1983: Madonna – Madonna

Também conhecido como “The First Album”, o primeiro trabalho de Madonna se consolidou através dos anos como um clássico da música pop. Se Madonna é a rainha, este disco pode muito bem ser classificado como a sua coroação, apresentando ao mundo uma estrela engajada nas causas feministas, mas principalmente com inteligência e sensualidade. Com sua voz marcante e suas músicas dançantes, Madonna se tornou não só a maior estrela do dance-pop, mas uma das maiores estrelas da história da música.

Pelos idos de 1982, a jovem Madonna se aventurava no mundo da música na cidade de Nova York. Sua primeira gravação, o single “Everybody”, acabou chamando a atenção de gente importante dentro das gravadoras, e dali para o seu primeiro álbum foi um pulinho. Com um produtor da Warner, o trabalho decorria, mas não agradava a cantora; por isso, ela decidiu pedir uma ajudinha a John “Jellybean” Benitez, seu namorado na época. Esta decisão pode ter sido crucial, pois como na época Madonna era apenas uma estreante, não tinha nas mãos um controle tão grande quanto ao que deveria ser feito. Com isso, as palavras da produção eram de fundamental importância, e ter alguém falando a mesma língua que a cantora parece ter sido o gancho que proporcionou a criação de algo conciso.

Misturando influências principalmente de disco e pop-rock, o primeiro álbum da rainha do pop ainda se encontra entre os álbuns fundamentais do gênero, justamente por ter construído os alicerces da dance music como conhecemos hoje – não só para tocar nas casas de dança, mas para ser cantarolada e pensada. Isto não foi importante apenas para Madonna, pois acabou criando um caminho a ser seguido por uma grande leva de artistas, principalmente femininas; este foi um dos sons mais marcantes da década de oitenta.

“Lucky Star” é a abre-alas, com suas batidas eletrônicas de bateria e palmas; por mais que o ritmo seja o grande destaque, o trabalho de sintetizador também deve ser elogiado. Com recursos para utilizar o que havia de mais moderno na época, Madonna e seus produtores trataram de trabalhar caprichosa e cuidadosamente na produção, tornando o álbum um dos mais bem gravados de sua época. Madonna aparece com uma voz refinada e expressiva na sentimental “Borderline”, uma canção que acabou proporcionando a criação de uma personalidade vocal única e inconfundível; inspirada na disco music setentista, com boas pitadas de Elton John e inclusive com uma citação de Bachman-Turner Overdrive, esta é uma música fundamental da carreira de Madonna, sendo um dos registros-chave de sua base musical.

“Burning Up” tem um arranjo mais gritante, devido às guitarras pesadas, se apresentando como algo parecido a um punk-dance-pop; é mais simples, mas nem por isso menos competente, mostrando que, mesmo fundamentalmente dance, Madonna também pode ser roqueira. Em meio a tantas músicas conhecidas, tantos sucessos comerciais, “I Know It” quase passa despercebida; mas é mais uma ótima faixa, com suas batidas suaves e arranjo contando com piano e saxofone. Com suas ótimas progressões e seu ritmo sensacional, o mega-hit “Holiday” é extremamente impregnante, contagioso, com um refrão que, de tão cantável, não sai da cabeça nem após um porre de whisky; ele é simples, até simples demais, mas é marcante como poucos, sendo um gancho perfeito para uma canção de uma muito inteligente naturalidade – apenas o desejo de feriado, de se celebrar… nada mais.

“Think of Me” é uma advertência: Madonna canta que, ou o seu namorado lhe dá atenção, ou ela vai embora; é mais uma música divertida, sem grande complexidade, mas alocada inteligentemente, com o destaque maior ficando para o bom arranjo, com seus sons eletrônicos extravagantes e um saxofone elegante. “Physical Attraction” é sensual na medida certa, cantada com uma voz estridente, contando a boa produção recorrente no álbum, sempre caprichando nos arranjos; uma segura linha de guitarra, uma batida eletrônica repetitiva e efeitos eletrônicos interessantes dão a estrutura para Madonna cantar, sensualmente, sobre a atração entre ela e um rapaz.

Além de certeiro, o “The First Album” é curto e grosso; a oitava faixa já é a última, se tratando de “Everybody”, uma das primeiras composições de Madonna, e espertamente usada para chamar a atenção das gravadoras – é de fácil acesso, nada complicada ou arriscada, e é até um certo ponto de um simples bubblegum-pop (o pop chiclete, aquele mais superficial e com o intuito de ser cool).

“Madonna” é um álbum marcante, impactante, fundamental mesmo sem ser uma grande obra artística da música. É quase totalmente simples, dançante, com alguns toques de genialidade (principalmente quanto às interpretações de Madonna), mas sempre muito consciente e consistente, demonstrando competência do início ao fim. Mesmo ainda sem contar com o controle total da rainha do pop, ele acerta em mostrar do que Madonna era capaz. E como era… Seguindo o sucesso da estreia, surgiram sucessos ainda maiores.

NOTA: 8,0

Track List:

01. Lucky Star (Madonna) [05:37]

02. Borderline (Reggie Lucas) [05:20]

03. Burning Up (Madonna) [03:45]

04. I Know It (Madonna) [03:47]

05. Holiday (Curtis Hudson/Lisa Stevens) [06:10]

06. Think of Me (Madonna) [04:54]

07. Physical Attraction (Reggie Lucas) [06:39]

08. Everybody (Madonna) [04:57]

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