Clipes & Singles: Semana 49/2013

Clipes & Singles

A primeira semana de dezembro é a prova de que 2013 ainda nos reserva gratas surpresas. Ano passado criticávamos Lana Del Rey, e agora nos vemos obrigados a elogiá-la… E o que falar de Julian Casablancas e seus flertes com os anos oitenta, que construíram o decepcionante “Comedown Machine”, e agora se transformam em acerto em sua parceria com o Daft Punk? Se dizem que as festas de fim de ano valem para uma renovação, aproveite os clipes e singles abaixo para renovar as suas opiniões.

David Bowie – I’d Rather Be High

O ano pode até estar acabando, mas o último disco de David Bowie, “The Next Day”, lançado ainda no primeiro semestre, continua repercutindo. Nova faixa do ótimo álbum a receber uma versão audiovisual, “I’d Rather Be High” é uma daquelas canções que se caracterizam como um single óbvio e certeiro. Melódica, reforçando a faceta naturalmente pop de Bowie, a canção encontra em imagens da Primeira Guerra Mundial um cenário melancólico para seu desenvolvimento em vídeo.

Primal Scream – Goodbye Johnny

Psicodelismo é com o Primal Scream. Musicando aspectos lisérgicos desde 1991 com o clássico “Screamadelica”, a banda de Bobby Gillespie acabou se tornando um nome claramente ligado ao mundo das drogas sintéticas. No último disco do grupo, “More Light”, a essência não é abandonada: muitas cores, drogas e melodia. Faixa que faz parte do registro, “Goodbye Johnny” recebe um vídeo repleto de referências à Andy Warhol – embarcando, inclusive, no universo das drag queens… Alguém ainda duvida da loucura que paira sobre a mente de Gillespie?

Devendra Banhart – Taurobolium

Quack! Sim, caros leitores, lá vem o pato… Ou melhor, dois patos, que vivem uma crônica pra lá de psicodélica no novo clipe do competente Devendra Banhart, lançado para a canção “Taurobolium” – última faixa do disco “Mala”. Estrelado pelos patos Mondo-T (dublado por Rose McGowan) e Gale (dublado por Banhart), o criativo vídeo se caracteriza como uma aposta interessantíssima, mesclando reflexão e entretenimento, atestando a qualidade dos clipes feitos pelo artista.

The Killers ft. Dawes – Christmas in L.A.

O natal está chegando e, com ele, chegam também as sempre tradicionais (e chatas) musicas natalinas. Nem tudo precisa ser relacionado ao Papai Noel e ao tal do “Dingobel”, não é? Cientes disso, Brandon Flowers e sua banda resolveram lançar mais um clipe, só que dessa vez com temáticas natalinas. “Christmas in L.A.”, que conta com a participação da banda folk Dawes, musica com muita sensibilidade e melodia o melancólico natal do personagem interpretado pelo ator Owen Wilson no vídeo da canção.

Lorde – Team

Talvez nenhum artista do mundo tenha tido um 2013 tão recompensador quanto a neozelandesa Lorde. Com apenas 17 anos, a musicista saiu de um completo anonimato para se tornar uma das cantoras mais famosas do mundo. Muito se deve ao single “Royals”, é verdade, mas ignorar o poder de “Pure Heroin”, o primeiro disco da cantora, seria perder a essência da proposta musical da artista. Cada vez mais aventureira e convicta da comerciabilidade de sua base musical, a artista não perde tempo, e lança, agora, mais um vídeo promocional de um single relativo ao seu álbum de estreia; trata-se de “Team”, em que ela interpreta uma poderosa rainha de um universo paralelo. Seja em um mundo fictício ou no universo pop atual, é Lorde quem dá as ordens.

Mogwai – The Lord Is Out of Control

Pelo menos musicalmente, o ano de 2014 já está sendo desenhado. Alguns álbum que serão lançados no próximo ano já começam a chamar a atenção, e um desses casos é “Rave Tapes”, oitavo disco da banda Mogwai. Estacionando na música de vanguarda dos anos setenta, mas sem deixar de soar atual, o grupo parece estar pronto para lançar um dos discos mais complexos dos últimos tempos… Afinal, entre arranjos belíssimos, vocais robóticos e uma ambientação certeira surge a ótima “The Lord Is Out Control”, mesclando guitarras e sintetizadores na medida certa enquanto, no clipe, personagens são explorados para complementar a temática da canção.

Jon Hopkins – Collider

Considerado o herdeiro de Brian Eno, o inglês Jon Hopkins sabe como explorar comercialmente os rumos não muito acessíveis da ambient music. Influenciado de forma óbvia pelas heranças setentistas de Eno, mas sabendo flertar com aspectos dançantes para fazer com que a sua música atinja o grande público, o músico fez de “Immunity” um meio termo entre o conceitual e o acessível. Quarta faixa do disco, a esquizofrênica “Collider” encontra em um assertivo vídeo o complemento natural de seus aspectos, tratando do cotidiano exagerado de uma personagem para trazer imagens à sua base musical.

Tulipa Ruiz – Like This

Com “Tudo Tanto”, Tulipa Ruiz mudou… Fugindo da “fofura colorida” de “Efêmera” ao abraçar os cenários em preto e branco, a artista construiu a afirmação de sua carreira, passando, enfim, no tão famoso “teste do segundo álbum”. Faixa mais exagerada do último disco da cantora, “Like This” ganha um registro audiovisual que inaugura o perfil oficial de Tulipa na plataforma VEVO. Estrelado pela atriz Layla Ruiz, prima da musicista, o vídeo, porém, parece destruir todos os méritos que haviam sido alcançados pela canção, que demonstra claramente a evolução lírica de Tulipa. Quel ver uma mulher dançando com uma alface? Dê play no vídeo abaixo e perca quatro minutos e meio da sua vida.

Daft Punk ft. Julian Casablancas – Instant Crush

Há algum tempo que Julian Casablancas abandonou o século XXI para viver os anos oitenta. Seja em carreira solo ou no The Strokes, o músico parece estar convicto de que o melhor caminho para sua evolução é se embrenhar na imensidão de sons sintetizados que ajudaram a construir a década mais brega da era moderna. E isso é ruim? Pelo menos “Instant Crush”, parceria de Casablancas com os agora “humanizados” robôs do Daft Punk, mostra uma boa quantidade de acertos nessa viagem ao passado. Faixa do ótimo “Random Access Memories”, um dos melhores discos do ano, a música ganha um vídeo em que a estrela é o próprio Casablancas. Transformado em uma estátua, o cantor busca permanecer ao lado da amada, uma outra estátua que “vive” no mesmo museu.

Lana Del Rey – Tropico

Enquanto Lana Del Rey lançava seu primeiro disco, “Born to Die”, e o mundo da música alternativa encontrava nela sua maior musa, perguntávamos se Lana Del Rey nasceu para brilhar ou somente para morrer na praia. Moldada em função de referências do mundo pop, a artista se mostrava como um belo produto de marketing da indústria da música, moldada para encantar os “indies”. Porém, a versão estendida do disco já havia mostrado novas facetas que fizeram com que conhecêssemos melhor a artista que estava depontando… Lana Del Rey está crescendo, e com o lançamento do aguardado curta-metragem “Tropico” isso acaba ficando muito claro. Brincando com as referências que a constroem, a artista transforma em película a sua base musical, contando com as “participações especiais” de Marilyn Monroe, John Wayne, Elvis Presley e até de Jesus Cristo. Brincando com as raízes do pecado e do amor, o vídeo faz com que a gente descubra de uma melhor forma, ainda que subjetiva, quem é Lana Del Rey.

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