2012: Born to Die – Lana Del Rey

Um lançamento aguardado e polêmico foi o álbum de “estreia” de Lana Del Rey, talvez o mais falado no começo de 2012. Primeiramente, a explicação das aspas: a cantora já havia lançado antes, em 2010, um disco com seu nome real, Elizabeth (ou Lizzy) Grant; um trabalho que ficou muito longe dos holofotes, diga-se de passagem. Mas eis que chega 2011, e em junho, o lançamento de seu primeiro single como Lana, “Video Games” – uma música indie, melancólica e orquestrada, cujo clip é cheio de colagens, referências, com Lana Del Rey cantando e fazendo biquinho. A música foi um sucesso, e a partir daí muito se esperou seu disco, lançado no início de 2012.

Com “Born to Die”, se pergunta se Lana Del Rey é um bom nome ou apenas mais um rostinho bonito. Mais um produto de marketing? Ela é, na verdade, tanto um rostinho bonito quanto um produto de marketing, mas se é só isso, só o tempo irá dizer. O apoio da gravadora é maciço, e ela está com todas as condições (inclusive financeiras) para deslanchar. O próprio “Born to Die” já ganhou um status pomposo, contendo uma produção luxuosa – o que não significa, de jeito nenhum, que é um álbum muito bem produzido. Pelo menos, o álbum é uma aposta diferente; é um indie-pop, e passa longe do pop superficial norte-americano que inunda as rádios nos últimos tempos. É bom que se lance e se apoie uma nova ideia, até para que a indústria da música seja renovada.

Analisando a artista, seu vocal já é o primeiro item a causar polêmica: não é ótimo, como também não chega a ser ruim; a cantora se utiliza de um vocal contralto, que é orientado em um tom mais grave – algo não muito comum nos dias de hoje, principalmente na música pop. Ao-vivo ela já mostrou não ir muito bem, mas são vários os artistas que deixam a desejar nesse tipo de performance; mesmo que isso não seja um ponto positivo, não dá pra malhar Lana Del Rey só por causa disso, afinal, aqui está se falando de sua performance em estúdio. Vamos a ela.

A primeira faixa é a música que dá título ao álbum; a música tem uma bela melodia, é muito bem mixada, e o triste e calmo vocal de Lana Del Rey reflete muito bem os sentimentos da letra – enfim, uma música tão boa quanto “Video Games”. “Off to the Races” não é tão boa assim, com o vocal de Lana excessivamente artificial e com uma estrutura um pouco confusa; com esta faixa, o ouvinte fica certo de que, acima de tudo, o álbum tem uma orientação pop – a própria Lana Del Rey andou afirmando que Britney Spears é uma de suas influências. “Blue Jeans” tem uma melodia “sisuda”, e lembra tanto o principal single do álbum quanto a faixa-título; é, porém, mais enjoativa, e com arranjos vocais que não são muito agradáveis.

A melancólica e famigerada “Video Games” é a quarta faixa, com seus competentes arranjos, sendo de um pop orquestrado que, pelo que se ouve, bebeu influências da britânica Florence Welch. Só que as coisas mudam muito rapidamente, como o milagre da transformação da água em vinho; depois de canções melancólicas, chega “Diet Mountain Dew”, com uma estrutura dançante e elementos hip-hop, algo que não soa nada bem com Lana Del Rey. “National Anthem” mescla as características da faixa anterior às demais, e acaba soando ainda pior – é uma música muito confusa, com arranjos não muito bem trabalhados, em que a voz de Del Rey chega a irritar em alguns momentos.

“Dark Paradise” é uma boa música, calma e ligeiramente obscura, com batidas minimalistas que chegam a lembrar o trabalho do produtor Timbaland. A alternância de músicas boas e ruins é um problema,  pois torna o álbum uma confusão, se mostrando indefinido e inconsistente. Lana Del Rey, infelizmente, parece totalmente incerta do que fazer, sem um caminho a seguir; por isso, o álbum acaba atirando para todos os lados, numa estratégia praticamente de tentativa-e-erro. Com isso, pode-se dizer que, além de chamativo, o início da carreira de Del Rey é dúbio, ainda deixando uma incerteza quanto ao talento da cantora.

“Radio” é uma música ruim, que parece acompanhar a indefinição do álbum; é enjoativa, e os vocais de Lana, mais uma vez, se mostram artificias (para não dizer robóticos) demais. “Carmen” é até um pouco mais interessante, mas volta a tropeçar em uma estrutura confusa. Apesar de todo luxo, com a utilização de equipamentos e estúdios moderníssimos, a produção é falha, se mostrando incapaz de manter um certo nível de consistência nas canções de “Born to Die” – em suma, mostrou-se um grande desperdício de dinheiro. Quando consegue captar o melhor de Lana Del Rey, até que o álbum soa bem, bonito e certeiro, mas isso ocorre em poucos momentos. E isso ocorre, felizmente, em “Million Dollar Man”, que consegue retirar da novata Del Rey o que ela parece ter de melhor: as performances calmas e tristonhas.

“Summertime Sadness” é mais uma faixa que abusa dos auto-tunes, e por isso soa artificial demais; eis um erro feio da produção, pois, ironicamente, é nas faixas de uma produção mais tranquila e simples que Lana Del Rey tem realmente um destaque positivo. “This Is What Makes Us Girls”, a última faixa, é uma canção que contém alguns bons momentos, mas acaba esbarrando novamente num exagero de efeitos, que a torna confusa e estranha. Poupemos Lana Del Rey, que está só começando; há quem a ame e quem a odeie, e unanimidade é algo que ninguém tem no mundo da música. O principal problema é a produção, que deve ter achado que as generosas verbas fariam o álbum por si só, não necessitando de um maior trabalho nas melodias e nos arranjos. Fica claro que certos exageros acabaram atrapalhando a cantora.

Porém, apesar dos erros, “Born to Die” não é de todo ruim. Há as boas faixas, e a elas realmente cabe um bom destaque, pois mostram que Lana Del Rey tem condições de fazer algo maior no futuro, se for melhor auxiliada – nas canções mais orientadas ao clássico ela vai muito bem, e aqui ficam os aplausos. Mas quando se tenta algo mais moderno, mais parecido com o pop de hoje em dia, tudo se mostra falso, com pouco ou quase nada sendo sincero ou verdadeiro. Mesmo contendo alguns momentos bons, o álbum, como um todo, se mostra muito inconsistente, sem condições sequer de dizer quem é Lana Del Rey e o que ela veio fazer. Com isso, torna-se impossível dizer se ela nasceu para bilhar ou simplesmente para morrer na praia.

NOTA: 5,0

Track List:

01. Born to Die (Del Rey/Parker) [04:46]

02. Off to the Races (Del Rey/Larcombe) [05:00]

03. Blue Jeans (Del Rey/Haynie/Dan Heath) [03:30]

04. Video Games (Del Rey/Parker) [04:42]

05. Diet Mountain Dew (Del Rey/Daly) [03:43]

06. National Anthem (Del Rey/Parker/The Nixus) [03:51]

07. Dark Paradise (Del Rey/Nowels) [04:03]

08. Radio (Del Rey/Parker) [03:34]

09. Carmen (Del Rey/Parker) [04:08]

10. Million Dollar Man (Del Rey/Braide) [03:51]

11. Summertime Sadness (Del Rey/Nowels) [04:25]

12. This Is What Makes Us Girls (Del Rey/Jim Irvin/Larcombe) [03:58]

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