1980: Iron Maiden – Iron Maiden

Por: Renan Pereira

Por mais que os álbuns da época de Paul Di’Anno sejam deixados de lado por alguns fãs de Bruce Dickinson, a estreia em estúdio do Iron Maiden se destaca como um clássico, pois, além de ter apresentado ao mundo uma das mais importantes bandas do heavy metal, fez o gênero se reinventar e ganhar um novo fôlego. Mesmo que Steve Harris e sua trupe continuassem a fazer uso dos temas obscuros já utilizados pelo Black Sabbath nos primeiros suspiros do metal, sendo até mesmo o nome da banda, “donzela de ferro”, uma referência a um instrumento de tortura medieval, a grande sacada dos caras foi trazer novos elementos a este gênero, que, na época, implorava por novidades.

Mas, para entender como o Iron Maiden revolucionou o heavy metal, é preciso voltar os olhares para a década de setenta. Quando o Iron Maiden surgiu, no natal de 1975, o rock progressivo já era um subgênero bastante consagrado do rock, tendo em bandas como Genesis, Yes e Pink Floyd um grande sucesso comercial. A influência das bandas progressivas era tanta, na época, que até os grupos pioneiros do metal acabaram por ser influenciados, e Steve Harris carregar também consigo tais influências era algo até esperado. Porém, com o advento do punk rock, nos últimos anos daquela década, a Inglaterra começou a dar mais valor ao rock mais simples, cru e direto, consagrando bandas como Ramones, The Clash e Sex Pistols… das quais Paul Di’Anno era fã. Pois foi, justamente com a chegada de Di’Anno, que a sonoridade do Iron Maiden ganhou originalidade.

Basicamente, a banda implantou o que de melhor havia no progressivo e no punk em um alicerce bastante clássico. Tendo Di’Anno como vocalista, o Iron Maiden viu a necessidade de mesclar à sua sonoridade coisas mais simples e diretas, tornando sua música simultaneamente agressiva e técnica. Disso, acabou provendo um heavy metal extremamente rejuvenescido e empolgante.

A primeira faixa, “Prowler”, é um heavy metal em excelência, um show de guitarras, construído por uma abordagem magnífica de riffs eletrizantes, que já evidenciavam tanto a técnica apurada da banda quanto a tal atitude, tão bem-vinda naquela época. Enquanto a faixa de abertura é caracterizada por ser veloz, uma porrada do início ao fim, evidenciando assim as influências punk tomadas pela banda, “Remember Tomorrow” é uma canção com maiores variações, iniciando-se lenta, mas logo tomada por riffs pesados que vem e vão, em uma marcha misteriosa repleta de mudanças melódicas e rítmicas; com longas seções instrumentais, e principalmente, com uma maior duração, se caracteriza como um dos momentos progressivos do álbum.

“Running Free” é, provavelmente, uma das coisas mais simples e cruas já feitas pelo Iron Maiden, o que não significa, de nenhum jeito, que trata-se de uma música ruim; é direta, sem muitas variações, mas apresenta mais um espetáculo de riffs, que ora parecem querer apenas seguir o ritmo, ora parecem se assanhar acima das possibilidades simplórias da canção. Já, “Phantom of the Opera”, soa como uma mistura inimaginável de Black Sabbath e Yes, uma faixa técnica, dinâmica, e fugindo a distâncias do lugar comum, com suas inúmeras e surpreendentes variações; mas, apesar de ser uma maravilha técnica, é capaz de dividir as mais opostas opiniões: há quem a ame e há quem a odeie.

A poderosa faixa instrumental “Transylvania” é um espetáculo, um show fantástico, criativo e técnico, capaz de deixar até o próprio Conde Drácula de calças arriadas; ela acaba dando mais provas para uma banda que, logo na sua estreia, já não precisava provar mais nada. Certamente, o reconhecido talento de Harris em compor já estava pronto e concretizado em 1980, quando a banda, apesar de estreante, já se mostrava como uma das mais competentes e criativas não só do heavy metal, mas de todas as vertentes e subgêneros do rock.

“Stange World” é uma música que está bem mais para melódica, mas contendo aquele ar misterioso tão característico da sonoridade do Iron Maiden; com belos riffs de guitarra, e linhas de baixo e bateria excelentes, a faixa é mais um ponto extremamente positivo do álbum; por se assemelhar mais a canções de lançamentos posteriores da banda, percebe-se um vocal pouco empolgante comparando-se ao de Bruce Dickinson. Mas, se Paul Di’Anno nunca chegou a ser um grande vocalista, pode-se dizer que no Iron Maiden ele deu conta do recado, segurando as pontas bravamente, e até tendo um bom destaque nas canções mais agressivas. Outro personagem às vezes esquecido, e muito injustamente, é o baterista Clive Burr, que hoje infelizmente sofre os sintomas de uma esclerose múltipla; na época, o cara era um primor nas baquetas, um baterista de grande competência, e, com certeza, foi um dos grandes responsáveis pela construção da sonoridade do Iron Maiden.

A sétima faixa é “Charlotte the Harlot”, música do guitarrista Dave Murray, e única faixa do álbum sem a participação composicional de Steve Harris; se trata de mais uma grande música, dinâmica, com instrumental perfeitamente composto e executado. Já, nada poderia ser mais clássica que a canção que dá nome à banda e a seu álbum de estreia; “Iron Maiden” é um espetáculo final, uma inundação de riffs históricos, e que se comportam praticamente como um hino. Ainda há, para quem quer um pouquinho a mais, “Sanctuary”, single da banda na época, e que foi adicionada nos lançamentos posteriores deste grande debut.

Tão marcante quanto a banda, quanto seu som, quanto o personagem da capa (esse simpático mascote da banda, conhecido como Eddie), é o álbum de estreia do Iron Maiden. Tido como o trabalho mais agressivo da banda, se define como uma das melhores estreias de todos os tempos do heavy metal; e não poderia ser diferente, pois se trata realmente de Iron Maiden, um nome poderoso, um dos expoentes históricos do gênero.

Mas o álbum ainda é muito mais que uma simples marca, um grande debut, ou um momento histórico… É musical, é rico, é competente e hilariante. Não bastassem as grandes composições de Harris, o que se ouve é uma união entrosada de músicos muito técnicos e criativos, capazes de fazer o heavy metal soar agradável e acessível como em poucas vezes antes, o que levou ao gênero obter uma nova leva de fiéis e fanáticos fãs. Afinal, que banda tem os fãs que o Iron Maiden tem?

NOTA: 8,9

Track List:

01. Prowler (Steve Harris) [03:55]

02. Remember Tomorrow (Paul Di’Anno/Steve Harris) [05:27]

03. Running Free (Paul Di’Anno/Steve Harris) [03:17]

04. Phantom of the Opera (Steve Harris) [07:20]

05. Transylvania (Steve Harris) [04:05]

06. Strange World (Steve Harris) [05:45]

07. Charlotte the Harlot (Dave Murray) [04:12]

08. Iron Maiden (Steve Harris) [03:35]

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