2013: What About Now – Bon Jovi

What About Now

Por: Renan Pereira

O Bon Jovi é uma banda que, visivelmente, envelheceu. O que não é ruim, pois a idade e a experiência não dizem nada de negativo quando o assunto é música; apesar de geralmente o ápice criativo dos músicos se encontrar lá pelos vinte, trinta anos, não são raros os casos de artistas que construíram, na sua meia-idade, obras cuja qualidade não fica devendo em nada ao que haviam concebido na juventude. Mas, para envelhecer bem, é necessário, primeiramente, admitir que está envelhecendo, e usar isso a seu favor. E aí está o grande erro do Bon Jovi: tentando artificialmente continuar jovem, a banda não consegue soar atraente, e despeja aos ouvintes o que parece ser o pior álbum do conjunto em toda sua carreira. Mais do que um disco pouco proveitoso, “What About Now” apresenta um resultado que constrange, principalmente ao levarmos em consideração que se trata de algo vindo de uma banda gigantesca.

Embora já tenho feito a sua história, tendo se apresentado, lá nos anos oitenta, como a líder do chamado “rock de arena”, a banda Bon Jovi está precisando provar algumas coisas. Primeiro, porque a qualidade de seus lançamentos tem ruído constantemente, e já faz um bom tempo que o grupo não apresenta ao seu público um trabalho à altura de clássicos como “Slippery When Wet” e “New Jersey”. Sendo mais exato, o sucessor destes, “Keep the Faith”, de 1992, foi o último grande álbum do grupo; a partir de “These Days”, o que houve foi uma grande perda de vivacidade, com a banda envolvendo-se de forma exagerada em suas obsessões comerciais.

Amarrado a isso, podemos indagar se a continuação da carreira da banda é ainda algo positivo. Apesar de seus shows continuarem excitantes, em estúdio o Bon Jovi não vem dando sinais positivos de sua existência; é até bom pensar que a criatividade de seus integrantes se minguou, pois se não for este o problema, eles estariam rebaixando de propósito a qualidade de seu som para simplesmente ganhar dinheiro. Deve ser até deprimente, para os fãs das antigas, conferir um trabalho como “What About Now”, e convenhamos que, se é para manchar a carreira gloriosa que já foi construída, é bom que o grupo termine de vez.

Apresentando constantemente um resultado que em nada lembra a melhor fase do Bon Jovi, “What About Now” é um conjunto errôneo de canções banais. Nada soa realmente sincero, com a banda rebaixando-se ao que de mais comercial existe na música atual. Para começar esta jornada de escorregadas, a politizada e visivelmente pró-Obama “Because We Can” não é nada além do que a banda vem desenvolvendo nos últimos discos… Ou seja, ainda persiste a dúvida se a banda quer manter-se como o Bon Jovi ou se deseja se tornar uma versão americanizada do U2. Porém, mesmo assim, a primeira faixa ainda consegue ser a melhor canção do álbum: parece-se muito com as músicas do “The Circle”, mas a base de “What About Now” está ainda bem abaixo de seu já criticado antecessor.

A falta de criatividade da banda é tamanha que copiaram o que já havia sido copiado: a introdução da segunda faixa, a chata “I’m With You”, é quase exatamente a mesma de “Boulevard of Broken Dreams”, que, por sua vez, é quase a mesma de “Wonderwall”. É incrível como tudo no disco soa artificial, como se ele tivesse sido programado em um computador e só tivessem chamado a banda para interpretar as canções; do vocal repleto de auto-tune aos riffs surpreendentemente pobres, o que temos é, infelizmente, algo constrangedor. A faixa-título só pode existir para provar que Jon Bon Jovi, Richie Sambora, Hugh McDonald, Tico Torres e David Bryan não têm mais a capacidade de construir canções decentes.

Quando o Bon Jovi tenta, enfim, fazer da música de “What About Now” algo grandioso, acaba se perdendo em megalomanias pop que rebaixam a banda ao nicho mais comercial de artistas da atualidade; brincando até mesmo com o pop eletrônico (sim, você não leu errado), o grupo de Nova Jersey parece fazer de seu novo disco uma parceria com artistas do nível de Katy Perry, Justin Bieber, Lady Gaga e Miley Cyrus. As músicas vão seguindo, e o constrangimento de quem tem a santa paciência de continuar ouvindo o disco só aumenta. “Pictures of You” é uma baladinha com uma base tão pobre que chega a soar caricata, “Amen” é uma cópia descarada do rock country de “Lost Highway”, e “That’s What the Water Made Me” parece ser o trágico encontro do rock alternativo britânico com o pop mais comercial dos Estados Unidos, se tornando o que seria uma cômica colaboração do U2 com a Selena Gomez.

Nem dá pra saber se isso é bom ou ruim, mas o Bon Jovi tenta mascarar as obsessões proveitosamente comerciais do disco. A voz de Jon Bon Jovi procura passar ao ouvinte um “estou comportadinho, mas ainda sou roqueiro”, e a guitarra do técnico Richie Sambora tenta captar os fãs mais despreparados, que iludidos com a simples presença dos integrantes da banda a executar as canções, poderão considerar “What About Now” como um produto genuíno da banda de Nova Jersey. Mas tem de ser muito bobo pra cair nessa (e aqui desculpas sejam dadas a quem gostou do disco). Pior do que querer enganar seus seguidores, é nem nisso a banda conseguir ser competente; afinal de contas, a voz de Jon Bon Jovi soa programada, robótica, enquanto Richie Sambora parece ter ligado sua guitarra no piloto-automático e sentado em um sofá, tomando um cafezinho enquanto via sua banda produzir um dos piores álbuns de rock dos últimos tempos.

A sétima faixa, porém, nem é tão ruim assim: “What’s Left of Me” assemelha-se um pouco ao pop-rock que a banda fez na década de noventa, e se não consegue elevar a qualidade do presente registro, pelo menos não envergonha os seguidores do grupo. Entre todas as supostas referências pop do álbum, estava sentindo a falta de alguém? One Direction, que tal? Pois bem, “Army of One” parece ser a junção da tradicional música das boy-bands com um discurso político… E assim o disco vai seguindo, e com as igualmente fracas “Thick as Thieves” e “Beautiful World” o Bon Jovi continua se afundando no poço.

Por mais que as duas últimas faixas do disco, a pop-rock “Room at the End of the World” e a country-pop “The Fighter”, sejam até audíveis, o resultado desastroso de “What About Now” já estava consumado. O disco é, enfim, um daqueles registros cujo motivo da gravação passa a ser inexistente; nem que a gravadora estivesse pressionando para novo um álbum ser lançado e a banda não estivesse muito disposta a isto, o conjunto de erros de “What About Now” seria perdoável. O que o Bon Jovi merecia, enfim, com o lançamento deste trabalho, é a mesma recepção que os fãs do Metallica tiveram com o igualmente trágico “St. Anger”, dez anos atrás.

Mas não é o baixíssimo nível do novo álbum que vai diminuir o nome “Bon Jovi”. O que o grupo fez no passado ainda lhe dá crédito, e apesar do resultado vergonhoso de “What About Now”,  a banda continuará entre as maiores do mundo. Mas, para que eles tenham a consciência limpa, e não mais se rebaixem ao que de mais aproveitador existe na música atual, é urgentemente necessária uma mudança de rumo… Se não há mais criatividade, que a banda faça o mesmo som de antigamente; estaria, assim, pelo menos copiando algo bom, que agrada aos fãs e que tem qualidade. Se é para continuar a seguir modinhas do pop, que a banda encerre suas atividades de uma vez.

NOTA: 1,3

Track List:

01. Because We Can (Jon Bon Jovi/Sambora/Falcon) [04:00]

02. I’m With You (Jon Bon Jovi/Shanks) [03:44]

03. What About Now (Jon Bon Jovi/Shanks) [03:44]

04. Pictures of You (Jon Bon Jovi/Sambora/Shanks) [03:58]

05. Amen (Jon Bon Jovi/Falcon) [04:12]

06. That’s What the Water Made Me (Jon Bon Jovi/Falcon) [04:25]

07. What’s Left of Me (Jon Bon Jovi/Sambora/Falcon) [04:35]

08. Army of One (Jon Bon Jovi/Sambora/Desmond Child) [04:34]

09. Thick as Thieves (Jon Bon Jovi/Sambora/Shanks) [04:57]

10. Beautiful World (Jon Bon Jovi/Falcon) [03:48]

11. Room at the End of the World (Jon Bon Jovi/Shanks) [05:02]

12. The Fighter (Jon Bon Jovi) [04:37]

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