2012: Love is a Four Letter Word – Jason Mraz

Love Is a Four Letter Word

Por: Renan Pereira

O tamanho das palavras realmente é algo relativo. Enquanto temos palavras enormes, com mais de dez letras e, muitas vezes, com uma importância minúscula, certas palavrinhas de poucas sílabas – até para a sorte dos gagos – dizem quanto a coisas de grande importância e complexidade. Por exemplo, temos o sentimento a qual chamamos de “amor”, tão estudado, discutido e complicado, que às vezes é capaz de mudar completamente as nossas vidas, e cuja palavra tem somente quatro letras. Se dizem que “os melhores perfumes estão nos melhores frascos”, esta palavrinha danada não foge à regra.

O que o cantor virginiano Jason Mraz quis dizer com este título, cuja tradução é “o amor é uma palavra de quatro letras”, é que as coisas bonitas e complexas podem ser tratadas com simplicidade. Há de se concordar com ele, mas se esse pensamento é seguido ou não em seu quarto álbum de estúdio, aí são outros quinhentos. O cara sempre foi um bom músico, com um talento reconhecido desde os seus primeiros trabalhos, e com um certo dom para músicas calmas e de boa melodia, o que lá pelas terras do Tio Sam costuma ser chamado de easy listening. E foi, realmente, com esse rótulo, que ele acabou alcançando o mainstream; “Mr. A-Z”, de 2003, chegou a receber duas indicações ao Grammy, e “We Sing. We Dance. We Steal Things”, de 2008, contou com a famigerada “I’m Yours”, seu single de maior sucesso até hoje.

Quando um músico, que antes não era muito conhecido, acaba conquistando uma grande popularidade com um single poderoso, o comum é que, em um próximo trabalho, ele tenda a seguir os mesmos elementos da música que fez sucesso, a fim de agradar a gravadora, seu próprio bolso e seus “fãs ocasionais”. Pois bem, Jason Mraz é um dos casos que podem ser colocados dentro deste barco, e se em “Love is a Four Letter Word” não temos uma sucessão de músicas iguais ao seu single de maior sucesso, o que temos é quase isso.

Se o ouvinte anseia por um álbum brilhante, excitante, que realmente acrescenta algo de importante, “Love is a Four Letter Word” não é o tipo de trabalho que ele queira ouvir. O disco, apesar de não ser ruim, é feito por uma sucessão de fórmulas prontas e já manjadas, que não mostram nada de novo à carreira de Mraz. O pior disso é que essa seria uma fase de consolidação do artista, que, após um trabalho bem vendido e um single pegajoso, tentaria mostrar ao mundo que ele é capaz de ir além. Porém Mraz parece ainda não ter, realmente, a qualidade suficiente para se tornar um nome a ser invejado. Não que ele não seja bom, mas para ser ótimo ele ainda precisa de muito mais.

É “The Freedom Song” que abre alas, sendo a única música do álbum em que Mraz não aparece como compositor; ela tem um espírito tropical, trazido pelos elementos acústicos e pela percussão claramente latina, mas alguns toques de jazz a dão um charme a mais. “Living in the Moment” é construída por riffs agradáveis, bem ritmados, mas que se recusam a se aventurar, permanecendo o tempo todo em um lugar-comum. Já “The Woman I Love” é aquele tipo de pop rock mais tradicional, que dá muito mais importância ao refrão que ao resto da música (que é cantado apenas por grandes fãs); não é uma música ruim, mas se limita ao óbvio.

A quarta, “I Won’t Give Up”, é uma música bem bonita, com arranjos acústicos muito bem feitos, certeiros, e com a voz de Mraz se comportando de forma exemplar; tem potencial para se tornar um dos grandes sucessos de Mraz, e é, indubitavelmente, um dos melhores momentos de “Love is a Four Letter Word”. “5/6” é outra música boa, mas que novamente comete o erro de utilizar uma fórmula pronta; é, afinal, parecida a muitas outras canções já feitas. A seguinte, “Everything Is Sound”, também poderia ser considerada um dos êxitos deste álbum, por ser uma música que, além de agradável, mostra que Jason Mraz pode fazer algo além do medíocre.

Se o título do álbum quer dizer que com o pouco se constrói o grande,  a sétima faixa, “93 Million Miles”, cujo título nos remete a uma distância gigantesca, acaba mostrando que a recíproca pode ser verdadeira; é mais uma canção que, apesar de não ser ruim, não nos mostra nada de excepcional, com instrumental, letra e vocal bem comuns. Já “Frank D. Fixer” está claramente um nível acima da maioria das canções do álbum, e se fosse um pouquinho mais trabalhada poderia ter se tornado uma grande música; mas mesmo assim é válida, ficando à frente da simples “zona do bom”. “Who’s Thinking About You Now?” tem um romantismo bonito, mas apesar dos arranjos luxuosos, não consegue muito, além de dar sono aos ouvintes.

O instrumental de “In Your Hands” chega a ser até uma surpresa positiva, pois apesar de ser tímido, minimalista, vai procurar no rock alternativo um tempero a mais para um prato tão habitual no cardápio de Jason Mraz; não chega a ser uma canção espetacular, mas se comporta direitinho, e pode ser dita como uma boa faixa para um disco de um pop rock mais calminho. “Be Honest” tem um instrumental acústico (ou semi-acústico) bem interessante, bem honesto, e a voz de Mraz tem um de seus melhores momentos no álbum; a participação de Inara George é agradável, e a música é, afinal, um gracejo aos ouvidos. Como última faixa de “Love is a Four Letter Word” temos “The World As I See It”, que pode resumir tudo o que já foi ouvido no álbum; é legal, agradável, mas sem trazer novidades ao que já conhecíamos de Jason Mraz. “I’m Coming Over” é uma faixa escondida, mas que não chega a surpreender.

Aqui temos um bom músico, com um ideal sonoro legal, autor de músicas agradáveis e que conseguiu construir um bom quarto álbum de estúdio para a sua carreira. Mas então, qual o problema? Não seria isso a perfeição para quem é conhecido como o cara da “I’m Yours”? Pode até ser, se ele quer continuar conhecido pelo grande público apenas pelo seu single de maior sucesso. Tudo o que Jason mostrou em “Love is a Four Letter Word” não vai nada além do que ele já tinha mostrado, e se o que ele já tinha feito não era nada de tão espetacular assim, ele continua a ter, simplesmente, o mesmo gabarito de antes. Ele não faz músicas ruins, mas o que falta é, claramente, algo a mais; uma pontinha de coragem, vontade de fazer algo maior ou até mesmo um pouco de brilhantismo.

“Love is a Four Letter Word” é um trabalho legal, onde nenhuma faixa é, necessariamente, uma música ruim. É construído por canções agradáveis, mas ao mesmo tempo um pouco banais, muito comuns, e que não conseguem ter um destaque positivo tão grande no cenário atual. É, enfim, um “mais do mesmo”.

NOTA: 6,0

Track List:

01. The Freedom Song (Luc Reynaud) [04:00]

02. Living in the Moment (Jason Mraz/Rick Nowels) [03:55]

03. The Woman I Love (Jason Mraz/David Hodges) [03:10]

04. I Won’t Give Up (Jason Mraz/Michael Natter) [03:58]

05. 5/6 (Jason Mraz/Michael Natter) [05:57]

06. Everything Is Sound (Jason Mraz/T. Philips/M. Hales/M. Daly/M. Terefe) [04:45]

07. 93 Million Miles (Jason Mraz/Michael Natter/M. Daly) [03:36]

08. Frank D. Fixer (Jason Mraz/M. Terefe/S. Skarbek) [04:45]

09. Who’s Thinking About You Now? (Jason Mraz/Eric Hinojosa) [04:47]

10. In Your Hands (Jason Mraz) [04:51]

11. Be Honest (Jason Mraz/Michael Natter) [03:25]

12. The World As I See It (Jason Mraz/Rick Nowels) [03:57]

13. I’m Coming Over (faixa escondida) (Jason Mraz/Mike Daly) [04:28]

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