2012: Overexposed – Maroon 5

Por: Renan Pereira

Dez anos separam o primeiro trabalho de estúdio do Maroon 5, o competente “Songs About Jane”, do quarto álbum da banda, “Overexposed”. E, definitivamente, muita coisa mudou. Com “Hands All Over” e, principalmente, com o hit “Moves Like Jagger”, o grupo viu se abrir um novo caminho para sua música, se entregando, mais do que nunca, a um pop chiclete e de aceitação fácil, repleto de refrões grudentos e batidinhas dançantes. Aquela banda divertida que flertava com rock, funk, e até mesmo jazz, não existe mais; o que temos hoje é um projeto pop do vocalista Adam Levine contando com músicos de apoio.

Em “Overexposed” tudo é muito artificial, meticulosamente calculado para ser bem aceito em rádios e lojas, sejam físicas ou virtuais. E isso é um grande problema, pois a grande graça do Maroon 5, que na realidade nunca chegou a ser uma banda espetacular, era justamente ser um grupo autêntico, fazendo música sincera e com naturalidade. Agora, apelando para um batalhão de produtores, o que se procura é enfiar Adam Levine no grande buraco onde se encontram muitas das celebridades contemporâneas da música.

Comercialmente o álbum até pode ser competente, e se essa foi a grande intenção, Adam Levine e seus produtores merecem aplausos. Afinal, utilizando suas táticas de venda, conseguiram transformar algo medíocre em grande, aos olhos da clientela. Mas, apesar das vendas fazerem parte do mundo da música, servindo para engordar os cofres das queridas gravadoras, não devemos levá-las muito à sério. Se observarmos, então, o aspecto artístico, temos um álbum que passa longe de ser merecedor de ovações.

Pois bem, “Overexposed” começa sua caminhada com a canção “One More Night”, um pop de estilo bem atual, com alguma coisinha de reggae; sem agradar, a música soa como alguma de Rihanna na voz de Levine. A segunda faixa, o single “Payphone”, que conta com a participação do rapper Wiz Khalifa, é uma canção de qualidade até surpreendente, uma pepita de ouro em meio ao terreno lamacento e escorregadio de “Overexposed”; se caracterizando por ser uma bem composta e bem produzida canção pop, está até mesmo no mesmo nível melódico de “She Will Be Loved”, contendo uma boa interpretação vocal por parte de Levine, um rapping bem alocado e arranjos competentes.

A terceira, “Daylight”, apesar de não empolgar, não chega a ser necessariamente uma música ruim; até tem qualidades, e estas seriam um ponto positivo, se não pertencessem, na verdade, a outra banda – a canção é, afinal, uma cópia descarada da musicalidade do Foster the People. O comecinho de “Lucky Strike” engana bem, pois, através dos riffs iniciais, ensaia uma faixa mais roqueira; mas o passar dos segundos acaba por decepcionar o ouvinte, que se depara com um pop descartável, dançante mas sem ser dinâmico, com uma repetitividade que pode até irritar. “The Man Who Never Lied” é outra canção decepcionante, enjoativa, que apesar da produção luxuosa, que muito promete, acaba não saindo do lugar-comum.

“Love Somebody” também tem seus barulhinhos e batidinhas luxuosamente produzidos, mas que somente existem, na realidade, para tentar maquiar a pobreza da canção; extremamente óbvia, é de uma banalidade surpreendente, e mesmo que você a esteja ouvindo pela primeira vez, pode jurar já ter a escutado em algum lugar por aí. A preguiçosa “Ladykiller” até pode agradar algumas fãs da banda, pois parece ter sido feita para Levine rebolar em cima de um palco, em mais uma de suas duvidosas performances ao-vivo; mas como a canção não é grande coisa, e o rebolado de Levine não agrada todo mundo, esta é mais uma faixa incapaz de ter algum êxito positivo dentro do álbum.

É inegável que “Overexposed” não tem um bom andamento, explorando muito pouco da banda, que é capaz de fazer boas coisas; é um trabalho que desvaloriza os instrumentos, deixando Mickey Madden, Jesse Carmichael, James Valentine e Matt Flynn em segundo plano, abafados pela sonoridade eletrônica e comercial do álbum. Álbum este que procura destacar somente Adam Levine, elevando-o a um patamar superior aos demais membros, e praticamente transformando o seu nome em sinônimo de Maroon 5.

Muitas carreiras-solo começaram quando o nome do vocalista se encontrava excessivamente grande, maior até que o nome da banda. Mas, neste caso, por mais que Levine seja o nome mais famoso do conjunto, a transição soa meio forçada; utilizar o nome já consagrado da banda para dar ênfase somente ao vocalista parece ser uma estratégia oportunista. Assim, o futuro da carreira de Levine só teria realmente um valor artístico se uma de duas opções fossem seguidas: ou ele realmente inicia uma carreira-solo, sem carregar o nome da banda (e, consequentemente, sem desqualificá-la), ou continua sendo mais um em um grupo, como o vocalista do Marron 5, procurando resgatar os sentimentos dos primeiros trabalhos da banda, e, acima de tudo, trabalhando em equipe.

A eletrônica “Fortune Teller” é mais uma faixa banal, altamente comercial, que nem tímidos riffs de guitarra e piano conseguem salvar. De piano, aliás, é feito o instrumental da muito boa “Sad”, uma bonita balada, em que Adam Levine consegue ter um bom destaque; em um álbum com tantas faixas descartáveis, esta chega a surpreender, principalmente por mostrar que não é necessário um zilhão de enfeites eletrônicos para a música do Maroon 5 soar agradável. “Ticket”, das faixas dançantes, é a melhor do álbum, mas mesmo assim não chega a ser uma grande música, soando, no máximo, razoável.

“Doin’ Dirt” é, assim como sua faixa anterior, um número dançante até interessante, mas que passa longe de um grande destaque positivo; pelo menos, não é tão prosaica quanto a maioria das canções do “Overexposed”. Álbum este, que tem um arrastado desfecho com a canção “Beautiful Goodbye”, que de bonita, na verdade, tem pouca coisa; extremamente sem-graça, repetitiva e irritante, encerra o disco da pior maneira possível, e só retificando que, através da banalização da banda, dando um destaque absurdamente grande ao vocalista, com canções medíocres e de apelo apenas comercial, o Marron 5 caminha para um triste e decepcionante final. Se é para virar um projeto pop, que a carreira solo de Adam Levine se inicie de uma vez.

É provável então, que com isso, “Overexposed” acabe se tornando o último álbum do Maroon 5. Porém, pode ser até que a banda continue, mas, se isso ocorrer, devem ser mudados drasticamente os planos, até porque “Overexposed” soa como um álbum solo de Levine sob o nome de Maroon 5. Os rumos atuais que esta banda vem tomando são muito estranhos, e o estranho “Overexposed” talvez queira demonstrar, realmente, o atual momento do grupo. Um momento de incertezas e fragilidades.

Há álbuns que pouco acrescentam, outros que apenas continuam a caminhada de uma banda ou de um músico, e outros que fazem um projeto musical tomar um novo rumo. Apesar de, aparentemente, “Overexposed” ter sido feito para a música do Maroon 5 tomar um novo rumo, o que se vê é um trabalho que não alcança seu objetivo; afinal, o que ele mostra, na verdade, é uma banda perdida, em um momento estranho de sua carreira, totalmente sem rumo.

NOTA: 4,0

01. One More Night (Levine/Shellback/Kotecha/Martin) [03:39]

02. Payphone (Levine/Levin/Malik/Omelio/Shellback/Thomaz) [03:51]

03. Daylight (Levine/Martin/Levy/S. Martin) [03:45]

04. Lucky Strike (Levine/Tedder/Zancanella) [03:05]

05. The Man Who Never Lied (Levine/West/Moga) [03:25]

06. Love Somebody (Levine/Tedder/Zancanella/Motte) [03:49]

07. Ladykiller (Valentine/Madden/Lavine) [02:44]

08. Fortune Teller (Valentine/Madden/Lavine) [03:23]

09. Sad (Levine/Valentine) [03:14]

10. Tickets (Valentine/Madden/Lavine) [03:29]

11. Doin’ Dirt (Levine/Shellback) [03:31]

12. Beautiful Goodbye (Levine/Levin/Malik) [04:15]

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