Lista: Os 10 Melhores Álbuns para Pensar na Vida

O Pensador

Aaah, a vida… Não é nada fácil, né amigo? Como diz o dito popular, é como rapadura: doce, porém dura. Por isso, não são poucos os momentos em que nos vemos obrigados a deitar por aí e refletir sobre nossos caminhos. Embora muitas vezes seja um exercício penoso, existem músicas que podem nos ajudar. Por isso, este humilde blog selecionou o que considera os 10 melhores discos para deitar, fechar os olhos e refletir sobre a nossa vida, conferindo canções que nos façam pensar com mais clareza.

Five Leaves Left1969: Five Leaves Left – Nick Drake

Gênero: Folk

Um mestre da melancolia, Nick Drake construiu, ao longo de sua rápida carreira, um dos mais brilhantes catálogos de canções da história da música folk – e em apenas três discos. Pessoa demasiadamente fechada, Drake inflou suas concepções com seus mais íntimos sentimentos, em um sentido de enclausuramento (necessário para as reflexões), mas ao mesmo tempo capaz de se aproximar perfeitamente das emoções do ouvinte.

Seu primeiro álbum, “Five Leaves Left”, é um tratado sobre a alma. Levando uma vida solitária, Drake não economizou nos pensamentos intimistas, refletindo em suas músicas seus mais profundos anseios. Faixas poéticas e de extrema beleza, como “River Man”, “Way to Blue” e “Day Is Done” representam a perfeição reflexiva, escancarando emoções através de acordes ricos e versos de incrível qualidade.

Um álbum feito para ser ouvido, sentido e meditado, “Five Leaves Left” é um trabalho perfeito para colocarmos nossas emoções no mais alto patamar de nossas decisões. Portanto, naqueles momentos reflexivos, esqueça-se do que é racional, exato, e apenas sinta os pensamentos fluírem através das formidáveis canções de Nick Drake. (Leia a resnha do disco)

As Quatro Estações1989: As Quatro Estações – Legião Urbana

Gênero: Rock Alternativo

Se houve um músico brasileiro que conseguiu tocar a alma dos ouvintes com versos de inquestionável inteligência, este foi Renato Russo. À frente do Legião Urbana, uma das mais lendárias bandas de nossa música, o compositor produziu a mais refinada carreira da história do rock nacional. Afinal, através de suas letras profundas, Renato traduziu dores, amores, decepções, indignações e filosofias em uma base musical capaz de atingir a todos, independente de idade, escolaridade, sexualidade e classe social.

Considerado como o disco mais “profético” da banda brasiliense, “As Quatro Estações” foi concebido em um momento de introspecção. Após o trágico show realizado no Estádio Mané Garrincha, em que a confusão generalizada (que acarretou em centenas de pessoas feridas) levou à suspensão não só daquele concerto, mas de toda a turnê, a banda voltou-se apenas para o trabalho em estúdio – e, como resultado, lançaria canções ainda mais pensativas.

Repleto de números que filosofam sobre os rumos do homem e da sociedade, o disco é morada de sucessos como “Pais e Filhos”, “Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto”, “Monte Castelo”, “Maurício” e “Meninos e Meninas”, canções dentre as quais Renato Russo se sentiu à vontade para tratar dos mais variados temas, como as relações familiares, a intolerância, o preconceito e, obviamente, o amor. Porém, independentemente do que lhe faça pensar sobre a vida, saborear os lirismos fantásticos de Renato Russo parece ser a maneira mais adequada para se chegar a uma proveitosa reflexão.

Tramp2012: Tramp – Sharon Van Etten 

Gênero: Folk/Indie

A expressão sisuda de Sharon Van Etten e as cores (ou a falta delas) que estampam o capa de “Tramp” já parecem deixar bem claros os caminhos pelos quais o disco é guiado. Mas é importante dizer que nem só de amarguras o álbum é feito; aqui mora um dos melhores sensos composicionais dos últimos anos.

Inserida nas ideias tradicionais da música folk, mas atenta às atualidades através dos flertes com o indie rock de Beirut, The National e Radiohead, a artista construiu um disco tristonho, mas atraente do início ao fim. É bom o ouvinte deixar de lado a ideia pronta de “tristeza absoluta” e flutuar pelas melodias reconfortantes, que aconchegam nossos ouvidos enquanto Van Etten dispara seus versos capazes de acertar diretamente o alvo de nossas emoções. A compositora fala sobre a sua vida, mas através de tamanha sensibilidade, torna-se impossível não partilhar com ela os nossos próprios sentimentos.

Dinâmico, melancólico e profundamente sentimental, o álbum se mostra como mais uma ferramenta certeira para meditarmos sobre o que a vida tem feito com a gente (ou o que estamos fazendo com ela). Perdeu o emprego, brigou com o namorado, ou teve qualquer outro tipo de decepção? Deixe que Sharon Van Etten, através de “Tramp”, partilhe suas emoções com você. (Leia a resenha do disco)

Wish You Were Here1975: Wish You Were Here – Pink Floyd

Gênero: Rock Progressivo

Centrado nas relações pessoais, o nono álbum de estúdio do Pink Floyd, considerado uma das maiores obras da história da música, foi inspirado no ex-membro da banda Syd Barret. Lamentando a ausência do músico, o álbum filosofa sobre os descaminhos da convivência social do ser humano. Escritas por Roger Waters, as letras do disco deixam claro o sentimento de que a camaradagem desfrutada pela banda anteriormente já não estava mais presente.

Um tratado sobre a mais sincera amizade, bem como sobre os mais falsos sentimentos, “Wish You Were Here” não cansa de criticar a superficialidade em que a maioria das inter-relações se apoiam: “Welcome to the Machine”, por exemplo, procura sintetizar a traição dos nobres sentimentos em função dos interesses em lucro e sucesso. “Shine On You Crazy Diamond” é um claro tributo a Barret, carregado de uma sincera emoção, enquanto “Wish You Were Here”, a canção, é uma das mais perfeitas explanações da saudade.

Além de emocionalmente tocante, não há como deixar passar a incrível maneira do Pink Floyd executar musicalmente suas ideias conceituais. Com melodias soberbas e uma produção atmosférica que nos prende a todo instante, “Wish You Were Here” consegue escancarar constantemente a sua áurea de sabedoria. Se as reflexões devem resultar em decisões inteligentes, este clássico do rock progressivo talvez seja um dos melhores meios para alcançar tal resultado: um álbum perfeito para analisar como você tem tratado as outras pessoas, e vice-versa.

The Dreaming1982: The Dreaming – Kate Bush

Gênero: Art Pop

Enquanto a grande maioria dos álbuns introspectivos se agarram a uma sonoridade serena, esta obra-prima de Kate Bush vaga por uma atmosfera diferente. Denso e intenso, “The Dreaming” se caracteriza por ser uma verdadeira guerra de sentimentos, mesclando referências de forma especialmente combativa, nada tranquila, em que a compositora demonstra sua visão de mundo ao inserir-se na mente de pessoas em estado de tensão. É personificando-se em bandidos, soldados, e até na esposa do famoso ilusionista Houdini, que Bush reflete suas emoções.

Tratando sobre variados temas, como a duvidosa evolução da humanidade, a esquizofrenia que sentimos no mundo atual, as coisas elusivas da vida, os perigos do egocentrismo e as relações controladoras, Kate Bush construiu não apenas um marco em sua discografia, mas um número imperdível. Ao conferir “The Dreaming”, torna-se inevitável viajar pelas propostas da artista, que brinca constantemente com os sentimentos que envolvem a tensão, a rápida tomada de decisões sobre assuntos de grande complexidade.

Nem sempre as reflexões precisam ser tranquilas. Às vezes, só uma batalha com nossas ideias e sentimentos chacoalha a nossa mente para ficarmos aptos a atingir nossos anseios. Para estes momentos, se o que se pede é uma música emotiva, mas de forte personalidade, “The Dreaming” se candidata como uma apropriada audição. (Leia a resenha do disco)

OK Computer1997: OK Computer – Radiohead

Gênero: Rock Alternativo

A abstração proposta pelo Radiohead em “OK Computer” não poderia passar em branco nesta lista. Ao transformar a orientação por guitarras de “The Bends” em contemplação de cenários, Thom Yorke e sua trupe acabaram construindo um dos mais aclamados registros da história da música alternativa. Através de fragmentos do dia-a-dia, o disco se caracterizou como a mais assertiva concepção musical sobre o mundo moderno.

Ao falar sobre tecnologia, transporte, insanidade, morte, globalização e capitalismo, a banda entregou ao público um registro perfeito para meditarmos os rumos desse mundo que nos cerca, e como podemos nos inserir em seus conceitos. Contendo verdadeiros clássicos do rock, como “Paranoid Android”, “Karma Police” e “No Surprises”, “OK Computer” ainda se comporta como um trabalho atual: afinal, infelizmente, os problemas e dilemas do mundo continuam os mesmos.

Reflexivo por si só, o disco nos leva a uma viagem por atmosferas mínimas que acabam explodindo em grandiosidades. Experimental, denso e emotivo, e sendo até hoje considerado como a maior obra já realizada pela banda inglesa, o registro é, ainda, a melhor representação da vida moderna em forma de música. Como é perfeitamente compreensível que o ouvinte flutue pelos cenários e melodias que vão se posicionado perfeitamente ao longo da obra, não há como negá-la como um dos melhores discos para serem ouvidos durante uma reflexão. Afinal, “OK Computer” é praticamente um mantra do rock alternativo.

canções_de_apartamento-cícero2011: Canções de Apartamento – Cícero

Gênero: MPB/Indie

Escancarando influências e sentimentos, o carioca Cícero Lins projetou, em “Canções de Apartamento”, o melhor álbum da música brasileira no ano de 2011. Enclausurando-se em seu apartamento, e de lá observando todas as obsolências dos cenários urbanos, o compositor produziu um impecável conjunto de canções que, apesar de introspectivo, acabou alcançando as paixões do público.

Capaz de surpreender em toda a sua duração, o disco é notável pela sua incrível sensibilidade, transformando um cenário tão cotidiano e artisticamente irrelevante em música sutil e cativante. Apesar de escancarar as emoções íntimas de Cícero, as canções de apartamento não tiveram dificuldade em se conectar aos sentimentos do público: nada egoístas, servem como um prato cheio para nossas próprias reflexões.

Canções como “Tempo de Pipa”, “Ensaio Sobre Ela” e “Pelo Interfone” acabaram se tornando clássicos da nova MPB, mas o álbum, obviamente, é muito mais do que isso: uma ponderação completa da solidão e do bucolismo recorrentes da vida contemporânea, procura contrastes e alegorias, com muita inteligência e sensibilidade, para mostrar os perigos que as artificialidades que dia-a-dia pode nos impor. (Leia a resenha do disco)

In the Aeroplane Over the Sea1998: In the Aeroplane Over the Sea – Neutral Milk Hotel

Gênero: Indie Rock/Lo-Fi

Extremamente rico, seja nas letras, nos instrumentais ou nos sentimentos, o último álbum do Neutral Milk Hotel se comporta como um dos grandes clássicos da música Lo-Fi. Demonstrando o ápice artístico de Jeff Mangum, o disco, segundo muitos, é construído segundo um tema conceitual: a vida e morte de Anne Frank, uma das mais famosas vítimas do holocausto nazista, cujo diário, publicado em 1947, acabou se tornando uma das maiores obras da literatura do século XX.

Profundo e fugindo de qualquer obviedade, “In the Aeroplane Over the Sea” é um álbum naturalmente excitante, que prende através de sua excepcional sonoridade e das temáticas emotivas: se não fosse a alta carga sentimental, talvez o álbum não fosse o clássico que hoje é. E álbuns sentimentais, por consequência, são ótimos para aquele momento em que decidimos parar para pensar: as letras inteligentes, as melodias envolventes e o vocal carregado de emoção de Jeff Mangum proporcionam uma audição marcante para quando estamos deitados, de olhos fechados, apenas pensando na vida.

Wave1967: Wave – Antonio Carlos Jobim

Gênero: Bossa Nova

A bossa nova é, naturalmente, um gênero voltado à introspecção. E quando falamos de um dos maiores maestros da história da nossa música, com um dos melhores álbuns brasileiros dos anos sessenta, o resultado reflexivo não poderia ser melhor. Uma das cabeças mais inteligentes que já apareceram na música tupiniquim, Antonio Carlos Jobim, o Tom, marcou seu nome na história através de sua incrível qualidade composicional.

E em 1967, aproveitando a notoriedade recebida pela bossa nova nas terras do Tio Sam, Tom tratou de lançar um álbum fundamental. Ao contrário dos demais registros desta lista, “Wave” não prende pelas palavras. É um álbum quase inteiramente instrumental, em que podemos perceber, como nunca, a incrível qualidade dos arranjos propostos pelo maestro. A faixa-título, apesar de conter uma das mais belas letras da história da MPB, é um exemplo de que a música de Tom Jobim também é capaz de nos prender apenas pelo seu instrumental.

Tranquilo, inserindo a brisa litorânea do Rio de Janeiro em suas canções, o registro caminha durante suas dez composições em um sentido de oposição à intriga. “Wave” é um álbum perfeito para nos fazer pensar porque o seu conceito melódico nos mostra quão reconfortantes podem ser as forças da natureza. Resumindo, sempre existe beleza além das paredes de seu quarto.

Funeral2004: Funeral – Arcade Fire

Gênero: Indie Rock

O nome já diz tudo: “Funeral” é um álbum que tem como conceito a morte. Um dos mais aclamados discos da década passada, a estreia dos canadenses do Arcade Fire é construído acima de um tema mórbido, mas salientando, constantemente, a existência da esperança. Com suas letras sentimentalmente profundas e seus instrumentais excitantes, o álbum se mostrou capaz de elevar a nome da jovem banda ao supra-sumo da música, transformando os integrantes em verdadeiros queridinhos de uma nova geração de ouvintes.

A incrível sensibilidade utilizada pela banda faz com que exista beleza na partida de um ente querido. Mais do que chorar a saudade, “Funeral” amplifica as boas lembranças, e não à toa pende, em alguns momentos, a uma genuína celebração. A morte, ironicamente, pode servir para celebrar a vida.

E é através desse conceito que o álbum não discute apenas o fim, mas a vida que existe antes dele. Mesmo que as coisas estejam difíceis, que algo tenha lhe decepcionado profundamente, há uma vida inteira ainda pela frente. Como ela é única, procure sempre pensar em como você tem a vivido, a fim de aproveitá-la da melhor maneira possível.

OBS.: Para a construção da lista, foram selecionados álbuns de diferentes gêneros e diferentes épocas. Caso você tenha gostado (ou não), não deixe de comentar.

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