Lista: Os 10 Melhores Álbuns para Curtir o Halloween

Halloween

Por: Amanda Vieira e Renan Pereira

Fantasmas, bruxas, vampiros e zumbis já estão se preparando para seu passeio anual. Já acordaram ao som de Pink Floyd, almoçaram ouvindo alguma música folclórica italiana, se exercitaram na companhia do Daft Punk para depois cantarem no chuveiro a famigerada “Banho é Bom”, do Castelo Rá Tim Bum. Maquiaram-se com alguma música da Lady Gaga nos ouvidos, para então no próximo dia 31 abraçarem, finalmente, as concepções sonoras mais macabras. Para celebrar a aparição dessas criaturas, nada melhor do que se afundar nos discos que mais combinam com a data… E é por isso que, depois de pregar a reflexão em nossa lista de melhores álbuns para pensar na vida, o RPblogging aventura-se no mundo do horror ao criar a sua lista para o Halloween. Aqui estão, na nossa opinião, os dez melhores discos para curtir esta tão esperada data.

Black Sabbath1970: Black Sabbath – Black Sabbath

Gênero: Heavy Metal

O primeiro disco do Black Sabbath não é o melhor trabalho já lançado pela banda, mas é o registro que arquitetou as bases do heavy metal. Especialmente denso e atmosférico, condensa em si as principais ideias que permeiam o gênero até os dias de hoje. Morada perfeita para os riffs geniais de Tony Iommi, o baixo pesado de Geezer Butler, a bateria contundente de Bill Ward e as alegorias vocais de Ozzy Osbourne, o álbum se caracteriza pelo seu clássico conjunto de canções, que trabalha dos primeiros segundos da faixa título ao últimos momentos de “The Warning” para conquistar o ouvinte através do medo.

É inegável o acerto do grupo ao distorcer o blues para alocar na música os elementos do cinema de terror. Extremamente obscuro e naturalmente macabro, o disco borda atmosferas assustadoras, fazendo com que o ouvinte seja inserido em um cenário desolador, próprio dos mais excitantes suspenses… Em alguns momentos, é até normal que cresça em nossa mente a imagem da banda tocando em plena madrugada no porão de um casarão antigo, situado em uma vila abandonada cuja flora é constituída por árvores secas, e cuja fauna limita-se a imensos grupos de morcegos.

Se você não acredita nas criaturas do Halloween, mudará de ideia ao conferir a estreia do Black Sabbath: lá pela terceira faixa do disco, você já terá cruzado com dezenas de seres assustadores. (Leia a resenha do disco)

The Scarecrow2008: The Scarecrow – Avantasia

Gênero: Metal Sinfônico

Apesar de também ser uma audição perfeita para o Halloween, “The Scarecrow”, o terceiro disco do Avantasia (projeto de Tobias Sammet, vocalista do Edguy), trabalha em um conceito de oposição ao que o Black Sabbath havia desenvolvido nos anos setenta. Afinal, se a banda de Iommi, Osbourne, Butler e Ward buscava na crueza do blues os elementos delineadores de sua atmosfera sonora, o Avantasia não se opôs à utilização de tudo o que fosse possível para construir os cenários da estória que envolve o disco… Se fizermos um paralelo com o cinema, poderíamos dizer que “The Scarecrow” estaria mais para uma rica produção hollywoodiana.

Não faltam ao álbum sentimentos aflorados à pele, toques sinfônicos e aproximações aos aspectos mais comerciais do metal – se Tobias Sammet queria atingir um público considerável, ele trabalhou de forma magistral para alcançar tal resultado. Acessível, sem soar difícil aos ouvidos menos acostumados com o peso e a velocidade das guitarras, o registro, construído sobre um tema conceitual, aborda os descaminhos de uma criatura solitária, com problemas nas percepções sensoriais, que parte em uma jornada para tentar alcançar o sentido das coisas ao se aprofundar na alma humana.

De aspecto trágico, o conceito do disco se afasta dos tradicionais elementos que permeiam o heavy metal, encontrando, porém, assertivos momentos na exploração da complexidade humana. “The Scarecrow” é sim um registro perturbador, mas que nos faz pensar além das texturas assustadoras.

Black River Falls2001: Black River Falls – Reverend Glasseye and His Wooden Legs 

Gênero: Gothic Country

Uma banda de esqueletos tocando em um cabaré de uma cidade fantasma… Essa cômica imagem é provavelmente a melhor definição de “Black River Falls”, o primeiro disco da insana banda Reverend Glasseye and His Wooden Legs. Macabro, o disco é constituído por onze canções estranhas e totalmente obscuras, capazes de brincar com a música tradicional dos cabarés, com o country e até com o folclore romeno em um esforço constante para tecer uma paisagem caricata ao dia das bruxas.

Sabe aqueles episódios do Pica-Pau, em que ele, perdido no Velho Oeste, se depara com bares abandonados onde pianos tocam sozinhos? É assim que você vai se sentir ao conferir “Black River Falls”, um disco que parece ter saído de contos contados pela vovó para assustar os seus netinhos. Reforçada pela sonoridade extremamente inusual, amplificada pelo vocal bêbado de Reverend Glasseye e pelo modo confuso com o qual os instrumentos são distribuídos, a áurea horripilante do disco conquista o ouvinte através de seus caminhos bizarros, capazes de promover até mesmo um baile dançante: esqueletos dançando em pares e bruxas de estórias infantis bailando com suas vassouras mágicas.

É difícil de imaginar como “Black River Falls” foi concebido… Talvez um aventureiro irresponsável, que vagava por lugares abandonados, tenha encontrado este mórbido registro sendo tocado por criaturas que morreram por overdose de conhaque.

The Downward Spiral1994: The Downward Spiral – Nine Inch Nails

Gênero: Rock Industrial

Um dos registros mais estranhos do Nine Inch Nails (e olha que estranheza é o que não falta na discografia do projeto de Trent Reznor), “The Downward Spiral” é uma sequência de pesadelos transformados em música. Consumido pela dor, o registro passeia constantemente por instrumentações nada óbvias e temas obscuros, encontrando nos ouvidos do público um surpreendente asilo para suas lástimas raivosas: apesar de trazer sons e letras difíceis de engolir, o álbum acabou se tornando um sucesso de vendas.

Conceitual, o disco se afunda em elementos niilistas, construindo a todo momento uma batalha entre temas existencialistas. Tramas inesperadas de ruídos e lirismos que prendem-se à força a aspectos intimistas permeiam a audição, acompanhando a famosa inquietação de Trent Reznor de forma magistral. E apesar de longo, “The Downward Spiral” não se perde em nenhum momento, mesmo inserido em texturas tão desesperadoras… Tido como um clássico da música alternativa, o disco se tornou um dos registros fonográficos mais importantes dos anos noventa, recebendo aclamação tanto da crítica quanto do público de massa.

Se você não liga para as criaturas mitológicas do Halloween e prefere passar a madrugada envolto em seus próprios pesadelos, não há disco melhor que “The Downward Spiral”. Um álbum que te atormentará e fará com que o seu próprio interior entre no papel de “criatura macabra”.

The Number of the Beast1982: The Number of the Beast – Iron Maiden

Gênero: Heavy Metal

Primeiro álbum de Brunce Dickinson como vocalista do Iron Maiden, “The Number of the Beast” é uma sucessão de clássicos. Canções como a faixa-título, “Hallowed Be Thy Name” e “Run to the Hills” acabaram se tornando verdadeiros hits do heavy metal, e ajudaram a banda inglesa a se tornar o grupo mais proeminente do gênero. Amparadas pelos elementos teatrais inseridos por Dickinson, as bases conceituais do conjunto também acabaram sofrendo uma grande mudança, que se mostraria de essencial importância para o sucesso que a banda carrega consigo até os dias de hoje… A partir da entrada de Dickinson, o Iron Maiden deixaria de lado as abordagens cruas e energéticas de seus dois primeiros discos para abraçar, de um vez por todas, uma áurea teatral.

E é através dessas ideias teatrais que o disco é delineado, trazendo seções instrumentais capazes de alcançar níveis épicos, que além de impregnarem na mente dos ouvintes o seu andamento, serviram como morada perfeita para a interação entre elementos eruditos e agressivos do vocal de Bruce Dickinson. Não há como negar os êxitos alcançados pelo disco, apesar das eternas e infelizes acusações de satanismo.

Considerado um dos maiores clássicos do heavy metal, bem como um registro que apresentou novos elementos para o gênero, “The Number of the Beast” é um álbum imperdível, uma audição quase obrigatória para quem deseja curtir o Halloween com intensidade.

Crystal Castles II2010: Crystal Castles (II) – Crystal Castles

Gênero: Synthpop

Regado a sombras, o segundo álbum do duo canadense Crystal Castles (formado pelo casal Ethan Kath e Alice Glass) é um registro especial por ter a capacidade de nos fazer dançar até mesmo no Halloween. Construído com sons assustadores, ruídos e uma sucessão de canções melancólicas, o álbum acabou se caracterizando como um capítulo inventivo do synthpop, repleto de texturas envolventes e ideias modernas.

Longe de pregar uma audição facilitada, o Crystal Castles envolve o ouvinte em um perigoso jogo de sons esquizofrênicos, capazes de comprimir nossos pulmões e fazer com que nossos ossos se mexam de forma involuntária. O disco realmente ataca nossas percepções, e se você quer cair em uma dança mórbida, curtindo a noite na companhia das mais horrendas criaturas, o segundo álbum do Crystal Castles será, certamente, uma audição recompensadora. Ainda restam dúvidas sobre sua temática? Que tal ver, na capa do disco, uma criança ao lado da lápide da mãe recém-falecida?

Arise1991: Arise – Sepultura

Gênero: Thrash Metal

Frequentemente apontada como a maior obra já realizada pelo Sepultura, “Arise” é um dos clássicos do metal noventista. Embebido na sonoridade impregnante da banda, através dos instrumentais poderosos e do vocal raivoso de Max Cavalera, o disco é a maior demonstração da excelência obtida pelo grupo em sua “segunda fase” da carreira, geralmente alocada entre os anos de 1987 e 1993.

Mais maleável musicalmente, mas sem abandonar a ferocidade dos álbuns anteriores, “Arise” se caracterizou pela busca da banda por algo a mais. Ansiando uma evolução sonora, o grupo não poupou flertes com o rock industrial, com o hardcore punk e até com a música latina… Afinal, como não comparar as linhas de bateria presentes no disco com a percussão genuinamente brasileira? Apesar de sempre ter obtido mais sucesso no exterior, um dos êxitos do Sepultura foi nunca desgrudar-se de suas raízes tupiniquins – algo que ficaria muito mais claro nos lançamentos posteriores, os inventivos “Chaos A.D.” e “Roots”.

“Arise” é, enfim, a trilha sonora fundamental para quem deseja curtir o Halloween (ou o dia das bruxas) com uma pitada de brasilidade. Nada de cabarés abandonados, campos de trigo ou vilas de clima frio: o cenário mórbido de “Arise” se encontra na sempre perigosa madrugada de qualquer cidade grande do Brasil… Vai dizer que não é assustador?

Opus Eponymous2010: Opus Eponymous – Ghost

Gênero: Heavy Metal

Aqui está a banda mais teatral da lista… Mascarados e não-identificados, os integrantes da banda Ghost perfazem, atualmente, uma dos conjuntos mais misteriosos do mundo. Quem eles são, de onde vieram e para onde vão? Ninguém sabe… Mas é certo que, independente da áurea obscura que carrega (que muito tem ajudado, aliás, para a banda alcançar a fama mundial), o grupo se posta como um dos melhores de sua geração. Basicamente, o que os caras fizeram foi dar uma passada na primeira geração do heavy metal, inserindo em suas bases, porém, uma constante ânsia por novidade.

Ressuscitando espíritos que estavam adormecidos, e recrutando antigos demônios para saírem anunciando que o velho doom metal estava renascendo, a banda sueca vem, aos poucos, conquistando uma legião de fãs. Se daqui alguns anos eles se encontrarão entre os mais importantes nomes do metal ainda não sabemos, mas não dá para negar que sua música é tão arrasadora quanto peste bubônica. “Opus Eponymous”, o primeiro disco do grupo, é uma concepção assustadora, descaradamente macabra, feita para transformar antigos seguidores do gênero em discípulos de uma horda de mascarados.

Tim Hecker2013: Virgins – Tim Hecker

Gênero: Ambient

Um dos álbuns mais intrigantes deste ano, “Virgins” é uma exploração quase silenciosa de um castelo abandonado, encontrando em grandes salas vazias e móveis cobertos por lençóis os detalhes de um cenário voltado ao horror. Caótico, porém controlado, o registro é mais uma clara demonstração do poder que Tim Hecker atualmente detém nos sintetizadores… É possível não alocá-lo entre os principais produtores da época presente? É provável que não.

Guiando-se pelos detalhes, “Virgins” guia-se pela ideia de habitar o desconhecido, trombando com criaturas macabras em lugares ofensivos, e trazendo em uma atmosfera assustadora o local ideal para explanar suas ideias. Ao contrário da maioria dos músicos que flertam com conceitos assombrosos, Hecker não deseja simplesmente amedrontar seus ouvintes; no fundo, o que ele quer é transferir o público para dentro do cenário por ele proposto, construindo uma relação em que qualquer pessoa possa se sentir parte integrante do registro. É como se os filmes de terror passassem a ser interativos.

Com “Virgins”, Tim Hecker não está apenas construindo mais um bom disco para trilhar os sons de um Halloween… Um aventureiro nato, o produtor conquista mais um resultado assertivo de sua carreira através de um excitante jogo de texturas, capazes de condensar as mais interessantes atmosferas.

Master of Puppets1986: Master of Puppets – Metallica

Gênero: Thrash Metal

Em 1986, com “Master of Puppets”, o Metallica construiu o ápice do thrash metal. Um registro tomado pela perfeição, desde os riffs colossais de Kirk Hammett que abrem a primeira faixa, “Battery”, até a aceleração final em “Damage Inc.”, o álbum se mostra uma companhia mais do que necessária para os dias mais assombrosos… Discutindo temas como opressão, alienação e loucura, “Master of Puppets” é uma jornada rumo às paranoias da mente humana, não poupando esforços para comprimir em oito canções os mais complexos temas.

Enquanto Hammett dispara uma sucessão épica de riffs, Lars Ulrich espanca seu imenso instrumento de percussão demonstrando a sua melhor forma… Da mesma forma, Cliff Burton escancara sua criatividade no baixo, e James Hetfield faz as bases do conjunto com maestria. Poucas vezes uma banda soou tão completa e entrosada, construindo com brilhantismo um formidável conjunto de grandes canções… Um disco capaz de ser um eterno tema para o Halloween, e a escolha mais óbvia para viver uma assustadora e recompensadora experiência.

OBS.: Para a construção da lista, foram selecionados álbuns de diferentes gêneros e diferentes épocas – na medida do possível, é claro. Caso você tenha gostado (ou não), não deixe de comentar.

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