2012: Last of a Dyin’ Breed – Lynyrd Skynyrd

Por: Renan Pereira

É praticamente um milagre que a banda Lynyrd Skynyrd continue na ativa. Depois de tantas tragédias, tantos falecimentos de integrantes, firme e forte a banda insiste em continuar sua empreitada musical, e isso é louvável, pois seria triste ver um grupo tão grandioso, tão mítico, encerrar suas atividades logo agora, em que as tragédias parecem ter cessado. É verdade que o Lynyrd Skynyrd atual pouco lembra a fantástica banda de outrora, que tinha o visionário Ronnie Van Zant nos vocais e o incrível Allen Collins na guitarra solo, mas o som da banda, querendo ou não, continua praticamente o mesmo. O Lynyrd continua tocando o mais clássico southern rock, ainda que os tempos atuais façam com que o público se esqueça de que a banda continua a produzir novos trabalhos.

Destes novos trabalhos pode ser destacado “God & Guns”, de 2009, que apesar de não ser um disco brilhante, voltou a apresentar o Lynyrd Skynyrd com um som lúcido e uniforme, tentando soar vivo ao invés de apenas tentar ser a sombra da banda que foi no passado. O novo álbum, “Last of a Dyin’ Breed” acaba seguindo esse mesmo caminho, apresentando-nos muito do velho southern rock, com a árdua tarefa de mostrar uma banda pulsante; mas não espere o ouvinte muitas novidades e genialidades, pois este é praticamente tudo o que você já possa ter ouvido do novo Lynyrd; se não ouviu nada, é um bom momento pra dar uma conferida no que a banda tem feito.

O álbum começa com a faixa título, apresentando-nos riffs de guitarra bem característicos do southern rock; “Last of a Dyin’ Breed” é uma canção agradável, legal, com um instrumental sólido, mas que pouco se aventura, sem mostrar nada de extraordinário; os solos de guitarra, por exemplo, de tão banais passam quase despercebidos. “One Day at Time” é a segunda faixa, novamente apresentando um seguro instrumental southern rock, com riffs bem típicos; apesar de também ser agradável, mais uma vez a banda peca ao não mostrar nada de tão grande quanto o nome Lynyrd Skynyrd. Felizmente há a ótima “Homegrown”, com rifadas mais rápidas, que a assemelham mais ao rock atual, tornando-a uma música jovial; é uma faixa atraente, uma canção de instrumental pesado e vívido, com guitarras nervosas, e sem dúvida um dos grandes pontos positivos do álbum.

“Ready to Fly” é uma balada construída ao piano, e mostra que Johnny Van Zant ainda pode impressionar como vocalista (não há como negar que o cara é bom, e não apenas o irmão mais novo do saudoso Ronnie); a música é bonita, melodicamente competente, e sua produção está mais para luxuosa, lembrando muito algumas baladas de bandas de hard rock do início dos anos noventa. Sentimentos mais tradicionalistas estão presentes em “Mississippi Blood”, que no início até tem o ar da graça de guitarras mais fortes, mas que, através de sua duração, acaba decaindo mais uma vez para uma canção que pouco acrescenta. “Good Teacher” é uma das melhores faixas do álbum, com um instrumental mais enérgico, onde os riffs apresentam uma qualidade rítmica competente, e os solos hilariantes fazem um bom trabalho para fugir do lugar-comum.

É claro que, às vezes, querer coisas novas de uma banda como o Lynyrd Skynyrd pode ser querer muito, afinal, o rock deles sempre se caracterizou por ser um som de raiz. Mas nem sempre de inovações vive um grande trabalho, vide o AC/DC e seu “Black Ice”; Angus Young e sua banda fizeram um álbum que de novidade quase nada mostrou, mas que definiu uma experiente banda em um de seus momentos mais inspirados nos últimos tempos. Os tradicionalismos podem ser seguidos (e devem, no caso do Lynyrd Skynyrd), tranquilamente e sem moderação, desde que se consiga tornar esse som tão resplandecente e entusiasmante quando o dos melhores tempos. Infelizmente, o som do Lynyrd atual soa batido, mergulhado em mesmices, com poucos momentos empolgantes – o que, certamente, é muito pouco para um grupo que carrega o nome de uma das mais potentes bandas da história. “Something to Love For”, apesar de ser agradável, é uma balada de rock igual a tantas outras já ouvidas; uma canção bem comercial, fazendo o Lynyrd soar como o Bon Jovi.

A oitava, “Life’s Twisted” é bem superior à faixa anterior; contém um instrumental legal, com bons riffs, mas novamente, e infelizmente, os solos são extremamente tímidos. Tamanha amplitude de qualidade entre a guitarra solo e a base é, porém, perfeitamente explicada; enquanto a base tem como dono Gary Rossington, remanescente da formação clássica da banda, o espírito e a qualidade de Allen Collins passam longe dos atuais solistas.

Mais clássica que a sonoridade de “Nothing Comes Easy”, impossível; esta, a nona faixa do álbum, pode ser considerada como a maior revisitação ao passado do Lynyrd Skynyrd. A penúltima é “Honey Hole”, uma música que se inicia pra lá de banal, mas que a partir de sua metade apresenta um dos melhores espetáculos de guitarras do álbum, soando assim bastante positiva; é, afinal, um momento empolgante de um disco em que o entusiasmo é racionado. A calminha “Start Livin’ Life Again” é que dá acordes finais ao “Last of a Dyin’ Breed”; é uma baladinha legal, e nada mais do que isso.

O Lynyrd Skynyrd atual não é uma banda ruim, pois Johnny Van Zant é um vocalista competente, e os riffs legais de Gary Rossington estão aí, amarrando a banda de hoje ao som daquela que um dia foi uma das melhores de seu tempo. Mas o Lynyrd atual passa longe de soar tão cativante quanto aquela banda dos anos setenta, que teve um trágico fim após um desastre aéreo. Afinal, é um grupo que não consegue fazer seu southern rock soar tão atraente ao público em geral; ele só continuará agradando totalmente apenas aos fãs mais ferrenhos do gênero.

E “Last of a Dyin’ Breed” também é assim; não é um trabalho ruim, tem músicas agradáveis, instrumentais legais, mas é incapaz de empolgar. É ótimo que o Lynyrd Skynyrd continue, fazendo shows e lançando álbuns, mas seria bom se os atuais integrantes conseguissem fazer com que o grupo criasse raízes, e não apenas flutuasse, levando consigo os fantasmas de Ronnie Van Zant e Allen Collins. Hoje, o Lynyrd Skynyrd, apesar dos esforços, continua a ser apenas uma sombra do que já foi, um cover de si próprio, e uma banda pouco relevante no cenário atual.

NOTA: 6,5

Track List:

01. Last of a Dyin’ Breed (Rossington/J. Van Zant/Medlocke/Matejka/Serafini/Marlette) [03:51]

02. One Day at a Time (Rossington/J. Van Zant/Medlocke/M. Young) [03:46]

03. Homegrown (Rossington/J. Van Zant/Medlocke/Daly) [03:41]

04. Ready to Fly (Rossington/J. Van Zant/Medlocke/Freed) [05:26]

05. Mississippi Blood (Rossington/J. Van Zant/Medlocke/Johnston) [02:57]

06. Good Teacher (J. Van Zant/D. Van Zant/Hambridge/Daly) [03:07]

07. Something to Live For (Rossington/J. Van Zant/Medlocke/Lowery/Marlette) [04:29]

08. Life’s Twisted (Daly/Lawhon/Robertson) [04:33]

09. Nothing Comes Easy (Rossington/J. Van Zant/Medlocke/Hambridge) [04:13]

10. Honey Hole (Rossington/J. Van Zant/Medlocke/Hambridge) [04:35]

11. Start Livin’ Life Again (J. Van Zant/D. Van Zant/Marlette/Lowery) [04:23]

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