2011: Chief – Eric Church

Eis aqui Eric Church, um dos mais bem sucedidos músicos country da atualidade, com trabalhos que atraem um grande público, e por isso vendem muito bem. O cantor começou a tornar-se famoso logo em seu álbum de estreia, “Sinners Like Me”, de 2006, mas foi com “Carolina”, de 2009, que ele realmente se afirmou como um dos principais nomes da country music atual. Seu som remete-se ligeiramente ao country setentista, porém um pouco mais agressivo, com boas pitadas de southern rock.

Porém, é geralmente essa distância ao country mais tradicional o ponto mais destacado dos trabalhos de Church, principalmente quando se ouve “Chief”, seu terceiro álbum. Indubitavelmente, trata-se de seu trabalho mais bem sucedido até hoje, tendo inclusive alcançado o topo da parada da Billboard, e se caracteriza por uma musicalidade mais comercial do que propriamente tradicional. Não que isso seja um defeito, pois é bastante válida a intenção de fazer algo novo, mais palpável às gerações atuais. O próprio cantor diz ter crescido ao som de Bob Seger, AC/DC, Metallica e Tom Petty, e que leva essas influências para fazer algo que dê uma abordagem nova ao country.

“Chief” tem seus defeitos, mas apresenta boas músicas, de onde é possível ouvir claramente o que Church desejava fazer. A primeira faixa, “Creepin'”, já mostra um bom instrumental, com uma estrutura interessante, que cresce na medida certa e no momento certo, apresentando guitarras bem comportadas e alguns efeitos moderninhos. Apesar de muitas vezes o country de Eric Church soar instigante, seu vocal é bem comportado, sem grandes alcances e sem muitas firulas; e isso pode ser percebido na segunda faixa do álbum, “Drink in My Hand”, onde mais uma vez o destaque fica para os riffs de guitarra bem construídos.

Mais um competente instrumental é ouvido em “Keep On”, uma canção que se mostra calma em quase toda sua totalidade, mas que se enraivece em alguns momentos, principalmente quando as guitarras se destacam. Já “Like Jesus Does” é uma balada, que consegue aliar uma letra romântica a uma pitadinha de religiosidade, quando Church canta que “ela me ama como Jesus faz”. “Hungover & Hard Up” é outra música calma do álbum, um pouco sonolenta, e com alguma coisa de pop rock no instrumental, a tornando mais comercial do que o necessário.

A agradável “Homeboy” é um dos grandes destaques do álbum, com uma ótima letra e um instrumental muito bem elaborado, contando com uma produção de surpreendente qualidade, cuidadosamente feita, e que acaba deixando a faixa com grande potencialidade para single. “Country Music Jesus” é provavelmente a música mais interessante do “Chief”, pois relata a ânsia de Church em fazer uma “country music messias”, capaz de salvar um ritmo que muitas vezes, nos últimos anos, se enrola em mesmices. Há realmente espaço para coisas novas na música country, e Eric Church conseguiu mostrar para os mais tradicionalistas que isso é possível.

“Jack Daniels” conta a divertida relação entre o homem e a bebida, que é capaz de derrubá-lo todas as noites, mas mesmo assim não é abandonada; a música contém uma melodia que reflete muito bem o espírito da canção, que é mais um dos pontos positivos do “Chief”. A nona faixa é “Springsteen”, e se trata realmente de referências a Bruce Springsteen, refletindo memórias que se misturam a músicas como “Born in the USA”, inclusive lembrando a melodia de uma das canções mais marcantes da década de oitenta.

“I’m Gettin’ Stoned” contém o instrumental mais corajoso do álbum, repleto de elementos pop; mas, apesar de ter uma boa intenção, a música se mostra enjoativa, com variações não muito bem encaixadas à estrutura da canção, com um dinamismo que pode ser considerado ligeiramente forçado. Em “Over When It’s Over” chega-se ao final, mas com uma faixa que pouco acrescenta, carregando consigo a estrutura enjoativa da faixa anterior. É uma pena que o “Chief” se encerre assim, pois ele apresenta vários pontos interessantes, perfazendo elementos atuais dentro da música country.

Eric Church é um bom músico com uma ótima intenção: dar uma nova vida ao country, agregando elementos que tem agradado o público em geral. E essa foi a principal intenção de Church em seu “Chief”. Às vezes essa tentativa se mostrou certeira, atingindo o objetivo com brilhantismo; em outras, essa intenção acabou indo para um lado duvidoso, fazendo que algumas canções soassem muito comerciais. Não bastam efeitos (e enfeites) eletrônicos para se fazer algo realmente novo, e as duas últimas músicas do álbum mostram que Church poderia trabalhar melhor alguns pontos da estrutura de suas músicas.

“Chief” é um bom álbum, agradável, com composições interessantes e que tenta dar um ar moderno à country music. Se Eric Church ainda não conseguiu realizar seu objetivo com excelência, que ele tenha a consciência que está no caminho certo; “Chief” é um sucesso comercial, mostrando que o público está com o músico nesta empreitada. É só corrigir alguns equívocos, e algo grande será feito.

NOTA: 6,8

Track List:

01. Creepin’ (Church/Green) [03:52]

02. Drink in My Hand (Church/Heeney/Laird) [03:11]

03. Keep On (Church/Tyndell) [02:38]

04. Like Jesus Does (Beathard/Criswell) [03:18]

05. Hungover & Hard Up (Church/Laird) [02:53]

06. Homeboy (Church/Beathard) [03:47]

07. Country Music Jesus (Church/Spillman) [03:52]

08. Jack Daniels (Church/Hyde/Hutton) [05:04]

09. Springsteen (Church/Hyde/Tyndell) [04:23]

10. I’m Gettin’ Stoned (Church/Hyde/Beathard/Crady) [04:02]

11. Over When It’s Over (Church/Laird) [02:39]

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