2011: Fallen Empires – Snow Patrol

Cinco anos separam 2006 e 2011, e o mesmo tempo separa “Fallen Empires” de “Eyes Open”. Essa é, provavelmente, a prova de que em cinco anos muita coisa pode mudar. Na década passada a banda Snow Patrol apresentou-se ao mainstream, com trabalhos competentes, como “When It’s All Over We Still Have to Clear Up”, de 2001, e “Final Straw”, de 2003; mas foi com o famigerado “Eyes Open” e seus hits que a banda começou a catar fãs pelo mundo, encantados com as melodias calmas e os bons arranjos. É verdade que até mesmo o “Eyes Open” já devia um pouco, principalmente aos álbuns anteriores da banda, que se mostravam muito mais audaciosos. Mas tudo bem; o sucesso veio, o vídeo de “Open Your Eyes” foi assistido por muita gente, e Snow Patrol começou a ser um nome familiar. “A Hundred Million Suns”, lançado em 2008, não foi um grande álbum, sem-graça e incoerente, mas toda banda tem seus altos e baixos.

Em 2011, no Rock in Rio, a banda se mostra em terras cariocas, e o povo brasileiro assiste em massa; em suma, foi um show decepcionante, sonolento e com uma banda um pouco atrapalhada – não agradou. Mas não é todo dia que uma banda fará um grande espetáculo, há os dias ruins, tudo bem… a vida segue. Em novembro do mesmo ano, lança-se “Fallen Empires”, que só chegou aos Estados Unidos no comecinho de 2012. Eis uma grande chance para o Snow Patrol provar que os últimos acontecimentos foram apenas deslizes irrelevantes.

Parece, porém, que realmente aquela ideia de trabalhar bem os arranjos ficou para trás. “Fallen Empires” é, em boa parte do tempo, desnecessariamente eletrônico, artificial e pouco audacioso. Tem algumas boas músicas, mas é feito de muitos altos e baixos, pouco lembrando o antigo e agradável passado, onde o Snow Patrol ainda procurava se firmar. “I’ll Never Let Go”, a primeira faixa, já vai apresentando ao ouvinte uma enxurrada de efeitos eletrônicos, que na verdade pouco contribuem; se estes tivessem sido deixados de lado, a música soaria melhor, pois até tem uma estrutura interessante. “Called Out in the Dark”, apesar de ser o hit, a música da novela, é uma das melhores canções do álbum; aqui os efeitos eletrônicos se comportam bem, fazem algum diferencial, principalmente no bom refrão.

A terceira é “The Weight of Love”, que se inicia muito bem, com bons riffs, mas que depois tenta se comportar como algo techno demais; o ritmo não é muito bom, as guitarras são pouco dinâmicas, mas para a sorte dos fãs, a banda se mostra bastante atenta aos refrões, que mais uma vez salvam uma música. “This Isn’t Everything You Are” dá uma ótima impressão, e volta a dar pontos positivos ao “Fallen Empires”; é uma música calma, romântica, com uma boa melodia e bem produzida, usando e abusando das ideias antigas da banda – o que agrada. A melancólica “The Garden Rules” é outra faixa positiva, trazendo novamente um romantismo consciente, bons arranjos e competentes vocais e backing-vocals.

A faixa-título, porém, é uma coisa estranha e sem nexo, cuja falta de dinamismo chega até a irritar. A sétima, “Berlin”, chega para tentar sanar os efeitos negativos da infeliz faixa anterior – mas falha; é uma música preguiçosa, tentando dar destaque à melodia, mas novamente há o erro de se continuar na mesma, não variar, e a falta de uma letra é algo realmente estranho. É engraçado, pois os caras têm um reconhecido talento, e quando querem criam músicas bastante agradáveis. Talvez a “necessidade” de se mostrar moderna, atenta às atualidades, tenha feito a banda procurar por coisas desnecessárias, dando assim algumas escorregadas. “Lifening”  volta a mostrar que Gary Lightbody é um bom compositor, principalmente se tratando de músicas calmas, e é mais um dos pontos agradáveis do “Fallen Empires”.

“New York” é minimista, mais uma vez cometendo o erro de pouco variar, mas é até agradável; apesar de nada audaciosa, passa longe de ser um grande ponto negativo. Outro deslize do álbum é soar enjoativo, e já na décima faixa é capaz de se cansar de ouvi-lo; “In the End” também tem seus efeitinhos, soa moderninha, e dá provas que o Snow Patrol admira o “Achtung Baby”. “Those Distant Bells” é mais uma canção calminha, pouco dinâmica, mas que não pode ser considerada como “uma música ruim”.

Quando um álbum chega a sua parte final soando cansativo, arrastado, considera-se um mal sinal. Deve ser dito, porém, que “Fallen Empires” não é de todo negativo – o adjetivo mais correto é “inconsistente”. “The Symphony”, a décima-segunda, tem um título que engana bem: nada de sinfonia, e sim um pop rock minimista, bem artificial e enjoativo. A insossa “The President” passa longe de demonstrar o poderio de um presidente, e essa sequência de músicas que pouco acrescentam faz o álbum se encerrar de uma forma não muito agradável, como ouvido em “Broken Bottles Form a Star (Prelude)”; como o nome diz, apenas um prelúdio, um tema instrumental razoável para encerrar o álbum.

Apesar de conter algumas faixas legais, o “Fallen Empires” não se mostra como um grande conjunto de canções. A gravação é inconstante, desencontrada, e apesar do talento da banda e das boas letras de Gary Lightbody, o álbum não chega a passar do medíocre. Há o que se comemorar e há o que se lamentar, mas apesar de o Snow Patrol ser visivelmente uma boa banda, parece que chegou a hora de tentar se reencontrar.

NOTA: 5,5

Track List: (Letras compostas por Gary Lightbody, e instrumentais por Snow Patrol)

01. I’ll Never Let Go [04:44]

02. Called Out in the Dark [04:01]

03. The Weight of Love [04:17]

04. This Isn’t Everything You Are [04:58]

05. The Garden Rules [04:29]

06. Fallen Empires [05:20]

07. Berlin [02:05]

08. Lifening [03:53]

09. New York [04:01]

10. In the End [04:00]

11. Those Distant Bells [03:17]

12. The Symphony [06:07]

13. The President [04:35]

14. Broken Bottles Form a Star (Prelude) [01:30]

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