2012: Days Go By – The Offspring

Por: Renan Pereira

A primeira parte do “Days Go By”, nono álbum de estúdio da banda americana The Offspring, é realmente animadora. Mostra uma banda que, em seu processo de envelhecimento, consegue se reinventar e mesclar seu som às necessidades atuais, sem deixar de lado seus ideais sonoros tradicionais e sem soar puramente comercial. “The Future Is Now” é uma grande primeira faixa, com ótimos riffs, que passeiam durante toda a duração da canção entre o agressivo e o melódico; se trata de um pop punk fortíssimo, que absorve com competência muitas das boas coisas plantadas nas duas últimas décadas, e se faz soar moderno. A segunda, “Secrets from the Underground”, felizmente se mostra tão boa quanto a primeira, se caracterizando por ser um rock dinâmico, ora nervoso, ora cadenciado, que bebendo em referências contemporâneas, parece deixar bem clara a intenção da banda de se renovar. Isso é louvável, ainda mais para o The Offspring, que vinha se arrastando em trabalhos pouco animadores nos últimos tempos, e precisava de algo novo para tentar voltar aos trilhos.

Se inspirar em alguém pode ser perigoso, mas quando a inspiração vem de um dos trabalhos mais aclamados dos últimos anos, o risco torna-se muito pequeno; embriagando-se de Foo Fighters e de “Wasting Light”, a faixa-título é, indubitavelmente, um grande ponto positivo, uma canção dinâmica que traz tudo o que o rock contemporâneo pede, em um show instrumental, onde, especialmente as guitarras, mostram-se absurdamente competentes. O comecinho de “Turning Into You” pode até assustar por ser eletrônico, mas a canção acaba por se tornar, felizmente, mais um pop punk competente, dessa vez com um espírito mais old school, lembrando mais os trabalhos antigos do The Offspring. A quinta, “Hurting as One”, faz o álbum continuar sua caminhada em segurança, trazendo juntamente com a agressividade tradicional do som da banda, elementos de um rock mais atual, tornando a sonoridade agradável e vívida, e, acima de tudo, trazendo-nos novidades.

Até aqui, temos um álbum que se comporta de forma exemplar, mas infelizmente há uma continuação. Apesar das cinco primeiras faixas demonstrarem que o The Offspring ainda tem muita lenha para queimar, com competência e talento para se reinventar sem atropelar a história da banda, a partir da sexta faixa temos a tentativa de se destruir tudo de bom que havia sido construído, em um arrastado e desanimador show de horrores. A abominável “Cruising California (Bumpin’ in My Thunk)” é, provavelmente, a pior coisa já feita pelo The Offspring durante toda a sua carreira; apesar de aparentemente querer zoar com o pop atual, não faz nada mais que mostrar uma banda de rock querendo ser Katy Perry por um dia, em uma desesperada tentativa de soar comercial – se não fosse assim, a faixa provavelmente não teria sido incluída como single, não é?

“All I Have Left Is You” é outra coisa estranha, enjoativa, sem sentido, e se na faixa anterior a banda tentou ser uma pop star bonitinha, nesta faixa o The Offspring, como nunca, tenta ser Coldplay. “OC Guns” pode até ter alguma coisinha dos áureos tempos da banda, mas não escapa de ser mais uma faixa fraquíssima desta decepcionante segunda parte do álbum; tentando ser engraçada, tem alguma coisa de rap, reggae, e até mariachis mexicanos, mas não passa do medíocre, soando forçada e sem brilho. Enquanto isso, “Dirty Magic” até tenta retornar à boa qualidade da primeira parte do álbum, mas apesar de se mostrar bem superior às faixas “vizinhas”, não chega a animar, sendo excessivamente repetitiva, arrastando-se pelo tempo.

Tamanha queda de qualidade no álbum nos faz pensar um pouco sobre o momento atual do The Offspring. Sem dúvida, é uma banda já consagrada no cenário pop punk mundial, com muitos discos lançados, muitos discos vendidos, e quase trinta anos de carreira. Mas, o que a banda deveria fazer nesse momento, onde é muito mais um grupo experiente do que uma novidade, com seu auge sendo, visivelmente, coisa que ficou para trás? Deveria, pois, utilizar toda sua experiência para agradar o seu círculo de fãs, sem soar repetitiva e sem ignorar o seu passado. Mas, quanto vale a vivência para uma banda que, para início de conversa, nem sabe o que fazer? Primeiramente, o The Offspring deve encontrar um rumo, uma ideia a ser seguida, para que trabalhos desencontrados como “Days Go By” não voltem a ser lançados. Não que o disco deva ser totalmente criticado, pois tem uma primeira parte realmente competente… Mas o The Offspring não precisa ser, com trinta anos de bagagem, uma banda capaz de fazer apenas um meio-álbum. Sem dúvida, ela tem condições de fazer muito mais.

A décima, “I Wanna Secret Family (With You)”, é mais uma canção arrastada e de qualidade duvidosa, ficando muito atrás das melhores canções do disco, soando excessivamente enjoativa e comercial. Já, felizmente, “Dividing by Zero” é uma das melhores músicas do álbum, e nos mostra que, nem sempre quando temos o zero como denominador, não temos nada como resposta; a faixa anima, por ser um punk mais puro, direto e consistente, totalmente diferente de algumas canções forçadas deste disco.

“Slim Pickens Does the Right Thing And Rides The Bomb To Hell” é, assim como seu título, grande, mas em qualidade, e não em duração; afinal, é uma ótima faixa de encerramento, dando bons números finais a um álbum que, na verdade, nem é tão grande assim. “Days Go By” tinha tudo para ser um dos melhores discos do ano, se não fosse por algumas mancadas… E é até difícil acreditar que uma banda com tanta capacidade, tenha tratado seus fãs mais antigos com tanto descaso ao se entregar vergonhosamente, em algumas faixas, a coisas puramente comerciais.

Mas, apesar dos pesares, ainda temos algumas ótimas músicas, provando que o The Offspring continua a ter talento. Mas, infelizmente, “Days Go By” não é o grande álbum que poderia ser, não tendo uma boa consistência e cometendo alguns erros absurdos. Mas, mesmo errando, o The Offspring ainda promete boas coisas, e mesmo não estando em seu melhor momento na carreira, é uma banda que ainda vale a pena ser ouvida.

NOTA: 5,8

Track List: (todas as faixas creditadas a The Offspring)

01. The Future Is Now [04:08]

02. Secrets from the Underground [03:10]

03. Days Go By [04:02]

04. Turning Into You [03:42]

05. Hurting as One [02:50]

06. Cruising California (Bumpin’ in My Thunk) [03:51]

07. All I Have Left Is You [05:19]

08. OC Guns [04:08]

09. Dirty Magic [04:00]

10. I Wanna Secret Family (With You) [03:02]

11. Dividing by Zero [02:22]

12. Slim Pickens Does the Right Thing and Rides the Bomb to Hell [02:36]

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