Age”, o primeiro single do disco homônimo, a ser lançado pelo Foster the People ainda no mês de março… Se este álbum será tão comentado quanto “Torches”? Se levarmos em consideração o conceito sonoro tão insincero adotado pela banda, a resposta é, certamente, não.

Clipes & Singles: Semana 03/2014

Clipes & Singles

Copacabana Club – This Way

Adriano Cintra parece ter encontrado uma nova vida longe do CSS. Após ter deixado o grupo (que claramente ficou sem chão, vide o resultado decepcionante de seu último álbum, “Planta”), o músico vem encontrando uma boa continuação de sua carreira como produtor. Após ter ajudado a produzir o último disco de Marcelo Jeneci, Cintra investe seu trabalho na curitibana Copacabana Club. Em “This Way”, single que também vem acompanhado de “Easy”, o coletivo paranaense encara um novo cenário ao se aproximar mais de uma sonoridade etérea, mas nem por isso menos dançante. Uma boa pedida para refrescar o seu verão.

Disclosure – Grab Her

Se há um projeto de música eletrônica que sabe muito bem como vender o seu peixe, esse é o Disclosure. Sempre criando ótimos clipes, os irmãos Lawrence encontraram nas imagens o acompanhamento perfeito para o seu som excitante, e ver que “Settle”, o primeiro álbum do projeto, acabou sendo um grande sucesso, não chega a ser uma grande surpresa. Agora, com o vídeo de “Grab Her”, o duo pretende promover mais uma canção que poderia muito bem passar despercebida dentro do disco, mas que ganha uma força tremenda quando considerada como single. No formidável clipe (o mais divertido do ano, até agora), uma empresa mergulha no caos quando o chefe fanfarrão mostra uma nova habilidade: todas as coisas que são tocadas por ele passam a não ser mais atingidas pela gravidade. Tudo acaba indo para cima: seja um cachorrinho, um peixe ou até mesmo a urina do personagem.

Dornik – Rebound

O britânico Dornik está cada vez mais inserido nas abordagens mais clássicas do pop norte-americano. Com “Rebound”, canção que surge como o seu segundo grande single da carreira, o cantor passeia por uma sonoridade que bebe dos anos oitenta, mas que mesmo assim não deixa de soar atual. Entre um formidável conjunto de sintetizadores, a música é explorada pelo vídeo em um exercício introspectivo, acompanhando o passeio do músico por uma casa vazia.

Sam Smith – Money on My Mind

Falando em novos nomes da música pop britânica, nenhum parece tão pronto para brilhar quanto Sam Smith. Após colaborar com o Disclosure em “Latch”, canção do disco “Settle”, o cantor prepara o seu primeiro registro em estúdio para esse ano. Boa escolha como single, “Money on My Mind” mostra com louvor como a música de Smith pode agradar sem nenhuma dificuldade. Entre falsetes e um conjunto bem pensado de batidas, o músico é transferido para cenários da cidade de Las Vegas no clipe da canção, em um passeio capaz de apresentar a grande acessibilidade de sua música.

Marissa Nadler – Was It a Dream

Vivendo uma clara e constante evolução musical, Marissa Nadler prepara, para os próximos dias, o lançamento de seu novo disco, “July”. Cada vez mais à vontade nas composições etéreas, a artista abraça com tudo o dream pop em seu novo single, “Was It a Dream”. Carregada por maravilhosos arranjos de guitarras, a canção arrasta o ouvinte, durante seus quase quatro minuto de duração, em um exercício de encantamento, em que a voz de Nadler é o principal elemento.

Lily Allen – Air Baloon

Mais branda do que de costume é a Lily Allen de “Air Baloon”. Em mais uma canção liberada de seu terceiro disco, a ser lançado nesse ano, a inglesa se comporta em um instrumental tranquilo, capaz de nos fazer recordar de alguns instantes de “Alright, Still”, álbum de estreia da cantora lançado em 2006. Será que Allen finalmente voltará à sua melhor forma? Com as duas canções liberadas ainda é cedo para opinar, logo, esperemos para ver.

Foster the People – Coming of Age

Depois de se tornar um dos queridinhos do público indie, a banda Foster the People prepara, para este ano, seu segundo disco: “Supermodel” terá a incumbência de suceder “Torches”, álbum que elevou o grupo ao supra-sumo da música alternativa. No primeiro single de promoção do novo registro, “Coming of Age”, Mark Foster e seus colegas passam longe de uma estrutura sonora realmente “nova”… Soando como o The Killers em seus piores momentos, a banda planta uma pontinha de desconfiança quanto às expectativas sobre o novo trabalho.

Nevilton – Pressuposto

Mas como assim, o Nevilton lançando um clipe para a canção que batizou o primeiro EP da banda? Nada do cultuado “Sacode”, disco que inclusive figurou a nossa lista dos 30 melhores álbuns de 2013? Na verdade, o vídeo em animação elaborado por Daniel Rabanéa e Samara Noronha foi construído para a participação no concurso Conexão Vivo. Como resultado, um clipe divertido para uma canção não tão nova assim.

Savages – Strife

Alcançando com primor toda a agressividade do álbum “Silence Yourself”, aclamado primeiro registro do coletivo feminino Savages, o clipe de “Strife” constrói, com imagens minuciosamente produzidas em preto e branco, o acompanhamento perfeito para o pós-punk combativo com o qual as garotas conquistaram o mundo da música no último ano.

Lapsey – Station

Uma intensa colagem de referências da atual cena do R&B britânico ocupa o trabalho da novata Lapsey. Em seu primeiro single, “Station”, a garota de Liverpool borda, com imagens Lo-Fi, a estrutura perfeita para acompanhar as batidas tímidas e os demais sons sintéticos que preenchem, com acerto, os rumos da canção.