2012: Attack on Memory – Cloud Nothings

O primeiro álbum a chamar a atenção em 2012 é o bem-vindo trabalho realizado pelo Cloud Nothings, banda de Cleveland, assinada pelo músico e compositor Dylan Baldi. “Attack on Memory” é o melhor trabalho do Cloud Nothings até então, usando como comparação os outros dois álbuns lançados, em 2010. Sim, este é um projeto novo, ainda longe da grande mídia, mas que vem crescendo de forma consistente. É fato que este novo trabalho chegará aos ouvidos de muita gente, pois com o amadurecimento e crescimento dos círculos indie, vem tornando-se mais fácil que bons álbuns apareçam bem, mesmo sendo realizados longe dos holofotes. E isso é ótimo; nossos ouvidos agradecem.

Nos trabalhos anteriores, o Cloud Nothings ainda se prendia muito a um som imaturo, proveniente das ideias adolescentes de Baldi. Agora ele parece ter crescido, evoluindo muito suas letras e a estrutura de suas músicas, mostrando-se às vezes como um discípulo de Kurt Cobain, com uma amargura triste e impregnante. Isto é observado na primeira faixa, a boa “No Future/No Past”, que pode ser taxada de azeda e deprimida, com sua letra minimista e pessimista, mas que através de um instrumental tímido e consciente (que cresce bem em sua parte final) perfaz um bom início para um álbum bem interessante; o vocal, gritante e sofrido, se assemelha ao do falecido líder do Nirvana. “Wasted Days” contém um instrumental mais poderoso, bastante competente com seus riffs tradicionais da música Lo-Fi, onde Baldi sente-se à vontade para, mais uma vez, cantar com personalidade seus pensamentos.

“Attack on Memory” também tem influências punk fortes, e a terceira faixa, “Fall In”, é uma boa mostra disso, com um instrumental apoiado por uma estrutura mais veloz, mas sem deixar de apresentar o estilo da maioria das músicas do Cloud Nothing, isto é, letra minimista com dizeres audaciosos, vocais viscerosos gritados com certa disciplina. A próxima, “Stay Useless”, também é bastante punk, e é essa sonoridade um dos poucos pontos que relacionam os trabalhos anteriores da banda a este atual. Dylan Baldi tornou-se um compositor adulto, falando com autoridade e bastante personalidade, obtendo a coragem para viajar por sons mais maduros; mas, mesmo assim, é muito cedo para dizer que “Attack on Memory” é o amadurecimento total do Cloud Nothings. Talvez seja apenas mais um elemento do constante crescimento do projeto.

“Separation” é uma faixa instrumental, que escancara riffs oscilantes, ambientados em uma muito bem construída estrutura dinâmica.  “No Sentiment” é certamente uma das músicas mais fortes do álbum, mostrando bem como Baldi andou colecionando influências do passado para reinventar o som da banda. É incrível, mas até na música indie, no Lo-Fi, há gente que não gosta de reinvenções, de um olhar para o passado para um polimento da sonoridade; estes podem ficar presos à década passada, e ouvir de fitas-cassetes caseiras um som duvidoso e que procura ignorar muitas coisas boas que já foram feitas. Felizmente, o Cloud Nothings vem se libertando dessa veia caseira, pois não é aceitável que uma banda, em condições de fazer algo maior, continue presa ao seu quarto.

“Our Plans” tem uma boa cadência, com mais um balouçante instrumental que passeia por influências tanto antigas como novas; além de indie rock moderno, é claro, “Attack on Memory” tem punk-rock, grunge, e até umas pitadinhas (mesmo que discretas) de hard rock e heavy metal – algo que lembra as distorções dos primeiros anos das bandas grunge de Seattle, ou seja, um amontoado de releituras. A oitava e última faixa, “Cult You”, é mais easy-listening, menos corajosa, mas mesmo assim tem a capacidade de mostrar que quer algo a mais: romper o rótulo de Lo-Fi para percorrer caminhos mais polidos, adentrando o Cloud Nothings na alta fidelidade sonora de modernos estúdios – agradando tanto ouvintes ansiosos por algo mais limpo quanto fabricantes de fones de ouvido.

Por mais que não tenha fama, sem uma atenção especial da mídia e da crítica, o que se espera de “Attack on Memory” é que o Cloud Nothings atraia mais ouvintes. E Baldi conseguiu, através de seu surpreendente e rápido crescimento como músico, transformar algo que antes, era praticamente restrito a espinhas, em um som capaz de agradar jovens e mais barbados.

Se o ouvinte não gosta de se prender apenas ao mainstream, e admira bons trabalhos que são realizados longe do glamour, “Attack on Memory” é um álbum que deve ser ouvido.

NOTA: 7,4

Track List: (todas as faixas compostas por Dylan Baldi)

01. No Future/No Past [04:39]

02. Wasted Days [08:52]

03. Fall In [03:13]

04. Stay Useless [02:44]

05. Separation [03:02]

06. No Sentiment [03:36]

07. Our Plans [04:15]

08. Cut You [03:17]

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