1979: Get The Knack – The Knack

No final dos anos setenta, o mundo da música viu o surgimento de algumas vertentes do rock alternativo, como o power pop e o new wave. Talvez um dos grandes responsáveis por isso tenha sido o The Knack, banda que hoje é pouco lembrada, mas que na época botava pra quebrar nas estações de rádio de todo o mundo.

“Get The Knack” foi tão arrebatador que, na época, acabou se enfiando entre Donna Summer e Led Zeppelin no topo da parada da Billboard. Muito do sucesso do álbum, na verdade, deve-se ao mega hit “My Sharona”, que pode ser facilmente tido como um dos singles mais grudentos da história; mas o álbum não tem apenas uma música, e se mostra de boa qualidade do início ao fim. É uma ótima gravação, coisa que a banda não conseguiu repetir em seus trabalhos posteriores.

Então The Knack é uma banda de apenas um grande hit e um grande álbum? Sim, e essa é a principal razão do desaparecimento do nome da banda entre as mais lembradas pelo público. Mas, em 1979, ninguém podia esperar que isso seria possível. A banda surgiu como um furacão, com o auxílio de uma audaciosa estratégia de marketing da gravadora, que trajou os músicos como “Beatles dos anos oitenta”. A Capitol, inclusive, fez imitar a capa do clássico álbum “Meet The Beatles” para a estreia da banda de rock alternativo.

A primeira faixa do “Get The Knack” é “Let Me Out”, uma música com uma forte pegada, e uma estrutura e um potencial pop que podem realmente lembrar os primeiros trabalhos dos Beatles; é uma canção empolgante, com um instrumental bastante competente, que dá um bom início ao álbum. “Your Number Or Your Name” é construída através de calmos e bonitos riffs de guitarra, mostrando um pouco do que seria a estrutura de muitas músicas de sucesso do new wave: um instrumental competente, mas de estrutura simples, com ritmo e letra bastante pegajosos. “Oh Tara” mantém o álbum em um ótimo nível, sendo mais uma música bastante pegajosa e com um ótimo instrumental.

“(She’s So) Selfish”, a quarta faixa, é outra música agradável aos ouvidos, e apesar de se manter por um tempo considerável em uma linha uniforme, acaba por crescer quando necessário. Segue então a calma e acústica “Maybe Tonight”, uma das melhores músicas do álbum, muito melódica, que apesar de conter uma estrutura muito mais ligada ao rock clássico, não deixa de oferecer as principais características do The Knack. “Good Girls Don’t” se mostra bastante radiofônica, mas isso não significa má qualidade; é uma canção forte, que contém um bom dinamismo.

Porém, mais radiofônica que a sétima faixa, “My Sharona”, impossível; é uma música dançante e contagiante, construída através de um ritmo pulsante, com riffs grudentos e uma letra muito bem desenvolvida, que se encaixa muito bem à melodia; outro grande destaque é o ótimo (e bastante melódico) solo de guitarra, que dá um tempero todo especial à canção. “Heartbeat” também é arrebatadora, com ótimo ritmo, e é capaz de manter o álbum em uma louvável consistência.

“Siamese Twins (The Monkey and Me)” é ligeiramente mais pesada, cujo principal destaque é sua ótima linha de baixo; é uma faixa que aparece na hora certa, depois de uma série de canções extremamente radiofônicas. “Lucinda” é outra ótima canção, que em alguns pontos chega a lembrar bastante os Beach Boys; influência sessentista, inclusive, é o que não falta ao “Get The Knack”. “There’s What the Little Girls Do” é a penúltima, e leva o álbum para sua reta final apresentando mais um número melódico, com ótimo instrumental e vocalizações muito bem encaixadas. Para encerrar o álbum, “Frustrated” mantém a qualidade musical, soando ao mesmo tempo dançante e instrumentalmente competente, assim como outras faixas do álbum.

É impossível voltar a não lembrar do The Kanck depois de ouvir o álbum de estreia da banda. Com instrumental rock e uma pegada pop, a sonoridade do álbum se mostra cativante, com canções bem pensadas e bem executadas. O The Knack abriu portas, e com um disco tão bem feito, não era de se esperar que fosse diferente; o new wave foi o ritmo que marcou a década de oitenta. Você pode lembrar, porém, de todas aquelas bandas que faziam algo como um punk mais experimental e radiofônico, podendo citar Duran Duran, Talking Heads, Blondie, The Police… Mas é evidente que nenhuma dessas bandas conseguiu ser tão explosiva logo de cara quanto o The Knack. Se não criou o new wave, e muito menos continuou a ser uma banda relevante, o The Knack talvez tenha dado o empurrãozinho que faltava para o estouro do gênero, principalmente em solos americanos.

O sucesso do The Knack foi meteórico, pois tão rápido quanto surgiu, acabou sumindo. Mas, apesar de curta, a era áurea da banda foi quente, intensa, e acabou deixando para a história da música um hit de sucesso e um álbum muito consistente. Eles merecem ser lembrados.

NOTA: 9,0

Track List:

01. Let Me Out (Fieger/Averre) [02:20]

02. Your Number or Your Name (Fieger/Averre) [02:57]

03. Oh Tara (Fieger) [03:04]

04. (She’s So) Selfish (Fieger/Averre) [04:30]

05. Maybe Tonight (Fieger) [04:00]

06. Good Girls Don’t (Fieger) [03:07]

07. My Sharona (Fieger/Averre) [04:52]

08. Heartbeat (Montgomry/Petty) [02:11]

09. Siamese Twins (The Monkey and Me) (Fieger/Averre) [03:25]

10. Lucinda (Fieger/Averre) [04:00]

11. That’s What the Little Girls Do (Fieger) [02:41]

12. Frustrated (Fieger/Averre) [03:51]

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