1988: Ultramega OK – Soundgarden

O Soundgarden, banda que esteve na ativa durante as décadas de 80 e 90, e voltou em 2010, é uma das melhores e maiores bandas que o grunge de Seattle já viu. Com um som forte e, principalmente, muita atitude com uma boa dose de criatividade, o Soundgarden é uma das bandas que ajudaram o grunge a se tornar um fenômeno.

O primeiro álbum da banda, “Ultramega OK”, é uma interessante gravação, mostrando bem como era o grunge antes do sucesso, numa era pré-Nirvana. Ao dar o play, já se torna possível ouvir riffs matadores em “Flower”, uma música bem pesada e obscura, que escancara a qualidade musical e a energia da banda. A segunda faixa, “All Your Lies”, assim como a primeira, tem muita influência de heavy metal; mas o ouvinte não pode se enganar, pois se trata de um álbum de um grunge bastante autêntico, com o vocal sujo e agressivo de Chris Cornell e as sempre fortes atuações do ótimo guitarrista Kim Thayil. “665”, a terceira, soa como um grunge dos mais sujos, e fede a espírito alternativo, com sons desencontrados bem nonsense (que podem lembrar o psicodelismo).

“Beyound the Wheel” é uma música bastante obscura, construída através de sujos riffs de guitarra e de uma pesada linha de baixo, onde a agressiva voz de Cornell é um grande destaque. “667” volta a mostrar um som bem maluco, totalmente sujo, com Chris Cornell gritando palavras inteligíveis ao fundo. Já, a seguinte, “Mood of Trouble”, surpreende pela introdução acústica, que cresce para se tornar mais uma canção com um forte instrumental, apresentando novamente um show de riffs, incrementados mais uma vez por uma boa linha de baixo, uma bateria bastante firme, e pela voz grudenta de Cornell. “Circle of the Power”, então, nem se fala; a música é uma porrada, pancadaria do início ao fim, um ritmo enlouquecedor totalmente apoiado numa inundação de riffs pesados; o que deixa um pouco a desejar nesta faixa, infelizmente, é a voz do baixista Hiro Yamamoto, que deixa o baixo um pouco nas mãos de Cornell.

“He Didn’t” é outro grunge daqueles totalmente autênticos, um prato cheio pra quem gosta de bastante barulho; mais uma vez, riffs de guitarra hipnotizantes são o destaque do competente instrumental, que parecia compreender muito bem o espírito da música alternativa do final dos anos oitenta. Um surpreendente blues-rock, cover de Howlin’ Wolf, “Smokestack Lightnin”, aparece como faixa nove do álbum, mostrando que, apesar de fazer um rock bastante alternativo, o Soundgarden tem algumas influências clássicas interessantes. “Nazi Driver” acaba com o blues da faixa anterior com uma barulhenta linha de baixo, que acaba por evoluir em um tradicional instrumental grunge, obscuro, sujo e pesado.

“Head Injury”, apesar desse título, provavelmente não te dará dor de cabeça se o que você procura no debut do Soundgarden é mais um grunge pesado e totalmente underground, com um instrumental bem interessante. A penúltima faixa, e última música do álbum, é “Incessant Mace”, a faixa mais longa do “Ultramega OK”, que é algo como um blues distorcido ou um heavy metal primário aliado a uma atmosfera grunge; nada de muito incrível, mas bastante válido. Pra encerrar o álbum, “One Minute of Silence”, um “cover” de uma “música” de John Lennon (“Two Minutes of Silence”, presente no álbum experimental “Undefinished Music No.2: Life with the Lions”); uma presença bastante estranha no álbum, incluída, segundo Cornell, por causa da admiração da banda pelos arranjos feitos por Lennon na canção.

“Ultramega OK” é grunge, mas um grunge de uma época em que o estilo nem pensava em fazer algum sucesso. Música alternativa pura que, por se tratar de algo primário, ainda em construção, pode ser tachada, pelos menos criativos, de grunge-salada. Mas não uma salada desconexa, onde as músicas parecem jogadas de qualquer jeito e vários ritmos aparecem e somem rapidamente, sem dar nenhum feedback ao ouvinte. O “Ultramega OK” é uma salada bem feita, cuja base é o rock alternativo de Seattle, temperado com um bom molho de heavy metal, com pitadinhas de um rock mais clássico e apimentado com um instrumental forte e consistente.

Se passa longe de ser brilhante e poderia ser melhor, o primeiro álbum do Soundgarden também passa longe de ser considerado fraco ou ruim. É um álbum bastante interessante, com uma base forte, que mostra muito bem o que acontecia em Seattle naquela época. Sem dúvida, para quem gosta de rock, independente de qual vertente, o “Ultramega OK” é uma boa pedida.

NOTA: 7,7

Track List:

01. Flower (Thayil) [03:25]

02. All Your Lies (Thayil/Yamamoto) [03:51]

03. 665 (Yamamoto) [01:37]

04. Beyond the Wheel (Cornell) [04:20]

05. 667 (Yamamoto) [00:56]

06. Mood for Trouble (Cornell) [04:21]

07. Circle of Power (Thayil/Yamamoto) [02:05]

08. He Didn’t (Cameron) [02:47]

09. Smokestack Lightnin (Howlin’ Wolf) [05:07]

10. Nazi Driver (Yamamoto) [03:52]

11. Incessant Mace (Thayil) [06:27]

12. One Minute of Silence (John Lennon) [01:02]

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