Lista: Os 30 Melhores Álbuns Internacionais de 2013 [20-11]

Os 30 Melhores Álbuns Internacionais de 2013

[30-21] [20-11] [10-01]


Kveikur20. Kveikur – Sigur Rós

Gênero: Post-Rock

“Kveikur” pode até não estar entre os três melhores álbuns do Sigur Rós, mas convenhamos que isso nem é necessário para que o registro se encontre entre os melhores discos de 2013. Encontrando uma contemplação mais objetiva dos elementos que permeavam seus discos anteriores, a banda finlandesa construiu um novo capítulo de sua carreira ao dar visível destaque ao tratamento das atmosferas. Sem medo de abraçar melodias cativantes, porém mantendo o teor místico que vem envolvendo toda sua discografia, o grupo firma um novo passo, alcançando as texturas que mantém a personalidade própria da banda ao mesmo tempo em que partem em busca de novas possibilidades.

Ainda que se amarre em certos conceitos sombrios, “Kveikur” é formado por canções de estrutura pop. Se no passado o Sigur Rós enfrentava a dificuldade de acessar o público massivo devido à complexidade de seu som, hoje eles sabem como soar acessíveis mesmo sem abandonar as aventuras sonoras. Alguém até pode clamar que as letras em finlandês podem ser um problema, mas medir o alcance de uma música pelo seu idioma seria de uma injustiça alarmante. O tradutor do Google está aí, acessível a todos, e, no fim das contas, os lirismos nunca formaram o ponto forte do Sigur Rós: a proposta do grupo sempre foi, claramente, fabricar estruturas sonoras que beiram ao épico.

E, com sua proposta acessível, “Kveikur” cumpre o seu papel. Todos os tradicionais elementos da banda se fazem presentes: Jónsi e seu vocal etéreo (se comportando como um complemento dos instrumentais), riffs fantasmagóricos, batidas fortes e um tradicional universo ruidoso. A diferença, contudo, está na forte aproximação com o dream pop; apesar da obscuridade da capa alcançar os primeiros instantes do disco, aos poucos as cores vão substituindo as sombras de forma natural, mas obviamente combativa… O caos sempre esteve unido às propostas do Sigur Rós, e “Kveikur” não se distancia dessa ideia.

Muchacho19. Muchacho – Phosphorescent

Gênero: Indie Folk

A música folk está renovada. Partindo da transformação do velho cancioneiro ocorrida nos anos noventa, quando o country alternativo começou a dar as suas caras, inúmeros novos compositores começaram a se aventurar em uma nova abordagem da música de raiz. E um dos mais destacáveis músicos dessa nova geração é, sem dúvida, Matthew Houck. À frente do projeto Phosphorescent, o músico natural de Atlanta, hoje residente em Nova York, constrói uma das carreiras mais evolutivas dentro do atual cenário folk mundial. Desde 2001, o que se vê é um crescimento constante, que agora parece ter chegado ao seu ápice com o mais novo disco do cantor, “Muchacho”.

Embebido por uma instrumentação sólida, o álbum passeia por uma dezena de canções em um sentido de enclausuramento, com Matthew Houck transformando-se em matéria-prima de seus lirismos. Não faltam ao disco referências à saudade, à tristeza, que se casam perfeitamente com os rumos melódicos propostos pelo folk moderno do compositor… Mas, no fim, o que se busca é uma libertação do passado, um motivo para erguer a cabeça e seguir em frente. Agarrado sempre ao mesmo conceito, “Muchacho” é construído para que seu criador (e por consequência, o ouvinte) supere os aspectos melancólicos que adornaram o seu passado. Para tanto, embarca-se em uma sonoridade serena, que abraça símbolos da natureza e certas tradições da música norte-americana, mas sem deixar de apresentar uma constante novidade. Seja com flertes com o indie rock ou com a utilização de sintetizadores, Houck e seus engenheiros de som não perdem a oportunidade de se inserir no mesmo universo proposto em 2011 pelo segundo álbum do Bon Iver.

E é essa união das tradições com o novo, amparada pelas inteligentes e sentimentais letras de Houck, que cativam o ouvinte desde a primeira audição. Talvez por saber dosar na medida certa os experimentos, “Muchacho” soe de fácil acesso a qualquer público, se comportando como um daqueles discos impossíveis de não gostar.

Tomorrow's Harvest18. Tomorrow’s Harvest – Boards of Canada

Gênero: Ambient

Depois de praticamente doutrinar os rumos da música ambient nas duas últimas décadas, a carreira de Mike Sandison e Marcus Eoin foi tomada pelo silêncio. Não em referência ao pequeno hiato do Boards of Canada, mas falando realmente da música da dupla de produtores. Não há um afastamento tão grande, afinal, quanto “Tomorrow’s Harvest”. Se comportando como um marco de renovação, o disco utiliza a paisagem de sua capa como combustível para recriar paisagens serenas, tomadas pelo fim da tarde e o pôr do sol.

“Tomorrow’s Harvest” é uma unidade. Um condensado de sons reconfortantes, em que ao mesmo tempo que passeia por referências noventistas e atuais, cria uma dualidade entre as seções grandiosas e outras de um quase completo silêncio. Um ponto de respiro em meio à discografia intensa do dueto, e um olhar natural para o futuro: é como se, com o fim da tarde, Sandison e Eoin já pensassem nos temas do dia seguinte. É claro que o Boards of Canada já se mostrou mais inventivo, mais experimental, mas para o presente momento é este episódio quase silencioso que mostra a verdadeira inquietude do projeto… No fundo, eles querem mudar, continuar colaborando com a evolução da música eletrônica enquanto faz de cada álbum seu um capítulo único, pronto para ser degustado pelos mais diferentes ouvintes, nos mais distantes lugares e nas mais distintas épocas. Afinal, independente de quem, quando e onde, sempre haverá uma tarde chegando ao seu final.

The Raven That Refused to Sing17. The Raven That Refused to Sing (And Other Stories) – Steven Wilson

Gênero: Rock Progressivo

Há quem considera o rock progressivo um gênero morto. Afinal, como inovar em um gênero cujas bases foram firmadas há quatro décadas? Como conseguir fazer algo de aspecto grandioso sem soar repetitivo, rebocando os paredões sonoros construídos por bandas como Pink Floyd, Genesis, King Crimson e Emerson, Lake & Palmer? Uma tarefa realmente árdua, nada simples, mas que Steven Wilson topa e faz. Mesmo incorporando todo o passado, seu mais novo disco, “The Raven That Refused to Sing (And Other Stories)”, é um tratado do progressivo moderno.

Todo grande álbum de prog rock que se preze necessita de ótimas letras, certo? Pois Wilson se mostra um exímio letrista, explorando em seus versos a vida e pequenas crônicas de vários personagens que, de certa forma, servem para relacionar o disco ao próprio interior de seu criador… Se um bom disco progressivo necessita de sentimentos, pois aqui eles estão. Instrumentações refinadas, arranjos magníficos? Wilson também sabe como fazer; apoiar-se em instrumentistas experientes e de talento inegável é uma medida um tanto quanto assertiva.

Mas espera aí, cadê a tal da inovação? Onde estão os novos elementos, que se mostram capazes de pintar com cores vívidas o rock progressivo de Steven Wilson? Eles são apresentados aos poucos, e provém do passado experimentalista do compositor. Brincando com a música eletrônica e até com o shoegaze é que o artista construiu o seu primeiro álbum em carreira solo, em 2008. Em “The Raven That Refused to Sing”, ambientações e pequenos ruídos são pincelados durante a obra, dando a ela um sentido de novidade.

Settle16. Settle – Disclosure

Gênero: House/Future Garage

Pegue todas as referências possíveis da música pop, do R&B ao eletrônico, e ofereça para dois jovens produtores ingleses as melhores novas vozes da terra da rainha… O resultado disso tudo? “Settle”, o disco de estreia do Disclosure, projeto dos irmãos Guy e Howard Lawrence.

Excitante do início ao fim, o disco se comporta como o mais completo registro do que há de mais atual na cena eletrônica. Temperado por diversas vertentes de diversas épocas, passeia por um catálogo inegavelmente pop de canções, não encontrando limites em vertentes. “Settle” é um daqueles casos em que a barreira que muitas vezes existe entre os gêneros é esmurrada, deliciosamente derrubada, não se envergonhando de se pender ao pop alternativo amplificado pelas presenças especiais de Jessie Ware, Eliza Doolittle e Aluna Francis. Tudo o que os irmãos Lawrence querem fazer é botar você pra dançar, fazendo o que for possível para que esse objetivo seja alcançado.

Energético, impregnante e impecavelmente produzido, “Settle” faz o mundo dar boas-vindas à mais nova dupla de grandes produtores. Sim, grandes… Guy tem 22 anos, e Howard apenas 19, mas a falta de idade da dupla é totalmente revertida pela sua extrema sensibilidade: em meio a tantos equipamentos, com tantas possibilidades de arranjos, eles conseguiram encontrar o cenário perfeito para alocar as suais ideias.

Silence Yourself15. Silence Yourself – Savages

Gênero: Post-Punk

Selvagens: não apenas a tradução literal do nome da banda, mas do que, de fato, ela é a formada. A primeira impressão, porém, é que o ouvinte acabará embarcando em mais um disco simplesmente melancólico, refletindo as dores e os descaminhos amarosos de jovens garotas. Mas, para início de conversa, o público que não se deixe enganar: as expressões sisudas e de quase contemplação das integrantes da banda na capa do disco não são nada mais que o ponto de partida para um registro raivoso e barulhento, apesar do título do álbum anunciar um suposto “silenciamento”.

Mas algumas coisas realmente são o que parecem. Veja as cores da capa do álbum (ou a falta delas) e já se tornará claro em que tipo de ambiente a sonoridade do registro se aloca. Pois bem, “Silence Yourself” parece realmente ter saído das mais profundas sombras de um cenário enevoado, em que as mágoas femininas se transformam em versos ásperos, vocais estridentes e ruídos agressivos. Portanto, esqueça-se do tal “sexo frágil”, e acompanhe o quanto as mulheres podem ser fortes e combativas – ou até mesmo selvagens.

O que Jehnny Beth e suas companheiras querem passar é, enfim, aquela ideia do “cansei de ser boazinha”. Relacionamentos vêm e vão, o tempo passa e as mágoas só se acumulam, e a decepção com o sexo masculino acaba chegando em um ponto em que a tolerância se desfaz, abrindo espaço para uma tristeza ríspida e o total desapego de qualquer docilidade. É como se as garotas quisessem se libertar, afirmar sua coragem e mostrar quão hostil o universo pode ser, em uma atitude que se desprende da vaidade e parte para o ataque, perfazendo um conjunto de faixas que parecem submeter o machismo a verdadeiros chutes nas partes baixas. (Leia a resenha completa do disco)

Sunbather14. Sunbather – Deafheaven

Gênero: Post-Metal

Com “Sunbather”, o Deafheaven deu um novo significado à palavra “colossal”. O metal, gênero que sempre se dispôs a criar as mais poderosas instrumentações a partir de bandas gigantescas, com inúmeros integrantes, vê agora o mais brilhante álbum do gênero em 2013 ser fabricado por apenas dois músicos: George Clarke e Kerry McCoy. Mas como assim, só dois? Como que, no final das contas, eles conseguem? Mas calma, porque isso nem é o fato mais surpreendente. O que realmente espanta está presente nos sessenta minutos que englobam a duração de “Sunbather”… Ou seja, a própria música.

Pesado, melódico e ritmicamente impecável, o disco parece ser o casamento definitivo dos tradicionais elementos do metal com certos preceitos da música alternativa. Brincando com o post-rock do Sigur Rós, o shoegaze do My Bloody Valentine, o screamo e, é claro, com a herança dos grandes grupos do metal, o Deafheaven criou um disco absolutamente pautado na inovação. Sabendo cativar tanto cabeludos quanto nerds de óculos, George Clarke e Kerry McCoy deram luz a uma concepção ruidosa, que ora se mostra raivosa, ora se acomoda – alcançando, porém, sempre dimensões épicas. Afinal, seja com melodias, riffs barulhentos, andamentos velozes ou com uma explosão surreal de emoções, “Sunbather” é uma ode ao que há de mais grandioso dentro da música mundial.

Run the Jewells13. Run the Jewels – Run the Jewels

Gênero: Hip Hop

O que acontece quando dois dos melhores rappers da atualidade se unem, sem maiores pretensões comerciais, para a construção de um projeto voltado ao hip hop mais puro, totalmente distante dos modismos? Sem dúvida, o resultado é excepcional, não? Pois é isso mesmo o que ocorre em “Run the Jewels”, disco de estreia do duo homônimo integrado por EL-P e Killer Mike. Disponibilizado gratuitamente para download, o registro soa como uma despreocupada parceria entre os rappers, que se sentem à vontade para rimar sobre o mundo das drogas e a vida na noite… Mas não se engane: por trás de tanto desprendimento, há um dos álbuns mais certeiros dentro do gênero nos últimos tempos. Por quê? Sua produção é impecável, fazendo com que o objetivo seja atendido, com louvor, em apenas 33 minutos.

“Run the Jewels” pode até não ser muito duradouro, mas é de uma intensidade absurda. Através de um conceito em que a crueza é privilegiada, versos bem-humorados vem e vão, pregando peças no ouvinte enquanto uma produção sombria, assertivamente obscura, envolve todo o andamento do disco. Deliciosamente atmosférico, “Run the Jewels” nos transfere para os conceitos propostos por EL-P e Killer Mike sem nenhuma dificuldade, fazendo com que experimentamos uma abordagem clássica do hip hop, sem cuidados interessantes e pensamentos comerciais, pautado nas rimas e na intensidade feroz das batidas.

Wakin on a Pretty Daze12. Wakin on a Pretty Daze – Kurt Vile

Gênero: Folk Rock

Inspirar-se não deve ser sinônimo de copiar, e Kurt Vile demonstra saber muito bem disso. Embora revisitando concepções gloriosas que construíram boa parte do rock setentista, o músico da Filadélfia constrói, em “Wakin on a Pretty Daze”, seu quinto álbum em carreira-solo, um resultado que não foge do atual. Embalado por canções confortantes, verdadeiras poesias musicadas, o artista nos entrega um dos mais bonitos álbuns da atualidade, fazendo sua carreira crescer ao deixar sua música fluir janela a fora, abandonando o cenário caseiro que se estabelecera em seus lançamentos anteriores para alcançar as paisagens urbanas de sua cidade natal.

A intenção de Vile de fazer a sua música alcançar maiores dimensões é altamente perceptível, seja pela grande duração de algumas faixas ou pelos arranjos caprichados que as constroem, lidando constantemente com o psicodelismo. Porém, mesmo soando maior, a música de Vile não abandona a sutileza e a simplicidade que têm sido as tônicas de sua carreira, seja em seus trabalhos-solo ou em suas colaborações com a banda The War on Drugs; em suma, as concepções megalomaníacas passam longe de sua mente, e o que ele parece anunciar, ao abandonar o conforto íntimo de seu quarto, é a chegada da primavera e os sentimentos de revitalização que ela carrega consigo. (Leia a resenha completa do disco)

The 20/20 Experience11. The 20/20 Experience – Justin Timberlake

Gênero: Pop/R&B

Sete anos após o lançamento do aclamado “FutureSex/LoveSounds”, Justin Timberlake está, finalmente, de volta à música. É normal que em sete anos muita coisa mude, e com os rumos da música pop e a própria vida particular de Timberlake não seria diferente. Hoje, a música norte-americana respira com prazer os ares do novo R&B, muito devido à popularização do gênero realizada pelo próprio Timberlake e seu eterno produtor, Timbaland, durante os idos de 2006. Mas, se naquela época, Timberlake estava preocupado em seduzir suas ouvintes, em canções seminais de forte apelo sexual, hoje o cara parece estar muito mais comportado… Afinal, acabara de casar-se com a atriz Jessica Biel.

Além disso, os arranjos muitas vezes minimalistas de canções como “Sexyback” e “My Love” parecem ter abandonado as cabeças de Timberlake e Timbaland. “The 20/20 Experience” é um disco diferente, rodeado por arranjos ricos e luxuosos, além de, liricamente, apresentar os anseios de um Justin Timberlake casado e experiente.

Mas isso não significa, de jeito nenhum, que Timberlake deixou de exalar sensualidade em sua canções. Ao dar o play, e sentir “The 20/20 Experience” inciar sua saga, percebemos que, ao investir em tradicionalismos do R&B, o músico consegue soar romântico como nunca. (Leia a resenha completa do disco)

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