2011: Different Gear, Still Speeding – Beady Eye

O ano de 2011 marcou o lançamento dos primeiros trabalhos de estúdio dos irmãos Liam e Noel Gallagher após a separação da famigerada banda Oasis. Sem nenhuma dúvida, o lamento dos fãs, apesar de grande, foi aliviado (nem que seja só um pouco) por esses dois bons lançamentos.

Enquanto Noel montou uma banda totalmente nova, Liam decidiu continuar com os antigos músicos do Oasis. À primeira vista, a escolha de Liam foi mais conservadora, visto que Gem Archer e Andy Bell são músicos experientes e com talento para compor. Mas, enquanto Noel seguiu a linha musical que o Oasis seguia em seus últimos álbuns, Liam e sua trupe preferiram um som diferente do Oasis, mais ligado a antigas influências, com bons toques de rock clássico.

O primeiro álbum da banda de Liam, Beady Eye, contém nome e capa irônicos, mas o destaque fica para as músicas. A primeira faixa é “Four Letter Word”, com instrumental interessante, competente, e uma boa letra. Aliás, a consistência das boas composições de Liam acompanham o álbum durante todo seu desenrolar.

A segunda, a agradável “Millionaire”, escancara ainda mais as influências de rock clássico, até mesmo pela presença de alguns elementos de música indiana – George Harrison manda abraços. Influências dos Beatles, aliás, nunca faltaram para a música do Oasis, e não deixariam de faltar nos trabalhos dos brigados irmãos; o modo singular de Liam cantar cada vez mais se assemelha ao de John Lennon, e isso se torna ainda mais perceptível na terceira faixa, “The Roller”, uma das melhores músicas do álbum, muito bem construída e fortemente influenciada por “Instant Karma! (We All Shine On)”, clássico da carreira solo de John.

A quarta faixa fala por si só: “Beatles And Stones”; ode muito bem vinda às duas maiores bandas da música inglesa, em uma canção muito boa, com mais um instrumental empolgante. Mas é fato que às vezes Liam parece querer falar mais de Beatles do que de Beady Eye, deixando sua idolatria influenciar muito em seu trabalho. Segue então outra música agradável, “Wind Up Dream”, com ótimos riffs de guitarra, uma melodia interessante, louváveis solos de gaita de boca e uma boa letra.

O álbum segue bem, e “Bring the Light” se mostra como uma das melhores composições de Liam desde “(What’s the Story) Morning Glory?”; é empolgante, com um ritmo excelente, feito através de um piano que não fica devendo nada ao de Jerry Lee Lewis. A melódica “For Anyone” deixa claro que o principal produto do Beady Eye são as boas composições, que tornam o álbum bastante agradável e consistente. “Kill for a Dream” é uma canção bonita, calma e melódica, mostrando que apesar do comportamento agressivo, sensibilidade musical é algo que não falta a Liam Gallagher.

“Standing on the Edge of the Noise” promete – e cumpre – uma canção mais agitada que as duas faixas anteriores; mais uma vez, o instrumental se comporta de forma impecável, só vindo a sintetizar o talento e a competência de Liam, Archer, Bell e Sharrock. “Wigwam” é uma balada bem bolada, que apesar de passar longe do incrível, mantém o álbum numa boa consistência.

A faixa 11 é “Three Ring Circus”, também cheia de influências clássicas; uma aposta bem conservadora, mas que soa bem, acima de tudo. A penúltima, “The Beat Goes On”, uma música arrebatadora, é uma das canções mais bonitas do álbum, contando com a mais singela letra até hoje já feita pelo Beady Eye. “The Morning Son” dá acordes finais ao “Different Gear, Still Speeding”, sendo mais uma digna e calma canção do (quase sempre) baladeiro álbum de estreia do Beady Eye.

Não há muito o que reclamar do “Different Gear, Still Speeding”. Contém algumas falhas, é claro, mas nada muito diferente das que o Oasis cometia em seus últimos álbuns. Beady Eye se mostra uma banda bastante capaz, um Oasis mais tranquilo, e a ausência de Noel parece ter feito bem aos músicos que continuaram acompanhando o irmão, dando a eles a oportunidade de um maior destaque. O som da banda de Liam agrada bastante, com boas composições – letras e instrumentais bastante competentes.

“Different Gear, Still Speeding” é um álbum válido, e o ouvinte não precisa temer o que vem. Todas as faixas são boas, bastante agradáveis, mostrando uma banda com um entrosamento absurdo. Por conter muita influência clássica, ele não investe em coisas realmente novas, podendo às vezes parecer meio preguiçoso para os mais exigentes. Mas este não é um erro muito grave, e a maior crítica fica realmente para Liam. Muita gente gosta do caminho que ele está tomando, mas o engraçado é que ele sempre afamou-se por uma personalidade forte; então deveria utilizar sua personalidade para saber medir as influências, pois quando elas se tornam muito repetitivas, pode-se acreditar que se esteja querendo fazer sucesso nas costas dos outros. Algo, diga-se com certeza, que não ocorre, mas que se torna um perigo, devido aos ouvintes mais céticos e/ou desinformados.

NOTA: 7,5

Track List: (todas as faixas compostas por Gallagher/Archer/Bell)

01. Four Letter Word [04:17]

02. Millionaire [03:19]

03. The Roller [03:34]

04. Beatles and Stones [02:56]

05. Wind Up Dream [03:27]

06. Bring the Light [03:39]

07. For Anyone [02:15]

08. Kill for a Dream [04:39]

09. Standing on the Edge of the Noise [02:52]

10. Wigwam [06:39]

11. Three Ring Circus [03:09]

12. The Beat Goes On [04:45]

13. The Morning Son [06:03]

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