1985: Whitney Houston – Whitney Houston

A pedra-angular para o conceito de diva-pop; assim pode ser classificado o disco de estreia de Whitney Houston, lançado em março de 1985. Elogiado desde o seu lançamento, e ainda mais através dos anos, o álbum “Whitney Houston” se tornou um marco da música pop. Primeiramente, apresentou-nos uma das mais belas vozes da história, uma artista afro-americana perfeita, que influenciou uma geração inteira de intérpretes – se hoje temos Mariah Carey, Rihanna, Beyoncé, muito deve-se a Whitney Houston. O sucesso alcançado pelo álbum foi algo magnífico, vendendo, até os dias de hoje, um número maior que um milhão de cópias (e isso somente nos Estados Unidos). Naquela época, a música pop se encontrava em seus anos dourados, com o auge da carreira de nomes como Michael Jackson e Madonna, e a estreia de Whitney só veio a enriquecer ainda mais esse cenário. Seu surgimento possibilitou aos ouvintes algo como uma terceira via, um trabalho mais aproximado das raízes da música negra norte-americana, superando uma lacuna deixada pelos grandes nomes do soul, que começavam a minguar. Mas, pelos números, se vê que seu álbum foi muito além do público afro-descendente, alcançado e encantando, mundo afora, uma grande legião de ouvintes (que viria a ser uma leal legião de fãs).

Se a carreira da cantora teve muitos altos e baixos, a culpa parece não ter sido dela. Em seu primeiro álbum, Whitney já mostrava uma segurança absurda, e seus problemas pessoais devem ter contribuído diretamente para sua decadência, a partir dos anos noventa. É, aliás, uma pena que tudo isso tenha acontecido; pela consistência de seus primeiros trabalhos, esperava-se algo muito próximo da genialidade à medida em que os anos fossem avançando e a cantora fosse ganhando experiência. Mas aí vieram as drogas, sua voz foi perdendo potência, e Whitney nunca mais foi a mesma.

Mas, mesmo nos últimos anos, sendo uma artista muito aquém do que já representou, ainda era uma grande cantora. É lamentável que ela tenha partido, ainda mais quando tentava se recuperar, inclusive fazendo planos para o futuro, com ideia de álbuns e turnês… Para os fãs fica uma imensa dor, e para a música uma grande perda. A arcada dentária da música pop ficou banguela.

Agora é o momento de recordar e celebrar a grande mulher que ela foi. E nada melhor que relembrar sua estreia, quando era jovem, com pouco mais de vinte anos, e acabou conquistando o mundo com a sua voz angelical. O álbum abre com “You Give Good Love”, uma canção romântica, que já nos expõe a incrível voz e a bela interpretação de Whitney; mesmo estreante, a cantora demonstra uma segurança absurda, não dando espaço para oscilações ou dúvidas. “Thinking About You” não é uma grande música, com seu instrumental pouco trabalhado, e que deixa a voz de Whitney (o principal elemento do álbum) em segundo plano; mas, pelo menos, a música mostra que Houston também pode interpretar perfeitamente músicas mais dançantes.

“Someone for Me” também é dançante, mas bem melhor trabalhada que a faixa anterior, com uma boa linha de baixo eletrônico e belos efeitos de teclado; também é mais dinâmica, e dá um maior destaque para a cantora, que age como se já fosse uma cantora muito experiente, totalmente segura e não cometendo nenhuma falha. Quando se tem uma voz tão poderosa quanto a de Whitney, pode se cometer o erro de exagerar, alcançar notas extremamente altas onde não é necessário ou agradável; mas Whitney sempre soube o que fazer, e sua interpretação vocal é caracterizada por fazer corretamente e no momento certo – ela demonstra sua potência e suas habilidades, mas sem cometer firulas. “Saving All My Love for You” é uma canção lenta e romântica, feita especialmente para Whitney Houston brilhar (é uma sincera e majestosa atuação vocal).

“Nobody Loves Me Like You Do” é a quinta faixa, uma bela música construída ao piano, e um prato cheio para mais uma tocante interpretação de Whitney; a curiosidade fica para a participação de Jermaine Jackson, que também produziu o álbum. Com tanta gente boa apostando em seu talento (ela era filha de uma cantora e afiliada de Aretha Franklin), convenhamos que ela estava com a faca e o queijo na mão; só bastava um álbum consistente para ela encravar seu nome na música, e foi o que ela fez, não decepcionando seus padrinhos. “How Will I Know” também não tem arranjos lá muito sofisticados, mas essa inundação de teclados era um som característico da década de oitenta; por mais que a produção do álbum às vezes deixe um pouco a desejar, temos que lembrar que a sua principal intenção é agraciar nossos ouvidos com a bela voz de Whitney – e nisso ele é competente. “All at Once” é mais uma música calma, romântica e bonita, e para muitos a melhor atuação da cantora no álbum.

A sensual “Take Good Care of My Heart” é um convite quase irrecusável, e conta novamente com a participação do irmão de Michael e Janet, fazendo um belo dueto com Whitney. “Greatest Love of All” foi um grande sucesso (apenas mais um de tantos no álbum), e podia até ser uma canção de destaque, se não fosse mais uma grande canção – mas, como assim? O álbum todo é feito de grandes interpretações de Whitney, e se tivesse uma música para se destacar das demais, esta deveria não ser tão ótima; há as faixas menos trabalhadas, é claro, mas mesmo essas passam muito acima do medíocre. E é com “Hold Me” que o álbum se encerra, mais uma bela canção com uma consistente atuação de Whitney.

O álbum “Whitney Houston” não é uma gravação incrível, genial, uma grande obra da música; mas é o ótimo álbum de estreia de uma cantora incrível, com alguns momentos brilhantes, e acima de tudo, com uma ótima qualidade que é sempre mantida. Nessa época, a cantora se encontrava no seu auge, e o disco é uma boa audição para se ter uma ideia do que ela era capaz… Não deve se considerar um atrevimento dizer que ela foi um dos mais importantes nomes da história da música pop.

NOTA: 8,2

Track List:

01. You Give Good Love (LaLa) [04:36]

02. Thinking About You (Kashif/LaLa) [05:24]

03. Someone for Me (Jones/Washington) [04:58]

04. Saving All My Love for You (Goffin/Masser) [03:58]

05. Nobody Loves Me Like You Do (Dunne/Philips) [03:47]

06. How Will I Know (Merrill/Rubicam/Michael Walden) [04:34]

07. All at Once (Osborne/Masser) [04:27]

08. Take Good Care of My Heart (McCann/Dorff) [04:14]

09. Greatest Love of All (L. Creed/Masser) [04:57]

10. Hold Me (L. Creed/Masser) [04:57]

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