2012: Ringo 2012 – Ringo Starr

Muitos pensam que a carreira solo de Ringo Starr é pequena e pouco criativa. Mas na verdade, “Ringo 2012” já é o seu décimo-sétimo álbum de estúdio. Dentre estes, temos algumas grandes obras, como “Ringo”, de 1973, e “Time Takes Time”, de 1992, e alguns álbuns falhos, é claro, mas a carreira solo do ex-Beatle é bem superior ao medíocre.

“Ringo 2012”, porém, é muito pouco para alguém que fez parte da mais bem sucedida banda da história. Ele já está com seus 71 anos, e talvez nem esteja mais tão interessado com as coisas, pois já conquistou tudo o que podia conquistar. Mas, após um período escuro para Ringo (vivido na década de oitenta), e mais precisamente desde fundada a All-Starr Band, o músico acumula bons trabalhos, discos competentes e consistentes, inclusive destacando o seu lado compositor. Mas “Y Not”, de 2009, já deveu um pouco, enquanto, seu mais novo trabalho, acaba devendo bastante. São nove músicas, sendo que apenas cinco são inéditas.

De todo modo, é sempre muito bom poder ouvir Ringo na bateria, com sua pegada inconfundível; obviamente, ela foi um dos pilares da música dos Beatles, e ouvi-la em um álbum atual é como ter um pouco da banda sessentista (mais precisamente, um quarto dela) tocando em um cenário contemporâneo.

“Anthem” é uma das poucas inéditas do álbum, e não é uma grande canção; o destaque maior acaba ficando para os riffs de guitarra de Joe Walsh, ex-Eagles, que, como sempre, trabalha com muita competência, sendo um dos grandes pontos positivos do “Ringo 2012” – senão o maior deles. O single “Wings” é uma regravação do próprio Ringo, música de 1977, e não fala da banda que Paul McCartney tinha com a esposa naquela época; o arranjo tem vários elementos reggae, e se não fosse por Joe Walsh, seria uma canção que nada acrescentaria (e que mesmo assim, na verdade, pouco acrescenta). “Think It Over” é um cover de Buddy Holly, e se encaixa melhor no álbum que as demais regravações – afinal, qual o fundamento em regravar canções próprias em um chamado “álbum de inéditas”? Talvez Ringo esteja com muita preguiça de fazer algo novo, e utilizar músicas antigas com novos arranjos, para ele, deva significar “música nova”. Na verdade, o significado mais apropriado é “encher linguiça”.

Já “Samba”, inédita, é uma música bem trabalhada, e um dos dos grandes destaques positivos do álbum, com seus arranjos inteligentes e sua melodia cativante; é também a prova que Ringo continua a ser um músico de grande talento, e que poderia ter feito algo muito superior ao “Ringo 2012”. “Rock Island Line” é um cover de um tradicional blues norte-americano, e os arranjos feitos por Ringo são agradáveis, positivos, perfazendo assim uma faixa atraente. “Step Lightly” é mais uma regravação do próprio Ringo Starr, dessa vez de seu álbum de maior sucesso, “Ringo”, de 1973; na verdade, o arranjo mais moderninho não caiu tão bem assim, e a gravação antiga acaba se mostrando bem superior.

Na sétima faixa já se entra na parte final do álbum e, para a alegria de todos, somente com músicas inéditas. Até a sexta faixa o que se escuta, exceto em “Samba”, é um álbum insosso e que nada acrescenta à carreira de Ringo; mas essas três últimas músicas chegam para tentar dar um upgrade ao “Ringo 2012”. “Wonderful” é uma boa balada, que apesar de simples, se mostra bastante consciente e agradável, com mais um espetáculo melódico de Joe Walsh. A oitava, “In Liverpool”, é de longe a melhor música do álbum, e não fica devendo a músicas de “Times Takes Time”, ou até mesmo de seu famigerado álbum de 1973; é uma música que relembra o passado, os velhos amigos, muito agradável, e contendo arranjos caprichadíssimos – um verdadeiro espetáculo (sendo um pouco mais corajoso, pode-se dizer que poderia muito bem ter sido alocada em um álbum dos Beatles).

A nona e última, “Slow Down”, apesar de nada incrível, é uma música agradável, e faz “Ringo 2012” se encerrar bem. O álbum, aliás, se mostra de difícil qualificação, ao se chegar ao final; as cinco músicas inéditas são boas, e entre elas a belíssima “In Liverpool” se destaca – eis aí um bom trabalho do Ringo. Os covers de blues são bons, toleráveis, pouco acrescentam mas também pouco diminuem. Mas as regravações de músicas antigas, já lançadas há muito tempo pelo próprio Ringo, se mostram totalmente sem fundamento, uma verdadeira entregação à preguiça de se fazer duas músicas novas.

Com momentos belos, e outros lamentáveis, “Ringo 2012” acaba não ficando entre os melhores álbuns da carreira solo de Ringo Starr, inclusive ficando bem abaixo do que ele andou fazendo nas últimas duas décadas. Mas os tais momentos belos são realmente interessantes, e por causa deles, “Ringo 2012” é um álbum cuja audição se mostra positiva. E é assim, com boas músicas e alguns tiros no pé, que Ringo vai envelhecendo, mas ainda preocupado em levar seu agradável talento para os fãs. Ponto para ele.

NOTA: 5,2

Track List:

01. Anthem (Starkey/Ballard) [05:01]

02. Wings (Starkey/Poncia) [03:31]

03. Think It Over (Buddy Holly/Norman Petty) [01:48]

04. Samba (Starkey/Van Dyke Parks) [02:48]

05. Rock Island Line (tradicional) [02:59]

06. Step Lightly (Starkey) [02:44]

07. Wonderful (Starkey/Nicholson) [03:47]

08. In Liverpool (Starkey/Stewart) [03:19]

09. Slow Down (Starkey/Walsh) [02:57]

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